Crítica | A Lista Terminal

Engenharia do Cinema Não é novidade que Chris Pratt é um dos mais populares atores da indústria, atualmente. Após encabeçar as franquias “Jurassic World” e “Guardiões da Galáxia“, ele resolveu levar seu talento de ator de ação (lembrando que ele ficou conhecido por seu papel cômico de Andy Dwyer, na série “Parks and Recreations“) na minissérie “A Lista Terminal“. Servindo como uma notória homenagem aos grandes brucutus do cinema como Arnold Schwarzenegger (que é sogro de Pratt, na vida real), Sylvester Stallone, Bruce Willis, Charles Bronson, Clint Eastwood, Chuck Norris e etc, temos uma das mais divertidas séries lançadas neste ano.    Baseado no livro de Jack Carr, a história mostra um grupo de militares encarregados de fazerem uma missão que parecia ser simples. Mas após um “descuido” o grupo acaba sendo morto por completo, com exceção do líder destes James Reece (Pratt). Só que um pouco depois dele retornar para casa, ele é vítima de um atentado pessoal e percebe que ambas situações estão intercaladas, o que lhe faz montar uma lista com possíveis culpados e sair em busca de vingança.     Imagem: Amazon Studios (Divulgação) Como estamos falando de uma série cujo produtor e diretor do episódio piloto seja o cineasta Antoine Fuqua (que já trabalhou com Pratt em “Sete Homens e um Destino“, e também está por trás de filmes como “O Protetor” e “Dia de Treinamento“), certamente é notável que esperamos o material como um todo, ser bom. Mesmo com cenas de ação de tirar o fôlego (carregadas com muita violência gráfica), intercaladas com momentos dramáticos (pelos quais acabam funcionando, pois o timing entre as duas coisas são respeitados), estamos cientes que trata-se de um texto já explorado em vários outros filmes/séries.    Mas a graça está exatamente nisso, pois além do programa ir para uma direção onde ele sabe que às vezes é tosco (vide uma cena de explosão em uma montanha, onde James realmente se parece com o Rambo), ele não faz questão de se levar a sério o tempo todo (e isso funciona totalmente, já que também não apela para piadinhas forçadas nos diálogos). E como Pratt sabe fazer este tipo de dosagem, a atração consegue conquistar seu público alvo (uma vez que também conseguimos nos colocar em seu lugar). Porém, como nem toda a série é perfeita, os dez episódios de 60 minutos cada, facilmente poderiam ter reduzido para oito, uma vez que não sentimos que há um vilão forte e definitivo desde o primeiro episódio (uma vez que a própria lista, sofre alterações em seus episódios). Como filme, funcionaria? Acredito que não, pois o arco precisaria de mais profundidade em suas decisões (já que ele sabe retratar as vítimas de James, antes de lhes colocar cara a cara).  “A Lista Terminal” termina sendo como um ótimo retorno de Pratt para as séries, e uma divertida homenagem ao seu sogro Arnold Schwarzenegger e seus amigos.

Crítica | Boa Sorte, Leo Grande

Engenharia do Cinema Esta é mais uma daquelas típicas produções que funcionarão perfeitamente para o público feminino dos 40 anos, para frente. Digo isso com total clareza, pois a dramaturga Emma Thompson (“Cruella“) já é conhecida por entender este tipo de pensamento há bastante tempo (só pegarmos quaisquer de seus filmes durante os anos 90). Apesar dela não ser responsável por nada atrás das câmeras, vemos que a roteirista Katy Brand e a diretora Sophie Hyde fizeram “Boa Sorte, Leo Grande” totalmente pensado para ser estrelado pela veterana.     A história tem inicio com a acanhada professora Nancy Stokes (Thompson) que resolve contratar o garoto de programa Leo Grande (Daryl McCormack) para ter um simples atendimento. Porém, a medida que ambos começam a conversar sobre seus pensamentos sobre sexo e paixão, a dupla percebe o problema é mais complexo do que imaginam. Imagem: Paris Filmes (Divulgação) Apesar de 90% da narrativa se resumir a um quarto de hotel e conversas entre os personagens citados, é inevitável que o público feminino se sentirá totalmente mais a vontade com este tipo de enredo. Assim como ocorreu no recente “A Filha Perdida” (que foi até indicado ao Oscar), estamos falando de uma temática bastante delicada, pelas quais muitas mulheres ainda possuem certo receio em comentar (que é o sexo depois de uma determinada idade). E acaba caindo como uma luva Thompson ter sido escalada para este tipo de papel, pois além dela ser uma verdadeira Camaleoa, há um certo público que já está íntimo do trabalho da atriz e desta maneira se sente “livre” de ver ela falando abertamente destes assuntos. Ainda mais por conta do enorme parâmetro que é exercido por McCormack, que realmente se mostra como o verdadeiro “psicólogo” da situação (cujos enquadramentos de Hyde, em seus olhos, são quase sempre sobre este intuito).      “Boa Sorte, Leo Grande” é um filme que poderá fazer um enorme sucesso entre o público mais maduro, e fará o público feminino a refletir bastante sobre a questão de ter “amor próprio”.

