Djavan celebra 50 anos com show grandioso no Allianz Parque

Em 1976, o Brasil era apresentado a A Voz, o Violão, a Música de Djavan. Cinquenta anos depois, o cantor alagoano ocupa o Allianz Parque, em São Paulo, não apenas como um ícone, mas como uma entidade da nossa música. A turnê comemorativa, que se iniciou oficialmente na última sexta (8), trouxe para este sábado (9) uma atmosfera de consagração. ​“Considero ter uma carreira vitoriosa”, cravou Djavan logo no começo da apresentação, lembrando do início da trajetória em São Paulo, quando ficou em 2º lugar no Festival Abertura de 1975, realizado no Teatro Municipal, com a música Fato Consumado. ​A sinergia entre o artista e o público rendeu destaques emocionantes, como os coros em Meu Bem Querer e Oceano, que vieram em sequência no momento de voz e violão. Sob a direção artística de Gringo Cardia, o palco reflete a sofisticação das harmonias djavanianas. O trabalho de iluminação de Césio Lima e Mari Pitta cria o cenário perfeito para a banda de elite que o acompanha: Felipe Alves (bateria), Marcelo Mariano (baixo), Torcuato Mariano (guitarra/violão), Paulo Calasans e Renato Fonseca (teclados), além do trio de sopros Jessé Sadoc, Marcelo Martins e Rafael Rocha. ​Assisti a alguns shows de Djavan nos últimos 30 anos, muitos deles em Santos, do ginásio e teatro do Sesc à Praia do Boqueirão. Mas a grandiosidade que o espetáculo ganhou com a turnê Djavanear é impressionante. O telão é de padrão internacional, daqueles que os fãs costumam reclamar que artistas estrangeiros nem sempre trazem em suas turnês por aqui. ​A qualidade sonora é impecável. Aos 77 anos, Djavan não dá sinais de cansaço. Mantém a voz presente, com ótimo suporte das backing vocals (que garantem a sustentação necessária enquanto ele dança e interage com os fãs). Com um setlist focado exclusivamente em sucessos, não há espaço para momentos mornos. A estrutura do show traz uma curiosidade marcante: Sina é a escolhida tanto para abrir quanto para encerrar a noite, criando um ciclo perfeito de celebração. ​Sina, inclusive, carrega o famoso neologismo criado por Djavan: “Caetanear”. O termo, feito para homenagear Caetano Veloso, significa compor ou cantar com a maestria, poesia e leveza características do baiano. Quando a música volta ao palco no bis, serve como uma deixa para o público trocar “Caetanear” por “Djavanear” na letra. O mestre alagoano merece a exaltação que ele mesmo criou para o amigo. ​Djavan também emociona em canções mais recentes, como Um Brinde. Na época do lançamento dessa faixa, o artista liberou um trecho de um minuto cantado apenas com silabados, convidando os fãs a criarem versões sobre a melodia. Já em O Vento, ele relembrou a saudosa Gal Costa, que gravou a faixa (composta em parceria com Ronaldo Bastos) em 1987. Recentemente, a canção ganhou uma nova roupagem no álbum Improviso. ​Momentos de destaque: Meu Bem Querer, Oceano, Eu Te Devoro, Linha do Equador, Nem Um Dia, Samurai, Lilás, Flor de Lis e Açaí. ​A turnê, realizada pela Live Nation e Luanda Promoções, cumpre a promessa de entregar exatamente o que o fã deseja: uma antologia viva com estrutura digna de sua história. Assistir ao show Djavanear é obrigatório para quem deseja ver a história da música brasileira sendo celebrada em tempo real. A turnê agora segue para Salvador, passa por Fortaleza, Curitiba, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Florianópolis, Belém, Recife, Maceió, antes de retornar para o show derradeiro no Pacaembu, em São Paulo, no dia 12 de dezembro.

