Crítica | Jackass Para Sempre

Engenharia do Cinema Desde 2014, quando foi lançado “Vovô Sem Vergonha“, a trupe do Jackass não dava as caras em nenhuma outra produção para os cinemas. Com muitos deles chegando à meia-idade, era uma ótima oportunidade para eles mostrarem que ainda tem condições para exercerem as suas famosas pegadinhas arriscadas (onde quase sempre eles se machucam seriamente). E é nesta premissa que temos “Jackass Para Sempre“. Realmente este é um filme composto de várias esquetes de pegadinhas distintas, ou seja, não tem um roteiro ou trama concreta. Aqui o intuito é apenas rir de várias cenas absurdas e malucas feitas por Johnny Knoxville, Steve-O, Chris Pontius, Dave England, Ehren McGhehey, Jason ‘Wee Man’ Acuña, Preston Lacy e muitos outros. Imagem: Paramount Pictures (Divulgação) Confesso que analisar este tipo de filme é algo complexo, pois depende do gosto peculiar da pessoa para gostar deste tipo de entretenimento, que fez bastante sucesso nos anos 2000 (inclusive é a principal referência para programas como “Pânico na TV“). Neste quarto filme, em uma era de CGI e truques de cinema sendo elevados a outros níveis, é perceptível que foram utilizados vários destes recursos para os próprios não se machucarem como antes (vide a cena envolvendo abelhas na manjuba de um dos nomes citados). Porém, é nítido que as brincadeiras foram amenizadas e até mesmo “repetidas” de várias outras esquetes do programa, e a mensagem que fica nisso é apenas “olha, estamos com uma idade avançada, mas ainda podemos repetir essa dose”. Pros fãs, isso pode ser triste e até mesmo alguns podem não aprovar esta desculpa (embora ela não seja dita, mas sim mostrada). “Jackass Para Sempre” é um divertido resgate da icônica franquia, mas não é um exemplar que fará você se tornar fã da mesma.
Crítica | Escolha ou Morra

Engenharia do Cinema Realmente este é mais um exemplar que só comprova a ansiedade e pressa da Netflix em lançar suas novas produções originais, e ainda força o potencial de tornar a mesma em uma possível franquia. “Escolha ou Morra” tem o marketing centrado totalmente no ator Asa Butterfield (estrela de um dos carros chefes da plataforma, a série “Sex Education“), porém ele é apenas um mero coadjuvante, já que a protagonista é a personagem da desconhecida Iola Evans. A história é centrada em um misterioso jogo de computador, cujas ações acabam direcionando atitudes masoquistas e até mesmo suicidas com pessoas à volta de quem joga. Quando Kayla (Kayla) acaba tendo contato com este, ela começa uma corrida contra o tempo para tentar descobrir como deter o mesmo. Imagem: Netflix (Divulgação) Realmente este roteiro de Simon Allen tenta fazer uma mistura de “Jogos Mortais” com “Jogador Número 1“, e acaba acertando em uma trasheira pior que os longas da The Azylum (produtora responsáveis por filmes como “Sharknado“). Em seus 80 minutos de metragem não conseguimos ter compaixão com nenhum dos personagens, muito menos por Kayla (inclusive, o roteiro joga todos os clichês e vitimismos possíveis para gostarmos dela). Como estamos falando de uma produção de terror, o diretor Toby Meakins procura mostrar a maior quantidade de sangue possível em vários momentos chaves. Porém, isso é uma válvula de escape chula para ser utilizada em um filme de terror. Não é porque temos isso a rodo, que uma narrativa pode impactar o espectador. Em seu término, a única coisa que me fez refletir sobre “Escolha ou Morra“, é que poderia ter escolhido ver algo melhor na Netflix.
Crítica | A Princesa da Yakuza

