Sete anos é o tempo que separa Desmanche (2019) do novo capítulo artístico de Buhr. O álbum Feixe de Fogo, lançado pelo selo Sound Department, chega como um manifesto de movimento. Gravado ao longo de dois anos em uma peregrinação por Fortaleza, Sobral, Salvador, São Paulo e Recife, o disco é o primeiro a levar a assinatura Buhr, refletindo a identidade não binária de elu e um novo lugar de fala no debate sobre feminismo e arte.
Produzido por Buhr e Rami Freitas, o trabalho é um amálgama de rock, reggae e ruídos experimentais. O tambor continua sendo a espinha dorsal das composições, mesmo quando camuflado por sintetizadores e samples ruidosos.
Um time de mestres das cordas para acompanhar Buhr
Se o conceito do álbum é o “derretimento de fronteiras”, a lista de colaboradores confirma essa tese. BUHR reuniu nomes que definem a guitarra brasileira nas últimas décadas:
- Edgard Scandurra: Toca em Anzol, 70 Cigarros e Chão Frio.
- Fernando Catatau: Empresta sua psicodelia cearense a Feixe de Fogo e Ânsia.
- Arto Lindsay: Participa com suas guitarras desconstrutivas em Seilasse e na faixa-título.
- Russo Passapusso (BaianaSystem): Além de cantar, coproduziu e coescreveu a ácida Desmotivacional.
O disco ainda conta com o baixo de Dadi (Novos Baianos/A Cor do Som) em Motor de Agonia e arranjos de metais do Maestro Ubiratan Marques.
Métrica e oralidade
A estranheza peculiar de BUHR continua intacta. Suas letras narram enredos tensos e ferozes através de melodias que, por vezes, beiram a doçura. É um universo pop, mas fincado na oralidade e em métricas não convencionais, onde cada música funciona como uma pequena novela cotidiana sobre as dores das cidades.