Entrevista | Lexie Liu – “Eu quero ser como o Cansei de Ser Sexy: fora da curva, expressiva e com um pouco de loucura.”

Entrevista | Lexie Liu – “Eu quero ser como o Cansei de Ser Sexy: fora da curva, expressiva e com um pouco de loucura.”

Lexie Liu dá um passo decisivo em sua trajetória internacional com Teenage Ramble, EP que marca seu primeiro trabalho totalmente cantado em inglês. Conhecida por transitar entre pop, eletrônico e referências alternativas, a artista chinesa aposta agora em um registro mais direto, espontâneo e menos conceitual do que seus projetos anteriores, abrindo espaço para uma escrita mais emocional. O lançamento reforça sua busca por novos públicos e por uma identidade artística cada vez mais global.

Antes mesmo do novo EP, Lexie já vinha ampliando seu alcance fora da Ásia por meio de projetos ligados ao universo de League of Legends. A artista participou de iniciativas musicais da Riot Games, incluindo faixas associadas ao K/DA, um dos projetos mais populares do jogo, o que ajudou a apresentar seu trabalho a uma audiência internacional diversa e conectada à cultura pop, games e música. Essa ponte entre música e entretenimento digital foi fundamental para consolidar seu nome fora do circuito tradicional do pop chinês.

Em entrevista ao Blog n’ Roll, Lexie Liu falou sobre o processo criativo por trás de Teenage Ramble, as influências que vão de Wet Leg ao Cansei de Ser Sexy e os desafios de equilibrar uma carreira internacional sem perder autenticidade, além de comentar seus próximos passos e o desejo de vir ao Brasil.

Você lançou Teenage Ramble, seu primeiro álbum totalmente em inglês. Quando você sentiu que era o momento certo para dar esse passo?

Eu senti. Eu acho que nunca foi uma decisão muito pensada. Eu nunca sentei com o meu time para calcular quando deveríamos fazer isso. Mas senti que o tempo era bom porque eu tinha acabado de terminar o meu terceiro álbum, e todos os meus projetos anteriores eram bilíngues.

Este ano, eu só quis ver como seria fazer um projeto totalmente em inglês, testar como eu me sentiria e como as pessoas reagiriam. É uma nova experiência. A escrita, a produção e todo o processo criativo são diferentes, porque é no meu segundo idioma, mas isso acabou se tornando muito divertido.

Então você sente que sua expressão emocional muda dependendo da língua que você está usando?

Eu acredito que sim, definitivamente.

Esse trabalho parece mais espontâneo e menos polido. Isso reflete um momento específico da sua vida?

Eu acho que sim, de certa forma. Eu não pensei em um grande conceito ou em um longo processo de construção de mundo para este projeto. Ele nasceu mais como o escoamento de um longo tempo criando demos.

Eu criei realmente de forma espontânea, para o momento e no momento. Então, você está certo, ele é muito menos polido. Eu quis ver como soaria um projeto mais cru. Desta vez, eu tentei ser o mais genuína e honesta possível, e algumas pessoas podem achar isso bem diferente do que eu fiz antes.

O seu trabalho mistura pop, energia alternativa e elementos eletrônicos, eu vejo coisas de divas pop e até um pouco de indie, como do Wet Leg e música alternativa como os brasileiros do Cansei de Ser Sexy. Mas quero saber de você, que artistas lhe influenciam? Tem mais algo brasileiro que você conhece?

Você basicamente já citou todos os nomes (risos). Na verdade, eu amo muito o Cansei de Ser Sexy. Eu nem sabia de onde eles eram no começo, porque encontrei as músicas no modo aleatório do streaming. Eu simplesmente amei a energia deles, e eles se tornaram um dos meus grupos favoritos.

Eu quero ser como eles. Eles são tão fora da curva, tão expressivos emocionalmente. Os vocais são meio loucos, mas é o tipo de loucura boa. A loucura que eu gostaria de ser, mas talvez nunca consiga. Eu me identifico muito com isso.

E eu também gosto muito de MPB. Acho que nunca falei isso antes em entrevistas. Eu tenho uma playlist inteira só de música brasileira de MPB, de artistas que eu não conheço pessoalmente, mas que eu conheço muito bem através da música.

Hoje o pop internacional parece cada vez menos centrado nos Estados Unidos e na Europa. Como você enxerga esse novo cenário global?

Essa é uma grande pergunta. Eu acho que é definitivamente uma ótima oportunidade para os artistas se cruzarem. Não só nós indo para outros mercados, mas também artistas brasileiros indo para a Ásia.

Apesar de todas as diferenças culturais, de fronteiras e de idioma, nós estamos muito conectados agora. É fácil encontrar pessoas do outro lado do planeta e compartilhar música e paixão. Isso abre muitas possibilidades reais de troca.

É um desafio equilibrar as expectativas do público chinês e, ao mesmo tempo, construir uma carreira global? Porque são culturas muito diferentes.

Eu acho que é desafiador, sim. É difícil não ser. É algo muito complicado de equilibrar. Mas, ao mesmo tempo, acredito que, quando a minha música é verdadeira para quem eu sou e para o que eu quero expressar, e quando as pessoas sentem isso, muitas expectativas simplesmente desaparecem. Se elas se conectam emocionalmente, isso se torna maior do que qualquer rótulo.

Os fãs brasileiros acompanham o seu trabalho e temos muito fãs aqui de LOL e Arcane que com certeza lhe conheceram por lá. Existe a possibilidade de você vir ao Brasil no futuro?

Eu adoraria ir ao Brasil, com certeza. Eu sinto que tenho alguns dos fãs mais calorosos e acolhedores aí, o que é muito louco para mim.

Para quem ainda não lhe conhece, existe alguma faixa de Teenage Ramble que você considera o coração do EP?

Eu diria que é “X”. É a minha música favorita do EP, mesmo que eu esteja um pouco cansada dela agora, porque eu a ouvi muitas vezes desde o primeiro dia em que a fiz.

Mesmo sendo uma faixa mais dançante, que talvez não soe tão profunda ou emocional à primeira vista, ela tem uma vibração muito boa. É daquelas músicas que te fazem se sentir renovada, confiante, quase como um personagem caminhando pela rua. Essa energia rápida ilumina o dia, mesmo que por um momento.

Ela representa bem o projeto, porque Teenage Ramble não é um conceito super polido ou uma grande construção de mundo. São fragmentos do meu dia, fragmentos dos meus momentos, que acabaram virando música.

Depois desse EP, quais são os próximos passos da sua carreira?

Eu vou começar a trabalhar no meu próximo álbum depois de Teenage Ramble. Espero conseguir fazer turnês internacionais e, sinceramente, estar no Brasil para viver essa troca musical de forma mais próxima, cara a cara.