The Adicts se despede do público brasileiro com show apoteótico no Carioca Club

The Adicts

A noite de 18 de março de 2026 ficará marcada na memória dos punks paulistanos como o capítulo final de uma era. O Carioca Club foi o palco escolhido para a “Adios Amigos Tour”, a turnê de despedida dos ingleses do The Adicts da América Latina. Após quase cinco décadas de estrada, a banda provou que o vigor do punk rock permanece intacto, entregando uma performance que misturou caos, glitter e nostalgia. Estética Laranja Mecânica e showmanship Desde os primeiros acordes de Let’s Go, ficou claro que o visual inspirado no filme Laranja Mecânica continua sendo o pilar do grupo. O vocalista Keith “Monkey” Warren, um dos maiores showmen da história do gênero, comandou o público com sua habitual maestria. Entre serpentinas, confetes e truques de mágica punk, Monkey transformou o Carioca Club em um espetáculo teatral visceral. Setlist de hits e emoção no show do Adicts O repertório foi generoso, cobrindo todas as fases da carreira estabelecida desde os anos 70. A sequência inicial com Joker in the Pack e Horrorshow preparou o terreno para o que viria a seguir: um desfile de hinos entoados a plenos pulmões por um público que suou e pulou sem descanso. Os destaques absolutos foram as execuções de: O encerramento não poderia ser mais emblemático. Com a plateia em êxtase, a banda entregou a cover de You’ll Never Walk Alone, um momento de comunhão absoluta entre os músicos e os fãs brasileiros, selando a gratidão mútua de anos de história. A passagem da turnê “Adios Amigos” por São Paulo, com realização da Powerline e Heart Merch, não foi apenas um show, mas uma celebração da longevidade. O evento, que contou com o aquecimento de Supla e Lixomania, reafirmou que o punk rock, quando feito com o profissionalismo e o carisma de Monkey e sua trupe, se torna atemporal.

Na abertura para The Adicts, Supla promove festa de karaokê punk com hits e reencontro com Clemente

Dando continuidade à noite histórica no Carioca Club, o palco foi tomado pelo “Papito” mais famoso do Brasil. Supla entregou um show de exatos 50 minutos que, embora seguisse a estrutura da apresentação realizada no final do ano passado na abertura para Billy Idol (Vibra SP), reafirmou por que ele continua sendo um dos maiores showmen do país. Entre hits autorais e versões inusitadas A performance começou com a enérgica Charada Brasileiro. Em um momento de descontração que já é marca registrada de sua personalidade imprevisível, Supla arriscou alguns toques em um trompete. Embora a execução tenha sido tecnicamente “desastrada”, o gesto serviu para inflamar o público, que entende o punk de Supla como uma celebração da atitude sobre a perfeição técnica. O setlist seguiu com uma sequência matadora de clássicos que moldaram sua carreira solo: Além dos hits, o show funcionou como um verdadeiro “karaokê punk”. Com sua banda afiada, Supla apresentou versões personalizadas de ícones globais, indo do clássico John Lennon e Billy Idol ao punk visceral dos Ramones, chegando até ao pop contemporâneo de Harry Styles. Essa mistura eclética é o que garante ao Supla um público multigeracional. Reencontro de Supla com Clemente Nascimento O ponto alto da noite, e certamente o mais emocionante, foi a participação especial de Clemente Nascimento (líder dos Inocentes e guitarrista do Ira!). Após o susto recente que o levou à internação por problemas cardiológicos, Clemente subiu ao palco visivelmente recuperado e com a energia renovada. O que deveria ser apenas uma participação em Humanos acabou se estendendo. Atendendo ao clamor da pista e à sintonia com o anfitrião, Clemente permaneceu no palco para o hino Garota de Berlim. Ver dois ícones da fundação do rock e do punk brasileiro dividindo o microfone em 2026 foi, sem dúvida, o momento memorável que justificou o ingresso para muitos fãs presentes.

Lixomania abre noite no Carioca Club com punk raiz e nostálgico

Lixomania

A noite da última quarta-feira (18) transformou o Carioca Club, em São Paulo, em um verdadeiro epicentro do punk rock mundial. Antes das performances de Supla e da lendária banda inglesa The Adicts, quem ditou o tom da urgência e do inconformismo foi o Lixomania. Como uma das pioneiras do movimento no Brasil, a banda carregou para o palco o peso de ser uma das 20 participantes do histórico festival O Começo do Fim do Mundo (1982). O que se viu no palco não foi apenas um show de abertura, mas uma aula de história viva ministrada pelo vocalista Moreno. Moreno, o elo com a geração de 1980 Único remanescente da formação clássica, Moreno provou que o tempo não abrandou sua entrega. Entre discursos afiados e uma performance vocal vigorosa, ele conectou o público à essência da cena de 1982. O setlist foi um deleite para os puristas, focado no emblemático EP triplo Violência e Sobrevivência. Clássicos como a faixa-título, O Punk Rock não Morreu e a melódica (à moda punk) Os Punks Também Amam ressoaram com a mesma relevância de décadas atrás. Mosh pit e crítica social A energia na pista do Carioca Club atingiu o ápice quando o grupo apresentou Buracos Suburbanos, cover do Psykóze, e a explosiva Presidente. Esta última foi precedida por um discurso contundente de Moreno, que não poupou críticas a nenhum ocupante da cadeira máxima da República, do passado ao atual governo, reforçando o pilar anárquico e apartidário do punk. O público respondeu à altura: o mosh pit (a famosa “roda punk”) foi constante, unindo veteranos de jaqueta de couro a novos admiradores em uma celebração de resistência urbana. Por que o show do Lixomania é relevante hoje? Assistir ao Lixomania em 2026 é entender as raízes da música marginal brasileira. Enquanto o The Adicts trouxe o espetáculo visual e o “Clockwork Punk”, o Lixomania entregou o punk paulistano bruto, aquele forjado na periferia e na luta por espaço cultural. Destaques do show

