Quando o black midi encerrou suas atividades em 2023, o mundo do rock experimental ficou órfão de sua construção de mundos caóticos. No entanto, o hiato serviu para que o baixista e vocalista Cameron Picton encontrasse um novo caminho, um que nasceu de um sonho febril em um quarto de hotel na China. O resultado é o álbum homônimo de estreia do My New Band Believe, lançado pela lendária Rough Trade Records.
O nome do projeto surgiu literalmente de fragmentos de textos embaralhados que Picton anotou enquanto delirava sob o efeito de uma doença repentina durante uma turnê. O que antes era apenas uma frase peculiar tornou-se a identidade de sua nova fase artística.
Menos distorção, mais dinamismo
Diferente do som abrasador e matemático de sua antiga banda, o My New Band Believe aposta em uma sonoridade ágil e quase totalmente acústica. Picton trocou o peso eletrônico por uma seção completa de cordas e o mínimo de reverb possível. Mas não se engane: a leveza não significa simplicidade. O álbum é maximalista e dinâmico, onde cada faixa parece se desintegrar para se reorganizar no ímpeto da seguinte.
Para dar vida a esse “multiverso” sonoro, Picton se cercou de músicos de alto nível da cena londrina, como Kiran Leonard, Caius Williams, Steve Noble e Andrew Cheetham. O álbum transita por registros emocionais diversos, guiados pela narração carismática e, por vezes, histérica de Cameron.
“Kick Me” e o solo transatlântico
Para celebrar o lançamento, a banda compartilhou Kick Me, uma gravação ao vivo montada a partir de multitracks de sete performances diferentes realizadas entre Londres e Nova York. O destaque fica para o “solo de guitarra transatlântico”, dividido entre Ryley Walker e Tara Cunningham, sintetizando a proposta de intercâmbio e improvisação do projeto.