Titãs jogam em casa, driblam a chuva e transformam abertura dos Stones em karaokê punk no Morumbi

Titãs jogam em casa, driblam a chuva e transformam abertura dos Stones em karaokê punk no Morumbi

Se na primeira noite (quarta-feira) havia nervosismo, no sábado (27) o Titãs subiu ao palco do Morumbi com a autoridade de quem conhece cada centímetro daquele concreto. A banda, então formada pelo quarteto Branco Mello, Paulo Miklos, Sérgio Britto e Tony Bellotto (com o reforço luxuoso de Beto Lee e Mário Fabre), não precisou de muito para ganhar o público que já lotava o estádio sob a garoa fina de São Paulo.

A estratégia foi clara: peso e hits. O som, mais sujo e direto influenciado pela turnê do disco Nheengatu, casou perfeitamente com a proposta rock n’ roll da noite.

Setlist de ataque

A abertura com Lugar Nenhum já colocou a plateia para pular, espantando o frio. Diferente de bandas de abertura internacionais que sofrem com a indiferença, os Titãs tinham o Morumbi na mão. AA UU e Flores foram cantadas em uníssono, provando que o repertório da banda envelheceu como vinho.

Mas o momento de catarse, e que definiu a apresentação, foi político. Com o Brasil em ebulição, a execução de Vossa Excelência funcionou como um grito de desabafo. Paulo Miklos, com sua performance teatral e agressiva, regeu um coro de xingamentos aos políticos que ecoou com força assustadora pelo estádio.

Consagração

A banda soube dosar a agressividade punk de Polícia e Bichos Escrotos com o pop nostálgico de Sonífera Ilha. Ver marmanjos fãs de Rolling Stones dançando o passo clássico da música foi a prova de que a missão estava cumprida.

O encerramento com Aluga-se (cover de Raul Seixas) e a reprise de Bichos Escrotos selou a noite. Os Titãs não foram apenas um “aperitivo”; foram um prato cheio de rock nacional, servido com a urgência e a competência de quem tem 30 anos de estrada. Eles deixaram o palco ovacionados, entregando a bola redonda para Mick Jagger chutar para o gol logo em seguida.