Crítica | O Telefone Preto

Engenharia do Cinema Não é novidade que muitos cinéfilos e fãs do gênero horror estavam ansiosos pelo lançamento de “O Telefone Preto“. Repetindo a trinca do diretor Scott Derrickson com o ator Ethan Hawke e o produtor Jason Blum (proprietário do selo Blumhouse), após o sucedido “A Entidade”, de 2012, temos um projeto que capta pela pelo diferencial em seu enredo, apesar de beber um pouco de sucessos recentes de Blum como “Fragmentado“.     Inspirado no curta de Joe Hill rotulado de “The Black Phone”, a história mostra Finney (Mason Thames), um garoto de 13 anos que é sequestrado por um homem misterioso (Hawke). Sem ter como obter uma comunicação com o mundo externo, ele é munido apenas de um telefone preto, cujas ligações são feitas por outras vítimas do mesmo sequestrador e que o ajudam a tentar fugir do local. Imagem: Universal Pictures (Divulgação) O roteiro do próprio Derrickson e C. Robert Cargill procura nos primeiros 20 minutos criar uma atmosfera para mostrar o quão Finney não é do típico protagonista padrão deste tipo de filme, muito menos um grande herói. Ele sofre bullyng na escola, sofre agressões constantes do seu Pai (que não superou o falecimento de sua esposa) e ainda tenta defender sua irmã caçula Gwen (Madeleine McGraw) destas mesmas atrocidades.  Só que nitidamente vemos que a dupla bebeu bastante das referências das obras de Stephen King como “It – A Coisa“, pois há muito da criação do suspense em cima das crianças e Derrickson não exitam em tirar o impacto de cenas relevantes para o filme (como delas sendo agredidas ou regadas a muita violência). Caso este recurso não tivesse sido explorado, provavelmente não haveria tanto impacto como previsto.     Isso sem citar, que o próprio enredo possui um caminhar diferente e atrelado ao que foi dito anteriormente, acabamos comprando a narrativa e tentando se atrelar ainda mais ao arco de Finney e Gwen (já que ambos atores mirins estão ótimos, e conseguem cativar o espectador). E ainda mais pelo antagonista vivido por Hawke, que está cada vez mais acertando em criar esses personagens misteriosos, e conseguem transpor medo só por conta disso.    “O Telefone Preto” acaba sendo um dos filmes de suspense mais divertidos e inesperados, nos últimos meses. Certamente os fãs do gênero irão acabar conferindo ao mesmo, mais de uma vez.