Engenharia do Cinema Filmado em 2019, “A Princesa da Yakuza” foi mais um filme do cineasta Vicente Amorim (“Corações Sujos“) que mesclou Brasil e Japão. Previsto para ser lançado nos cinemas pela Warner Bros, esta vendeu para a Netflix os direitos, que lançou a produção agora em sua plataforma. Inspirada na HQ de Danilo Beyruth, certamente esta obra foi bastante influenciada pelo cinema Yakuza (pelos quais fazem muito sucesso no Japão e costumam focar em guerras de gangues do país, com cenas regadas a bastante violência), só que acabou sendo uma cópia barata do estilo. A história gira em torno de Akemi (MASUMI), que vive no bairro da Independência em São Paulo, no Brasil. Após ter seu caminho cruzado com um homem misterioso (Jonathan Rhys Meyers), ela percebe que é neta de um dos maiores nomes da Yakuza, e que terá de enfrentar vários membros dela que estão vindo do Japão. Imagem: Warner Bros Pictures (Divulgação) Apesar de estarmos falando de um dos protagonistas ser vítima de amnésia, o roteiro de Fernando Toste, Kimi Lee, Tubaldini Shelling e do próprio Amorim é totalmente confuso e amador. Mesmo com uma direção de arte que consegue captar o estilo Cyberpunk da noite paulistana (que é plausível para este tipo de gênero), a narrativa é bastante precária. Em momento algum conseguimos ter apreço pelos personagens (afinal, os atores estão bem canastrões), e tudo é simplesmente jogado na tela, com o intuito de apenas falar “olha como estamos homenageando o cinema japonês!”. Uma coisa curiosa é que realmente a narrativa é totalmente estranha ao abordar os idiomas nos locais. Em alguns momentos um mesmo personagem fala inglês e japonês em uma mesma frase, em uma conversa informal (claramente o intuito foi tentar vender a obra para os EUA, por conta da citação deste quesito também). Isso não acaba nem aproximando o espectador, pois não soa como natural (e sim, estranho). Para piorar a situação, a única escapatória acaba sendo as cenas de luta e violência, pelas quais não são bem filmadas (já que claramente não havia tempo para os atores treinarem as acrobacias, então o diretor escondeu isso com jogos de câmera). Saudades de um cinema do Kurosawa (“Os 7 Samurais”), nestas horas. Em seu desfecho vemos que “A Princesa da Yakuza” foi realmente pensado para ser uma franquia pseudo japonesa/brasileira, mas acaba sendo totalmente clichê e forçado.
Crítica | Dreamland: Sonhos e Ilusões

Engenharia do Cinema Apesar de em meados de 2020 “Dreamland: Sonhos e Ilusões” ter sido vendido como uma possível “indicação ao Oscar para Margot Robbie“, ele realmente se comprovou como mais uma mera adição em catálogo de streaming (como ocorre no Brasil, que está fazendo um certo sucesso na Amazon). Pegando um gancho no clássico sucedido “Bonnie e Clyde“, o roteiro de Nicolaas Zwart soa como mais uma produção que claramente foi bastante afetada por decisões do estúdio em apressar algumas situações do longa, fazendo ele perder sua emoção aos poucos. A história se passa em 1935, quando a criminosa Allison Wells (Robbie) é uma das maiores procuradas dos EUA, após um roubo a banco dar errado. Disposto a se tornar um dos responsáveis para capturá-la, o jovem Eugene (Finn Cole) acaba tendo seu caminho cruzado com aquela e logo terá de decidir entre seu coração e sua lealdade. Imagem: Vertical Entertainment (Divulgação) Em seus primeiros minutos claramente vemos que o foco do diretor Miles Joris-Peyrafitte é estabelecer uma direção afetiva entre Eugene e Allison. Isso funciona porque ambos os atores possuem uma química, além de Robbie já ter o semblante perfeito para este tipo de personagem (Arlequina “vibes” falando alto nesta hora). Ao mesmo tempo, Travis Fimmel (intérprete do padrasto de Eugene, George) acaba sendo um excelente contraponto para a dupla (realmente sua feição já demonstra que há ódio pelo enteado, simplesmente por ele não concordar com sua linha de pensamento). Só que senti que faltou bastante ênfase no figurino de Rachel Dainer-Best, pois tratando de um filme deste estilo, este tópico poderia ser mais original e diversificado. O mesmo se diz da fotografia de Lyle Vincent, cujo único diferencial é usar o aspecto de tela 1:33 (remetendo ao cinema clássico), quando Eugene ou Allison estão pensando em algo aleatório. “Dreamland: Sonhos e Ilusões” acaba sendo uma boa pedida para quem busca um entretenimento épico, com toques de romance.
Crítica | Cidade Perdida