Men At Work entrega noite de nostalgia e conexão em São Paulo

​A banda australiana Men At Work é, sem dúvida, um dos nomes mais emblemáticos dos anos 1980, tendo construído um legado inabalável de hits em um curto intervalo de tempo. No entanto, a falta de química e uma guerra de egos fizeram com que o núcleo formado por Colin Hay, Ron Strykert e Greg Ham se dissolvesse com a mesma velocidade com que alcançou o estrelato. ​Dos três, Colin Hay é o único que segue na ativa, preservando o legado do grupo através de suas composições. Hoje, ele se apresenta acompanhado por uma competente banda multinacional, que inclui músicos peruanos, cubanos e norte-americanos. Greg Ham faleceu em 2012, enquanto Ron Strykert, afastado dos holofotes, chegou a ser brevemente detido em 2009 por supostas ameaças contra Hay. ​Mesmo com um histórico conturbado, Colin Hay, aos 72 anos, demonstra vigor e felicidade no palco. Na última quarta-feira (6), no Vibra SP, o músico chegou a arriscar passos de samba durante a execução de Down Under, encerrando a noite em clima de celebração. ​O despertar do público ​Com a casa cheia, o Men At Work demorou a engrenar. A escolha de abrir com Touching the Untouchables e No Restrictions — faixas menos comerciais dos principais álbuns — resultou em uma recepção fria. O público apenas observava, sem a conexão imediata que se espera de um show repleto de clássicos. ​O jogo começou a virar em Broken Love, a primeira incursão pela carreira solo de Hay. Cecilia Noël, a carismática backing vocal peruana, assumiu o papel de tradutora e convocou a plateia para o coro do refrão. Foi o estopim necessário para conectar a banda ao público pelo restante da apresentação. ​Intercalando lados B e faixas solo, Hay ficou visivelmente mais à vontade. Down by The Sea e Into My Life vieram em sequência, criando as primeiras “ilhas” de smartphones erguidos para registrar momentos icônicos. ​Nota de etiqueta: Não se trata de ser o “chato do celular”, até porque também registro canções para o Blog n’ Roll, mas o bom senso é fundamental. Um espectador de estatura média não precisa esticar os braços ao limite para filmar, muito menos realizar giros de 360 graus que resultam em registros de péssima qualidade e atrapalham a visão alheia. ​Virtuosismo e hits ​Voltando ao espetáculo, Colin Hay deu espaço para que seus músicos brilhassem. Os destaques ficaram para a saxofonista norte-americana Rachel Mazer e o baixista cubano Yosmel Montejo, ambos com sólida bagagem no jazz, que elevaram o nível técnico das canções. ​A reta final foi arrebatadora. O setlist foi estrategicamente montado para guardar os hinos do Men At Work para o desfecho: Dr. Heckyll & Mr. Jive, Overkill, It’s a Mistake, Who Can It Be Now?, Down Under e Be Good Johnny. ​Nesse momento, as barreiras geracionais sumiram. Pais, filhos e amigos cantaram em uníssono. Eram memórias de uma década memorável, mas também um deleite para os fãs da série Scrubs, que utilizou exaustivamente a trilha da banda e teve em Colin Hay quase um personagem recorrente.

Entrevista | Metric – “Temos que tocar no Lollapalooza”

