Entrevista | From Ashes To New – “O novo álbum encoraja as pessoas a olharem para dentro e refletirem sobre a própria vida”

Entrevista | From Ashes To New – “O novo álbum encoraja as pessoas a olharem para dentro e refletirem sobre a própria vida”

O From Ashes To New acaba de lançar Reflections, novo álbum que aprofunda a sonoridade pesada e emocional que consolidou a banda como um dos principais nomes do nu metal moderno. O disco chega impulsionado por faixas como “New Disease”, “Drag Me” e “Villain”, ampliando a mistura entre metal contemporâneo, linhas melódicas e elementos de rap que se tornaram marca registrada do grupo.

Em conversa exclusiva com o Brasil pelo Blog N’ Roll, o vocalista Danny Case afirmou que, apesar do interesse da banda em tocar na América Latina, não há planos concretos para uma vinda ao neste primeiro momento, embora o país siga no radar para uma futura turnê.

Formado em Lancaster, na Pensilvânia, em 2013, o From Ashes To New surgiu em meio à retomada da estética do rap rock e do nu metal, absorvendo influências evidentes de Linkin Park, Limp Bizkit e Papa Roach. Desde o início, a proposta da banda foi unir riffs pesados, refrões de forte apelo melódico e versos em rap, criando uma identidade que dialoga tanto com a nostalgia dos anos 2000 quanto com a linguagem do metal atual. O grupo ganhou destaque com o álbum Day One (2016), seguido por trabalhos como The Future (2018), Panic (2020) e Blackout (2023), construindo uma base sólida de fãs, especialmente entre o público que acompanha a nova geração do gênero.

Ao longo da última década, a banda também se fortaleceu no circuito de grandes festivais e turnês internacionais, consolidando sua presença no cenário do rock pesado norte-americano e europeu. A participação recente no retorno da Warped Tour reforçou esse momento. Segundo Danny, fazer parte da volta do evento teve um peso simbólico importante, especialmente porque a banda surgiu logo após o encerramento da turnê original. Agora, com Reflections, o grupo vive um novo capítulo, apostando em letras mais introspectivas e em um discurso voltado às tensões emocionais e culturais do presente.

Reflections parece ser o trabalho mais introspectivo e psicológico da banda. Como surgiu o conceito central do disco?

Acho que foi uma consequência natural do que estávamos vivendo como banda e também como indivíduos. Na época, não percebemos isso totalmente, mas quando terminamos o disco e olhamos para trás, pensamos: “uau, isso realmente reflete tudo o que passamos”. O próprio processo de criação acabou se tornando parte do significado do álbum. Foi um período turbulento, desafiador, mas também sobre perseverança. Por muito tempo, nem sabíamos qual seria o nome do disco. Quando chegamos a Reflections, tudo fez sentido, porque o álbum encoraja as pessoas a olharem para dentro, refletirem sobre a própria vida e enfrentarem aquilo que está desafiando cada um.

Faixas como “Villain” e “Die For You” tratam de exaustão emocional e relacionamentos destrutivos. Como foi escrever sobre temas tão intensos? Há algo auto biográfico?

Em certo sentido, é tudo muito pessoal. “Die For You” veio muito das experiências do Lance, dos erros que ele cometeu e também das coisas que viveu em relacionamentos. Todos nós já passamos por algo parecido, então foi fácil me conectar à música. Já “Villain” foi diferente, porque teve um lado mais imaginativo. Todo mundo ama um vilão, seja o Coringa ou o Loki. A ideia era justamente brincar com isso: eu posso ser o vilão na sua história. Foi algo muito divertido de fazer e bem diferente do que já tínhamos feito antes.

Outro destaque é “New Disease”, que soa como uma crítica ao ambiente digital e à ansiedade coletiva. O que inspirou essa música?

Muito veio da forma como as coisas estão culturalmente hoje. Tudo gira em torno das redes sociais, parece que todo mundo segue as mesmas tendências e faz as mesmas coisas. Tivemos vontade de escrever nossa perspectiva sobre isso e mostrar como alguns aspectos podem ser perigosos ou simplesmente ruins para o indivíduo.

E como foi a recepção do novo álbum nesses primeiros dias e também a escolha dos singles antes do lançamento?

A resposta tem sido incrível. Ainda não temos os números completos da primeira semana, mas os pré-saves, pré-downloads e as vendas de vinil já superaram Blackout. Escolher os singles foi muito difícil. Quase ninguém na banda concordava sobre qual deveria ser a primeira música. No fim, fomos com “New Disease” primeiro e “Drag Me” depois, porque eram as duas faixas que mais geravam consenso. É sempre complicado decidir se você lança a melhor música logo de cara ou se guarda algo ainda maior para depois.

Alguma faixa mudou muito da demo para a versão final?

Sim, praticamente todas. “New Disease”, por exemplo, começou em 2019 como uma música completamente diferente. Manteve apenas o título e a ideia central. O riff, os versos, o refrão, a ponte, tudo mudou. Isso aconteceu com várias músicas do disco. Se alguém não estava completamente satisfeito, nós voltávamos e refazíamos até ficar melhor.

Vocês misturaram rap e metal quando ninguém mais falava em nu metal. Foi um risco?

Com certeza. Não são muitas bandas que conseguiram fazer isso de forma realmente bem-sucedida. Você pensa em Linkin Park, Limp Bizkit, Papa Roach, Hollywood Undead. É um risco porque imediatamente surgem comparações, mas para nós isso faz parte da nossa identidade. O Matt é um rapper incrível, então seria impossível não explorar isso.

E esse revival do nu metal ajudou a banda?

Sim, sem dúvida. É engraçado perceber como os anos 90 e 2000 estão em alta novamente, tanto na música quanto na cultura. Ver esse revival acontecendo é muito legal, e nós abraçamos isso totalmente.

Como foi participar do retorno da Warped Tour?

Foi incrível. Nossa banda surgiu logo depois que a turnê acabou, e eu sempre quis tocar lá. Mesmo com um formato diferente hoje, o espírito continua o mesmo. Foi especial estar na primeira edição desse retorno.

Falando em shows, vocês nunca vieram para o Brasil. Há chances de isso acontecer nessa turnê?

Não temos nada concreto no momento. Fazer turnês internacionais está no topo das nossas prioridades, e sabemos que os fãs na América Latina são extremamente apaixonados. Queremos muito ir, mas precisamos alinhar toda a parte logística e de negócios. Assim que for possível, vamos.

Para encerrar, quais discos foram mais importantes para a sua formação musical?

Meteora, do Linkin Park, City of Evil, do Avenged Sevenfold, e Challenger, do Memphis May Fire.