Crítica | Elvis

Engenharia do Cinema Após o sucesso de “Bohemian Rhapsody” e “Rocketman“, Hollywood apostou em fazer a cinebiografia definitiva de um dos maiores nomes da música: Elvis Presley. Tendo uma carreira com altos e baixos, a ideia de diferencial em relação aos citados, foi que a história seria contada na perspectiva do empresário deste, o Coronel Tom Parker (sendo interpretado por Tom Hanks). Sendo trabalhado pelo cineasta Baz Luhrmann (“Austrália”) há vários anos, é nítido que tanto ele como o intérprete de Elvis, o ator Austin Butler, entraram de cabeça no projeto.     A história tem início na década de 50, quando Parker assistiu a um show de Elvis em uma pequena apresentação circense. Ao perceber o potencial deste, resolve induzi-lo a cuidar de sua carreira e transformá-lo em um dos maiores nomes da música que já existiram. Só que da mesma forma que o sucesso vem, os percalços entre a dupla ficam cada vez mais complexos.     Com quase três horas de metragem, este é mais um daqueles casos onde a narrativa funciona tão bem, que não sentimos o peso deste tempo. É nítido que Luhrmann teria que usar uma abordagem mais séria, pessoal e menos carnavalesca (apesar dele usar essa tonalidade, quando havia passagens de tempo) como o habitual de seus últimos filmes (vide “O Grande Gatsby“). Ele sabe exatamente como criar uma atmosfera entre os sentimentos de Elvis e Parker, e tais como os sentimentos da dupla ficavam cada vez mais tensos (devido aos constantes malabarismos que este fazia, para conseguir tirar o melhor daquele). Imagem: Warner Bros Pictures (Divulgação)  Sim, apesar de Butler cantar algumas músicas, é nítido que as músicas originais de Elvis foram colocadas nas horas chaves (e casaram direitinho com o trabalho de montagem da dupla Jonathan Redmond e Matt Villa), mas este exerceu tanto estudo para se assemelhar com seu personagem, que realmente parece que o finado músico havia renascido para gravar este filme (não seria injustiça, ver ele levando o Oscar de melhor ator, em 2023). Inclusive, o trabalho de maquiagem e cabelo para ele e Hanks, certamente será bastante recordado nas premiações. Inclusive, este consegue exercer mais um dos seus típicos vilões que “amamos odiar”, mesmo carregado com uma enorme maquiagem e sotaque (que o deixaram irreconhecível, e também já lhe darão uma possível indicação ao Oscar). Com relação a estrutura dos cenários, o design de produção é realmente incrível e muitas vezes parece que estamos vivenciando uma história entre meados dos anos 50 e 70, seja por intermédio das vestimentas ou até mesmo dos edifícios, equipamentos e índoles dos personagens. É aí que entram as questões raciais e políticas que haviam na época, pois embora este seja o plano de fundo secundário da trama, vemos que era como uma segunda camada para a vida de Elvis e uma pedra no sapato de Tom. Mas uma dúvida que perece entre quem não conhece a trajetória de Elvis, é de “se é necessário ter uma base sobre a história deste, para ver este longa?”. Confesso que não, mas caso você goste de ter um conhecimento prévio, a experiência será ainda melhor.     “Elvis” acaba como uma verdadeira homenagem ao Rei do Rock, e certamente figurará como um retrato de como realmente o mundo via o grandioso Elvis Presley.

Crítica | Resident Evil: A Série (1ª Temporada)