Com mais de duas décadas de estrada, o Metric consolidou-se como um dos pilares da independência artística no rock alternativo. No fim de abril, a banda liderada por Emily Haines alcançou a marca histórica de dez álbuns de estúdio com o lançamento de Romanticize the Dive. Mais do que um novo capítulo, o disco representa um acerto de contas com o passado e um abraço à maturidade que só o tempo permite. O cenário para essa nova jornada não poderia ser mais emblemático: o Electric Lady Studios, em Nova York. Ao retornar ao local onde gravaram clássicos do início da carreira, Emily e o guitarrista Jimmy Shaw reencontraram os “fantasmas” de suas versões mais jovens. Entre as paredes que já ecoaram as vozes de ícones como Jimi Hendrix e o mentor da banda, Lou Reed, o grupo buscou resgatar a urgência sonora dos discos Fantasies e Synthetica. Nesta entrevista ao Blog n’ Roll, Emily Haines refletiu sobre o processo de “destruição do ego” sob a tutela do produtor Gavin Brown. Ela revelou como a Metric busca despir as composições de metáforas complexas para atingir um estado de vulnerabilidade absoluta, transformando o estúdio em um espaço de cura e introspecção filosófica. Um dos pontos altos da conversa é a discussão sobre o papel da “mulher durona” na indústria musical atual. Emily compartilha sua visão sobre o amadurecimento e a transição de quem antes estava na linha de frente para uma posição de mentoria, como uma “irmã mais velha” que observa a nova geração enquanto aprecia um chá de camomila nos bastidores da própria história. Encerrando o papo com um olhar carinhoso para o público sul-americano, Emily não esconde o desejo de trazer a nova turnê para o Brasil. Entre reflexões sobre o desapego e a celebração da trajetória percorrida, a artista nos convida a deixar o rancor de lado e “ficar no alto”, uma mensagem que define perfeitamente o espírito de Romanticize the Dive. Oi, Emily, como você está?  Ótima, obrigada! Onde você está agora? Em casa?  Estou de volta ao estúdio. Acabamos de encerrar nossa turnê de imprensa na Europa e o lançamento do álbum em Nova York. Estou feliz por entrar agora no “modo ensaio”. Tem sido muito corrido. Imagino! Romanticize the Dive marca o 10º álbum da Metric e um retorno ao Electric Lady Studios, em Nova York. Como foi entrar naquele estúdio em 2026 e confrontar a “fome” da sua juventude, de quando vocês começaram no início dos anos 2000?  Foi como entrar em uma casa mal-assombrada onde alguns dos fantasmas eram versões mais jovens de nós mesmos. E outros eram pessoas com quem gravamos lá, como o Lou Reed.  Também conhecemos todos os álbuns que foram feitos ali, Patti Smith, D’Angelo, Jimi Hendrix. O Jimmy (Shaw) e eu sempre dizemos que aquele lugar é como ter um “grupo de foco”: quando damos o play em uma música na sala, recebemos informações sobre se ela é boa ou não sem precisar de ninguém lá, porque as paredes guardam essa história para nós. Vocês trabalharam novamente com o produtor Gavin Brown. O que ele traz ao som do Metric que ajuda a capturar o caos e as possibilidades de antes, mas com a maturidade que vocês têm hoje?  A última vez que trabalhamos com ele foi no Fantasies (2009) e no Synthetica (2012), que são os discos que tentamos “revisitar” como conceito neste novo álbum. O grande diferencial do Gavin é que ele me desafia como compositora, ele sempre me pede para tirar as camadas e dizer o que realmente sinto.  É difícil, porque prefiro escrever em códigos e me esconder atrás deles. Ele me ajuda a ter coragem de dizer o que realmente quero dizer, em vez de me ocultar. Chamamos esse processo de “destruir o ego”. Crush Forever é descrita como uma carta de amor para “garotas duronas” (tough girls). Em uma indústria que mudou tanto, o que define uma garota durona no contexto atual de 2026?  Acho que uma das mudanças é que, quando começamos, as pessoas eram obcecadas pelo fato de não acreditarem que (o rock) pudesse ser feito por uma mulher. Isso mudou, vimos muitas estrelas massivas surgirem. Mas, nessa música, não escrevo para alguém da indústria, mas sim para uma “irmã mais nova” que tenta descobrir como ser ela mesma, sem medo de causar problemas, de irritar algumas pessoas, de ser forte ou cometer erros.  Falar com essa irmã mais nova me ajudou a encontrar minha voz como irmã mais velha. Entender que talvez tenha que ficar mais nos bastidores agora, ainda estou no bar, mas bebendo chá de camomila. A faixa Tremolo parece ser o coração filosófico do disco, falando sobre aceitar o quão pouco podemos controlar. Compor essa música foi um processo de cura ou de resignação?  Eu diria cura, com certeza. Em qualquer momento da vida, você pode se fixar em grandes decisões passadas ou em coisas pequenas e arbitrárias que te levaram por outro caminho. Você pode gastar todo o seu tempo reimaginando essas coisas, o que é exaustivo e danifica sua capacidade de estar no presente. Espero que a música ajude as pessoas a se libertarem disso. É sobre dizer: “estou aqui, é aqui que quero estar, o resto já aconteceu. E agora?”. O Metric mantém a mesma formação original há duas décadas e sempre priorizou a independência artística com selo próprio. Qual foi o momento mais crítico em que essa independência foi testada? Acho que foi com o Fantasies, em 2009. Recebemos ofertas de grandes gravadoras, como a Interscope, mas não conseguíamos entender como seria se eles fossem donos da nossa música. Nosso empresário na época foi muito corajoso, cuidou de toda a parte legal para nos tirar dos contratos e criar a MMI. Somos donos da nossa música desde então. O fato de aquele ter sido nosso maior álbum tornou tudo mais significativo. Hoje trabalhamos com a Thirty Tigers, que segue a lógica de: “vocês são donos da música, dividimos os lucros e pronto”.

