Macy Gray diverte, empolga e canta Metallica no Ronnie’s Scott

O Ronnie’s Scott, no Soho, em Londres, por si só já vale uma visita. É como visitar um estádio de futebol lendário sem jogo. Essa casa é uma das mais emblemáticas de jazz do mundo. Fundado em 1959, o Ronnie’s viu nomes como Chet Baker, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Nina Simone, Stan Getz e Charlie Watts gravarem álbuns marcantes aqui. Aliás, foi nesse clube de jazz que o baterista do Rolling Stones ganhou um tributo intimista dos companheiros de banda, logo após o seu falecimento. O dia escolhido para conhecer o Ronnie’s tinha uma atração de peso, a norte-americana Macy Gray. Famosa pelo mega hit I Try, que rendeu Grammy e topo das paradas em vários países, no fim dos anos 1990, a cantora segue com uma carreira bem ativa, inclusive com participação agendada no próximo Rock in Rio. No Ronnie’s, ela chegou acompanhada da sua superbanda California Jet Club, que tocou a música tema da franquia Rocky para a anunciar sua entrada. Macy abriu o show com Do Something, faixa do seu álbum de estreia, On How Life Is (1999). A partir daí, aproveitando o clima bem intimista da casa, conversou bastante com o público entre as músicas. “Vocês não são boas pessoas. Poderiam estar em casa, curtindo a família, vendo TV, mas vieram para um show numa quarta-feira à noite. E ainda tem uma greve de trem para dificultar a chegada de vocês aqui”, brincou. Logo depois, a cantora surpreendeu o público uma versão totalmente reconstruída de Nothing Else Matters, do Metallica. O cover faz parte do álbum Covered (2012), que conta com versões de Radiohead, Kanye West, My Chemical Romance, entre outros. A apresentação também trouxe single novo. Thinking of You estará em seu próximo álbum de estúdio, The Reset, previsto para 8 de julho. “Vocês são sortidos. Essa é uma música nova, ninguém ouviu ainda. Só quem veio no show de hoje mais cedo (foram dois shows no mesmo dia, no Ronnie’s), na semana passada, mais alguns amigos, mais outras pessoas que foram em outros shows”, disse, arrancando risos do público. Em outro momento de conversa com os fãs, Macy Gray anunciou Sexual Revolution de forma bem descontraída. “Você se prepara para vir curtir o show, limpa bem suas partes íntimas, se prepara toda e aproveita. Aproveita porque a noite é sua, baby”. À essa altura parte do público já estava em pé, quase dentro do palco, para cantar com Macy, que não aguentava mais ver as pessoas sentadas. I Try veio no final. E com uma dose de ironia da cantora. “Vou cantar uma música que todos vocês estão esperando. A mais esperada de todas”, comentou. A ironia é porque recentemente ela deu uma entrevista para Forbes questionando o motivo da imprensa a tratar como One Hit Wonder (artista lembrado só por uma música). “As pessoas me chamam de One Hit Wonder, e eu fico tipo, vendi 33 milhões de álbuns. Não sei como você diz [eu só tenho] uma música. Acho que é um problema para todos os outros. Acho que houve um momento em que fiquei muito confusa e não entendi, porque quando escrevi aquele disco, estava apenas sendo eu mesma. E foi isso que continuei a fazer. Mas há algumas das outras músicas que fiz que não ressoaram dessa maneira, e não entendi isso por um longo tempo”. Com a plateia totalmente na mão, Macy Gray encerrou o show com sua versão para Brass in Pocket, do The Pretenders. Era o que faltava para acabar com as regras básicas da casa: não falar durante as músicas e nem se levantar. Tarde demais!

Aula de crossfit com duo, Jake Bugg consistente e Noel Gallagher vencendo na reta final

O Kenwood House, no norte de Londres, promove anualmente uma série de shows em seu gramado, entre junho e agosto. A trinca curiosa Confidence Man, Jake Bugg e Noel Gallagher formaram o lineup do último dia 19. Confidence Man O Confidence Man é um duo australiano de indie electro pop. O som destoa bastante das outras duas atrações da noite, Jake Bugg e Noel Gallagher. Os primeiros 15 minutos foram divertidos. Janet Planet e Sugar Bones mostram uma disposição fora do comum no palco. Pulam, dançam, fazem números circenses. Em Toy Boy, faixa que abriu o show, por exemplo, pareciam dois fantoches com movimentos corporais incomuns. Com dois álbuns na bagagem, Confident Music for Confident People (2018) e Tilt (2022), o duo perde a força da metade para o fim do show. As coreografias começam a ficar bem simples, beirando a infantilidade e o teatro de mau gosto. As músicas também começam a soar parecidas transformando o show em um super aulão de crossfit. Se você gosta dessa modalidade, o som pode ser interessante para estimular os treinos, aliás. Bubblegum, faixa que encerrou o show, já estava como um chiclete sem gosto. Você percebe que um show está chato quando ele dura 30 minutos, mas parece ter sido feito em três horas. Jake Bugg Aos 28 anos, o inglês Jake Bugg já não tem mais o hype que tinha há dez anos quando deixou estourou mundialmente com Two Fingers e Lightning Bolt. No entanto, segue com um show deles extremamente competente e com poucas palavras. Jake Bugg abriu o show com duas canções de seu último álbum, Saturday Night, Sunday Morning (2021): Lost e Kiss Like the Sun, que não animaram muito o público que ainda chegava ao Kenwood House. Com Slumville Sunrise, do Shangri La (2013), seu segundo disco de estúdio, o músico arrancou aplausos mais efusivos e contou com um apoio maior na hora do refrão. About Last Night, do último disco, veio na sequência, mas tal como as duas primeiras também não empolgou. Ciente do que estava rolando, Jake Bugg passou a intercalar canções do Shangri La e do disco de estreia homônimo (2012). Deu certo. Seen It All, Me and You e Simple as This funcionaram muito bem para o público que parecia conhecer apenas os dois primeiros álbuns do guitarrista. Prova disso é que o terceiro e quarto álbum, On My One (2016) e Hearts That Strain (2017), foram totalmente ignorados no repertório. Antes de Two Fingers, Jake Bugg brincou que há dez anos escreveu essa música e o pensamento é o mesmo até hoje. Broken e Lonely Hours deixaram a apresentação com uma cara mais intimista. São duas baladas bem fortes do repertório de Jake Bugg. Mas o descanso para o público durou pouco. Lightning Bolt, Simple Pleasures e What Doesn’t Kill You elevaram a temperatura e coincidiram com a trégua da chuva também. All I Need, single do álbum mais recente de Jake Bugg, deu números finais ao show. A essa altura o Kenwood House já estava bem cheio para ver Noel Gallagher. Noel Gallagher Com sua banda High Flying Birds, que inclui guitarras, baixo, bateria, backing vocals, metais e até uma tesoureira (sim, uma mulher que toca tesoura), Noel Gallagher faz de tudo para garantir que é possível ter uma vida sem o Oasis. Em resumo, ele é muito bem sucedido na empreitada. Fort Knox, Holy Mountain e It’s a Beautiful World funcionam muito bem para o público logo no início da apresentação. Tal como seu irmão, Noel tem uma carreira solo consolidada e um público completamente apaixonado pela sua obra pós Oasis. Black Star Dancing e Dead in The Water também foram cantadas como se fossem hinos do Oasis, tamanha emoção do público. Mas, inevitavelmente, Oasis ainda é o que mais mexe com o coração do público. E Noel não aliviou na reta final. Emendou Little by Little, The Importance of Being Idle, Whatever, Wonderwall, Half the World Away e Stop Crying Your Heart Out. Uma rápida pausa e Noel retorna com mais dois sons poderosos de sua carreira solo: If I Had a Gun… e AKA… What a Life!, essa dedicada para todos os torcedores do Manchester City, o que gerou alguns gritos de apoio e vaias. O final apoteótico veio com Don’t Look Back in Anger, cantada por todos presentes no Kenwood House, certamente um dos highlights da temporada de shows de verão do parque.

Acompanhado do Chic, Nile Rodgers faz show com cara de VH1 Storyteller

O guitarrista e produtor Nile Rodgers tem uma história incrível na música. Uma série sobre a importância desse senhor de 69 anos na história da música precisaria certamente de algumas temporadas. Quando está junto do lendário grupo Chic, a coisa fica ainda mais pesada. Headliner de um evento em Kenwood House, no norte de Londres, no último sábado (18), Rodgers aproveitou o tempo no palco para fazer uma espécie de VH1 Storyteller, intercalando histórias curiosas sobre alguns de seus maiores sucessos e hits em sequência. A primeira parte do show foi toda dedicada aos hits do Chic. Em sequência vieram Chic – Chic, Dance, Dance, Dance e I Want Your Love, todas acompanhadas em coro pelos fãs, que dançaram muito para esquentar diante de uma chuva forte e gelada. Na primeira pausa para falar com o público, Rodgers avisou que tocaria algumas músicas bem conhecidas. “As pessoas me perguntam porque não faço tanta música com o Chic. Mas a resposta é que estou sempre atendendo outros grandes artistas, como Diana Ross, Madonna, David Bowie, Duran Duran, entre muitos outros”. Foi a deixa para iniciar I’m Coming Out e Upside Down, ambas bem conhecidas na voz de Diana Ross. As homenageadas da sequência foram as irmãs do Sister Sledge, com mais dois hits gigantes: He’s the Greatest Dancer e We Are Family. Rodgers, que tem em seu currículo contribuições e serviços prestados a nomes como Aretha Franklin, Mick Jagger e Stevie Ray Vaughan, contou sobre sua experiência com Madonna. “Ela (Madonna) já havia lançado um álbum e me convidou para trabalhar com Like A Virgin. Mostrei algumas coisas que ela poderia fazer, mas ela disse ‘beija minha bunda’. Hoje vamos tocar do jeito que imaginamos”, disse Rodgers antes de emendar Like A Virgin e Material Girl. Antes de encaminhar a apresentação para o fim, Rodgers fez questão de exaltar o trabalho de David Bowie. “Ele era incrível! Vamos mostrar um pouco do que fizemos juntos”. Modern Love e Let’s Dance foram as escolhidas. A primeira cantada pelo tecladista do Chic. A parceria com o duo francês Daft Punk e o norte-americano Pharell Williams, Get Lucky, foi outro ponto alto da apresentação. “Estamos vendo tantas coisas ruins no mundo. Eu venci dois cânceres e acredito que isso tem muito a ver com Lucky (sorte). Quero muito que as pessoas pensem positivo e alcancem o que precisem”. A reta final foi dedicada ao Chic, com as backing vocals dando um show. Le Freak e Good Times deixaram os fãs ainda mais entusiasmados. Rapper’s Delight, de Sugar Hill Gang, deu números finais ao show. Billy Ocean A abertura do evento em Kenwood House ficou a cargo de Billy Ocean, cantor que emplacou uma série de hits entre os anos 1970 e 1980. Aliás, tocou praticamente todos nessa apresentação com cara de greatest hits. Entre os seus principais sucessos podemos destacar as canções When the Going Gets Tough, the Tough Get Going, parte da trilha sonora do filme A Joia do Nilo (1985), Suddenly, Get Outta My Dreams, Get into My Car e Caribbean Queen, todas tocadas no show. Love Really Hurts Without You, logo no início do show, também se mostrou como grande hit, com boa parte do parque cantando junto. Para quem não conhece, nos últimos anos, Billy Ocean voltou a ficar conhecido por seu nome ser bastante citado na série Todo Mundo Odeia o Chris, onde a personagem Tonya, vivida pela atriz Imani Hakim, é sua grande fã.