Entrevista | Air Supply – “Geralmente ouvimos ‘nós nos casamos com uma de suas músicas'”

O tempo parece não passar para as baladas que definiram gerações. O duo australiano Air Supply, formado por Graham Russell e Russell Hitchcock, desembarca no Brasil em maio para uma apresentação única no Vibra São Paulo, no dia 10. O show faz parte da turnê comemorativa de 50 anos de carreira, um marco raríssimo na indústria fonográfica que prova a resiliência do soft rock e o poder de hits que se tornaram hinos atemporais. Desde que se conheceram nos ensaios de Jesus Christ Superstar na Austrália, em 1975, Graham e Russell construíram um império baseado em melodias perfeitas e harmonias vocais impecáveis. Com mais de 100 milhões de discos vendidos, a dupla é responsável por clássicos que dominam as rádios e as trilhas sonoras de casamentos ao redor do mundo, como Lost in Love, All Out of Love e Making Love Out of Nothing At All. Entrevista exclusiva com Air Supply Nesta entrevista exclusiva para o Blog n’ Roll, conversamos com Graham Russell diretamente da Filadélfia, nos Estados Unidos. O compositor e violonista do duo, hoje com 75 anos, revelou detalhes sobre a nova dinâmica do show, que agora conta com a adição de violoncelos para dar um toque orquestral às apresentações, e comentou sobre a dificuldade, e o privilégio de selecionar um repertório entre tantos sucessos acumulados em cinco décadas. Graham também demonstrou um carinho especial pelo público brasileiro, que descreveu como “expressivo e sem medo de sentir”. Para ele, os fãs no Brasil possuem uma conexão visceral com as letras do Air Supply, criando uma troca de energia que torna cada vinda ao país uma experiência emocional tanto para a plateia quanto para os músicos no palco. Um dos momentos mais curiosos da conversa foi quando Graham explicou o segredo da longevidade da parceria: a ausência total de discussões e egos. Enquanto muitos grupos se dissolvem por conflitos criativos, o Air Supply encontrou o equilíbrio perfeito onde Russell brilha nos vocais e Graham se dedica à criação das composições, mantendo a amizade intacta mesmo após 50 anos de estrada. Confira abaixo a entrevista na íntegra. Vocês estão celebrando 50 anos de carreira com esta nova turnê. Como é olhar para trás e medir o alcance mundial que a música do Air Supply teve nessas cinco décadas? É bem impactante quando paramos para pensar nisso. Sabe, é uma vida inteira para se olhar. E nós tivemos uma vida ótima. Fomos muito afortunados por poder fazer o que amamos, que é tocar e criar música que as pessoas amam. Temos uma vida ótima, um trabalho ótimo e amamos cada momento. É incrível, 50 anos… Eu sei que existem muitos artistas que estão aí há tanto tempo, mas quando você pensa nisso, é realmente impressionante. Você vive um sonho, certo? Sim, é um sonho. Quando eu tinha 9 ou 10 anos, era isso que eu sempre quis fazer. E aqui estou eu. É incrível. Mas a vida é assim, sonhos podem se tornar realidade. Graham, o show do Air Supply no Vibra São Paulo está marcado para 10 de maio. Como tem sido o processo de montar um setlist para uma turnê de aniversário tão extensa? É difícil para nós. Temos que ser muito seletivos porque queremos tocar todos os grandes hits, e são muitos, mas tocamos todos. Isso deixa pouco tempo para coisas novas, mas encontramos espaço. Tocaremos algumas músicas inéditas do nosso novo álbum, mas a maioria do show serão os grandes sucessos, que é o que as pessoas querem ouvir. Além disso, acabamos de adicionar dois violoncelos à nossa banda, então o som está bem orquestral agora. Estamos muito felizes com o resultado, soa incrível. O público brasileiro sempre demonstrou muito carinho pelas músicas do Air Supply. O que você mais lembra das suas visitas anteriores e quais são as expectativas para esta apresentação? Viemos ao Brasil pela primeira vez em 1982 para dois programas de TV, um no Rio e outro em São Paulo. Ficamos impressionados com a resposta do povo brasileiro. Não tínhamos ideia! Desde então, voltamos para tocar muitas vezes. Temos muitos amigos brasileiros. É sempre ótimo ir aí porque as pessoas não são apenas românticas, elas se expressam de imediato. Não guardam nada para si. Elas amam cantar, rir e chorar conosco. É isso que amamos na nossa música: ela alcança as pessoas. E os brasileiros não têm medo de demonstrar isso. Algumas pessoas são reservadas, mas não os brasileiros. De jeito nenhum. Seus amigos brasileiros são músicos? Não. Ao longo dos anos, as pessoas nos param na rua, dizem que foram aos shows muitas vezes e acabamos virando amigos. Mantemos contato com alguns, mas não são músicos. São pessoas comuns, como nós. É muito legal ter amigos que não são necessariamente músicos. É incrível que vocês façam amigos assim. Sim, podemos estar em um restaurante e as pessoas na mesa ao lado dizem: “Oh, vamos ao seu show hoje à noite”. Começamos uma conversa, descobrimos que a pessoa é médico ou advogado, vemos que temos coisas em comum e mantemos contato. Não com todos, mas temos muitos amigos e sempre ansiosos para revê-los. E eles geralmente dizem: “Ah, eu pedi minha esposa em casamento com a sua música” ou algo assim? Sim! Geralmente é “nós nos casamos com uma de suas músicas”. Então nossa música se torna parte da vida deles. Você se torna parte da história deles sem perceber. Eles dizem que casaram ouvindo Two Less Lonely People ou que All Out of Love foi a primeira dança do casamento. Você se torna parte deles de uma forma pequena. Isso acontece muito e é algo maravilhoso de se ouvir e compartilhar. Graham, durante sua última visita a São Paulo em 2024, você recitou um poema escrito para a cidade, “The Best for Last”. Podemos esperar surpresas semelhantes no próximo show do Air Supply aqui? Ah, sim! Eu sempre escrevo um poema à tarde para a cidade onde estamos, sobre como estou me sentindo em relação às pessoas dali. Nunca sei como