Megadeth inicia adeus com show poderoso em São Paulo

Na história do heavy metal, as “turnês de despedida” tornaram-se um gênero em si. Muitas vezes vistas com ceticismo pelo mercado, para o Megadeth, o anúncio da turnê This Was Our Life carrega um peso de realidade que transcende o marketing. Na noite do último sábado (2), um Espaço Unimed completamente lotado e com ingressos esgotados há meses foi testemunha do show de número 42 da banda em solo brasileiro. Mas este não foi apenas mais um capítulo, foi o início de um adeus que promete durar anos, mas que já carrega a urgência do fim. Superação no palco Aos 64 anos, Dave Mustaine é uma figura de resiliência. Lutando contra a artrite, a paralisia no nervo radial e as sequelas de um câncer na garganta, o líder do Megadeth subiu ao palco para provar que, embora o corpo sinalize limites, a mente e o espírito thrash continuam imbatíveis. Sua voz, compreensivelmente desgastada pelo tempo e pelas batalhas de saúde, funcionou com uma autoridade que apenas os veteranos possuem, uma rouquidão que hoje serve bem à narrativa sombria de suas letras. Nova dinâmica e o “maestro” finlandês A formação atual é, talvez, uma das mais técnicas da história do grupo. James LoMenzo (baixo) e Dirk Verbeuren (bateria) formam uma cozinha implacável. Verbeuren, em particular, reafirmou sua posição como um dos melhores bateristas que já sentou no banco da banda, trazendo uma precisão cirúrgica a clássicos e músicas novas. No entanto, os olhos estavam voltados para Teemu Mäntysaari. Substituir Kiko Loureiro não é tarefa fácil, mas o finlandês entregou uma performance de altíssimo nível. Em faixas como a nova Let There Be Shred, Teemu e Mustaine duelaram com solos que remeteram aos anos 90, celebrando o virtuosismo técnico que é a marca registrada do grupo. Destaques do setlist do Megadeth O show abriu com o “pé na porta” de Tipping Point, faixa do álbum homônimo, lançado em janeiro passado. Uma canção que mistura a fúria rítmica com uma letra reflexiva de quem olha para trás sem arrependimentos. Logo em seguida, a surpresa da noite, The Conjuring. A inclusão desta faixa é significativa. Por anos, Mustaine evitou tocá-la devido à sua conversão ao cristianismo, mas o retorno dela ao setlist em São Paulo foi recebido como um presente histórico pelos fãs. O material mais recente voltou a marcar presença com I Don’t Care, que trouxe uma energia quase punk ao local, mostrando que o Megadeth ainda tem “contas a acertar com o mundo”. Mas, claro, foram os hinos que transformaram o Espaço Unimed em um caldeirão. Da precisão de Hangar 18 ao coro ensurdecedor em Symphony of Destruction, o público paulista mostrou porque o Brasil é parada obrigatória na rota de Mustaine. A execução de Ride the Lightning (cover do Metallica que tem Mustaine como coautor) foi um momento de catarse e uma piscadela nostálgica para os fãs que acompanham a trajetória de Dave desde o início, quando ainda integrava o outro grande nome do Big Four. Por fim, o encerramento com o combo Peace Sells e Holy Wars… The Punishment Due selou a noite com a perfeição técnica habitual. Longo adeus do Megadeth Embora a turnê seja de despedida, Mustaine já sinalizou que o processo pode durar de três a quatro anos, com a promessa de retornar ao Brasil para visitar mais cidades. A ideia é “sair em alta”, preservando o legado intacto antes que as limitações físicas tornem as apresentações inviáveis. Nota: 9.5/10 Setlist:

Bad Religion entrega aula de punk rock para pais e filhos em São Paulo

Bad Religion 2026

Já se passaram quase 30 anos desde a primeira vez que assisti ao Bad Religion no Brasil. De lá para cá, houve mudanças na formação (principalmente na bateria), muitos cabelos brancos e diferentes formatos de show (de festivais a casas de diversos tamanhos). O que impressiona, no entanto, é como a banda jamais perde o gás. Seja na primeira ou na décima vez, o show continua sendo parada obrigatória para quem ama punk, hardcore e suas vertentes. Setlist atemporal do Bad Religion O aspecto mais interessante da apresentação é notar como o repertório soa atual. Das 1h20 de show, o arco temporal foi de Recipe For Hate, que abriu a noite, até o hino American Jesus, responsável pelo encerramento. Aula de história (com distorção) Essa atualidade explica a comoção de muitos pais na pista premium do Espaço Unimed. Era visível a presença de crianças e adolescentes acompanhando seus responsáveis para assistir a uma verdadeira aula de história ministrada por um PhD em Zoologia (Greg Graffin). Graffin conduz o espetáculo amparado pelo peso das guitarras de Brian Baker e Mike Dimkich, além dos backing vocals viscerais do baixista Jay Bentley. O baterista Jamie Miller, no grupo desde 2016, completa a cozinha com precisão absoluta. Estatísticas e ausências no set do Bad Religion Dos 17 álbuns de estúdio, a banda visitou 12 deles. The Gray Race foi o grande protagonista da noite, com cinco faixas. American Jesus para fechar o arco Para selar a atemporalidade, American Jesus (1993) fechou o set. A música, que nasceu como resposta à Guerra do Golfo (sob o comando de Bush pai), permanece dolorosamente precisa ao descrever o imperialismo norte-americano, independentemente de quem ocupe a Casa Branca. Como citado na biografia Do What You Want, o Bad Religion vive uma espécie de déjà vu constante. A obra relata que figuras como fundamentalistas e negacionistas climáticos sempre encontram eco no poder, tornando as letras de 30 anos atrás tão urgentes quanto as de hoje. O Bad Religion não suporta a ideia de que uma única nação possa determinar o futuro do mundo. Enquanto os integrantes deixavam o palco, Jay Bentley resumiu o espírito da noite com um discurso direto: “A mudança depende de vocês. Só vocês podem mudar o mundo.”

