Imagine uma bala que começa doce na boca, mas revela um recheio ácido e corrosivo logo em seguida. É essa a “experiência de contraste” que a banda paulistana Wilza propõe em seu álbum de estreia homônimo, que acaba de chegar às plataformas de streaming.
Após pavimentar o caminho no final de 2025 com singles de nomes curiosos e provocativos, Terapia, Glicose Matinal e Luigi Mangione, o grupo entrega agora a obra completa. O som é uma expansão do universo onde a crueza punk colide com uma psicodelia em tecnicolor.
Humor, raiva e distorção no som da Wilza
A própria banda define seu território sonoro como “punk pirulito”: um lugar onde melodias indie e vocais mergulhados em reverb são subitamente atropelados por paredes de guitarra e gritos enfurecidos.
As letras seguem a mesma dicotomia. São crônicas irônicas que tratam desde o drama cotidiano da classe média (como conciliar o orçamento para pagar a terapia) até o desejo catártico de ver o império de bilionários e big techs em chamas.
Para quem sente saudade da “barulheira com classe” dos anos 90, as referências são claras: Nirvana, Veruca Salt e Sonic Youth.
Mudança na cozinha
Formada na capital paulista entre o fim de 2024 e o início de 2025, a Wilza nasceu do encontro de músicos ativos na cena autoral.
O disco foi gravado pela formação original: DW Ribatski (guitarra/voz), Ligia Murakawa (baixo) e Clara do Prado (bateria). No entanto, após as gravações no Estúdio Quadrophenia, Clara mudou-se para Brasília. Quem assumiu as baquetas foi Isabella Pontes (da banda Schlop), que agora integra a formação oficial e já traz seu peso para os palcos.
Ficha técnica
A produção do disco é assinada pela própria banda em parceria com Breno Della Ricca. A engenharia de som ficou a cargo de Sandro Garcia, com mixagem de DW Ribatski e masterização de Rafael Panke.