Entrevista | The Sophs – “Percebi minha tendência a buscar validação e culpar o mundo”

O cenário indie rock norte-americano ganha um novo fôlego com a ascensão meteórica da banda The Sophs. O grupo, que recentemente chamou a atenção da lendária gravadora Rough Trade, carrega uma mistura audaciosa de pop punk, funk e blues, consolidando uma sonoridade que foge do óbvio. O que começou como demos caseiras enviadas despretensiosamente por Ethan Ramon, o frontman, transformou-se em um dos lançamentos mais aguardados do ano, provando que a convicção artística ainda é a melhor moeda de troca na indústria musical. O álbum de estreia, Goldstar, que chegou hoje às plataformas de música digital, gravado inteiramente antes mesmo da assinatura do contrato, preserva a urgência e a espontaneidade das primeiras tomadas. Essa energia crua é o fio condutor de um trabalho que explora temas profundos, como a busca incessante por validação externa e a linha tênue entre a bondade genuína e a encenada. Musicalmente, a banda não tem medo de “roubar” referências, indo de cânticos eslavos a estéticas country, criando um mosaico sonoro que soa coeso graças à narrativa afiada de suas letras. Experimentações no som do The Sophs Um dos grandes destaques do disco é a experimentação estética. Faixas como Goldstar revelam influências latinas inesperadas, bebendo da fonte do rock argentino de Pescado Rabioso e fundindo-as com a batida clássica dos Rolling Stones. Essa versatilidade técnica é fruto da paixão individual de cada membro por seus instrumentos, permitindo que a banda transite entre o silêncio contido e explosões sonoras que prometem dominar os palcos dos grandes festivais ao redor do mundo. Em entrevista ao Blog n’ Roll, os integrantes Ethan Ramon (vocalista), Sam Yuh (tecladista) e Cole Bobbitt (baixista) revelaram que a turnê de 2026 já está confirmada para a Europa e os Estados Unidos, mas os olhos (e o coração) estão voltados para o Hemisfério Sul. Demonstrando entusiasmo com a cultura brasileira, mencionaram desde as praias, Pelé até pontos icônicos como o Cristo Redentor. A curiosidade sobre o Brasil é evidente, e a banda parece pronta para levar sua performance intensa para o público sul-americano assim que a oportunidade surgir. Ethan, você enviou suas demos diretamente para os diretores da Rough Trade. De onde veio essa confiança e você realmente esperava uma resposta tão imediata para o The Sophs? Ethan: Eu simplesmente acreditava muito na minha música. Com a ajuda do meu diretor criativo, Eric, montamos um material completo: cinco músicas, fotos para a imprensa e um manual da marca com todas as referências. Enviei para 30 gravadoras independentes sem esperar nada, mas sabendo que o material era bom. Recebi a resposta da Rough Trade no dia seguinte. Tem sido surreal, mas não acho que seja desmerecido, temos trabalhado duro por muito tempo. Como o The Sophs conseguiu manter a urgência e a energia espontânea das demos ao gravar o álbum final em estúdio? Ethan: Na verdade, o álbum final foi gravado antes de