Dobradinha de peso em Glasgow: Kasabian e Liam Gallagher

Glasgow não é para os fracos. É preciso ter muita disposição para aguentar a euforia dos fãs. É chuva de vinho, cerveja, cocaína e muitos esbarrões o tempo todo. Isso sem falar nos sinalizadores que deixaram os seguranças em pânico no Hampden Park, o estádio oficial dos jogos da seleção de futebol da Escócia. Foi nesse clima que acompanhei, debaixo de chuva, a dobradinha Liam Gallagher e Kasabian em Glasgow. Já havia assistido ao Kasabian duas vezes no Brasil, mas estava curioso para ver sem o vocalista Tom Meighan, expulso da banda após comportamentos abusivos com a esposa. Sergio Pizzorno assumiu o vocal e afastou a desconfiança do público logo de cara. Não é segredo que ele sempre foi a alma da banda, mas é sempre estranha a troca de vocalista. Com um set bem equilibrado, Pizzorno e companhia ignoraram apenas um dos sete álbuns da discografia (Velociraptor!, de 2011), já incluindo nessa conta o futuro The Alchemist’s Euphoria, que chega em agosto. West Ryder Pauper Lunatic Asylum (2009) e For Crying Out Loud (2017) foram responsáveis por metade do set, com três músicas cada. Só hit, por sinal. A sequência inicial do show, com Club Foot, III Ray (The King) e Underdog, foi tocada sem intervalo, garantindo uma apoteose dos fãs, em sua maioria adolescentes. Enquanto gritavam e pulavam insanamente, policiais e seguranças tiveram trabalho para conter os sinalizadores acesos na pista. Propositalmente ou não, Pizzorno parece ter notado que a loucura da plateia estava fora do comum e deu uma desacelerada. Deu espaço para You’re in Love With a Psycho e estreou Chemicals, do novo álbum.  Mas a tranquilidade pouco durou. Shoot the Runner, Stevie e Bless This Acid House, uma seguida da outra, funcionaram como uma panela de pressão. Ao chegar na terceira dessa sequência, a loucura já estava novamente na pista. E mais correria para conter novos sinalizadores. A reta final, já com o jogo ganho, trouxe mais momentos catárticos para os escoceses, incluindo Empire e Fire. Se o objetivo era aquecer os fãs para o show de Liam Gallagher, Pizzorno conseguiu isso e muito mais. Fez show de headliner com set list reduzido. Liam Gallagher O canto da torcida do Manchester City celebrando mais um título, ecoando nos alto-falantes do estádio, já sinalizavam que Liam estava próximo. Engraçado que essa brincadeira nunca fica velha, afinal o City ganha títulos todos os anos. Acabou de conquistar o bicampeonato da Premier League, o quarto título nos últimos cinco anos. Fuckin’ in the Bushes, acompanhada de imagens de Liam e mensagens positivas, trouxe o icônico vocalista do Oasis para o palco. Aliás, vale destacar que Liam tem dois feitos e tanto sobre o irmão: renovou o público, trocando os coroas saudosistas por adolescentes apaixonados pela sua banda de origem, além de entregar os clássicos do Oasis da forma mais fiel possível, sem tesouras ou outras esquisitices em suas releituras, como Noel faz. Mesmo com uma carreira solo consolidada, Liam sabe que o repertório do Oasis é o ponto forte dos shows. E isso não é um problema para ele. Hello, Rock ‘n’ Roll Star e Morning Glory vieram em sequência.  Logo depois, Liam testou a força do repertório solo com Wall of Glass, Everything’s Electric e Better Days, as duas últimas do recém-lançado C’mon You Know. Impressionante como a euforia não se reduz em nenhum momento na pista. Sempre intercalando Oasis e carreira solo, Liam pouco falou, mas quando se arriscou a fazer isso, arrancou aplausos e vaias simultaneamente. Explica-se: o vocalista elogiou Glasgow e disse ser uma ótima cidade de um ótimo país independente. No entanto, nem todos pensam da mesma forma. A população é dividida entre ser independente ou seguir dentro do Reino Unido, com Inglaterra, Irlanda do Norte e País de Gales. Mas Liam soube abafar a polêmica rapidamente com mais uma trinca de Oasis: Stand by Me, Roll It Over e Slide Away. Ainda teve espaço para a linda Soul Love, do Beady Eye, banda que Liam montou logo após o término do Oasis. Com novidades de C’mon You Know e mais algumas boas faixas de seus dois primeiros álbuns solos, Liam mostrou força com More Power, acompanhada de backing vocals, The River e Once. Na saída do palco, antes do bis, ainda simulou estar tocando tesoura, tal como uma integrante da banda de Noel, arrancando risos dos fãs.  Um curto intervalo separou dessa interação e as últimas quatro canções do show, todas do Oasis: Some Might Say, Cigarettes & Alcohol, Wonderwall e Champagne Supernova. Nem mesmo a chuva e o frio, em pleno verão escocês, foram páreo para os fãs. Muitos saíram eufóricos do estádio, rodando a camisa e cantando mais músicas do Oasis nas ruas. E foi assim até a região central de Glasgow, distante uns 4,5 km dali. Sim, caminhando e cantando debaixo de frio e chuva.