Engenharia do Cinema Desde quando foi anunciada pela Netflix em meados de 2020, “Resident Evil: A Série” se mostrava como uma “revitalização da franquia” no universo cinematográfico, após seis filmes que não deram certo (apesar de o último reboot, lançado em dezembro, também ter sido anunciado na mesma época). Tendo como protagonista a atriz Ella Balinska (“As Panteras“), o enredo não se assemelha com absolutamente nada que nos foi apresentado anteriormente. Só que isso não significa que o enredo será compatível com o que vimos nos consoles. A história se passa em dois momentos, quando Jade (Tamara Smart), sua irmã gêmea Billie (Siena Agudong) e Pai (Lance Reddick) vão morar no condomínio Raccon City, em pleno ano de 2022. Com estes sendo um renomado e importante cientista da Umbrella Corporation (empresa responsável por todos na cidade citada), acompanhamos o mesmo tentando conciliar sua agenda com suas filhas. Ao mesmo tempo, a narrativa é intercalada para meados de 2036, agora com Jade (Balinska) tentando sobreviver em um universo pós-apocalíptico. O episódio piloto possui uma metragem de 60 minutos, e não precisamos conferir 10% deste para ver o quão amadora e perdida estava a produção deste programa (já que foram seis roteiristas, que parecem nunca terem jogado nada da franquia). A começar que as linhas de diálogo parecem ter sido tiradas de um filme C, e os atores contratados diretamente dos últimos anos de Malhação. Balinska também não é uma boa atriz, e quando ela precisa ser mais dramática, não consegue nem prender a atenção do zumbi mais distraído da figuração. Imagem: Netflix (Divulgação) Isso sem citar que nos primeiros minutos do mesmo episódio, onde ao invés da diretora Bronwen Hughes (que já dirigiu um episódio de “Breaking Bad“) fazer um foco na relação entre Billie e seu Pai, ele opta por fazer um enquadramento em posters pró-veganismo da personagem (algo que é irrelevante pra própria trama). Não preciso dizer, qual é o verdadeiro “foco” nesta atração. Quando tudo não parecia ter piorado, a trilha sonora de Gregory Reveret, faz o favor de jogar tonalidades para nos explicar o óbvio (acordes padrões para suspense, susto, imprevistos e até mesmo flashbacks). Outro fator totalmente fora da caixinha, é que a todo momento não parece estarmos vendo uma produção do selo “Resident Evil” e sim mais uma produção C sobre zumbis e monstros (poderia ser até um spin-off de “Army of the Dead“). Não existem zumbis assustadores, muito menos monstros como Mr. X (que causou um inferno em quem jogava o segundo game), e sim infectados que parecem ter saído da cracolândia e um monstro que mais se assemelha a uma minhoca colorida por crianças, na escolinha. “Resident Evil: A Série” mostra que realmente este é um game que deverá permanecer nos consoles e jamais sair de lá, para virar mais uma série insignificante e chula.

Crítica | Minions 2: A Origem de Gru

Engenharia do Cinema  Após ter rendido mais de um bilhão de dólares nas bilheterias mundiais, era certeza que a Universal Pictures iria fazer uma continuação para o spin-off da franquia “Meu Malvado Favorito“, “Minions“. Porém, apesar de ter sido um sucesso, a ausência do protagonista foi sentida por vários fãs. Então, o estúdio resolveu trazer em “Minions 2: A Origem de Gru” a primeira grande história que o mesmo teve com seus ajudantes inusitados. Mas, como várias produções de 2020, a produção ficou engavetada pelo estúdio esperando a situação mundial melhorar totalmente para disponibilizá-lo. E finalmente este dia chegou.     A história começa no exato ponto onde o primeiro parou, com Gru já convivendo com os Minions e prestes a realizar seu sonho de entrar no grupo de vilões “Sexteto Sinistro” (sim, a escolha do nome foi bastante inusitada). Porém, após algo dar errado, ambos terão de se unir para conseguir fazer com que Gru não seja capturado por inimigos piores ainda. Imagem: Universal Pictures (Divulgação) O roteiro de Matthew Fogel está ciente de que o primeiro foi bastante criticado por não ter aproveitado melhor a relação dos Minions, com seres humanos. Mas, nesta nova produção ele realmente faz uma espécie de “reboot” em relação ao primeiro filme da franquia. Algumas piadas e arcos são refeitos como forma de “referencia” ao que foi visto naquele, e realmente funcionam, pois acaba sendo aplicado na forma de um easter-egg (como determinado personagem ter ligação com algum vilão da primeira trilogia). Mas ciente da possibilidade de coisas que poderiam ser exploradas na trama, por ela se passar durante os anos 80/90, ele aproveita para colocar várias músicas marcantes da época como The Rolling Stones e Beastie Boys. Só que isto não é suficiente para se segurar uma trama e até mesmo arcos cômicos, já que o humor acaba perdendo um pouco a força perto de seu desfecho. Mesmo se tratando de uma animação com menos de 85 minutos, os últimos 30 ficam arrastados demais.     “Minions 2: A Origem de Gru” acaba se rendendo a diversas risadas e até mesmo nos faz matar a saudade desses personagens, que já se tornaram icônicos.    

