Crítica | A Bolha

Engenharia do Cinema Após termos passado o tremendo caos que foi a época da pandemia e lockdown, uma coisa era certa: o cinema iria começar a explorar esse quadro de diversas maneiras, em diversos filmes e séries. Em “A Bolha“, o cineasta Judd Apatow (“O Virgem de 40 Anos“) apela para uma das áreas mais afetadas pela situação, que foi a indústria cinematográfica. Com a paralisação das gravações de grande parte dos filmes e seriados, sua nova produção apela exatamente para uma grande minoria, que tentou realizar suas filmagens em meio ao caos mundial. A história é centrada em um grupo de atores, pelos quais são contratados para fazer a continuação da famosa franquia “Feras no Abismo” (que é no estilo de “Jurassic Park“). Porém, como eles estão no meio de uma época de pandemia, devem ficar isolados em um hotel e realizar vários procedimentos para evitar o contágio. Só que obviamente, as coisas não dão certo. Imagem: Netflix (Divulgação) O roteiro escrito pelo próprio Apatow com Pam Brady procura exatamente satirizar diversas situações que vemos diariamente acontecer na indústria cinematográfica ou até mesmo em nosso dia a dia, durante a época de lockdown. Seja por intermédio de celebridades e personalidades que não seguem as próprias instruções de prevenção, que vivem pregando na mídia; A indústria cada vez mais escolher seu elenco apenas pelo número de seguidores nas redes; Agregadores de notas decidirem o destino de alguns atores; Executivos dos estúdios literalmente tratarem os profissionais de forma desumana, só para concluir o filme e até mesmo a questão de que diversos executivos chineses estão cada vez mais envolvidos nas produções executivas de vários projetos, ultimamente. Porém, vale ressaltar que estamos falando de uma comédia com estilo pastelão e um humor negro bem peculiar, ou seja, ela poderá dividir bastante as opiniões. Embora diversas cenas acabem sendo realmente engraçadas, e o roteiro também saiba trabalhar algumas participações especiais que ocorrem (inclusive algumas delas são hilárias). Com relação as piadas envolvendo alguns atores, muitas delas funcionam como forma de esquetes e percebemos que inclusive nomes como Karen Gillan, Iris Apatow, Pedro Pascal, Leslie Mann, David Duchovny e Keegan-Michael Key realmente estão se divertindo nesta proposta. Após um enorme hiato de filmes cômicos, “A Bolha” chega para quebrar isto e acaba divertindo por conta de ser uma sátira inteligente e divertida.
Crítica | Você Pertence a Mim

Engenharia do Cinema Realmente estamos falando de mais uma bomba da filmografia do ator Casey Affleck, que após ter vencido o Oscar de ator por “Manchester a Beira-Mar“, em 2018, tem conquistado apenas papéis no mesmo padrão (homens depressivos, sem expressão e amor pela vida). Em “Você Pertence a Mim” ele mais uma vez se enquadra neste padrão, porém o marketing da Universal Pictures vende o longa da forma errada, pois mesmo o pôster dando a entender que ele é o vilão (como pode se ver acima), na verdade este é o personagem de Sam Claflin (“Como Eu Era Antes de Você“). Na trama, Affleck vive o psicólogo Philip, que opta por um tratamento diferente para uma paciente que está tratando uma severa depressão. Quando a mesma acaba cometendo suicídio, o irmão da própria, James (Claflin) começa aos poucos a se atrelar com sua esposa Grace (Michelle Monaghan) e sua filha, Lucy (India Eisley). Imagem: Universal Pictures (Divulgação) Certamente o roteirista David Murray apenas deve ter recebido uma ordem da produtora responsável pelo projeto, com o seguinte dizer: “querermos um filme sobre um stalker. Astros populares já assinaram para estrelar, então faça uma trama normal”. Porque a sensação é exatamente esta que tive durante os 100 minutos de projeção desta produção. Sem expressão alguma em cena, o protagonista vivido por Affleck consegue ser uma das piores coisas deste longa, e em momento algum conseguimos criar simpatia ou até mesmo torcermos por ele (ressalvo, que o marketing ainda deu a entender que ele era o grande vilão). Conhecido por ter participado de várias produções de romance populares, Claflin certamente estava perdido neste seu primeiro grande papel de vilão. Totalmente mal dirigido, ele apela para caretas e sorrisos quando ele vai fazer alguma maldade, e olhares lentos quando está em cenas “normais”. Realmente não é problema do ator, mas sim do roteiro e do diretor Vaughn Stein (que já havia tido os mesmos problemas em “A Vingança Perfeita”). “Você Pertence a Mim” certamente é uma das piores produções que chegaram ao streaming nestas últimas semanas, e que faz você esquecer o mesmo por completo, segundo após o término de sua exibição.