assinarmos o contrato. A maior parte do que você ouve são gravações de primeira tomada, feitas no mesmo dia. Queríamos manter aquela energia impulsiva do começo ao fim, sem perder o frescor das ideias originais. A música Goldstar fala sobre a busca por validação externa. É uma crítica à necessidade moderna de aprovação ou algo mais pessoal? Ethan: É um pouco dos dois. É uma versão dramatizada de mim mesmo. Percebi minha tendência a buscar validação e culpar o mundo em vez de assumir a responsabilidade. Escrevi a partir dessa perspectiva, mas acho que acabo falando sobre a maioria das pessoas, porque no fundo não somos tão diferentes assim. Vocês mencionaram a ideia de “roubar” e plagiarizar artisticamente. Qual foi a coisa mais inusitada que vocês pegaram emprestado para este disco? Ethan: A estética country em Sweetiepie é bem singular, usamos até uma harpa de boca para criar aquele som. E o final de Blitzed Again tem um canto eslavo completo. Ter essas duas coisas no mesmo disco mostra a nossa versatilidade. O som de vocês varia do pop punk ao funk e blues. Qual é o segredo do The Sophs para essa mistura não parecer desconexa? Sam: O fator principal que une tudo é a narrativa das letras do Ethan. Como ela é consistente, nos permite explorar gêneros como o blues de 12 compassos ou melodias eslavas sem perder o foco. Além disso, somos nós que tocamos tudo, então cada música tem nosso toque pessoal, o que garante a coesão. De onde vieram as influências latinas e os toques de flamenco na faixa Goldstar? Ethan: Eu estava ouvindo muito o álbum Artaud, do Pescado Rabioso (projeto do argentino Luis Alberto Spinetta). Ao mesmo tempo, eu e o Sam estávamos ouvindo Paint It Black, dos Rolling Stones. Sam: Decidimos colocar aquele padrão de dedilhado em cima da batida dos Stones e criou algo dinâmico que nunca tínhamos ouvido antes. Como vocês traduzem a dinâmica entre o silêncio e a explosão para os palcos de grandes festivais? Ethan: Muito volume! (risos). Mas, sério, todos na banda têm um conhecimento profundo da parte técnica e de engenharia de som. Sabemos quais pedais e instrumentos funcionam melhor em cada contexto. É o resultado de sermos apaixonados pelos nossos instrumentos, o que nos permite ter bom gosto e criar o show perfeito. O álbum questiona se ser uma boa pessoa pelos motivos errados diminui nossa bondade. Você já encontrou essa resposta? Ethan: Ainda não. Escrevi um álbum inteiro sobre isso e não consegui uma resposta definitiva. Espero que, quando o mundo ouvir, talvez alguém me dê essa resposta. Com a turnê de 2026 confirmada, existem planos para o Brasil? E o que vem à mente quando pensam no país? Ethan: Adoraríamos ir ao Brasil! Assim que tivermos a oportunidade, ficaremos muito felizes em nos apresentar aí. Cole: Pensamos em praias bonitas, clima bom, futebol, Pelé, e, claro, o Cristo Redentor. Eu sou de Santos, a cidade onde o Pelé surgiu para o mundo. Aqui tem um museu dele, vocês precisam conhecer. Cole: Eu irei, com certeza! Para fechar, quais os três álbuns que mais influenciaram

