Guandu consolida o slowcore brasileiro em Turvo, segundo álbum gravado em fita cassete

Guandu consolida o slowcore brasileiro em Turvo, segundo álbum gravado em fita cassete

Com andamentos lentos, guitarras límpidas e a imprevisibilidade charmosa das fitas magnéticas, o trio paulistano Guandu disponibilizou nas plataformas digitais o seu segundo álbum de estúdio, intitulado Turvo. Distribuído pela Tratore, o projeto aprofunda a identidade lo-fi analógica apresentada na estreia com NO-FI (2025), operando como um manifesto do que a banda define como o autêntico “slowcore brasileiro”: uma sonoridade que dispensa contrabaixo convencional, aposta em vozes sussurradas e dialoga com temáticas e paisagens cotidianas nacionais.

Gravado de forma artesanal em uma Tascam de 4 pistas (4-track), Turvo mostra um salto de equilíbrio em relação aos trabalhos anteriores. As vozes surgem mais nítidas e os arranjos de guitarra ganham protagonismo sem abrir mão de texturas como modulações de tremolo, fuzz, pitch alterado e efeitos em reverse típicos da manipulação de fita.

Influências analógicas e participações especiais

O DNA sonoro da banda bebe diretamente de pioneiros do indie dos anos 1980 e 1990, de Fellini e Daniel Johnston ao cultuado Duster, além da estética prolífica e ruidosa da carioca Transfusão Noise Records (de Lê Almeida e Oruã). A conexão com as raízes do gênero também se comprovou nos palcos quando o trio abriu o show dos norte-americanos do Codeine no City Lights, em São Paulo.

O disco traz encontros com nomes prolíficos da cena alternativa independente:

  • menos um dia: Conta com a voz e composição de Marina Mole, funcionando como um espelho sombrio e denso de sua colaboração no disco anterior.
  • Segunda faixa com violino drone: Recebe a colaboração psicodélica de Aluno Predileto (alcunha de Guilherme Paz, da banda carioca gueersh), tecendo camadas que lembram uma balada dos Rolling Stones desacelerada ao extremo.
  • fantasmas: Traz baixo e voz de omar (Aygam, Manobra Feroz), construindo uma dinâmica que parte de uma calmaria desconfortável, explode em euforia e aterrissa em um silêncio reflexivo.
  • véspera e cowboy: Singles que anteciparam o álbum, destacando o lado mais romântico e melódico da banda entre vinhetas curtas, poesia minimalista e batidas secas de drum machines.

Formada por Caique Lima (bateria), cleozinhu (voz e guitarra) e João Corte (voz e guitarra), a guandu começou sua discografia em 2024 com o EP planos em cima de planos e vem rodando palcos de capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba.