A padronização sonora dos estúdios modernos fez a banda gaúcha El Negro buscar uma rota de fuga radical para o seu quarto disco. O trio disponibilizou nas plataformas digitais o álbum Bronco, um trabalho cuja sonoridade foi moldada diretamente pela arquitetura do local onde foi concebido.
Fugindo das cabines de gravação tradicionais, o grupo formado por Mumu (vocal, guitarra e teclados), Fabian Steinert (baixo e guitarra) e Leandro Schirmer (bateria e percussão) montou seus equipamentos no subsolo da antiga prefeitura de Porto Alegre, um prédio de arquitetura neoclássica no centro da capital gaúcha.
El Negro aposta na acústica do porão e rejeição à IA
A escolha do porão não foi um mero capricho estético. A banda utilizou o espaço como um elemento ativo na captação do áudio, capturando a reverberação e a crueza do ambiente para encorpar a sua mistura de rock de garagem com electro rock.
Segundo o vocalista Mumu, a decisão é uma resposta direta à plastificação da música atual.
“Fizemos testes em diferentes lugares antes de escolher a antiga prefeitura. Isso era feito nos anos 70 e me parece muito atual em épocas de inteligência artificial. A busca é por um som com mais presença, textura e personalidade em um momento em que a padronização técnica é cada vez mais acessível”, explica o músico.
Conexões com o rock gaúcho
Para além da experimentação acústica, Bronco solidifica suas raízes na cena do Rio Grande do Sul ao recrutar dois nomes de peso para o repertório:
- Beto Bruno: o ex-vocalista da Cachorro Grande empresta sua voz e atitude para a faixa Galope Louco, escolhida como o primeiro single do projeto.
- Gabriel Guedes: o guitarrista da cultuada banda instrumental Pata de Elefante assume as seis cordas na canção Rick Simpson Oil.