A banda Portugal. The Man lançou SHISH, seu décimo álbum de estúdio e, sem dúvidas, o trabalho mais pessoal e revelador de sua carreira.
Lançado através de seu próprio selo (KNIK/Thirty Tigers), o disco marca uma ruptura com a grandiosidade pop de Chris Black Changed My Life (2023). Desta vez, o vocalista John Gourley decidiu olhar para dentro, e para trás.
De volta à garagem (e ao Alasca)
Gravado em um estúdio caseiro no Oregon com uma equipe mínima (basicamente Gourley e o produtor/baterista Kane Ritchotte), SHISH é um retorno à ética “faça você mesmo”.
O conceito do álbum gira em torno das raízes de Gourley no Alasca. As letras resgatam lições de sobrevivência aprendidas na infância, como a história de quando seu pai se recusou a atirar em um alce, ensinando-lhe o mantra que define o disco: “Pegue apenas o que você precisa e siga com a sua vida.”
Mas a sobrevivência aqui não é apenas física. Gourley usa o álbum para processar a criação de sua filha, Frances, diagnosticada há quatro anos com um distúrbio genético raríssimo. O resultado é um som que mistura desconforto, vulnerabilidade e aquela sensibilidade pop distorcida que só o PTM sabe fazer.
Faixa a faixa de SHISH
O disco transita por extremos sonoros que prometem funcionar muito bem ao vivo na The Denali Tour:
- Denali: A faixa de abertura transforma a flor típica do Alasca em um símbolo de revolução, com uma batida pulsante.
- Pittman Ralliers: Uma surpresa agressiva, soando quase como thrash metal.
- Father Gun: Um épico progressivo de cinco minutos que comprime ecos de Pink Floyd e glam metal.
- Tanana: A cota de esperança do disco, falando sobre rir mesmo quando o mundo parece desabar.
Ativismo e bônus track
O álbum também reflete o trabalho da fundação Pass The Mic, criada pela banda, que já doou mais de um milhão de dólares a comunidades indígenas.
E para quem quer um “algo a mais”, a banda lançou na semana passada uma versão acústica e suave de Golden (sucesso do grupo de K-Pop Demon Hunter), disponível na Amazon Music.