Crítica | Thor: Amor e Trovão

Engenharia do Cinema Depois de “Vingadores Ultimato“, Thor (Chris Hemsworth) é o único personagem que continuou tendo sua história contada nos cinemas, com este “Thor: Amor e Trovão“. Como as gravações foram adiadas por umano, por conta do cenário global de 2020, o cineasta Taika Waititi (que também havia escrito e dirigido “Thor Ragnarok“) comentou que aproveitou a época de isolamento para mexer no roteiro e colocar algumas coisas “em ordem”. Só que durante a exibição deste filme, foi notado de tudo, menos esta organização. A história começa exatamente onde a trajetória de Thor havia parado, com o mesmo viajando junto dos “Guardiões da Galáxia” e focado em salvar diversas populações à sua maneira. Mas ele acaba tendo seu caminho cruzado com sua ex-namorada Jane Foster (Natalie Portman), que agora voltou sob o manto de Poderosa Thor e empunhando seu antigo Mjölnir. Em meio às dúvidas de sentimentos, a dupla terá de enfrentar o misterioso vilão Gorr (Christian Bale).     Imagem: Marvel Studios (Divulgação) Começo enfatizando que o cineasta Taika Waititi estava ciente que não iria fazer um filme, e sim um conjunto de esquetes do personagem Thor. Porque absolutamente nenhum arco nos faz sentir uma certa preocupação e até mesmo consegue criar uma atmosfera para nos importarmos com algum dos protagonistas, inclusive a própria Jane (cuja caracterização era necessária ter uma carga dramática melhor, e ela sequer parecia alguém em condição enferma). Tanto que a sensação é de que tudo poderia ter sido apresentado apenas como uma série de vídeos no Youtube, no canal da Marvel Studios.     Agora, quando partimos para a caracterização do vilão Gorr, vemos que apesar de Christian Bale entregar uma boa performance, o mesmo acabou sendo totalmente desperdiçado. Não conseguimos sentir sua presença como ameaçadora, e sua motivação é totalmente genérica. Seus momentos de embate com Thor, não chegam a transpor emoção e inclusive, tudo é feito esporadicamente e jogado. Inclusive, este funciona perfeitamente com os “Guardiões da Galáxia” (cuja breve aparição é uma das melhores coisas do filme), e rende momentos divertidos. Porém, como todo bom truque de Blockbuster a trilha sonora explora colocar músicas famosas do Guns ‘n Roses e outras bandas populares, com o intuito de fazer com que a mente do espectador faça ele ter uma sensação de estar gostando de tudo aquilo (enquanto no fundo, não deve). E os erros ainda não param, pois Waititi volta a resgatar piadas do terceiro filme (nem a piada envolvendo o teatro Asgardiano funciona) e do próprio “Vingadores Ultimato“, apenas por pura preguiça e falta de criatividade. Risos são trocados por bocejos, assim como as gritarias do público em cenas que tinham potencial (como o Zeus vivido por Russell Crowe, que estava bem no papel, inclusive), são trocadas por sensações fúnebres. “Thor: Amor e Trovão” se mostra como mais uma bomba da Marvel Studios, e como o estúdio está totalmente perdido em relação a continuar contando as histórias de seus icônicos protagonistas.

Saiba como foi o papo com o elenco de “The Boys”

