Mad Haoles vai do ska ao havaiano em Surfers Paradise; ouça!

Principal representante da surf music santista, o grupo Mad Haoles lançou o segundo álbum de estúdio, Surfers Paradise. São 13 faixas autorais, entre instrumentais e vocalizadas, em português e inglês. Anselmo Prandoni, Dinho Garcia, Clóvis Dolly e Glauber Albino (os dois últimos estreando na banda) saem da zona de conforto nesse segundo registro, passando por várias influências, que vão além da surf music, como rock, reggae, ska e algumas inspirações havaianas. Vibe da Praia, um skazinho com metais, abre bem os trabalhos. Siga a Trilha vem logo depois, um reggae com ótimas mensagens, bem no clima do positive vibrations. Mavericks é uma trilha ótima para quem gosta de pegar onda e não pensar em mais nada. O mesmo vale para The Crowd, que resgata bem a energia do início da carreira do Mad Haoles. Hokule’a e Winter Memories já mostram uma novidade, uma pegada mais acústica, quase indicadas para aulas de meditação, tamanha paz que trazem.

NOFX encerra 40 anos de história com maratona de hits, polêmicas e The Decline em Madri

Como em toda festa de aposentadoria, chega o momento do discurso final. Mas, tratando-se do NOFX, o discurso vem acompanhado de distorção e sarcasmo, como no encerramento da noite em Madri, na Espanha. Após 40 anos revirando a indústria e o underground, a banda subiu ao palco do WiZink Center sob um banner simples, quase “faça você mesmo”, para dizer adeus. A introdução com os riffs de Riff Raff (AC/DC) serviu como o aquecimento circense para o que viria: uma banda que, mesmo à beira do fim, ainda atesora uma velocidade impressionante. Quando Dinosaurs Will Die e Perfect Government explodiram em sequência, a entrega do público foi absoluta, transformando a arena em um coro de reverberação coletiva. Diálogos e ritmo do NOFX em Madri Se musicalmente o NOFX entregou hinos como Leave It Alone e Bob (com o trompete inconfundível de El Hefe), a dinâmica do show trouxe a marca registrada, e para alguns, o calcanhar de Aquiles, do grupo: os longos diálogos entre as músicas. Fat Mike não poupou o público de suas divagações. De piadas sobre orgasmos e críticas a Israel até a eterna rivalidade “Madrid vs. Barcelona” e comparações entre Rancid e The Clash. Se por um lado isso quebra o ritmo, por outro, é a essência do que o NOFX sempre foi: uma banda que se recusa a apenas tocar. A presença da tecladista e vocalista Karina Denike (Dance Hall Crashers) trouxe um frescor necessário, especialmente no ska-punk de All Outta Angst, equilibrando a crueza de faixas rápidas como Fuck the Kids e Juice Head. Clímax com Linonleum O bloco principal se fechou com a trinca Murder the Government, The Brews e a obrigatória Linoleum, descrita como a “forma absoluta” de encerrar o set, levando o público banhado em cerveja e suor ao delírio. Mas foi no bis, após uma pausa justificada pelas reclamações de El Hefe de que precisava urinar, que a banda reencontrou o foco total. Com um Fat Mike menos falastrão e mais músico, The Separation of Church and Skate (citada por ele como sua favorita) e Don’t Call Me White transformaram a pista em um campo de batalha festivo. Grande obra para encerrar o show Para a despedida definitiva, não houve escolha segura. A banda executou a épica The Decline. A obra-prima de 18 minutos contou com um reforço de luxo: Frank Turner assumiu a guitarra, enquanto El Hefe comandava os metais. Foi o encerramento digno para uma carreira de quatro décadas. O NOFX saiu de cena provando que, mesmo entre piadas ruins e pausas longas, eles deixam um legado de independência e trilha sonora que, ao contrário da banda, não vai se aposentar tão cedo.