Entrevista | Felipe Andreoli (Angra) – “Não é um renascimento, é um reencontro”

O ano de 2026 já está marcado como um dos mais importantes na cronologia do metal brasileiro. Após 19 anos de espera, o Angra confirmou o que muitos julgavam impossível: o reencontro da icônica formação “Nova Era”. Edu Falaschi, Kiko Loureiro, Rafael Bittencourt, Felipe Andreoli e Aquiles Priester dividirão o palco novamente para celebrar os 25 anos de Rebirth, o álbum que não apenas salvou a banda em um momento de incertezas, mas redefiniu o power metal mundial no início dos anos 2000. O reencontro terá dois capítulos monumentais. O primeiro acontece no domingo, 26 de abril, como um dos grandes headliners do Bangers Open Air, no Memorial da América Latina. O segundo, um sideshow estendido e exclusivo, será realizado no Espaço Unimed, no dia 29 de abril. Esta apresentação em São Paulo promete ser ainda mais imersiva, com a execução na íntegra do disco Rebirth e um setlist que abraça todas as fases do grupo, contando inclusive com a participação dos atuais integrantes, Alírio Netto, Marcelo Barbosa e Bruno Valverde, em um verdadeiro “encontro de eras”. Para entender os bastidores dessa união, o Blog n’ Roll conversou com o baixista Felipe Andreoli. No papo, ele revela como está o clima entre os músicos, a responsabilidade de revisitar clássicos com a maturidade de hoje e o que esperar dessas apresentações que prometem ser únicas. Como foi o primeiro contato entre vocês cinco (Edu Falaschi, Kiko Loureiro, Rafael Bittencourt, Aquiles Priester e você) para selar esse reencontro após quase 20 anos? Na verdade, o reencontro físico dos cinco ainda não aconteceu, vai rolar na semana do festival, quando vamos ensaiar. Mas temos nos falado muito para combinar tudo. Foi um processo muito tranquilo. Sinto que todos compartilham o sentimento de que isso é legal e bom para todo mundo. Esse projeto coloca no passado qualquer problema que tenhamos tido. Vejo todos muito a fim de que dê certo e de que a gente saia de lá com uma sensação boa. Como anfitriões, nós do Angra puxamos a responsabilidade de criar esse ambiente seguro e confortável para que todos tenham suas necessidades atendidas. O Rebirth foi o álbum que te introduziu ao Angra. Qual é o sentimento pessoal de, hoje como um pilar da banda, revisitar esse repertório com os companheiros que dividiram aquele “renascimento” com você em 2001? É sempre muito legal, porque essa época foi de muita transformação, aprendizado e crescimento na minha vida. Fizemos o Rebirth na íntegra em 2022, na volta da pandemia, e foi incrível. Nunca tínhamos tocado o disco inteiro antes, Visions Prelude, que encerra o álbum, jamais tinha sido tocada ao vivo. Mas acho que será ainda mais especial com os membros originais. O Aquiles saiu em 2007 e o Edu em 2012; já faz 19 anos que os cinco não sobem juntos ao palco. Vai ser muito significativo. O show em São Paulo será a única apresentação dessa formação fora do festival Bangers Open Air. O que o público pode esperar de diferente no setlist do Espaço Unimed em comparação ao festival? O repertório foi muito bem pensado para contemplar toda a carreira da banda e comemorar os 35 anos do Angra. É um ano emblemático: são 25 anos de Rebirth, 30 de Holy Land e 35 da banda. O show do Espaço Unimed terá o Rebirth na íntegra, algo que não acontece no festival, mas ambos vão revisitar todas as nossas fases. “Não é um renascimento, é um reencontro. Temos a flexibilidade de fazer o Angra da maneira como quisermos no momento, seja com os caras ou sem eles.” Além de tocar, quais shows você está mais ansioso para assistir no Bangers Open Air? Quero muito ver o Nevermore com a formação nova. Também quero ver Fear Factory e Arch Enemy. O Nevermore é especial porque os vi há mais de 20 anos, em 2000, quando eles vieram a um festival e eu nem conhecia a banda direito. É como se eu não tivesse visto de verdade, então estou bem ansioso por eles. Tocar o repertório do Rebirth hoje, com a maturidade que você adquiriu, muda a forma como você interpreta aquelas linhas que gravou quando era mais jovem? Não sou fã de mudar o que fiz no passado. Aquilo era o que eu tinha para oferecer na época e quero respeitar quem eu era. Não curto essa coisa “egóica” de querer refazer só porque hoje toco melhor. É claro que, 25 anos depois, o timbre muda, tem novas manias e pegadas, mas o corpo da obra tem que ser executado da maneira que os fãs lembram. Se eu fosse compor hoje, faria diferente, mas ao tocar o que já está gravado, tento respeitar o disco. >> LEIA TAMBÉM ENTREVISTA COM O BATERISTA BRUNO VALVERDE Você e o Rafael Bittencourt são o “núcleo duro” da banda. Qual é o segredo para manter a essência viva após tantas trocas? É muito natural. Eu estou na banda há 25 anos e o Rafa há 35. O que a gente faz é o Angra. Não precisamos de esforço para isso. É divertido porque temos a liberdade de moldar essa essência de acordo com o que vivemos. Do Holy Land para o Fireworks a formação era a mesma, mas os discos são totalmente diferentes. A essência está lá porque é o que nós somos. Para fechar, quais os três álbuns que mais te influenciaram na carreira? SERVIÇO: ANGRA EM SÃO PAULO 1. Bangers Open Air 2026 Angra Reunion: headliner do dia 26 de abril (domingo) Local: Memorial da América Latina – SP Destaques do dia: Within Temptation, Smith/Kotzen, Winger e Nevermore. Ingressos: Clube do Ingresso 2. Sideshow: Angra Reunion (Rebirth) Data: 29 de abril de 2026 (quarta-feira) Local: Espaço Unimed (Rua Tagipuru, 795) Horários: Portões às 19h | Show às 21h Ingressos: Clube do Ingresso

Bryan Adams transforma Vibra SP em imenso karaokê com maratona de hits, baladas e muito carisma