Crítica | Me Tira da Mira

Engenharia do Cinema Este é mais um daqueles casos onde a distribuidora vende o filme de forma totalmente errada, mas isso não transformará Me Tira da Mira em um longa nacional sensacional. Conferindo o material promocional e trailer (que fazem questão de enaltecer a quantidade de nomes presentes em uma trama “nonsense”), pensamos que se trata de uma produção ruim demais. Só que a produção assinada pelo diretor Hsu Chien Hsin (Quem Vai Ficar com Mário?), é mais uma ação com doses homeopáticas de comédia. Após o assassinato misterioso da atriz Antuérpia Fox (Vera Fischer), a investigadora Roberta (Cleo) se propõe a assumir a investigação com seu parceiro Lucas (Fiuk), mesmo que seu Pai super controlador, Jorge (Fábio Jr.) e chefe, permita. Imagem: Imagem Filmes (Divulgação) Já deixo avisado de antemão que o roteiro de Beatriz Rhaddour e Claudio Simões consegue tirar boas piadas quando estamos em momentos de interação entre Cleo, Fiuk e Fábio Jr. (cujas linhas de diálogo remetendo suas músicas, acabam sendo realmente bem engraçadas). Agora ele peca ao tentar criar algumas sub-tramas cômicas, como da atriz cancelada Nathasha (Júlia Rabello, em performance totalmente forçada e sem graça) e da recepcionista Amanda (Viih Tube). Se tivessem ficado apenas explorando o trio citado, certamente a diversão seria maior. Isso sem citar quando Hsin tenta criar uma atmosfera de suspense e ação, porém acaba descartando o recurso quando corta para outra cena totalmente sem sentido e até mesmo para algum alívio cômico (como beijo no meio de um tiroteio). Nos primeiros 20 minutos, ele realmente consegue tirar graça nisso, pois se enquadra no padrão nonsense (lembrando até a franquia Corra Que A Policia Vem Ai!). Mas depois, vira galhofa. Me Tira da Mira é uma produção nacional que parece ter sido feita para reunir velhos amigos e parentes, para se divertirem e realmente esqueceram de avisar aos mesmos que estava sendo feito um filme para os cinemas.