Entrevista | Chloe Stroll – “O segredo é ter 100% de confiança, mesmo sem saber qual será o resultado”

A imagem de uma flor delicada rompendo a dureza de um vidro quebrado não é apenas a capa de um disco, é a síntese da jornada de Chloe Stroll. Em seu álbum de estreia, Bloom in the Break, a cantora e compositora canadense mergulha em um pop confessional que equilibra a elegância das divas clássicas com a crueza das emoções contemporâneas. O trabalho, que chega após um rigoroso processo de seleção entre mais de 70 composições, marca o nascimento oficial de uma voz que não tem medo de expor suas cicatrizes para se conectar com o público. O disco não economiza no peso dos bastidores. Gravado em estúdios icônicos ao redor do mundo, Stroll contou com a mentoria de gigantes como Walter Afanasieff (o nome por trás de sucessos de Mariah Carey) e Swagg R’Celious. Em conversa exclusiva com o Blog n’ Roll, Chloe revelou que a maior lição aprendida com esses mestres não foi técnica, mas sim emocional: a coragem de não se segurar. Para ela, o estúdio deixou de ser um lugar de intimidação para se tornar um espaço de confiança absoluta, onde até os erros podem se transformar em arte. Um dos pontos mais sensíveis da obra é o single Home, uma declaração de amor ao marido e medalhista olímpico, o snowboarder australiano Scotty James. Chloe descreve a faixa como um retrato de sua própria segurança emocional, a ideia de que o “lar” não é um lugar físico, mas sim onde a pessoa amada está. A vulnerabilidade de transformar sentimentos tão íntimos em canções universais é um desafio que a artista encara com resiliência, acreditando que a autenticidade é o único caminho para criar algo atemporal, assim como fizeram suas grandes inspirações, Adele e Whitney Houston. Durante a entrevista, um momento de profunda conexão surgiu quando Chloe relembrou a fase final das gravações em Londres. Grávida de oito meses e impossibilitada de voar para os Estados Unidos, ela se viu em um estúdio carregado de simbolismo, chorando ao perceber que, enquanto finalizava uma música sobre seu lar e família, ela estava, literalmente, gerando o futuro dessa mesma família. Esse ciclo de vida e criação é o que dá o tom de “cura” que ela espera transmitir aos ouvintes brasileiros e do mundo. Além das baladas românticas, o álbum traz a força de faixas como I Stood My Ground, onde Chloe aborda o “muro” mais difícil de sua carreira: a autoconfiança. Para uma artista que coloca 100% de suas experiências, inclusive a perda de entes queridos, em cada verso, a estreia é mais do que um lançamento comercial, é um exorcismo emocional e um posicionamento firme no cenário musical global. Para os fãs brasileiros, a notícia é animadora. Embora ainda sem datas confirmadas, Chloe garantiu ao Blog n’ Roll que levar o show de Bloom in the Break para o Brasil está nos planos da equipe para um futuro próximo. O título do seu álbum de estreia, Bloom in the Break, evoca uma imagem poderosa de crescimento e adversidade. Em que momento da produção você percebeu que uma flor brotando no vidro quebrado era a metáfora perfeita para este disco? Acho que percebi isso mais para o final, o que parece estranho, porque as músicas estavam ganhando forma e eu voltava sempre para essa imagem enquanto tentava encontrar a mensagem e o que realmente queria transmitir. Eu ficava imaginando essa flor através de um vidro quebrado, algo que é tão bonito, mas ao mesmo tempo frágil, cheio de admiração e intriga. Então, diria que foi mais perto do fim do que imaginava. E você escreveu mais de 70 músicas para chegar às 12 faixas finais. Como foi esse processo de desapego? Difícil, foi estranho. Sabe, você passa tanto tempo escrevendo e despejando suas emoções nas coisas… Algumas músicas eram muito óbvias que não pertenciam a este disco. Não que eu não tivesse orgulho delas ou não gostasse, mas simplesmente não se encaixavam no que eu queria dizer. E outras eram tão óbvias que pertenciam ao álbum, e outras ainda precisavam ser escritas. Houve discussões sobre certas faixas, quando chegamos às 20 finais, foi uma boa batalha para ver quem ficaria. Imagino. A música precisava “merecer” estar no álbum de estreia, certo? Com certeza. Foi um trabalho duro. Chloe, trabalhar com nomes como Walter Afanasieff e Swagg R’Celious coloca você ao lado de profissionais que moldaram o som de ícones como Mariah Carey e H.E.R. Qual foi a maior lição que você aprendeu no estúdio com eles? Nossa, aprendi tanto. Mas acho que a coisa mais importante foi: não se segure. Não tenha vergonha. No começo, era fácil ficar intimidada pelo nome e pelo currículo deles, e era uma honra estar ali. Mas foi muito divertido. Quando baixei a guarda e começamos a nos conhecer, era como conversar com grandes amigos. Aprendi que não existem respostas erradas quando você está compondo ou produzindo. Vale a pena tentar tudo. Se você cometer um erro, ele pode acabar virando uma música incrível, isso aconteceu várias vezes comigo. Então, o segredo é ter 100% de confiança, mesmo que você não saiba 100% qual será o resultado. O single Home é uma declaração direta ao seu marido. Você disse que espera que vire trilha de casamentos. Como é para você transformar um sentimento tão íntimo em algo que agora pertence ao mundo? Assustador, porque você nunca sabe como as pessoas vão reagir. Fiquei muito feliz com a recepção, mas foi intimidante ser vulnerável e dizer a verdade sobre o que eu sentia, especialmente porque estávamos em um momento de mudança de vida na nossa família. Assustador, mas valeu 100% a pena. Em I Stood My Ground, ouvimos um lado seu muito resiliente. Qual foi o “muro” mais difícil que você enfrentou para se estabelecer como artista? Uau, ótimas perguntas! O mais difícil? Acho que foi acreditar em mim mesma e acreditar que eu conseguiria. Compor e cantar é algo muito vulnerável. Eu entrego 100% das minhas emoções na música, trago minha família,

