O ano de 2026 já está marcado como um dos mais importantes na cronologia do metal brasileiro. Após 19 anos de espera, o Angra confirmou o que muitos julgavam impossível: o reencontro da icônica formação “Nova Era”. Edu Falaschi, Kiko Loureiro, Rafael Bittencourt, Felipe Andreoli e Aquiles Priester dividirão o palco novamente para celebrar os 25 anos de Rebirth, o álbum que não apenas salvou a banda em um momento de incertezas, mas redefiniu o power metal mundial no início dos anos 2000.
O reencontro terá dois capítulos monumentais. O primeiro acontece no domingo, 26 de abril, como um dos grandes headliners do Bangers Open Air, no Memorial da América Latina. O segundo, um sideshow estendido e exclusivo, será realizado no Espaço Unimed, no dia 29 de abril. Esta apresentação em São Paulo promete ser ainda mais imersiva, com a execução na íntegra do disco Rebirth e um setlist que abraça todas as fases do grupo, contando inclusive com a participação dos atuais integrantes, Alírio Netto, Marcelo Barbosa e Bruno Valverde, em um verdadeiro “encontro de eras”.
Para entender os bastidores dessa união, o Blog n’ Roll conversou com o baixista Felipe Andreoli. No papo, ele revela como está o clima entre os músicos, a responsabilidade de revisitar clássicos com a maturidade de hoje e o que esperar dessas apresentações que prometem ser únicas.
Como foi o primeiro contato entre vocês cinco (Edu Falaschi, Kiko Loureiro, Rafael Bittencourt, Aquiles Priester e você) para selar esse reencontro após quase 20 anos?
Na verdade, o reencontro físico dos cinco ainda não aconteceu, vai rolar na semana do festival, quando vamos ensaiar. Mas temos nos falado muito para combinar tudo. Foi um processo muito tranquilo. Sinto que todos compartilham o sentimento de que isso é legal e bom para todo mundo. Esse projeto coloca no passado qualquer problema que tenhamos tido. Vejo todos muito a fim de que dê certo e de que a gente saia de lá com uma sensação boa. Como anfitriões, nós do Angra puxamos a responsabilidade de criar esse ambiente seguro e confortável para que todos tenham suas necessidades atendidas.
O Rebirth foi o álbum que te introduziu ao Angra. Qual é o sentimento pessoal de, hoje como um pilar da banda, revisitar esse repertório com os companheiros que dividiram aquele “renascimento” com você em 2001?
É sempre muito legal, porque essa época foi de muita transformação, aprendizado e crescimento na minha vida. Fizemos o Rebirth na íntegra em 2022, na volta da pandemia, e foi incrível. Nunca tínhamos tocado o disco inteiro antes, Visions Prelude, que encerra o álbum, jamais tinha sido tocada ao vivo. Mas acho que será ainda mais especial com os membros originais. O Aquiles saiu em 2007 e o Edu em 2012; já faz 19 anos que os cinco não sobem juntos ao palco. Vai ser muito significativo.
O show em São Paulo será a única apresentação dessa formação fora do festival Bangers Open Air. O que o público pode esperar de diferente no setlist do Espaço Unimed em comparação ao festival?
O repertório foi muito bem pensado para contemplar toda a carreira da banda e comemorar os 35 anos do Angra. É um ano emblemático: são 25 anos de Rebirth, 30 de Holy Land e 35 da banda. O show do Espaço Unimed terá o Rebirth na íntegra, algo que não acontece no festival, mas ambos vão revisitar todas as nossas fases.
“Não é um renascimento, é um reencontro. Temos a flexibilidade de fazer o Angra da maneira como quisermos no momento, seja com os caras ou sem eles.”
Além de tocar, quais shows você está mais ansioso para assistir no Bangers Open Air?
Quero muito ver o Nevermore com a formação nova. Também quero ver Fear Factory e Arch Enemy. O Nevermore é especial porque os vi há mais de 20 anos, em 2000, quando eles vieram a um festival e eu nem conhecia a banda direito. É como se eu não tivesse visto de verdade, então estou bem ansioso por eles.
Tocar o repertório do Rebirth hoje, com a maturidade que você adquiriu, muda a forma como você interpreta aquelas linhas que gravou quando era mais jovem?
Não sou fã de mudar o que fiz no passado. Aquilo era o que eu tinha para oferecer na época e quero respeitar quem eu era. Não curto essa coisa “egóica” de querer refazer só porque hoje toco melhor. É claro que, 25 anos depois, o timbre muda, tem novas manias e pegadas, mas o corpo da obra tem que ser executado da maneira que os fãs lembram. Se eu fosse compor hoje, faria diferente, mas ao tocar o que já está gravado, tento respeitar o disco.
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Você e o Rafael Bittencourt são o “núcleo duro” da banda. Qual é o segredo para manter a essência viva após tantas trocas?
É muito natural. Eu estou na banda há 25 anos e o Rafa há 35. O que a gente faz é o Angra. Não precisamos de esforço para isso. É divertido porque temos a liberdade de moldar essa essência de acordo com o que vivemos. Do Holy Land para o Fireworks a formação era a mesma, mas os discos são totalmente diferentes. A essência está lá porque é o que nós somos.
Para fechar, quais os três álbuns que mais te influenciaram na carreira?
- Awake (Dream Theater): Minha descoberta da banda. O clipe de Lie na MTV me deu o estalo e fui correndo comprar o disco.
- Ride the Lightning (Metallica): Foi o que me despertou para o metal e para o lifestyle: o jeito de vestir, as amizades, tudo.
- Heavy Weather (Weather Report): Um disco de Fusion com o Jaco Pastorius. Foi fundamental para eu estudar improvisação. Essas influências externas, música brasileira, latina, clássica e fusion, são o tempero que faz o Angra ser diferente.
SERVIÇO: ANGRA EM SÃO PAULO
1. Bangers Open Air 2026
Angra Reunion: headliner do dia 26 de abril (domingo)
Local: Memorial da América Latina – SP
Destaques do dia: Within Temptation, Smith/Kotzen, Winger e Nevermore.
Ingressos: Clube do Ingresso
2. Sideshow: Angra Reunion (Rebirth)
Data: 29 de abril de 2026 (quarta-feira)
Local: Espaço Unimed (Rua Tagipuru, 795)
Horários: Portões às 19h | Show às 21h
Ingressos: Clube do Ingresso