Se alguém esperava apenas um “aquecimento” para Frank Turner, Dave Hause tratou de dissipar essa ideia logo nos primeiros acordes. Velho companheiro de estrada do britânico e eterno líder do The Loved Ones, Dave Hause subiu ao palco do Fabrique não como um coadjuvante, mas como um co-protagonista espiritual da noite.
A conexão com o público foi testada, e aprovada, instantaneamente. Logo na abertura com Look Alive, uma falha no som deixou o cantor sem microfone por boa parte da canção. Longe de esfriar o ânimo, o incidente transformou o Fabrique em um coro uníssono, com a plateia segurando a melodia enquanto Hause regia o público, provando que o carisma de um frontman veterano supera qualquer falha técnica.
Essa energia crua não é acidental. Após uma fase mais voltada ao Americana e gravações polidas em Nashville, Hause vive um momento de epifania rock’n’roll com seu projeto atual, …And the Mermaid (2025).
O repertório foi um passeio por essa trajetória, com faixas como Hazard Lights, Cellmates, C’mon Kid, Saboteurs e Damn Personal. Para os fãs das antigas, o ponto alto foi Jane, clássico do The Loved Ones que fez a pista tremer.
Hause também não fugiu do posicionamento político, uma marca de sua carreira vinda da escola punk da Filadélfia. Antes de Dirty Fucker, dedicou a música “a dois filhos da puta”: Donald Trump e Jair Bolsonaro, sendo ovacionado pelo público.
Em sua primeira vez no Brasil, ele lamentou não poder atender a todos os pedidos da plateia devido ao tempo curto, mas deixou uma promessa: voltaria para tocar o set completo se retornasse como headliner. Se depender da recepção calorosa e da intensidade que entregou, o convite já está feito.