Nove anos. Esse foi o tempo que esperamos por material genuinamente novo do U2. Desde Songs of Experience (2017), a banda esteve ocupada com residências na Sphere de Las Vegas, re-gravações acústicas e autobiografias, mas a pergunta persistia: eles ainda têm algo a dizer no cenário musical atual? A resposta chegou hoje (18) com o EP Days of Ash. E, para a surpresa de muitos, a resposta é um grito, não um sussurro.
Protesto rápido em Days of Ash
Longe de tentar competir com o pop polido do século 21 (algo que eles tentaram sem muito sucesso na última década), o U2 decidiu olhar para trás para andar para frente. Days of Ash funciona como uma resposta rápida aos tempos caóticos.
Ao invés de pensar demais e polir a produção por anos, a banda entrega urgência. Três das cinco faixas comentam mortes recentes em conflitos e protestos, citando nomes como o ativista palestino Awad Hathaleen e a manifestante iraniana Sarina Esmailzadeh.
“American Obituary” é o destaque
A faixa principal, American Obituary, traz um U2 que soa mais “justamente irritado” do que em qualquer momento dos últimos 20 anos. É uma mistura de guitarras distorcidas, baixo rosnando e eletrônica que invoca sirenes.
Outro ponto alto é The Tears of Things, um ataque lírico ao fascismo e ao fundamentalismo religioso que traz uma nitidez ausente nos trabalhos recentes da banda.