Per Gessle e Lena Philipsson celebram legado do Roxette com casa cheia em São Paulo

Na noite desta terça-feira (14), o Espaço Unimed, em São Paulo, não foi apenas uma casa de shows, foi uma máquina do tempo. Com casa cheia e um público ávido por nostalgia, o Roxette encerrou sua turnê brasileira com uma apresentação que equilibrou a dor da ausência com o êxtase de um catálogo recheado de hits atemporais. Cérebro e a nova voz do Roxette Assistir a Per Gessle aos 67 anos é entender a engenharia por trás do pop perfeito. Conservado, enérgico e com seus icônicos violões quadriculados, ele provou por que Marie Fredriksson o descrevia em sua biografia como uma “máquina de sucessos”. Gessle não é apenas o guitarrista, ele é o arquiteto de cada melodia que dominou as rádios brasileiras nas últimas décadas. A missão de dividir o palco com ele coube a Lena Philipsson. Aos 60 anos, a cantora (amiga de longa data de Per) foi cirúrgica: não tentou mimetizar Marie. Com um timbre diferente e uma presença de palco autêntica, ela e Per deixaram claro que não há espaço para comparações. “Eu sei que nem todo mundo gosta do fato de eu estar ali no lugar da Marie. Tento fazer justiça às canções e deixá-la orgulhosa”, já havia declarado Lena anteriormente. No palco paulista, essa honestidade se traduziu em respeito. Homenagens que tocam o céu O momento de maior nó na garganta veio antes de It Must Have Been Love. Lena dedicou a canção à antiga parceira de Per: “Esse é para Marie. Vocês sentem muita falta dela e eu também. Talvez ela consiga ouvir no céu”. O público, que já havia ovacionado Lena durante sua apresentação em Dressed for Success, respondeu com lágrimas e aplausos efusivos. Opções técnicas Musicalmente, o show optou por um caminho mais “clean”. A banda, que conta com veteranos da história do grupo como o tecladista Clarence Öfwerman e o guitarrista Jonas Isacsson, priorizou a equalização das melodias radiofônicas. Se por um lado isso destacou os vocais, por outro, tirou um pouco do “punch” rock’n’roll de faixas como Sleeping in My Car e How Do You Do!. Outro ajuste técnico notável foi a transposição de tons. As músicas foram tocadas um tom abaixo para acomodar a extensão vocal de Lena, já que Marie alcançava notas consideravelmente mais agudas. O resultado foi um som confortável e tecnicamente impecável, embora menos explosivo que nos anos 90. Interação e hino nacional Sem telões laterais (por decisão da banda, apenas uma tela de fundo com animações), o foco total foi na performance. Per Gessle assumiu o papel de frontman absoluto, regendo a plateia que cantou diversas faixas à capela. O tempero local ficou por conta do guitarrista Christoffer Lundquist. Vestindo a camisa da Seleção Brasileira, ele tocou o Hino Nacional no meio do set, além de arriscar riffs de Highway to Hell (AC/DC), trazendo a dose de adrenalina que o público roqueiro esperava. Inventário de hits Durante pouco mais de 1h30, o Roxette desfilou por álbuns fundamentais como Look Sharp! e Joyride. Do início vibrante com The Big L. ao encerramento emocionante com Queen of Rain, o que se viu foi a prova de que boas canções são à prova de tempo e luto. Como o próprio Per Gessle mencionou em entrevistas recentes, o Brasil tem uma conexão única com a banda, a ponto de os hits ganharem versões em forró e tecnobrega. No Espaço Unimed, a versão original retomou seu trono, provando que, mesmo com uma formação renovada, o “estilo sueco” de fazer hits segue atemporal. Setlist – Roxette em São Paulo

Entrevista | Evergrey – “Tem um ‘feeling’ brasileiro que é extremamente único”

