A espera de 15 anos por um álbum de inéditas do Rancore está nos seus minutos finais. Como último passo antes de entregar o disco Brio (Balaclava Records) ao mundo, o quinteto paulista decidiu confundir e encantar os fãs ao mesmo tempo, lançando nesta quarta-feira (25) dois singles simultâneos que mostram os polos opostos da sua nova sonoridade: Unhas e Dentes e Valsa do Imprevisível.
Após o hiato de uma década e o retorno triunfal em 2023 com a turnê Relâmpago, que esgotou 33 datas pelo Brasil, a banda formada por Teco Martins, Candinho Uba, Gustavo Teixeira, Rodrigo Caggegi e Ale Iafelice prova que a pausa serviu para expandir o seu vocabulário musical.
Caos de 77 e a serenidade do TAO nos singles do Rancore
A primeira faixa, Unhas e Dentes, é um resgate direto das raízes do punk rock brasileiro de 1977. Com influências declaradas de nomes como Cólera e Olho Seco, a música funde a agressividade das rodas de punk com o post-hardcore melódico que consagrou o grupo. Curiosamente, a letra foge do clichê político do gênero para mergulhar em egrégoras filosóficas, citando Hermes Trismegisto e o enigma da esfinge.
Já Valsa do Imprevisível atua como o contraponto calmo. Com uma estética indie lo-fi e partes instrumentais envolventes, a canção explora a sabedoria do TAO e o conceito de Wu Wei (não-ação). É o Rancore mostrando uma suavidade psicodélica que dialoga com a impermanência da vida.
“Achamos interessante mostrar dois polos opostos do álbum. O doce e o azedo, a agressividade visceral e a suavidade psicodélica. Nessas músicas vocês vão encontrar várias camadas e novas possibilidades de interpretação”, pontua o vocalista Teco Martins.