O público brasileiro já é conhecido por sua intensidade, mas nesta sexta-feira (20), a partir de 16h55, o encontro entre Ruel e seus fãs no Autódromo de Interlagos ganha um peso especial. O artista britânico radicado na Austrália chega ao palco do Lollapalooza Brasil não apenas para consolidar sua conexão com o país, mas para celebrar um momento de transição em sua carreira. Após passar por Chile e Argentina com expectativas superadas, Ruel admite que o calor sul-americano é o combustível necessário para a nova fase que se inicia agora.
O timing não poderia ser mais perfeito para Ruel: o show coincide com o lançamento do single Don’t Say That. A faixa, que já nasceu como um fenômeno nas redes sociais sob a alcunha de dst (outro), é a porta de entrada para o próximo álbum de dez faixas inéditas, Kicking & Screaming. Misturando o peso emocional de uma balada clássica com o frescor do pop atual, a canção explora a vulnerabilidade de um relacionamento que chega ao fim, destacando a entrega vocal característica que transformou Ruel em um ícone de sua geração.
Para este novo capítulo, Ruel se cercou de um time de colaboradores de elite, incluindo nomes que já assinaram sucessos para Taylor Swift, Harry Styles e Lorde. Em conversa com o Blog n’ Roll, Ruel revelou que a principal mudança em seu processo criativo foi assumir as rédeas da produção. Sem a figura de um produtor executivo central, ele se tornou o “único denominador comum” de todas as faixas, exercendo uma liderança que reflete a confiança adquirida após uma década de estrada, um feito impressionante para quem tem apenas 22 anos.
No setlist preparado para o Lolla Brasil, os fãs podem esperar um equilíbrio cuidadoso entre o novo single, as faixas reflexivas de sua fase atual e, claro, os hits que o catapultaram ao estrelato, como Painkiller e Younger. Ruel destaca que trouxe de volta canções que sentia falta de tocar, focando em elevar a energia do festival ao máximo. “Quanto mais energia eu der, espero receber mais de volta”, afirma o cantor, que não esconde o desejo de trocar o palco, ainda que brevemente, pela cultura local e um bom jogo de futebol.
Você tocou no Lollapalooza do Chile e da Argentina, e agora é a vez do Brasil. Como a energia sul-americana se comparou às suas expectativas, depois de os fãs esperarem por tanto tempo?
É, diria que minhas expectativas estavam altas, porque vocês se gabam muito do público daqui, e eu definitivamente não fiquei decepcionado. Estive aqui há alguns anos e pude experimentar como era um show solo, uma headline tour. E foram, de longe, os melhores shows e os melhores públicos que já tive na vida. Então, nos festivais, não sabia o que esperar. Não sabia se haveria menos ou mais energia, ou se teria menos ou mais gente. Estava um pouco preocupado. Mas sinto que, sim, o Chile e a Argentina me deixaram de boca aberta e superaram minhas expectativas. E só espero que o Brasil entregue tudo também.
Você escolheu a América do Sul para estrear seu novo single, Don’t Say That. Como foi? Como tem sido testar uma faixa inédita com um público tão apaixonado?
Sim, achei que era o lugar perfeito para lançar uma música nova. Porque, sabe, o engajamento tem sido incrível. Ver nos shows que os fãs já sabem a letra e cantam junto… tem sido maravilhoso. Então, lançar no dia do Lolla, achei que seria perfeito no Brasil.
Seu segundo álbum, Kicking My Feet, soa muito mais confiante. Quais foram as maiores diferenças no seu processo criativo em comparação ao 4th Wall?
Acho que a principal diferença criativa foi o fato de que não tinha exatamente um produtor executivo com quem estava trabalhando. Eu era meio que o único denominador comum em cada música, o que me deu muito mais responsabilidade de ter que demonstrar confiança, liderança e guiar o barco do jeito que eu queria. Sinto que agora foi o momento perfeito para fazer isso, porque encontrei certa certeza e intenção em cada música que quis escrever para o disco.
O álbum explora o amadurecimento, o distanciamento de amizades e a descoberta da alegria em coisas simples. Por que foi importante ser tão vulnerável sobre essas transições específicas?
Acho que foi importante ser vulnerável no sentido de falar sobre encontrar alegria nas coisas, porque acho que era isso que eu vinha negligenciando em toda a minha carreira: falar sobre alegria e a emoção de estar apaixonado de uma forma positiva.
Eu queria ultrapassar aquela barreira de ser sempre “desleixado” ou indiferente (nonchalant); esse foi o principal obstáculo que precisei vencer para sentir que este disco valia a pena ser lançado e escrito. Então, sim, esse foi o maior desafio.
Você começou aos 12 anos, ganhou um prêmio Aria aos 15. Agora, aos 22, você já tem uma década de experiência. Como crescer sob os holofotes moldou sua composição e sua relação com a fama?
Sim, acho que crescer na indústria é definitivamente uma vantagem quando se trata de quanta experiência sinto que tenho hoje, o que ainda parece ser apenas o começo da minha carreira. Então isso é um ponto positivo enorme. Mas, sim, é estranho ter que descobrir quem você quer ser como artista enquanto já está na indústria, lançando música e tendo fãs dizendo quem eles querem que você seja.
Acho que o Covid me ajudou, sabe? Ter aquele tempo em isolamento na Austrália durante a pandemia para entender quem eu era sem estar sob os olhos do público, sem fazer turnê, sem lançar música. Mas acho que o desafio principal era apenas tentar ganhar qualquer certeza de onde eu queria estar e o que queria fazer. E acho que agora, encontrei muito mais intenção, como estava dizendo. Sinto-me muito mais confiante em mim mesmo e na minha habilidade de compor. Sinto que consigo fazer isso sozinho agora.
O que os fãs brasileiros podem esperar da sua setlist no Lollapalooza? Será um equilíbrio entre o Kicking My Feet, o novo single e hits antigos como Painkiller e Younger?
Sim, praticamente tudo isso. Tudo o que você disse, de verdade. É um equilíbrio de tudo. A principal coisa que eu quis trazer foi energia e um senso de diversão para o show. Trouxe algumas músicas que não estava tocando na turnê, mas que senti falta porque elas animam a galera. E, sim, quanto mais energia eu der, espero receber mais de volta. É tudo o que espero.
Você já provou alguma comida brasileira ou vivenciou a cultura desde que chegou? Tem algo específico que queira fazer antes de ir embora?
Eu cheguei ontem à noite (terça-feira) muito, muito tarde. E hoje de manhã levantei e comi uma comida ótima aqui. Estou muito animado para tomar mais caipirinhas, porque foi o que tomei da última vez que estive aqui e eu amei. E não sei, adoraria assistir a um jogo de futebol, seja em um bar de esportes ou o “negócio real” no estádio. Eu sei que vocês amam futebol. Eu amo meu futebol. Então, qualquer coisa assim da cultura eu topo, mas principalmente a comida e sair com os locais e os fãs é o que vim fazer.
Esta é difícil. Quais são os três álbuns que mais te influenciaram na vida e por quê?
Sinceramente, tenho três engatilhados para essa. Os três álbuns que, de longe, influenciaram minha vida são: número um, Back to Black da Amy Winehouse. Foi o primeiro disco pelo qual me apaixonei de verdade. Na mesma época, Channel Orange do Frank Ocean. E o terceiro, que descobri mais tarde, mas é um disco mais antigo, é o Grace do Jeff Buckley. Acho que esses três discos me fizeram entender não necessariamente quem eu queria ser ou a música que eu queria fazer, mas me fizeram saber do que gosto. É isso.