O público brasileiro já é conhecido mundialmente por sua intensidade, mas para Simen Sandnes, baterista do Evergrey, essa conexão vai além do clichê. Em entrevista ao Blog n’ Roll, via Zoom, o músico relembrou sua estreia com a banda justamente em solo brasileiro, uma experiência tão visceral que o levou ao limite físico. A oportunidade para esse reencontro já tem data e local marcados: o Bangers Open Air 2026. O festival, que se consolidou como parada obrigatória para os amantes do metal, acontece nos dias 25 e 26 de abril, no Memorial da América Latina, em São Paulo. O Evergrey sobe ao palco no sábado (25), prometendo uma produção mais robusta e um repertório que equilibra o peso do metal progressivo com a melancolia característica do grupo. Segundo o baterista, a banda vive sua melhor fase: “Quero muito dar aos fãs brasileiros uma performance do Evergrey no seu melhor nível histórico”. No dia 5 de junho, a banda lança o álbum Architects of a NewWeave, que já teve dois singles revelados: a faixa-título e The World is on Fire. Além do Evergrey, o line-up do Bangers Open Air 2026 está recheado de gigantes. Entre os destaques confirmados aparecem nomes como Black Label Society, Within Temptation, Killswitch Engage, Jinjer e os suecos do In Flames, um dos pedidos mais fervorosos do público. O festival também aposta na diversidade de vertentes, trazendo desde o power metal do Primal Fear até o projeto Smith/Kotzen, que reúne Adrian Smith (Iron Maiden) e Richie Kotzen. Os ingressos para o Bangers Open Air 2026 estão à venda através do site Clube do Ingresso. O festival oferece diferentes setores e condições de pagamento, lembrando que crianças de até 10 anos de idade não pagam entrada. * Olá Simen, Blog n’ Roll, do Brasil. Falo de Santos, conhece? Santos, sim! Sim, claro, claro. Do Pelé, certo? Sim, com certeza! Pelé!!! Eu costumava jogar futebol antes de começar na música, então o Pelé era um dos meus ídolos. Eu tinha um pôster dele na minha parede e tudo mais. Que incrível! Simen, vou começar: como você vê esse retorno do Evergrey ao Brasil, especialmente tocando em um festival como o Bangers Open Air? Oh, estou ansioso demais por isso! Da última vez que estivemos no Brasil, fizemos três shows, e acho que o show de São Paulo foi provavelmente um dos melhores que já fiz com o Evergrey. E foi logo no começo, porque aquela turnê sul-americana foi a minha primeira turnê com a banda. Então, estou muito ansioso para voltar agora que temos um show maior, mais produção… está tudo um pouco mais, não diria ensaiado, mas está mais “show” agora, sabe? Acho que mais do que antes. Quero muito dar aos fãs brasileiros uma performance do Evergrey no seu melhor nível histórico. Além disso, o Brasil… as pessoas aí são loucas! Eu amo tocar para os fãs sul-americanos. É assim que deve ser: paixão, amor pela música e um público ativo, que canta, grita e tudo mais. Acho que em um festival enorme como o Bangers Open Air, vai ser muito, muito bom. Como você disse sobre os fãs brasileiros, sempre temos uma conexão muito intensa com as bandas. O que torna essa conexão tão especial para o Evergrey? Não tenho certeza do que a torna tão especial, é difícil dizer, mas é definitivamente diferente da Europa. Os latino-americanos, como povo, são mais apaixonados, mais barulhentos, eles entram mais na vibe. Eu diria que, no geral, quando os latinos são apaixonados por algo, eles se entregam de verdade. Na Europa, acho que temos muito mais barreiras sociais, do tipo “você tem que manter a calma”, “se você gosta de algo, não demonstre tanto”. Já na América Latina, especialmente no Brasil com o Carnaval, existe essa cultura de ser apaixonado e celebrar isso. Acho que é por isso que as bandas europeias gostam tanto de ir ao Brasil: a cultura de demonstrar paixão é muito diferente. Vem de todo esse amor pela música e por festejar de um jeito bom. Por causa dos festivais e do Carnaval, o Brasil tem uma tradição única. Como estudei música, um dos meus objetivos de vida é estar no Rio durante o Carnaval, ver os desfiles, participar da música, do samba, da rumba e tudo mais. Gostaria muito de vivenciar isso de perto, mas ainda não consegui. Está na minha lista de desejos. A experiência do Carnaval é única. E para você, que é baterista, o foco na percussão é fantástico. Sim! E o jeito que a música brasileira é tocada… não é algo “reto”, como colcheias perfeitas. Tem um “feeling” brasileiro que é extremamente único. As pessoas tocando pandeiros, aqueles tambores enormes, chocalhos… não é mecânico, tem um balanço (swing) que é insano. Quero muito ver isso de perto. Quem sabe no ano que vem? Talvez a gente faça uma turnê sul-americana exatamente na época do Carnaval. Dedos cruzados! Você mencionou que seu primeiro show com o Evergrey foi no Brasil. Você tem outras memórias marcantes daqui? O problema de excursionar, especialmente na América Latina, é que como os shows envolvem muitos voos, geralmente você só vai ao festival ou ao local, toca, volta para o hotel, dorme, vai para o aeroporto e segue para o próximo país. É basicamente assim. Mas, no show de São Paulo que fizemos, eu dei absolutamente tudo de mim. Depois do show, eu simplesmente desabei. Fiquei “morto”, vomitando por umas quatro horas seguidas porque esgotei todas as minhas energias. Os fãs estavam tão loucos que, na última música, eu pensei: “Não faço ideia de como vou terminar isso”. Foi tão intenso que apaguei no backstage. Tiveram que me levar direto para o hotel enquanto o resto do pessoal foi para o Manifesto Bar. Então, espero que este ano consiga participar da festa com os fãs brasileiros também. Foi uma pena não ter conseguido da última vez, mas realmente não tinha mais nada sobrando de mim. Estava deitado de lado, tremendo, sem conseguir me mexer.