Engenharia do Cinema Realmente os cinemas vem carecendo de boas comédias com toques de aventuras, até mesmo produções com tais temáticas (afinal, os estúdios estão mirando mais em franquias lucrativas). “Cidade Perdida” não só trás Sandra Bullock de volta a este gênero (que não estava neste tipo de filme desde “As Bem Armadas“, lançado em 2013), como também consegue trazer consigo grandes nomes como Channing Tatum e Daniel Radcliffe. Porém, estamos falando de um filme totalmente genérico com o intuito de divertir por duas horas e nada além disso. A história gira em torno da escritora Loretta (Bullock), que após o lançamento de mais um livro de sua franquia de sucesso, acaba sendo misteriosamente sequestrada pelo bilionário Abigail Fairfax (Radcliffe). Este ordena que ela use suas habilidades para traduzir uma série de desenhos, que segundo o próprio podem levá-lo para um grande tesouro. Só que ambos não esperavam que o dublê de capa dos livros de Loretta, Alan (Tatum) iria até o local para resgatá-la. Imagem: Paramount Pictures (Divulgação) O roteiro de Oren Uziel, Dana Fox, Adam Nee e Aaron Nee (estes últimos também assinam a direção) procura seguir um escopo bastante clichê (chegando a lembrar um pouco “Tudo Por Uma Esmeralda” e até mesmo “A Proposta“), deixando o desenvolver da narrativa ser levado pelo carisma dos atores. Apesar de Bullock e Tatum terem bastante química, o grande destaque acaba sendo para o astro Brad Pitt. Mesmo sendo uma participação curta, ele acaba tirando muitos risos e referenciando justamente o papel que lhe deu o Oscar em “Era Uma Vez Em… Hollywood“. Infelizmente não podemos dizer isso para Radcliffe, que realmente aceitou o filme para se divertir (uma vez que seu vilão é bastante desinteressante e banal). Com cerca de 110 minutos de duração, certamente o problema principal deste filme é tentar tirar várias esquetes na narrativa com o intuito de promover risos. Isso acaba fazendo a produção se tornar um pouco rasteira e sonolenta, em vários aspectos (vide o arco da empresária Beth, vivida por Da’Vine Joy Randolph, onde acham que é engraçado ainda ver uma mulher obesa berrando). Seria mais fácil terem deixado Pitt com mais tempo de tela. Em seu desfecho “Cidade Perdida” acaba sendo uma esquecível produção marcada apenas por conseguir entreter o espectador por apenas duas horas e nada mais.
Crítica | X

Engenharia do Cinema Realmente, quando vemos o selo da produtora A24 estampar algum filme, certamente é algo de qualidade. “X” se encaixa neste padrão e facilmente podemos classificar como uma reinvenção do gênero slasher, pois em uma era onde temos longas tenebrosos como “O Massacre da Serra Elétrica: O Retorno de Leatherface“, o cineasta Ti West sabe às diversas criatividades que podem ser exploradas. A história se passa em 1979, onde um grupo parte para um local isolado para a gravação de um longa pornô. Só que eles não imaginavam que iriam se deparar com uma situação macabra e inusitada. Sim, não irei adentrar em spoilers, pois a principal graça nesta produção é reconhecer o quão original foi essa jogada (além do choque da situação toda). Imagem: A24 (Divulgação) West realmente consegue nos apresentar dois arcos distintos nesta produção, pelos quais em um primeiro momento ele sabe trabalhar de forma satírica a situação do porno, mas sem entrar em uma mera pornochanchada, já que estamos falando de uma produção onde o sexo é literalmente um carácter coadjuvante. E o mesmo pode-se dizer dos protagonistas vividos por Mia Goth, Jenna Ortega, Brittany Snow, Martin Henderson, Owen Campbell e Kid Cudi. Todos atuam como em um filme pornográfico: de forma canastrona, e cientes do que o público realmente quer. Enquanto no segundo momento, acabamos parando em um cenário totalmente macabro, com boas cenas de suspense e tensão (embora estejamos cientes do desfecho de algumas). Sangue e mortes bizarras, realmente não faltam aqui. Por isso, já adianto que os mais sensíveis devem passar longe deste filme. “X” acaba sendo uma verdadeira renovação do gênero de slasher, além de ser uma das produções mais divertidas do gênero.
Crítica | Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore

Engenharia do Cinema Quatro anos depois do lançamento de “Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald“, a Warner Bros lançou este “Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore” com o intuito de ser uma verdadeira homenagem de toda franquia do universo de Harry Potter. Antes de David Yates assumir a cadeira de diretor com “A Ordem da Fênix” (e até então tem assumido todas as produções deste universo), nomes como Chris Columbus, Afonso Cuarón e Mike Newell tiveram outras abordagens para as diversas aventuras do bruxinho. E com perspectiva nestes trabalhos, Eyes concebeu este projeto (afinal, já fazem 20 anos desde o primeiro filme de Harry Potter). Na trama, Albus Dumbledore (Jude Law) recorre para Newt Scamander (Eddie Redmayne), Theseus Scamander (Callum Turner), Jacob Kowalski (Dan Fogler) e a Professora Lally (Jessica Williams), para lhe ajudarem a deter o perigoso Gellert Grindelwald (Mads Mikkelsen), que agora conseguiu não só absolvição de seus crimes, como também está tentando assumir o controle do Ministério da Magia. Imagem: Warner Bros Pictures (Divulgação) Já aviso de antemão que estamos falando de uma cinessérie, ou seja, este filme depende dos outros dois primeiros para serem compreendidos. Então, já embarque nesta jornada já ciente que possivelmente ela ainda terá mais capítulos propositalmente. Embora o roteiro de J.K. Rowling e Steve Kloves tiveram um enorme cuidado para poder explorar tudo aquilo que foi jogado em cena nesta sequência. Seja a questão sociopolítica do próprio Ministério da Magia, até mesmo a vida pessoal de Dumbledore (que inclusive é o verdadeiro protagonista da vez) e a abordagem (mas sem aprofundar muito) de coadjuvantes como Newt (mesmo sendo vendido como o principal, ele acaba sendo jogado para escanteio), Jacob, Lally e Theseus. Sobre Maria Fernanda Cândido, com sua Vicência Santos, prefiro me abster de falar sobre, para não entrar no mérito de spoilers. Porém esta profundidade com os coadjuvantes só funcionará mesmo, se você já tiver visto os dois longas antecessores da franquia. Caso contrário, não espere nenhum apelo para você passar a gostar destes agora. Com relação a nova roupagem de Grindelwald (antes era vivido por Johnny Depp, que se desligou da franquia por problemas pessoais), realmente não há uma explicação plausível para a troca dos atores e já começam como se “nada tivesse ocorrido”. Independentemente disto, Mikkelsen conseguiu transpor a presença vilanesca do mesmo, embora ele já tenha sido fincado como vilão em vários filmes populares como “007 – Cassino Royale“. Agora partindo para o trabalho de direção de David Yates, realmente ele procurou colocar aquela mesma tensão e emoção visceral que vivenciamos há cerca de 20 anos, no início da franquia cinematográfica de Harry Potter. Seja as cenas de ação no meio das florestas, a apresentação da escola de Hogwarts (cujo arco chega a arrepiar os fãs mais ávidos) e até mesmo as cenas de batalha com magias. Tudo realmente foi feito pensando em homenagear o legado deste universo. Lembrando que a trilha sonora de James Newton Howard acaba sendo uma verdadeira cereja do bolo (com direito a uma repaginação da trilha sonora dos primeiros filmes do Harry). “Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore” acaba sendo uma verdadeira carta de amor para o universo de Harry Potter e certamente irá arrancar muitas emoções e suspiros dos espectadores.
Crítica | Benedetta