Aos 66 anos, Bryan Adams sabe exatamente como prender a atenção de uma casa lotada logo no primeiro acorde. Na noite deste sábado (7), com o Vibra SP completamente lotado, o astro canadense escolheu iniciar as 2h10 ininterruptas de show de uma forma surpreendentemente intimista. Acompanhado apenas de violão e gaita, Adams surgiu em um palco secundário, bem próximo ao público das cadeiras inferiores. Foi ali que ele abriu a noite com uma trinca acústica de peso: Can’t Stop This Thing We Started, Straight From the Heart e Let’s Make a Night to Remember. A conexão foi instantânea. Carismático, ele brincou com a plateia do setor, perguntando se poderia, afinal, ir para o palco principal, sob diversos pedidos bem-humorados para que continuasse onde estava. ‘Punch’ elétrico e a máquina de hits de Bryan Adams Quando a banda completa assumiu seus postos (guitarra, bateria e teclado), com Bryan Adams fazendo as vezes de baixista, o show ganhou sua voltagem elétrica com Kick Ass. A partir daí, a pegada rock and roll tomou conta do Vibra. Run to You manteve a energia lá no alto, enquanto Somebody provocou o primeiro grande coro generalizado da noite. A Roll With the Punches Tour faz jus ao nome não apenas pela música, mas pelo espetáculo visual. Durante a faixa-título, uma luva de boxe gigante e inflável sobrevoou a pista, dando um tom lúdico à apresentação. Mais tarde, na ensolarada So Happy It Hurts, a cena se repetiu: desta vez, um carro inflável idêntico ao do videoclipe flutuou sobre as cabeças dos fãs. Humor, dança e um mar de luzes Entre uma música e outra, Adams provou ser um anfitrião formidável. Antes de tocar This Time (faixa de 1983), o telão exibiu o clipe original da canção. O cantor não perdeu a chance de fazer piada consigo mesmo, pedindo aos fãs que não rissem do seu cabelo da época, arrancando gargalhadas do público ao confirmar que o vídeo era antigo, mas a execução ali seria muito viva. A diversão continuou em You Belong to Me. O canadense propôs um desafio: o cinegrafista focaria nos fãs que estivessem dançando, transformando o telão num videoclipe improvisado ao vivo. “Dancem! Se não souberem, batam o pezinho. Por fim, se nem isso conseguirem, tirem a camisa e rodem o máximo que puderem”, brincou. Para coroar o momento descontraído, ele emendou trechos de Blue Suede Shoes (de Carl Perkins) e a clássica Twist and Shout, elevando a temperatura da pista. O visual também foi um espetáculo à parte. Durante a execução de Shine a Light, o público, munido de pulseiras iluminadas no melhor estilo das apresentações do Coldplay, transformou o Vibra SP em uma galáxia cintilante, criando a atmosfera perfeita para a noite. A reta final com o encerramento perfeito A habilidade de Adams em intercalar rock de arena (18 Til I Die) e baladas rasgadas (Please Forgive Me, Heaven) fez com que o longo setlist passasse voando. Sem pausas ou o tradicional intervalo para o “bis”, a reta final foi uma verdadeira surra de clássicos absolutos. A sequência matadora com (Everything I Do) I Do It for You, Back to You e Summer of ’69 quase colocou o teto do Vibra abaixo, com o público cantando forte e vibrando do início ao fim. Após Cuts Like a Knife, Adams apresentou sua banda, que deixou o palco sob fortes aplausos. Sozinho novamente, sob a luz de um refletor, o canadense encerrou a noite do mesmo jeito que começou: na voz e no violão, embalando os corações paulistanos com a emocionante All for Love. Uma verdadeira aula de rock, nostalgia e entretenimento. Agora, Bryan Adams segue para mais dois shows no Brasil: Curitiba (Live Curitiba, na segunda-feira) e Porto Alegre (Auditório Araújo Vianna, na quarta-feira). Setlist – Bryan Adams no Vibra SP (07/03/2026)

Entrevista | Dirty Honey – “Se as músicas estiverem prontas, apresentaremos material inédito”