Crítica | Ambulância – Um Dia de Crime

Engenharia do Cinema Ao ouvir o nome do cineasta Michael Bay como diretor de algum longa, as opiniões entram em modo distinto. Alguns amam, outros odeiam. Em quesitos técnicos, realmente o mesmo é bastante amador e não sabe posicionar uma câmera de maneira correta, e exagera em sua movimentação até em momentos água com açúcar. Mesmo usando essas suas técnicas que vieram dos tempos onde ele comandava videoclipes musicais, em “Ambulância – Um Dia de Crime“, ele opta por ir na mesma pegada de “Sem Dor, Sem Ganho” e “13 Horas“, onde ele sabe explorar bem um roteiro caído e tirar ótimas cenas de suspense, ação e até mesmo comédia. Baseado no longa dinamarquês “Ambulancen“, de Laurits Munch-Petersen, a história tem início quando os irmãos Danny (Jake Gyllenhaal) e Will (Yahya Abdul-Mateen II) resolvem participar de um audacioso roubo a banco. Mas como o mesmo acaba dando errado, na fuga, eles acabam indo parar em uma ambulância e fazem a socorrista Cam (Eiza González) como refém. Só que há um detalhe: a mesma está acompanhada de um policial, que está gravemente ferido. Imagem: Universal Pictures (Divulgação) Já adianto que este filme foi concebido com o único intuito de entreter com suas cenas de ação malucas, e nada mais além. Como Bay sabe tirar vários arcos inusitados do estilo em suas produções (vide a saga “Transformers“), aqui não seria diferente. Durante 80% da projeção acabamos sendo colocados dentro daquela situação caótica, e a graça está neste quesito. Mesmo cientes de quem são os vilões e mocinhos nesta história, o roteiro de Chris Fedak procura enaltecer o lado da dupla de criminosos e do grupo de policiais que quer prendê-los (inclusive, é algo pouco visto nos cinemas). E isso também é mérito de todos os atores (inclusive de González, que está em seu melhor papel até então). Outro quesito bastante interessante, é que o cineasta usa e abusa das cenas de violência, ou seja, há diversos momentos onde mortes são acompanhadas de poças de sangue, tudo bem ao estilo do game “Grand Theft Auto“. Sem dar spoilers, há algumas cenas chaves onde o impacto também é bem aproveitado (e consegue causar desconforto no espectador). Parece bizarro, mas estes quesitos funcionam perfeitamente como um “captador de atenção do espectador” (afinal, estamos na era do celular e o público não consegue mais ter sua atenção direcionada exclusivamente para um filme, durante duas horas). “Ambulância – Um Dia de Crime” é aquele típico filme de ação pipoca, que o cinema carecia há determinado tempo. Veja e não faça muita exigência em torno da proposta.
Palpites Para o Oscar 2022

Engenharia do Cinema A Cerimônia do Oscar 2022 irá acontecer em 27 de março, e habitualmente irei fazer minha cobertura pelo Engenharia do Cinema (pelo terceiro ano consecutivo). Após diversos termômetros mostrarem algumas vitórias distintas, confesso que algumas categorias podem cair em contradição pela Academia, por conta de N fatores de campanha e marketing. Por isso, irei pautar meus palpites com breves comentários sobre os possíveis ganhadores. Não sei como base apenas alguns termômetros, como também outras vitórias e estilos dos votantes na hora de selecionarem o melhor, nas respectivas categorias. A apresentação será comandada por Amy Schumer, Wanda Sykes e Regina Hall, e no Brasil terá transmissão pelo canal pago TNT, e pela plataforma de streaming do Globoplay, à partir das 22 horas. Filme – “No Ritmo do Coração“: Após ter passado em branco nos cinemas nacionais, possivelmente este filme consiga se consagrar na categoria pelo simples fato de ser diferente e com qualidade. Ter protagonistas surdos e mudos, em uma trama totalmente emocionante é o fator crucial para ele ser consagrado. Direção – Jane Campion, por “Ataque dos Cães“: Realmente são poucos diretores que conseguem captar perfeitamente a história de quatro personagens distintos, durante sua narrativa, sem apelar para o clichê e monotonia. A veterana vai vencer e merecidamente. Ator – Will Smith por “King Richard“: Bom, mesmo sendo o trabalho mais fraco de todos os indicados, ele irá levar mais pelo conjunto da carreira e pela enorme semelhança com o verdadeiro Pai das tenistas Serena e Venus Williams. Atriz – Kristen Stewart por “Spencer“: Sim, eu ainda vou teclar na vitória da mesma por diversos fatores. Seja pela enorme semelhança com Diana, ou até mesmo pela carga dramatica que ela conseguiu colocar em seu olhar. Realmente será a mais merecida na categoria. Ator Coadjuvante – Troy Kotsur por “No Ritmo do Coração“: O mesmo irá entrar para a história por ser o primeiro ator surdo e mudo por a ter levado o prêmio na categoria, além do fato de nos ter entregado uma das mais divertidas performances do longa. Em certo momento rimos, e em outros choramos com sua interpretação. Atriz Coadjuvante – Ariana DeBose por “Amor, Sublime Amor“: Certamente DeBose foi uma das principais almas do remake de Steven Spielberg, e conseguiu até mesmo roubar a cena da protagonista vivida por Ranchel Zegler. A atriz tem levado tudo nas premiações em geral, e não ia ser diferente agora. Melhor Roteiro Original – “Belfast“: Conflitos políticos e religiosos, na perspectiva de uma jovem criança. Mesmo sendo um dos mais fracos entre os indicados (inclusive este ano esta categoria não está boa), certamente ele vai levar pelo fato de ser uma possível vitória de Kenneth Branagh (“Morte no Nilo”), após quase nove indicações sem vencer. Melhor Roteiro Adaptado – “No Ritmo do Coração“: O longa venceu na categoria na premiação do Sindicato dos Roteiristas, e provavelmente vai surpreender também no Oscar, tirando o posto de um dos favoritos, “Ataque dos Cães“. Melhor Filme Internacional – “Drive My Car“: Filme japonês tem conquistado todos os prêmios possíveis, independentemente do território. No Oscar, não poderia ser diferente. Melhor Cabelo & Maquiagem – “Duna“: Após ter conseguido deixar vários atores irreconhecíveis em suas caracterizações, não consigo pensar em outro candidato mais justo. Melhor Figurino – “Cruella“: Filme que se passa no universo da moda, e que homenageia clássicos do cinema como “O Diabo Veste Prada” e o próprio legado de Glenn Close. Certamente vai levar. Melhor Animação – “Encanto“: Mesmo sendo uma das mais fracas da Disney, nos últimos anos, a mesma irá levar pelo simples fato de ter entre seus envolvidos Lin Manuel-Miranda (responsável pela sucedida peça disponível no Disney+, “Hamilton”). Melhor Canção Original – “No Time To Die” (“007 – Sem Tempo Para Morrer“): Certamente a canção que encerra o arco de Daniel Craig, possivelmente irá levar terceiro o Oscar consecutivo da franquia 007. Melhor Trilha Sonora – “Encanto“: Mesmo não ter sido indicado na categoria de canção original, possivelmente a Academia vai compensar a animação neste quesito dando o prêmio a mesma na categoria. Melhores Efeitos Visuais – “Duna“: Com quase todo o filme sendo feito em uma tela verde e todo cenário utilizado sendo mostrado em CGI, a perfeição em cena irá ser o fator crucial em relação aos outros candidatos. Melhor Design de Produção – “O Beco do Pesadelo“: Mesmo não sendo o melhor filme do Del Toro, o clima noir misturado com expressionismo alemão, durante boa parte do cenário apresentado, é suficiente para o mesmo ter como essa sua única vitória na noite. Melhor Fotografia – “Duna“: Um dos grandes destaques da adaptação de Dennis Villenueve, foi a excelente fotografia de Greig Fraser. É uma das peças fundamentais para essa narrativa. Melhor Som – “007 – Sem Tempo Para Morrer“: Devido a diversas cenas de ação terem sido realmente filmadas (com auxilio de CGI, apenas quando necessário), e a equipe ter conseguido captar uma excelente acústica (confesso que é difícil reconhecer mixagem e edição de som em uma única categoria, pois isso varia de acordo com o filme). Certamente será o segundo prêmio consecutivo do longa, e mais uma vez um título da franquia 007 também sendo reconhecido nesta categoria. Mas isso não deixa “Duna” como seu principal concorrente e com chances de vitória.
