Bebé apresenta álbum Salve-se no Sesc Santos; veja data e preços

Depois de se apresentar no Festival Coala e no Se Rasgum, Bebé faz show no Sesc Santos com seu segundo álbum de estúdio, Salve-se (considerado pelo júri de música da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) um dos 25 melhores álbuns de artistas brasileiros lançados no primeiro semestre de 2024. A apresentação será no próximo dia 20, às 19h, com participação de Dinho Almeida (Boogarins). O repertório, que se destaca pela expressividade emocional, é brilhantemente guiado pelo pop, indie, R&B, pagode, funk e trap. “Nesse disco, visualmente, mostro-me mais madura, contrastante e vibrante na imagem. Musicalmente, desejo estar presente nas pistas de dança, de alguma forma, conectando-me mais com o público da minha idade. Quis, nesse registro, incorporar elementos eletrônicos e acústicos, que fazem parte da minha pesquisa, de uma forma latina e híbrida, ainda mais comunicativa e menos experimental. Dou protagonismo para a minha voz e a percebo como um instrumento em toda instância. Sem dúvidas, o ponto de partida desse trabalho foi o desejo de trazer um pouco mais do Brasil para o som que eu faço, além de pontuar o quanto esses sentimentos todos que nos cercam – de maneira individual, mas também coletiva – podem ser vistos de uma perspectiva serena e confiante”. SERVIÇO Bebé no Sesc Santos 20 de novembro, quarta-feira, 19h Classificação: Livre Ingressos: R$ 50 (inteira), R$ 25 (meia-entrada), R$ 15 (credencial plena) À venda no portal sescsp.org.br e nas bilheteiras das unidades. Endereço: Rua Conselheiro Ribas, 136 – Aparecida – Santos/São Paulo – 11040-900

Pela nona vez no Brasil, Franz Ferdinand entrega show fresco e dançante

Em uma noite repleta de surpresas, a banda escocesa Franz Ferdinand entregou um show incrível no Popload Gig #66, que rolou no Tokio Marine Hall, em São Paulo, na última quinta-feira (14). Em sua nona passagem pelo Brasil, a primeira em seis anos, Alex Kapranos e companhia apresentaram um repertório forte, repleto de hits, mas também com sete músicas de The Human Fear, álbum que será lançado em janeiro. Mas antes de seguir falando sobre o show do Franz Ferdinand, preciso destacar as duas grandes surpresas que rolaram minutos mais cedo. A primeira surpresa foi a inclusão do músico Tom Ribeira no lineup da noite. O artista de Botucatu, considerado uma das maiores revelações da Nova MPB, mostrou muita desenvoltura com suas histórias e canções bem pessoais. Em quase 30 minutos de show, ele falou sobre o período em que morou na França, da criação de algumas faixas, além do convite para o show de abertura do Franz Ferdinand, que partiu de Alex Kapranos, o anfitrião da noite. Aliás, ele viu Tom de pertinho, registrando vídeos do show do músico paulista. Durante a apresentação, Tom Ribeira ainda prestou duas bonitas homenagens à Rita Lee e Martinho da Vila, entregando duas versões bem originais. Logo depois que Tom Ribeira deixou o palco, o telão da casa exibiu um vídeo incrível para anunciar o retorno do Popload Festival. O evento vai rolar em 31 de maio de 2025. Franz Ferdinand Com o público aquecido e com o coração quente após o anúncio do Popload Festival, a banda escocesa subiu ao palco a mil por hora. The Dark of the Matinée e No You Girls logo de cara bastaram para transformar o Tokio Marine Hall na pista de dança mais animada da Capital na véspera de feriado. Na sequência, Alex Kapranos, que usou e abusou das coreografias desengonçadas ao longo da noite, passou a equilibrar o set, promovendo estreias de The Human Fear. A primeira foi Night or Day. Depois vieram mais seis. Apesar da boa recepção do público com as músicas inéditas, os fãs foram ao delírio mesmo com a nostalgia. O álbum homônimo, de 2004, que está completando 20 anos, teve seis canções tocadas, inclusive os cinco singles. You Could Have It So Much Better, o segundo trabalho do Franz Ferdinand, também foi muito bem representado. Foram quatro canções, incluindo o super hit Do You Want To. Foram 22 músicas em quase 1h40 de show. E o Franz Ferdinand deixou claro que pode renovar o repertório sempre que o show sempre vai parecer fresco. Ninguém vai reclamar se eles voltarem anualmente, como no início da carreira. Edit this setlist | More Franz Ferdinand setlists