Uma tarde histórica no Hyde Park com Rolling Stones e companhia

Depois de assistir o Rolling Stones no Anfield, em Liverpool, o que mais poderia ser especial no tour do Blog n’ Roll pelo Reino Unido? Assistir a maior banda de todos os tempos no Hyde Park, palco de shows memoráveis do Rolling Stones. Felizmente tivemos essa oportunidade. Foi a primeira apresentação oficial do Rolling Stones em Londres desde a morte de Charlie Watts. Oficial porque antes já haviam feito um tributo fechado para amigos e familiares no lendário Ronnie’s Scott. Atração principal do British Summer Time (BST Hyde Park), o Rolling Stones teve a companhia de bons nomes na abertura: Vista Kicks, Phoebe Bridgers e The War on Drugs. Na plateia, muito sol e um vento terrivelmente gelado a partir do meio da programação do festival. Público de várias nacionalidades, com destaque para argentinos e espanhóis que cantavam de forma ininterrupta o dia inteiro. Vista Kicks O Vista Kicks foi a primeira banda a se apresentar. Confesso que não conhecia o trabalho deles, mas foi uma grata surpresa. Eles são de Los Angeles, mas estão baseados em Sacramento. O Vista Kicks é muito nostálgico. Parece ter saído da esquina da Haight com a Ashbury, em San Francisco, o coração dos hippies nos anos 1960, tanto pela sonoridade quanto pelo figurino. Gimme Love, do álbum de estreia Booty Shakers Ball, é um baita exemplo da pegada sonora do Vista Kicks. Se você fecha os olhos, certamente imagina os caras no The Ed Sullivan Show, nostálgico programa dos anos 1960. Mas além dos três álbuns, que tiveram canções selecionadas para esse setlist, a banda também divulgou um pouco do último EP, Sorry Charlie, lançado em março. All or Nothing, apesar de distanciar um pouco da sonoridade sessentista, casou muito bem com o ambiente. Phoebe Bridgers A cantora californiana Phoebe Bridgers está excursionando pelo Reino Unido com a Reunion Tour, que já passou pela América do Norte. Na Inglaterra, realizou dois shows marcantes: um no Glastonbury, outro no Hyde Park, abrindo para o Rolling Stones. No Hyde Park, estava bem elegante. Vestindo um top brilhante e um terninho preto, falou algumas vezes sobre o quanto estava honrada em tocar em um evento com o Rolling Stones. A apresentação, porém, ficou marcada por um discurso furioso contra a Suprema Corte dos Estados Unidos, que acabou com o direito constitucional ao aborto. Pheobe liderou os gritos dos fãs de Foda-se a Suprema Corte. “Quem quer dizer, foda-se a suprema corte? Um dois três”, sendo atendida prontamente.  Na sequencia, discursou: “‘Foda-se essa merda. Foda-se a América e todos esses velhos filhos da puta irrelevantes tentando nos dizer o que fazer com nossos malditos corpos. Foda-se”. Phoebe abriu o show com Motion Sickness, do seu álbum de estreia, Stranger in The Alps (2017). Depois se dedicou em tocar o máximo que pudesse de Punisher (2020), segundo disco de estúdio. No Hyde Park, cantou oito das 11 faixas. Sidelines, single mais recente de sua discografia, lançado em abril, foi quem quebrou a sequência de Punisher. O público demonstrou não conhecer muito o repertório de Phoebe, mas foi extremamente educado e gentil com a cantora o tempo todo. The War on Drugs Dos EUA também veio a terceira e última atração de abertura do palco principal do Hyde Park: The War on Drugs, direto da Filadélfia. Aqui o público já parecia mais familiarizado com o repertório. Mas a proximidade do Stones já fazia com que os fãs fossem ao banheiro pela última vez ou garantisse a última leva de cerveja e comida. Vale destacar que a variedade era imensa no Hyde Park: de comida peruana até japonesa, passando por paraguaia até mexicana, italiana até os tradicionais fish and chips locais. Mas voltando ao show do War on Drugs, Adam Granduciel e companhia souberam agradar os fãs do Stones. Montaram um set redondinho para quem não arredou o pé da frente da grade, o meu caso. Com cinco álbuns de estúdio, a banda simplesmente ignorou os dois primeiros, dedicando boa parte do set para dois discos: I Don’t Live Here Anymore (2021) e Lost in the Dream (2014), com cinco e três faixas, respectivamente. A Deeper Understanding (2017) também foi lembrado com uma canção. Under the Pressure e In Reverse, ambas de Lost in the Dream, foram deixadas para o fim e receberam grande apoio do público no sing along. Deixou uma ótima impressão no Hyde Park. Rolling Stones Atração principal do festival, o Rolling Stones subiu ao palco para celebrar uma marca histórica: 60 anos do primeiro show da carreira, que aconteceu em 12 de julho de 1962, no extinto Marquee Club, não muito longe do Hyde Park. A apresentação em Londres esteve ameaçada por alguns dias em função da saúde de Mick Jagger. O vocalista contraiu covid e precisou cancelar alguns shows que estavam marcados para o período entre Liverpool e Londres, todos em junho. A única data remanescente foi no San Siro, em Milão, quatro dias antes.  Tal como fez no Anfield, em Liverpool, a banda iniciou o show com um lindo tributo a Charlie Watts no telão. Imagens de vários momentos do falecido baterista com os amigos. No repertório, foram poucas alterações na comparação com o show de Liverpool. Começou com Street Fighting Man, 19th Nervous Breakdown, Tumbling Dice e Out of Time. A primeira novidade surgiu com She’s a Rainbow, que foi sucedida por You Can’t Always Get What You Want, essa que foi protagonista de um dos momentos mais lindos do show, com o público cantando a plenos pulmões enquanto a noite chegava. Living in a Ghost Town, feita durante a pandemia do coronavírus, foi muito bem recebida pelo público. Parecia até velha integrante dos repertório da banda. Can’t You Hear Me Knocking, do Sticky Fingers, que não era tocada desde 2016, foi resgatada pela banda. Baita acerto! Quem vai ao show do Stones, sempre espera por esses resgates históricos. Honky Tonk Women veio na sequência para Jagger brilhar como nunca. Aos 78 anos, ele dança, rebola, corre pela passarela do palco com