Crítica | Meu Filho

Engenharia do Cinema Durante o ano de 2021, uma notícia chamou bastante atenção de cinéfilos e fãs do ator James McAvoy. Seu novo projeto, que seria dirigido Christian Carion, iria se tratar de um Pai buscando seu filho desaparecido. Seria uma premissa bastante batida, se o próprio Carion não apresentasse o roteiro de “Meu Filho” para McAvoy e deixasse ele trabalhar apenas com improviso. Apesar disso ser comum no teatro, no cinema é raro isso ocorrer. Durante boa parte da projeção, uma coisa ficou bastante clara: certamente foi uma jogada de marketing genial, pois claramente McAvoy deve ter contato com um roteiro ou alguma coisa para guiá-lo em determinadas cenas. Saliento isso, pois não havia como ele improvisar em determinadas cenas chaves, até mesmo para o andar da investigação do protagonista. Mesmo tendo uma excelente atuação junto de Claire Foy (“The Crown“), McAvoy não teve uma performance tão memorável quanto na franquia “Corpo Fechado” (onde vivia um psicopata com mais de 23 personalidades). Imagem: Amazon Studios (Divulgação) Mas como nem tudo é apenas em torno da atuação dos citados, devo ressaltar que a produção tem como qualidade a fotografia de Eric Dumont, cujas palhetas acinzentadas remetem demais ao cenário de Highlands, na Escócia (onde o filme se passa) e situação que o protagonista está vivenciando. Esse recurso só deixa claro que estamos vendo um suspense, e não apenas um drama (o recurso acaba fazendo sentido, mais no quesito psicológico da situação, apenas). Aproveitando do marketing em cima do improviso constante do ator James McAvoy, “Meu Filho” acaba sendo mais um longa genérico sobre um Pai que está atrás de seu filho desaparecido.
Crítica | Sorte de Quem?

Engenharia do Cinema Após ter dirigido o ator/roteirista Jason Segel (da série “How I Met Your Mother“) em “A Descoberta“, o cineasta Charlie McDowell retorna essa dobradinha com o mesmo em “Sorte de Quem?“. Novamente também sob o selo da Netflix, temos um suspense um tanto que melhor trabalhado e que consegue tirar suspense em arcos corretos. A história mostra um homem (Segel), que invade uma casa de veraneio e começa a usufruir da mesma. Eis que repentinamente os proprietários do local (Lily Collins e Jesse Plemons) chegam, e o fazem a ter de tomar algumas sérias medidas para sair da situação. Imagem: Netflix (Divulgação) O roteiro estabelecido por Justin Lader e Andrew Kevin Walker tem como escopo principal vender a clássica história de que “todo empresário é safado, explorador e machista”. Dependendo do ponto de vista, isso poderá ser um certo incômodo para o espectador, ainda mais também pelo fato de ainda venderem que o personagem de Segel seja um “pobre coitado e vítima da sociedade”. Isso apenas irá funcionar, de acordo com a perspectiva do público. Independente dessa polêmica questão do roteiro, McDowell procura tirar cenas de suspense (inclusive de uma forma onde ficamos angustiados) em situações totalmente banais. Isso chega a funcionar, mesmo tendo estes descuidos do texto, graças a excelente atuação do trio central (pelos quais, às vezes, trabalham apenas com olhares e gestos, inclusive). Apelando para a bandidolatria, longa “Sorte de Quem?” certamente chegou para polemizar o público da Netflix. Porém, o próprio não convence nem um pouco o público de sua mensagem.
