Não existe banda de abertura melhor para Ozzy Osbourne no Brasil do que o Sepultura. Às 20h30, no Anhembi, em São Paulo, quando as luzes do Anhembi se apagaram, o quarteto não entrou para pedir licença; entrou para dominar. A escolha de abrir com Arise e Refuse/Resist foi uma declaração de guerra: o som estava alto e definido, algo raro para bandas de abertura no Anhembi.
Derrick Green, imponente como sempre, comandou o público com seu português cada vez mais afiado. A banda vive a transição da era A-Lex para o vindouro Kairos, e a formação com Jean Dolabella na bateria mostra um entrosamento técnico impressionante.
A coragem da banda apareceu ao testar a faixa inédita Kairos. Pesada e cadenciada, a música foi recebida com respeito, mas foi nos clássicos que a “roda” se abriu na pista. Choke e Territory mantiveram a energia no topo, com Andreas Kisser desfilando riffs que são o abecedário do metal para muitos ali presentes.
O momento tribal, marca registrada da fase Derrick, veio com a jam de percussão, preparando o terreno para o final apoteótico. Roots Bloody Roots fez 30 mil pessoas pularem simultaneamente, criando aquela visão assustadora e bela de um mar de gente em transe.