Mais enxuto, mas potente e solto, Smashing Pumpkins emociona em SP

Em sua quinta passagem pelo Brasil, a primeira em nove anos, o Smashing Pumpkins mostrou estar em alto nível. No domingo (3), no Espaço Unimed, Billy Corgan e companhia demonstraram estar confortáveis em cena para desfilar uma sequência infinita de hits. The Everlasting Gaze, a melhor e mais pesada do álbum Machina/The Machines of God (2000), abriu o show e foi a faísca que faltava para esquentar de vez o Espaço Unimed. O início do show ainda trouxe uma versão inusitada de Zoo Station, do U2, com solo de bateria, que em alguns momentos pareceu até uma simulação de samba. A interação entre banda e público passou a ficar mais intensa quando as canções dos álbuns Siamese Dream, Mellon Collie and the Infinite Sadness e Adore passaram a marcar presença no set. Today emocionou muita gente na plateia, enquanto Tonight, Tonight fez Billy Corgan para a canção para contemplar a resposta do público. Aliás, chamou a atenção dos outros integrantes como se dissesse: “entenderam porque aqui é diferente?”. E faz muito sentido. Antes do show de São Paulo, a última vez que assisti ao Smashing Pumpkins foi em 2018, na T-Mobile Arena, em Las Vegas. Na ocasião, já acompanhado novamente de James Iha e Jimmy Chamberlin, a banda entregou um show de 3h15 de duração, o dobro da atual turnê, mas sem uma resposta tão enérgica do público. Vale destacar que na apresentação de Las Vegas, James Iha ainda não parecia muito confortável com o retorno ao grupo. Cenário totalmente diferente no Espaço Unimed, no qual ele apresentou a banda, imitou os trejeitos de Brian Johnson (AC/DC) e ainda cantou, de surpresa, Ziggy Stardust, de David Bowie, no fim do show. Surpresas, que por sinal, marcaram a apresentação do Smashing Pumpkins em São Paulo. Após Disarm, Billy Corgan ficou sozinho no palco para uma dobradinha acústica, com Landslide (Fleetwood Mac) e Shine On, Harvest Moon (Ruth Etting). Ver Billy Corgan feliz e leve no palco deixou uma ótima impressão para os fãs. Da última vez, no Lollapalooza 2015, o vocalista estava abatido com a morte de um dos seus gatos, além de estar acompanhado de músicos que pareciam apenas cumprir uma função determinada, sem muita emoção. A guitarrista Kiki Wong e o baixista Jack Bates deram um novo fôlego para a banda. A turnê The World Is a Vampire, que praticamente ignora o álbum mais novo do Smashing Pumpkins, Aghori Mhori Mei (tocou apenas Sighommi), segue pela América do Sul, com shows na Argentina, Chile, Peru, Equador e Colômbia. Terno Rei Uma das bandas mais cultuadas do momento no Brasil, a paulistana Terno Rei foi a responsável pela abertura do show do Smashing Pumpkins em São Paulo. Apesar do pouco tempo, 30 minutos, o grupo conseguiu empolgar o público com uma divisão igualitária dos seus dois últimos álbuns, Violeta (2019) e Gêmeos (2022). Solidão de volta e 93, tocadas logo no início, tiveram ótimo retorno dos fãs. Muitos cantaram de ponta a ponta na pista premium. No fim, antes de Esperando Você, o vocalista Ale Sater revelou que, apesar de ter feito a abertura de vários shows internacionais, o Smashing Pumpkins era o mais importante. “Vamos tocar uma música que achamos que tem muito a ver com o som deles”, disse.

Gary Clark Jr. mostra porque é o herdeiro do trono do blues em abertura visceral para Eric Clapton

Abrir para Eric Clapton não é uma tarefa para iniciantes, é uma responsabilidade. Quando Gary Clark Jr. subiu ao palco do Allianz Parque às 18h20, a missão era clara: provar para uma plateia de puristas que o blues está em boas mãos. E o texano não desperdiçou um segundo sequer. Trazendo a turnê de seu disco mais recente, JPEG RAW, Gary optou por um setlist enxuto de sete músicas, equilibrando o peso dos riffs sujos com a sofisticação de sua nova fase. Do deserto à explosão A abertura com Maktub já deu o cartão de visitas: uma pedrada de “desert rock” com influências do Mali, mostrando que ele não tem medo de expandir as fronteiras do gênero. Mas foi em Don’t Owe You a Thang que a energia subiu, com aquele ritmo frenético de bar de estrada que faz qualquer um bater o pé. Para os fãs que estavam ali pelo “guitar hero”, o ápice veio cedo. When My Train Pulls In serviu como a peça central da apresentação. Com um solo extenso, cheio de distorção e feeling, Gary mostrou o pedigree que o fez ser aclamado pelo próprio Clapton. Foi o momento em que a plateia, até então respeitosa, se rendeu aos aplausos. Modernidade de Gary Clark Jr. O show também teve espaço para a faceta mais soul e R&B do músico, com a execução de This Is Who We Are e What About the Children, faixas que mostram sua evolução vocal e de composição. Mas nenhum momento superou a catarse de Bright Lights. O hino definitivo de sua carreira, com o refrão profético You’re gonna know my name, ecoou pelo estádio como uma afirmação. Encerrando com a recente e épica Habits, Gary Clark Jr. deixou o palco não como um apêndice da noite, mas como um gigante que divide o mesmo altar que o mestre que viria a seguir. Uma aula de como renovar o blues sem desrespeitar suas raízes.