A resistência da música independente pulsa forte na região Norte do Brasil. As bandas amazonenses Antiga Roll e Dpeids celebraram a cena local com o lançamento do split conjunto batizado de Enquanto o Mundo Apodrece.
Com 13 faixas no total, o álbum é a fusão de dois EPs que vinham sendo produzidos separadamente pelas bandas: Enquanto o Mundo Envelhece (da Antiga Roll) e Todo Mundo É Santo no Domingo (da Dpeids).
Força do “Faça Você Mesmo”
A união das duas bandas neste projeto não é obra do acaso. É o resultado de uma amizade forjada nas trincheiras do underground ao longo de 15 anos dividindo palcos em Manaus (AM). Essa parceria vai muito além do estúdio: os grupos atuam juntos na organização do festival independente Mama Rock (realizado desde 2013) e na condução da Mama Records, selo e produtora responsável pelo fomento da cena local e pelo lançamento digital deste split.

Skate, cachaça e crítica social
Sonoramente e liricamente, o disco é um reflexo cru do nosso tempo. Segundo Carlos Castilho, vocalista da Dpeids, a obra traduz a sensação de viver em meio ao caos no Brasil, sem abrir mão da ironia, do humor e da atitude.
“As letras falam das contradições e dos absurdos causados por um bando de reacionários e um conservadorismo hipócrita, mas também falam de vivências, paixões, cachaça e skate”, resume Castilho.
Nick Yamane, vocalista da Antiga Roll, complementa a visão da obra ressaltando o equilíbrio entre o desabafo e a diversão: “Por vezes com um ar nostálgico, em outras como simples exercício de liberdade ou expurgo do estresse cotidiano. Sem aquele peso de discurso sério o tempo todo”.
Destaques do split do Antiga Roll e Dpeids
- Agora (Antiga Roll): A faixa conta com a participação de Gabriel Brasil (baixista do Morgados). O guitarrista Tharciso Yamane explica que a música é um mergulho na inevitável passagem do tempo. “Fala sobre crescer e aprender a lidar com a ausência e com o vazio que surge quando alguém que se ama já não está mais presente”.
- Todo Mundo É Santo no Domingo (Dpeids): Uma pedrada direta contra o falso moralismo. “É sobre a hipocrisia de quem se coloca como exemplo moral, principalmente usando o nome de Deus para julgar os outros, mas age de forma muito pior no dia a dia”, dispara Castilho, lembrando que a banda adora incomodar e cutucar o que considera errado.