“A gente só tem 75 minutos, não temos tempo para isso”, brincou Anders Fridén, o bem-humorado vocalista do In Flames, interrompendo com ironia os tradicionais coros de “Olê, Olê” que o público entoava em sinal de aprovação. Vinda de “uma cidade pequena de um país pequeno no Norte”, conforme a definição (novamente sueca) dada pelo próprio frontman, a banda fez com que cada minuto no palco valesse a pena, optando por um roteiro de alta intensidade. O setlist no Bangers Open Air deixou de lado composições mais lentas ou atmosféricas em favor da agressividade característica do death metal melódico, subgênero que o grupo ajudou a consolidar mundialmente a partir de Gotemburgo.
Anders, que passou boa parte do show incentivando a formação de rodas de mosh e sendo prontamente atendido, contou com o apoio técnico de seu parceiro de longa data, Björn Gelotte, o único outro integrante da formação clássica ainda presente. Ao redor da dupla, o que se viu foi uma “trupe” de alta competência, composta por nomes conhecidos de outras vertentes do metal: Chris Broderick na guitarra (ex-Megadeth), Liam Wilson no baixo (ex-The Dillinger Escape Plan) e Jon Rice na bateria.





Visualmente, a In Flames manteve uma postura despojada, sem grandes artifícios cênicos ou figurinos elaborados. Com a aparência de quem escolheu a primeira camiseta disponível no guarda-roupa antes de subir ao palco, os músicos focaram estritamente na entrega sonora, reforçando a ideia de que o som deve ser o protagonista. Foi uma apresentação sem “invencionices”, direta e crua, exatamente como o público fiel da banda esperava encontrar em um ambiente de festival.
Ao final, os 75 minutos de show resultaram em um setlist equilibrado, capaz de satisfazer tanto os fãs antigos quanto os novos ouvintes. A performance foi sólida o suficiente para que ninguém saísse com a sensação de ter perdido algo, inclusive aqueles que não puderam comparecer ao side show realizado pela banda dias antes, na Audio, também em São Paulo.