Edgar, ou Novissimo Edgar, como muitos o conhecem, sempre foi um artista difícil de rotular. Mas em seu novo álbum, Rewind, ele deixa as pistas bem claras: o caminho para o futuro passa por rebobinar o passado. O disco marca um retorno consciente às raízes do músico na periferia de Guarulhos, colocando o reggae, o dub e a cultura de sound system no centro de sua narrativa.
Diferente de seus trabalhos anteriores, marcados por um rap experimental e afrofuturista, Rewind foca na sensação física do som. O “grave” aqui não é apenas um elemento técnico, mas uma ferramenta política de ocupação do espaço público.
Do sound system à experimentação internacional
O título do álbum é autoexplicativo. “É a ideia de voltar às origens e olhar para raízes que, em alguns momentos, não receberam tanta atenção”, revela Edgar. A obra foi construída em colaboração com produtores da cena independente, como Jamil Djanguru, Dang e Ruy Rascassi, com mixagem assinada pelo mestre do dub nacional, BuguinhaDub.
- “Pode Até Tentar”: Abre o disco como um gesto de autoafirmação;
- “Copy With Guns” e “Mão Pro Alto”: Trazem as críticas sociais afiadas de Edgar para a cadência do reggae;
- “Zum, Zum, Zum”: Uma composição da juventude do artista, agora repaginada em chave dub;
- Conexão francesa: A cantora Matilde participa dos arranjos vocais, trazendo camadas em francês e inglês que expandem o alcance global do projeto.
Maturidade independente
Para Edgar, este lançamento representa a liberdade de criar sem as amarras do mercado. É um trabalho que busca despertar memórias e paisagens sonoras da periferia, falando de violência e vivência pessoal, mas priorizando a experiência sensorial do ouvinte.