Opeth faz rock complexo sem se levar a sério demais em São Paulo

Opeth faz rock complexo sem se levar a sério demais em São Paulo

“A gente parece uma banda sofisticada, mas não somos”. A frase dita por Mikael Åkerfeldt, vocalista e guitarrista da banda sueca Opeth, no show da noite de sexta-feira (6) no Espaço Unimed, em São Paulo, destoa do que a banda mostra no palco.

Com uma discografia complexa de mais de 30 anos que transita por fases com influências que vão do rock progressivo ao death metal, letras sombrias e canções que na maioria das vezes ultrapassam os 10 minutos de duração, a banda toca com precisão e versatilidade passagens que deixariam muita gente coçando a cabeça para tentar aprender.

Crédito das fotos: Marcos Oliveira/ Espaço Unimed

É nos momentos de interação com o público, no entanto, que Åkerfeldt, ou Miguelito, como foi chamado carinhosamente pelo público, mostra que não se leva tão a sério assim.

Descontraído, o sueco, que entrou no palco todo de preto com um chapéu de aba meio torta que o colocava no meio do caminho entre um Bob Dylan e um Ventania, aproveita os respiros da apresentação para fazer piadas escatológicas, covers seguidos da música You Suffer, do Napalm Death, conhecida por ter cerca de 1 segundo de duração, e até alfinetar o Sepultura, que faz o seu último show da carreira neste mesmo fim de semana, ou “é o que eles dizem”, conforme o músico.

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É como aquele aluno que tira nota máxima em todas as matérias mas dá de ombros e responde com alguma piada depreciativa quando perguntam como. Apesar de Åkerfeldt ser o centro das atenções e principal mente por trás do Opeth, a trupe que o acompanha não fica atrás em técnica.

Com alta rotatividade de membros ao longo da sua trajetória, a atual formação é composta, além do vocalista, pelo veterano Martin Mendez, no baixo, Fredrik Åkesson, na guitarra, Joakim Svalberg, nos teclados, e Waltteri Väyrynen, na bateria. Com exceção do baterista, que entrou no grupo em 2022, o restante dos músicos já toca junto há pelo menos 15 anos e o entrosamento é visível.

Setlist do Opeth

Em determinado momento, o primeiro baterista da banda, o brasileiro radicado na Suécia Anders Nordin, foi relembrado. Åkerfeldt contou como sempre ouviu muito sobre o país e como tinha vontade de visitar.

O desejo dele se realizou e hoje a banda é presença constante no calendário de shows brasileiro. Somente na atual turnê, do disco The Last Will and Testament, é a segunda passagem, sendo que a primeira foi no ano passado no mesmo Espaço Unimed e no festival Monsters of Rock.

Apesar de ser o mesmo ciclo, o setlist trouxe bastante novidade em relação aos últimos shows no país. Do álbum mais recente, se mantiveram §1, que abriu a noite, §3 e §7, distribuídas ao longo da apresentação. A banda trouxe de volta canções que não tocavam havia algum tempo, como as celebradas Windowpane e The Grand Conjuration, que apareceram uma seguida da outra.

A fase inicial, com influência mais forte do death metal, também teve o seu espaço, com Godhead’s Lament e Demon of the Fall. Antes do bis, a escolhida para fechar o set principal foi Hex Omega, que também não era apresentada nesta turnê e que, segundo Åkerfeldt, “nem é uma música muito boa”.

O encerramento foi com a catártica Deliverance, como já é a marca registrada da banda. Ao fim de cerca de duas horas de show, o público saiu satisfeito com uma apresentação tecnicamente impecável e uma seleção de músicas que trouxe novidades até para quem já havia visto a banda no ano anterior.