Engenharia do Cinema Descontração é a palavra que define a coletiva de imprensa com os atores de “The Boys“, na manhã desta terça-feira, 05 de julho. Sacudindo o Palácio de Tangará, em São Paulo, estavam os atores Antony Starr (Capitão Pátria), Claudia Doumit (Victoria Neuman), Jack Quaid (Hugie), Jensen Ackles (Soldier Boy), Karen Fukuhara (Kimiko), Karl Urban (Billy Bruto) e Nathan Mitchel (Black Noir), além do roteirista e um dos criadores da atração/showrunner, Eric Kripke. “Muitos se questionaram sobre como eu realizo meus jeitos intimidadores e duvidosos do Capitão Pátria, com meus lábios, mas ninguém se tocou que tudo acabou sendo feito de forma improvisada.” comentou Anthony Starr sobre as famosas caretas do seu personagem. “Justamente no episódio em que [Eric] Kripke dirigiu, ele me pediu para repetir a situação, mas como improvisei mandei ele se foder. Mas fiz novamente, porém totalmente diferente. E ele gostou” Completou o mesmo, dando altas risadas. Imagem: Amazon (Divulgação) Sobre os arcos malucos criados no terceiro ano, inclusive a cena do “Homem-Formiga entrando no Pênis”, foi considerada por muitos como a maior “piada de pinto na história”, segundo brincou o próprio Jack Quaid. “Estávamos buscando várias referências que poderiam ser feitas, mas de formas nunca realizadas antes. Foi aí que tive a ideia de idealizar esta icônica cena, de um homem encolher e entrar no pênis do outro e simplesmente crescer e explodir.” Comentou Krimpe, que inclusive chegou a mostrar para seu filho adolescente as cenas dos bastidores. “Quando meu filho olhou para aquele pênis gigante que fizemos, para a cena ser toda feita de forma prática, ele falou ‘Pai, como você pode ter sido tão doente em fazer isso?’”. E mais uma vez todos foram aos risos.     Quando começou a série em 2019, Kripke chegou a dirigir um dos primeiros episódios e foi justamente quando “Vingadores Ultimato” estava sendo lançado e bombando. Foi um tiro certeiro e muitos acabaram comprando a premissa do mesmo, por conta da temática de super-heróis “ao avesso”. Embora o público sentiu que a ideia seria um sucesso imediato, muitos nomes do elenco ficaram na dúvida se realmente a atração iria vingar. “Na época que a série foi lançada, os cinemas estavam exibindo “Guerra Infinita” ou “Ultimato” e cada vez mais que via o marketing destes filmes nas ruas, sentia que este programa poderia dar mais certo do que imaginei, pois estávamos justamente aproveitando o hype daquele momento.” Comentou Jack Quaid, que interpreta Hugie, um dos protagonistas.  Imagem: Amazon (Divulgação) Em relação ao andamento da série, uma das personagens que mais crescimento foi a misteriosa Kimiko (Karen Fukuhara). Brincalhona e sempre deixando claro que Kripke literalmente a trolou legal nesta terceira temporada (por conta dela ter perdido os poderes, logo quando a mesma começou a ser mais explorada), a mesma explicou que foi bastante desafiador o arco musical, onde ela teve de superar uma das suas maiores dificuldades: a dança. “Na minha adolescência cheguei a fazer uma aula de dança, mas via que não era a área para mim e desisti” comentou Fukuhara, que explicou o fato do intérprete de Frenchie, Tomer Capone ter se juntado a ela nesta etapa de preparação para o episódio.    “Tanto eu, quanto Capone não sabíamos como poderíamos fazer com o que eu rebolasse tanto e conseguisse realizar as acrobacias. Confesso que nunca fomos próximos, mas que devido a este processo constante e exaustivo, fomos nos aproximando demais e ele acabou se tornando um grande amigo fora das telas”. Completou a atriz.     Imagem: Amazon (Divulgação) Estreante em grandes papéis, a atriz Claudia Doumit confessou que não fazia ideia de como interpretar uma personagem no meio da política e que posteriormente também teria habilidades inusitadas (que envolvem explodir pessoas). “Quando Eric [Kripke] chegou para mim com a ideia de que fosse interpretar Victoria Neuman, em um primeiro momento não imaginava como iria conceber a mesma. Já que não entendo absolutamente nada de como funciona o universo da profissão dela.” Comentou Doumit, que depois ficou mais pasma de como retratar a evolução da personagem.    “Mas tudo acabou mudando quando o Eric [Kripke] citou o fato que ela também iria se tornar uma super. Então foi extremamente do caralho, explodir cabeças e pessoas. Me senti foda demais.” Completou a atriz, que não parava de rir e agradecer o carinho de Kripke. Mas as atenções estavam no fundo sendo voltadas para Jensen Ackles, intérprete do Soldier Boy e que já trabalhou com Kripke em “Supernatural” (série onde ele viveu o protagonista Dean Winchester). “Fui chamado para interpretar o Soldier Boy, um pouco antes do término de ‘Supernatural’, pois cheguei para o Eric [Kripke] e citei se ‘haveria algum papel em mente para mim, agora que ficaria desempregado. Foi aí que ele me apresentou o Soldier” Declarou Ackles, que esbanjava simpatia e deixou claro que o fator complexidade do mesmo, chamou a atenção para viver o mesmo.     Porém de todos os presentes, um que poucos conheciam mesmo era Nathan Mitchell. Intérprete do mascarado personagem Black Noir, apenas em breves momentos da atração víamos o rosto do ator durante toda a série, mas nesta terceira temporada, o mesmo teve um arco dramático/cômico maior. “Acredito que em todos os anos da atração, neste terceiro ano pude mostrar muito mais sobre o Noir.” Comentou Mitchell, que ainda enfatizou ter tido ótimas e divertidas cenas com Anthony Starr.     Nitidamente ainda no personagem Billy Bruto, o ator Karl Urban comentou que foi engraçado o fato do mesmo ter começado a conseguir os poderes de um herói, enquanto ele ainda odeia os mesmos. “Eu interpreto um cara que odeia qualquer tipo de super-heróis, e foi algo muito maluco ter conseguido virar um herói. Ter conseguido as mesmas habilidades deles e, conseguir entrar na briga na mesma perspectiva, foi de certa forma gratificante”. Declarou.

