A banda Man with a Mission desembarca no Brasil pela primeira vez para um show único no dia 27 de maio, no Carioca Club, em São Paulo. Conhecida pelo visual marcante com cabeças de lobo e por um som que mistura rock, eletrônico e energia cinematográfica, a banda traz ao país a turnê mundial Howling Across the World. A apresentação integra a celebração dos 15 anos de carreira do grupo, atualmente em destaque com o EP XV (Across The Globe).
Formado em Tóquio, o quinteto construiu uma trajetória sólida no cenário internacional ao unir estética performática e versatilidade musical. Ao longo dos anos, a banda se destacou tanto nos palcos de grandes festivais quanto na cultura pop global, especialmente por trilhas em animes como Demon Slayer e Log Horizon. Com uma sonoridade que transita entre o alternativo, o metal e o pop experimental, o grupo se consolidou como um dos principais nomes do rock japonês contemporâneo.
Em entrevista ao Blog n’ Roll, o vocalista e guitarrista Jean-Ken Johnny falou sobre a experiência de tocar na América Latina com as máscaras, a relação histórica com o público brasileiro e o impacto da identidade visual da banda na era das redes sociais.
Vocês já tocaram no México, e a América Latina costuma ter shows muito intensos. Como vocês se adaptam para tocar com as máscaras em ambientes quentes e com tanta energia do público?
Sim, definitivamente fica quente. Bem, isso não é uma máscara, é o que nós somos, mas como você disse, fica muito quente quando subimos ao palco e estamos bem atentos à temperatura. No geral, é a primeira vez que visitamos muitos lugares nessa turnê, então estamos muito animados e empolgados. Estamos mais prontos do que nunca.
E como funciona a máscara na prática durante o show? Ela interfere na respiração ou na projeção da voz? Existe alguma tecnologia específica por trás disso?
Enquanto estamos nos apresentando, isso não incomoda nem um pouco. Mas quando falamos da reação com o público, nós definitivamente parecemos diferentes de outros artistas. Normalmente, quando alguém está no palco, o público pensa no personagem de cada integrante. Mas, como somos lobos, eles não precisam se preocupar com isso.
É como uma figura icônica que faz com que as pessoas não se preocupem com quem somos, mas consigam focar mais facilmente na música e na atmosfera. Acho que isso ajuda bastante nesse sentido.
Por conta dos videogames e animes, além da história de imigração, o Brasil sempre teve uma conexão forte com a cultura japonesa. Vocês percebem isso na forma como o público brasileiro interage com a banda nas redes sociais?
Sim, temos recebido muitos comentários no YouTube e em redes sociais como o Twitter (X). Já faz 15, 16 anos que começamos a banda, e desde o início muitas pessoas do Brasil reagiam ao nosso trabalho, pedindo para irmos ao país, para tocarmos nas cidades delas. Isso nos incentivou muito ao longo da carreira. Sempre fomos muito gratos por todo o apoio. Estamos felizes por finalmente cumprir essa promessa.
Vocês sempre focaram em uma carreira internacional? Em que momento perceberam que essa expansão global estava realmente acontecendo?
Para ser honesto, quando começamos a banda isso não era exatamente um objetivo. Mas sempre sonhamos em viajar pelo mundo e tocar para pessoas de outros países. Musicalmente, sempre tentamos fazer algo que soasse internacional, que pudesse atravessar fronteiras com facilidade.
Acho que percebemos isso por causa da internet. As pessoas reagiam imediatamente, comentavam, e começamos a notar que havia público em vários lugares querendo nossos shows. Isso aumentou muito nossa motivação para fazer turnês pelo mundo.
Existe algum país ou público que surpreendeu vocês recentemente?
Falando da América Latina, a primeira vez que fomos ao México foi incrível. O local tinha capacidade para cerca de 800 ou mil pessoas, mas quando subimos ao palco parecia um show gigantesco. O público cantava todas as músicas, cada palavra. Foi uma experiência impressionante.
Em que momento vocês perceberam que o conceito dos lobos era mais do que estética e virou linguagem da banda?
Começamos no Japão e já tocávamos há algum tempo, mas logo no primeiro show percebi que o público reagia de forma diferente. As pessoas conseguiam focar mais na música por causa do visual icônico.
Muitas bandas japonesas tinham dificuldade de comunicação, não pela língua, mas por serem identificadas como japonesas. Isso às vezes criava uma barreira. O nosso visual faz com que as pessoas não se preocupem com isso. Somos lobos, somos diferentes. Acho que isso ajudou muito na conexão internacional.
E vocês sentem que o conceito visual ajuda na comunicação na era das redes sociais, principalmente no consumo de vídeos curtos?
Somos fáceis de reconhecer visualmente, isso é certo. Mas hoje as redes sociais estão mais complexas. As pessoas querem conhecer o lado pessoal dos artistas, e nós não somos muito bons nisso.
Por outro lado, o fato de não sermos “humanos comuns” facilita expressar ideias e sentimentos. Isso pode tornar a mensagem mais acessível. Acho que, de certa forma, as redes sociais acabam sendo mais fáceis para nós.
Quais foram as principais influências fora do Japão que ajudaram a construir o som de vocês?
Sou muito fã da cena dos anos 90. Bandas como Nirvana, Smashing Pumpkins, Pixies, Sonic Youth e Dinosaur Jr. me influenciaram bastante. O movimento grunge e alternativo foi muito importante para mim.
Também gosto muito da mistura de gêneros daquela época, como Rage Against the Machine, Linkin Park e Korn. Era um período muito experimental, com diversidade musical e novas possibilidades dentro do rock. Essa foi a maior influência para mim.
Depois de mais de quinze anos, o que define a identidade da banda hoje?
Ainda estamos no caminho, mesmo depois de 15 ou 16 anos. Hoje vemos muitas bandas japonesas ganhando espaço no mundo, e isso também tem relação com o crescimento do anime.
Não acho que inventamos algo totalmente novo, mas temos orgulho de estar nessa estrada há tanto tempo e de ter ajudado a abrir caminho para novos artistas.
Já que você mencionou os animes, quando uma música de vocês entra em uma produção como essa, isso muda a forma como vocês enxergam a faixa?
Já existe uma história definida quando trabalhamos com anime. Eu costumo ler o material ou já conheço a história, porque sou fã. Tento encontrar uma conexão entre a filosofia da banda e a da obra, e criar algo natural. Esse é o principal equilíbrio no processo.
Sei que você é um grande fã de futebol. Você acompanha futebol brasileiro ou tem alguma conexão com isso?
Não acompanho muito os times locais, mas sempre admirei os grandes jogadores brasileiros. Para mim, a melhor época foi a de Roberto Carlos, Kaká, Ronaldo e Ronaldinho. Era como um time dos sonhos.
Hoje sei que há novos talentos surgindo, e espero que o Brasil faça uma grande Copa do Mundo.
O que o público brasileiro pode esperar dessa próxima fase da banda ao vivo?
É a nossa primeira vez no Brasil, e sempre sonhei em visitar o país. A energia que vamos levar para o show será incrível, algo realmente intenso.
Já ouvi muito de outras bandas sobre como o público brasileiro é apaixonado por rock e enlouquece nos shows. Estou muito ansioso para viver isso.
Existe algum lugar que você gostaria de conhecer no Brasil?
Sim, aquela estátua famosa, o Cristo Redentor. Quero muito ver de perto.
Requer um tempo livre, ela fica um pouco longe de São Paulo…
Ah, que pena. Então gostaria de conhecer estádios de futebol e sentir como o público vive esse esporte. Imagino que seja bem diferente do Japão, e quero experimentar essa atmosfera.