Guns N’ Roses prova no Monsters of Rock que o gigantismo e a história superam qualquer crítica

Se durante as 12 horas de festival diversas bandas tentaram roubar a cena, o encerramento no sábado (4), no Allianz Parque, deixou claro: quando o logo da pistola e das rosas brilha no telão, o posto de “maior do mundo” é indiscutível. Em uma apresentação de cerca de 2h30, ligeiramente mais enxuta que as maratonas de três horas de outrora, mas ideal para um público já exausto, o Guns N’ Roses entregou uma aula de rock de arena. Química inabalável e sustos no palco A abertura com Welcome to the Jungle foi o gatilho necessário para incendiar o estádio e fazer o cansaço ser esquecido. A química entre Axl Rose, Slash e Duff McKagan continua sendo o pilar de sustentação do grupo. Mesmo após anos de reunião, vê-los juntos ainda é o ponto alto da noite. Um momento curioso (e tenso) ocorreu logo no início, durante Slither (sucesso do Velvet Revolver). Em um movimento brusco de Slash, Axl acabou levando uma “braçada” acidental da guitarra no rosto. O susto não abalou o vocalista, que seguiu o show firme, rindo da situação. De “Banda Mais Perigosa” a “Banda Mais Familiar” Nos bastidores e nas laterais do palco, o clima era de reunião de família. A antiga “banda mais perigosa do mundo” deu lugar a um ambiente acolhedor: famílias dos integrantes assistiam ao show, incluindo a família santista de Axl Rose. O vocalista chegou a brincar com um bebê no colo da mãe, enquanto Duff trocou um carinhoso selinho com a esposa após seu momento solo. Voz de Axl e a genialidade de Slash Sobre a voz de Axl Rose, o consenso (ou o que deveria ser) é claro: ele não tem mais o alcance de 1991, e está tudo bem. Adaptado, magro e visivelmente mais feliz, Axl corre, grita e mantém a chama acesa com uma leveza contagiante. Ele até brincou que o setlist estava sendo decidido na hora e que poderiam tocar Macarena. Do outro lado, Slash reafirmou por que é um ícone imortal. Mesmo após um dia repleto de guitarristas virtuosos no palco do Monsters, o homem da cartola mostrou que seu feeling e seus riffs são a alma do Guns. Duff McKagan também brilhou ao assumir os vocais em New Rose (The Damned), resgatando a aula de punk rock do álbum The Spaghetti Incident?. Raridades e homenagens emocionantes no show do Guns n’ Roses Para os fãs casuais, a ausência de baladas como Don’t Cry e Patience foi sentida, mas os “die-hard fans” foram presenteados com raridades como Dead Horse e a surpreendente Bad Apples, que não aparecia em um setlist desde 1991. Aliás, só havia sido tocada duas vezes na história, a primeira no Rock in Rio de 1991. O momento de maior emoção foi a estreia de Junior’s Eyes (cover de Black Sabbath), dedicada a Ozzy Osbourne, falecido no ano passado. O clima de tributo seguiu com a obrigatória Knockin’ on Heaven’s Door. Reta final apoteótica do Guns n’ Roses A celebração atingiu o ápice em Estranged, com o público arremessando golfinhos infláveis em uma referência nostálgica ao videoclipe, e o mar de luzes em Sweet Child O’ Mine. A tríade final com Axl ao piano em November Rain, a explosiva Nightrain e o hino Paradise City encerrou o festival em estado de catarse. O Guns N’ Roses fez jus ao topo do cartaz. Ninguém rouba o posto deles. Agora, a banda segue em turnê pelo Brasil até o fim do mês, provando que o “momento mágico” de um show do Guns ainda é a experiência definitiva do rock. Edit this setlist | More Guns N’ Roses setlists