O rock and roll clássico encontrou um novo fôlego na última década, e o Dirty Honey é, sem dúvida, um dos protagonistas dessa revitalização. Liderada pelo carismático vocalista Marc LaBelle, a banda californiana finalmente desembarca no Brasil em abril para uma sequência de shows. A jornada começa em São Paulo, no dia 2 de abril, com um show íntimo na Audio ao lado da banda Jayler. Poucos dias depois, no dia 4, eles encaram a imensidão do Allianz Parque como uma das atrações do prestigiado festival Monsters of Rock, que terá o Guns n’ Roses como headliner. Para encerrar a passagem, o grupo desce para o Rio de Janeiro no dia 5 de abril, dividindo o palco do Qualistage com Jayler e as lendas do Lynyrd Skynyrd. Em conversa via Zoom com o Blog n’ Roll, Marc LaBelle não escondeu o entusiasmo. Direto da Califórnia, o vocalista revelou que a expectativa para tocar na América do Sul é antiga, alimentada por relatos de bandas amigas como Guns N’ Roses e Black Crowes sobre a energia surreal do público brasileiro. “Eles dizem que é um dos melhores do mundo”, afirmou Marc, que já está até tentando arriscar algumas palavras em português para as apresentações. Além da ansiedade pela estreia, a banda traz novidades na bagagem. Atualmente em estúdio trabalhando no sucessor do elogiado álbum Can’t Find the Brakes (2023), LaBelle sugeriu que o público brasileiro pode ser o primeiro no mundo a ouvir composições inéditas ao vivo. Para ele, o palco é o lugar onde a verdade da música aparece, longe da perfeição estéril dos computadores e da inteligência artificial. A paixão de Marc, no entanto, não se restringe apenas aos palcos. Durante a entrevista, o músico traçou paralelos interessantes entre a disciplina necessária no rock e sua dedicação aos esportes, como o hóquei no gelo e o surfe. Essa mentalidade de “atleta” se traduz em uma performance vigorosa e em um respeito profundo pelas instituições do gênero, como o próprio Lynyrd Skynyrd, com quem ele está ansioso para dividir a noite no Rio. Leia entrevista completa abaixo. Esta é a primeira vez do Dirty Honey no Brasil e vocês têm uma agenda cheia: Monsters of Rock, show solo em São Paulo e um show com o Lynyrd Skynyrd no Rio. O que você ouviu de bandas amigas, como Guns N’ Roses ou Black Crowes, sobre o público brasileiro? Que eles são incríveis e alguns dos melhores do mundo. Então, sim, estamos super empolgados para descer e vivenciar isso por nós mesmos e, finalmente, tocar na América do Sul. Demorou muito e estava na nossa lista de desejos há bastante tempo. Eles te deram alguma dica? Acabei de receber uma hoje cedo: começar a aprender um pouco de português. Tipo “olá, como vai você?”. Eu sei essas, claro. Preciso descobrir como apresentar algumas músicas em português ou dizer algo como “é um prazer estar aqui”, algo bom. Vamos bolar algo legal. E com três shows em formatos diferentes, um festival enorme e duas casas menores, como vocês planejam o setlist? Tem espaço para surpresas no show do Dirty Honey? Sim, bem, estamos trabalhando em um novo álbum desde que terminamos a turnê em outubro, então esperamos que as músicas estejam prontas quando chegarmos aí. Estaremos no estúdio praticamente todo esse tempo antes do festival. Se as músicas estiverem prontas e nos sentirmos confiantes para tocá-las, apresentaremos material inédito. Então os brasileiros podem ser os primeiros a ouvir? Pode ser, sim. Só espero que fiquem prontas a tempo. No Rio, vocês dividem o palco com o Lynyrd Skynyrd. Sendo o Dirty Honey uma banda que revitaliza o classic rock, como é dividir o cartaz com uma das maiores instituições do gênero? Já teve chance de falar com o Johnny Van Zant sobre essa parceria? Não, ainda não. Será a primeira vez que tocaremos especificamente com eles. Somos grandes fãs de Skynyrd, obviamente. É uma formação diferente da banda dos anos 70, mas acho que será incrível. Eles têm tantas músicas fundamentais do rock and roll. É louco pensar que tocaremos com dois gigantes (Skynyrd e Guns N’ Roses no Monsters). Estou animado para ver o show deles como fã. Vocês já abriram para KISS, Guns N’ Roses e Slash. Qual foi a lição mais valiosa que você aprendeu observando esses veteranos da lateral do palco todas as noites? Acho que todos esses caras são apaixonados pela carreira, pela música e pela performance. Se você faz pelas razões certas, porque ama, o sucesso te encontra. Vejo o mesmo nos esportes. Eu jogo muito hóquei aqui na Califórnia e surfo. O sucesso encontra os atletas que são mais apaixonados pelo jogo, eles não praticam incessantemente só porque amam praticar, mas porque querem melhorar no jogo que tanto amam. É o mesmo com a composição. Slash ama tocar guitarra, é o verdadeiro amor dele. Chris Robinson ama cantar e fazer turnê. Para ter longevidade, não dá para fingir. Gene Simmons ama ganhar dinheiro (risos), ele vai continuar lá enquanto puder. Já que mencionou esportes, vi nas redes sociais que você foi para Milano Cortina (Jogos Olímpicos de Inverno). Você gosta tanto de esportes quanto de música? Eu cresci em Nova York, perto de Montreal, e joguei hóquei a vida toda. Tenho amigos que jogaram nas Olimpíadas. Foi uma experiência única assistir ao jogo da medalha de ouro, que acabou sendo lendário. E eu amo a Itália, morei lá no passado e volto várias vezes por ano. Foi a união de duas paixões: hóquei e Itália. Meu empresário também é fã de hóquei e fomos juntos. Eu já fui aos EUA, mas nunca vi hóquei, apenas NBA, NFL, UFC e beisebol. Meus dois esportes favoritos de ver ao vivo são hóquei e futebol. Beisebol é um pouco lento. O futebol americano também é lento e muito interrompido pelos comerciais da TV. Acho que a cultura sul-americana e europeia gostaria muito de hóquei no gelo porque é muito rápido e agressivo. Tem semelhanças com o futebol

Entrevista | Lynyrd Skynyrd – “Vamos garantir que as pessoas saibam que estivemos aqui e carregar o legado”