Crítica | Obi-Wan Kenobi (1ª Temporada)

Engenharia do Cinema Desde o final de “Star Wars Episódio 3: A Vingança dos Sith“, muitos se perguntaram como estava a vida de Obi-Wan Kenobi, até chegar ao arco do Episódio 4. Com a compra da Lucasfilm, a Disney notificou que todas as histórias canônicas iriam ser descartadas e somente o que viria daqui para frente e os filmes principais, seriam relevantes para a saga. Anunciada em meados de 2020, a série “Obi-Wan Kenobi” trás novamente o ator Ewan McGregor interpretando o seu mais icônico personagem, depois de 15 anos.     A história mostra exatamente isso, e com o império Jedi cada vez mais caindo, Obi-Wan ainda continua sua missão pessoal de cuidar dos filhos de Anakin (Hayden Christensen), que agora assumiu totalmente o lado negro da força e está sob o manto de Darth Vader. Mas tudo começa a virar de cabeça para baixo, quando Leia (Vivien Lyra Blair) é sequestrada e o faz ir em busca da mesma. Imagem: Disney/Lucasfilm (Divulgação) A diretora Deborah Chow está ciente dos diversos problemas que as últimas produções da franquia tiveram (que chegaram até mesmo a desrespeitar a lógica da saga), e se embasou totalmente no famoso “queremos ver x assunto” (tanto que ela sequer interrompe as cenas de luta, e explora bastante a tensão criadas em algumas cenas aguardadas pelos fãs). Existem easter-eggs e flashbacks que remetem aos seis primeiros filmes da saga, durante toda esta primeira temporada. Um claro exemplo, é terem colocado o veterano James Earl Jones novamente como a icônica voz do vilão Darth Vader. Apesar de nitidamente McGregor estar feliz com voltar a este papel, ele acaba sendo ofuscado pelo talento de novas atrizes nesta saga. Enquanto a versão criança de Leia, vivida por Blair consegue ter as cenas mais engraçadas e emocionantes da série, a atriz Moses Ingram (intérprete da Inquisitora Reva) é uma das mais frias vilãs secundárias da saga (e já mostra isso em sua primeira cena). Já outros como Sung Kang (Fifth Brother), O’Shea Jackson Jr. (Roken) e Kumail Nanjiani (Haja Estree) sequer são explorados, e poderiam até mesmo terem sido substituídos por Stormtroopers ou algum Baby Yoda, que não fariam diferença. Com relação aos efeitos visuais, a série está no meio a meio, pois a produção foi gravemente afetada pela pandemia (já que estava sendo gravada junto de “Bobba Feet“), e por conta dos cronogramas apertados, não havia tempo hábil para conseguir casar algumas coisas que deveriam ser feitas (afinal, com as gravações sendo adiadas várias vezes, e o cronograma sendo apertado, a Disney deve ter deixado menos tempo para a pós-produção). A série de “Obi-Wan Kenobi” termina com um gostinho de quero mais, e de que finalmente a Lucasfilm está sabendo trabalhar o selo de “Star Wars” e nos entregando exatamente o que queríamos neste universo. Que venha a segunda temporada!