Em um mundo ideal e justo, Michael Monroe seria uma estrela colossal. Entre 1979 e 1985, como frontman do Hanoi Rocks, ele e seus parceiros finlandeses praticamente inventaram o visual hair metal e o hard rock glamouroso e caótico antes mesmo das bandas americanas dominarem a MTV.
O destino, porém, foi cruel: quando o aclamado álbum Two Steps From The Move (1984) prometia o estrelato global, o baterista Razzle morreu em um trágico acidente de carro dirigido por Vince Neil (Mötley Crüe), levando ao fim precoce da banda. Mas Monroe nunca parou. Décadas depois, aos 63 anos, ele nos entrega Outerstellar, um de seus melhores e mais variados trabalhos solo.
Uma banda, não apenas músicos de aluguel para acompanhar Michael Monroe
Para quem acompanha a carreira solo do finlandês, o nível de excelência não é surpresa. Ele mantém a mesma formação estelar há mais de uma década: os velhos parceiros Sami Yaffa (baixo, ex-Hanoi Rocks) e Steve Conte (guitarra, ex-New York Dolls), além de Rich Jones e Karl Rockvist.
Essa coesão fica evidente. A banda se tornou uma unidade muito mais afiada e musculosa com o passar dos anos, criando um som distinto que não se apoia apenas na nostalgia, mas no realismo e na paixão.
Destaques de “Outerstellar”
Se a performance vocal de Monroe sempre balançou entre a bravura rasgada do punk e a narrativa comovente, a musicalidade de Outerstellar acompanha essa ambição sem nunca soar pedante. Aos 63 anos, ele não tem medo de arriscar:
- A herança clássica: Faixas como When The Apocalypse Comes e Pushin’ Me Back trazem uma vibração que fica no meio do caminho entre Tom Petty e Bruce Springsteen.
- Energia crua: Se você quer o peso punk, Shinola entrega guitarras à lá Sex Pistols, enquanto Newtro Bombs mistura a crueza roqueira com uma inesperada e brilhante quebra de reggae e verniz de estúdio.
- Hinos dos desajustados: Disconnected traz guitarras velozes para celebrar os oprimidos, enquanto Painless constrói uma força carismática através de acordes gigantes e batidas marciais.
- A audácia de One More Sunrise: O momento mais ambicioso do disco é essa faixa de quase 8 minutos. Ela começa suavemente e desenvolve várias atmosferas sem nunca cansar o ouvinte, sendo o grande orgulho de Monroe neste projeto.
- Reflexão: A balada Glitter & Dust (com um feeling delicioso dos anos 70) traz o músico olhando para as dificuldades da juventude e a rebeldia que elas instigaram.