Engenharia do Cinema Pode-se dizer facilmente que “Benedetta” se tornou o mais polêmico filme, pós pandemia. Dirigido pelo cineasta Paul Verhoeven (“Instinto Selvagem“), ele narra aqui a história verídica da irmã Benedetta Carlini (Virginie Efira), que durante um bom período em sua congregação, teve um relacionamento amoroso lésbico com Bartolomea (Daphne Patakia), uma mulher que acabou de entrar no convento e demonstra ter uma enorme paixão pela mesma. Verhoeven (que também escreveu o longa com David Birke) claramente é um diretor que não gosta de deixar tudo demonstrado de forma óbvia, por isso muitas pessoas interpretam de várias maneiras suas mensagens nesta produção. Sim, como estamos falando de uma história que ocorreu em pleno século XVI, dificilmente saberemos exatamente o que aconteceu (embora o filme seja inspirado no livro da escritora Judith C. Brown). Essa sensação que o cineasta transpôs (só que isso é assunto para um artigo, com uma abordagem mais complexa). Imagem: Imosivion (Divulgação) Porém, é notório que a intenção deste filme era chocar o espectador. Seja com as cenas de sexo, nudez e até mesmo violência envolvendo Jesus Cristo (inclusive, dependendo do seu ponto de vista, poderá até causar uma sensação horrenda). Embora pareça que não faça sentido e tudo seja de forma gratuita, realmente acaba sendo plausível diante do que estava sendo proposto. Embora muitos não consigam gostar, “Benedetta” é o típico filme feito para ser debatido e ter várias conclusões tiradas sobre seu enredo.
Crítica | Sentença (1ª Temporada)

Engenharia do Cinema Pegue uma receita de vitamina. Coloque todos os vegetais, legumes e doces existentes e bata em um liquidificador. Ao ingerir, certamente você vai sentir um gosto estranho, embora a composição tenha levado todos os ingredientes possíveis. É nesta sensação que se assemelha a nova série nacional da Amazon, “Sentença“. Com vários assuntos sendo jogados em cena, a sensação é que o projeto de Paula Knudsen (“Samantha!“) queria várias coisas e acabou sendo nada. A história tem inicio quando Dinorah (Lena Roque) acaba incendiando um homem por um motivo desconhecido. Como a cena acabou sendo gravada de forma inusitada, ela vai presa, e tem como advogada de defesa Heloísa (Camila Morgado). Mas, a medida que as investigações vão começando a serem feitas, muitas coisas piores começam a aparecer. Imagem: Amazon Studios (Divulgação) Certamente para esta primeira temporada ter seis roteiristas, em seus seis episódios, certamente isso soaria uma bagunça total. Apesar do escopo continuar sendo firme e forte, a trama parece cada hora tentar falar de vários assuntos distintos como homossexualidade, feminismo, sexo, violência contra mulher, racismo, milicia e até mesmo adoção. Para abordar estes temas, primeiramente devemos ter personagens com que nós nos importamos. Infelizmente, neste quesito a narrativa acaba sendo totalmente confusa. Porque ela coloca um carácter (ou dois) para abranger estes tópicos. Isso acaba fazendo com que a narrativa fique totalmente arrastada, cansativa e às vezes até confusa (já que a montagem coloca uma cena de masturbação, intercalando com uma discussão sobre feminismo). Sim, a trama central realmente em muitas das vezes acaba sendo esquecida, de uma maneira onde realmente nos questionamos sobre “qual tipo de série estamos assistindo?”. Embora tenha ótimas atuações de Morgado, Roque, Fernando Alves Pinto e até mesmo do estreante ator mirim Victor Hugo Martins (que realmente tem potencial na área). Porém, isso não é suficiente para classificar a série como boa. Ao invés de parecer seis episódios com 45 minutos cada, parece estarmos maratonando um seriado com mais de 20 anos e 30 capítulos. A primeira temporada de “Sentença” acaba sendo uma verdadeira salada mista, pelos quais os ingredientes acabam causando congestão pela péssima forma pelas quais eles são apresentados.