Crítica | Doze é Demais (2022)

Engenharia do Cinema Realmente a Disney não está sabendo nem um pouco honrar o legado das produções da 20th Century Fox. Após um reboot horrível de “Esqueceram de Mim“, chegou a vez de estragarem “Doze é Demais“. Com a produção estrelada originalmente por nomes como Steve Martin, Bonnie Hunt, Tom Welling e Hilary Duff, até hoje é considerado um dos mais populares e engraçados filmes do estúdio. Assumindo o manto de protagonistas agora temos Gabrielle Union e Zach Braff, porém conta apenas com o retorno do sobrenome da família Baker. A história mostra o casal Paul (Braff) e Zoey (Union), que possuem 11 filhos, aos quais parte é graças aos casamentos anteriores de ambos. Mesmo tendo uma relação tranquila com a enorme quantidade de herdeiros, eles passam a ter uma rotina mais atribulada quando a lanchonete da família recebe uma proposta de se tornar uma franquia. Ao mesmo tempo o sobrinho de Paul, Seth (Luke Prael) passa a viver um tempo na casa deles e bagunça ainda mais a rotina de seus filhos. Imagem: Walt Disney Pictures (Divulgação) O roteiro estabelecido por Kenya Barris, Jenifer Rice-Genzuk e Craig Titley realmente não se assemelha com o original em diversos fatores. Tá certo que não estamos falando de um grande clássico ou uma maravilha da sétima arte, porém a naturalidade vista nas situações cômicas era o fator crucial para o sucesso dos dois filmes encabeçados por Martin. Agora as esquetes cômicas envolvendo os filhos, foram trocadas por discursos politicamente corretos, questões raciais (com direito a discursos totalmente canastrões e clichês, totalmente desnecessários) e até mesmo situações constrangedoras, vide a dança de Paul e Dom (Timon Kyle Durrett) durante uma partida de basquete. Inclusive, constrangimento é algo que vemos na feição de Braff, que ultimamente vem trabalhado mais como roteirista e diretor (realizando até boas comédias). Certamente ele veio para este projeto com o intuito de familiaridade com algum envolvido, ou algo do tipo (porque estamos falando de seu pior trabalho). Isso sem contar que não há um aprofundamento em nenhum dos filhos, e todas as situações que eles vivem são jogadas na tela e sem profundidade alguma (inclusive, há várias situações que começamos a pensar “isso não faz sentido nenhum”). Com este reboot de “Doze é Demais” a Disney cada vez mais mostra que está cavando uma cova bastante profunda, com todas as franquias que estavam sendo desenvolvidas pela 20th Century Fox. É torcer para “Uma Noite no Museu“, “Vovó… Zona” e outras, não terem o mesmo destino.
Crítica | Belfast

Engenharia do Cinema O cineasta Kenneth Branagh é um dos mais respeitados da indústria, por ser um dos poucos que conseguem adaptar ao pé da letra as obras de William Shakespeare. No intervalo de tempo quando não está adaptando obras do Detetive Hercule Pirot ou atuando em filmes de Christopher Nolan, ele resolveu fazer este “Belfast“, uma produção totalmente inspirada em sua infância, que foi na cidade de Belfast, na Irlanda do Norte, durante os anos 60. A história é centrada em Buddy (Jude Hill), que mora com sua família na cidade citada. Acompanhamos por sua perspectiva diversos conflitos políticos e sociais, ao mesmo tempo que ele começa a ter uma paixão enorme pelo cinema e uma colega de escola. Imagem: Universal Pictures (Divulgação) Realmente este é o filme mais pessoal da filmografia de Branagh, que despeja todo seu sentimento em cima da interpretação de Hill (que se assemelha como uma espécie de versão infantil do próprio). Com os enquadramentos quase sempre sendo feitos de baixo para cima, assim como algumas cenas de tensão quando Buddy observa a movimentação (inclusive, dá pra sentir que no fundo o mesmo se sente seguro de suas atitudes, só pela transposição da câmera), facilmente nós somos colocados no olhar do garoto. Porém, assim como o recente “Roma” (que foi inspirado na infância do próprio cineasta Alfonso Cuarón, mas na perspectiva de sua empregada doméstica) também temos uma narrativa com poucos diálogos e mais enfoque na narrativa com uma fotografia em preto e branco (só que com menos momentos sutis e belos, como na obra de Cuarón). Realmente não consigo dizer se há uma atuação ou momento marcante, pois isso não ocorre (tanto que as indicações ao Oscar de Judi Dench e Ciarán Hinds, não foram merecidas). Já que o único ator que realmente consegue convencer o espectador a embarcar na jornada, é o próprio Jude Hill. “Belfast” acaba sendo um ótimo trabalho para o cineasta Kenneth Branagh ver com seus amigos e familiares, e recordar sua infância. Já para o público, acaba sendo o “primo de terceiro grau” do sucedido “Roma”.