Com mais de meio século de estrada, o Lynyrd Skynyrd transcendeu o rótulo de pioneiros do southern rock para se tornar uma verdadeira instituição da música mundial. Liderada há quase quatro décadas por Johnny Van Zant, irmão do saudoso vocalista original, Ronnie Van Zant, e contando com a energia do veterano Rickey Medlocke, a banda carrega a responsabilidade e a honra de manter vivo um legado inabalável.  Mesmo após a partida do guitarrista Gary Rossington, o último membro da formação clássica, o grupo prova que a alma de hinos como Free Bird e Sweet Home Alabama segue pulsando forte, embalando gerações com apresentações 100% ao vivo, sem o uso de qualquer base pré-gravada. É exatamente essa autenticidade crua que o público brasileiro poderá presenciar muito em breve. O Lynyrd Skynyrd desembarca no Brasil para uma série de apresentações em abril. O giro começa no dia 1º de abril, em Curitiba (Live Curitiba); segue para São Paulo no dia 4 de abril, como um dos grandes destaques do festival Monsters of Rock (Allianz Parque); desce para o Rio de Janeiro no dia 5 de abril (Qualistage, com o Dirty Honey como convidado especial); e encerra a passagem pelo país no dia 7 de abril, em Porto Alegre (Auditório Araújo Vianna). A escalação do Skynyrd no Monsters of Rock, evento com DNA fortemente enraizado no heavy metal e no hard rock, promete ser um dos momentos mais catárticos do festival. Dividindo o line-up com nomes como Guns N’ Roses, Extreme e Halestorm, Johnny enxerga a mistura de gêneros com naturalidade e muito entusiasmo.  Relembrando o sucesso da banda em festivais pesados como o Hellfest, na França, o vocalista reforça o poder de conexão de sua música e revela a expectativa de cruzar com Slash nos bastidores para agradecê-lo pessoalmente pelo tributo feito a Gary Rossington nos Estados Unidos. Durante este bate-papo com o Blog n’ Roll, Johnny abriu o coração sobre a decisão de continuar na estrada após a perda de Gary. Longe de ser apenas para “pagar as contas”, ele encara a turnê como uma missão quase espiritual de honrar a memória de seu irmão e de seus antigos companheiros. A entrega no palco é um compromisso inegociável para a banda, que faz questão de explodir a cabeça do público, especialmente em países como o Brasil, onde os fãs esperaram décadas por uma turnê mais extensa. Além de celebrar a emoção de tocar para a quarta geração de admiradores e observar que a paixão dos fãs permanece a mesma de 50 anos atrás, o vocalista revelou que o baú da banda ainda guarda surpresas. Existem composições inéditas escritas por ele, Rickey e Gary “na lata”, aguardando o momento certo para verem a luz do dia. Contudo, o foco do momento é celebrar o catálogo histórico e a conexão visceral com a plateia. Confira a seguir a entrevista completa. Na última vez que nos falamos, o foco foi principalmente em São Paulo. Desta vez, a turnê se expandiu para Rio, Curitiba e Porto Alegre. Depois de 50 anos, como é a sensação de ainda estar descobrindo novas cidades e sentindo a energia de públicos que esperaram décadas por este momento? Na primeira vez que fomos, fizemos São Paulo, apenas um show, e pensamos: “uau, isso não é nada. Vamos voltar e fazer mais”. Aí, na segunda vez, acho que fizemos uns três ou quatro. Nem tenho certeza. Talvez dois. Mas desta vez são quatro. Então, na próxima serão cinco, dez, 11, 12. Precisamos fazer uma turnê completa por aí, para ser sincero.  Nós nos divertimos muito na última vez que estivemos aí. Conhecemos muita gente incrível. Todos os fãs que conhecemos estavam tão felizes por estarmos lá. E, acredite ou não, assim que saímos daí, já estávamos tipo: “precisamos voltar”. Então é questão de tentar organizar tudo, fazer os promotores agirem e vamos lá, fazer de um jeito que todos possamos ir, pagar as contas e ver os fãs. Incrível. E o Brasil é enorme. Está empolgado para o Monsters of Rock? Sim, com certeza. Estou ansioso pelo Monsters of Rock. Vai ser muito interessante tocar com todas as bandas. Nós nunca fizemos um show com o Guns N’ Roses, então será ótimo. O Slash fez um tributo aqui nos Estados Unidos depois que o Gary Rossington faleceu, e eu nunca consegui apertar a mão dele. Então, espero conseguir apertar a mão dele e agradecê-lo por ter feito aquilo por nós. Incrível. Vai ser muito emocionante. Sim, vai ser divertido. Falando sobre o Monsters of Rock em São Paulo, o evento tem um DNA enraizado no heavy metal e no hard rock. Como o southern rock do Skynyrd se conecta com esse público mais “pesado”? Como isso acontece? Sabe de uma coisa? Eu estava dizendo a outras pessoas hoje: anos atrás, fomos para a Europa e fizemos um evento chamado Hellfest, na França. E eram todas aquelas bandas de heavy metal, bandas realmente pesadas. Todo mundo lá no mosh pit. E eu pensei: “como vamos nos encaixar nisso? Como vamos nos encaixar em todo esse gênero?”. E foi incrível. Já fizemos esse festival umas três vezes agora. E acho que a música do Skynyrd… sabe, o Metallica gravou Tuesday’s Gone. E um senhor me disse hoje que o Axl Rose é um grande fã de Skynyrd. Então, é incrível para mim como toda essa música meio que se encaixa. E estou ansioso por isso. Vai ser divertido para nós. Eu estou sorrindo, então, sempre que estou sorrindo, é algo bom. E além do Lynyrd Skynyrd, o festival conta com Guns N’ Roses, Extreme, Helloween, Deep Purple, Dirty Honey, você está familiarizado? Você já nos contou sobre o Guns N’ Roses. Sim, Extreme, claro. Sabe, alguns deles eu não conheço. Odeio dizer isso, mas não conheço, mas vou vivenciar no dia. Serei um fã. Então isso será bom. Sem membros originais na formação atual, a responsabilidade de manter a banda tão viva recai pesadamente sobre você e o Rickey (Medlocke). Como vocês