Simple Minds anuncia álbum novo e revela single de estreia

O Simple Minds anunciou o lançamento de Direction of the Heart, seu décimo oitavo álbum de estúdio, para o próximo dia 21 de outubro. Já em pré-venda, o disco teve o seu primeiro single revelado. Vision Thing é uma celebração à vida composta por Jim Kerr como um tributo ao seu pai, falecido em 2019. Este é um lançamento BMG. Formada por Jim Kerr (vocais), Charlie Burchill (guitarras, teclados), Gordy Goudie (violão), Ged Grimes (baixo), Cherisse Osei (bateria), Berenice Scott (teclados) e Sarah Brown (vocais), o Simple Minds faz, nessa nova faixa, uma ponte entre o passado e o presente da banda. Pré-produzido por Kerr e Burchill na Sicília (Itália), o álbum foi gravado na Alemanha com produção adicional de Andy Wright (Massive Attack, Echo & The Bunnymen) e Gavin Goldberg (Simply Red, KT Tunstall) e conta com participação especial de Russell Mael (Sparks). Tracklist Vision Thing First You Jump Human Traffic(featuring Russell Mael of Sparks) Who Killed Truth? Solstice Kiss Act Of Love Natural Planet Zero The Walls Came Down (written and originally recorded by The Call)

Marianna faz pop poderoso sobre encontrar sua força após o fim de um relacionamento

Pop, R&B e forte impacto visual inspirado pelo mundo da moda marcam o trabalho da cantora e compositora carioca Marianna. Seu novo som é a empoderadora A Culpa é Sua, que dialoga sobre ter noção de seu valor após o fim de um relacionamento e traz uma mensagem forte para pessoas que podem não estar tão felizes neste mês dos namorados. A faixa tem produção musical de Vivian Kuczynski. “A Culpa É Sua é uma realização de que eu tenho defeitos sim, me passo um pouco às vezes, mas continuo sensata o bastante pra saber quem provocou os problemas que viriam a acabar com o relacionamento. Depois que escrevi ela, acendeu aquela luz na cabeça tipo: ‘ah, entendi! O problema não sou eu, é você’”, se diverte ela. Marianna se descobriu artista aos seis anos de idade, mas percorreu outros caminhos para estar mais perto de seu sonho. Trabalhou nos bastidores do entretenimento e, em paralelo, iniciou o De Mudança, um canal onde ajuda pessoas a saírem de casa, mudarem de país e outras viradas de página. Além disso, atualmente trabalha como especialista em mídias sociais. Agora, Marianna embarca, ela mesma, em uma grande jornada. A Culpa é sua é seu segundo lançamento e dialoga bem com o single de estreia Deixa Ir, sobre abrir mão de algo que ainda machucava. Estes e os próximos singles de Marianna chegam às plataformas via BAILA, com distribuição da Ingrooves.

Leo Middea mostra diferentes formas de conexão no mundo pós-pandemia no clipe “Se Eu Disser Que Quero Um Beijo”

Dois anos após o lançamento do álbum Beleza Isolar, o cantor e compositor Leo Middea dá o primeiro passo para seu novo disco ao lançar o single Se Eu Disser Que Quero Um Beijo, uma canção sobre a nossa busca por conexões. A música vem acompanhada de um clipe que remete à celebração da vida e à volta de beijos e encontros depois do período mais crítico da pandemia da covid-19. Essa intenção foi colocada em cada nota, letra e cena deste lançamento. Segundo Middea, esta é uma música que faz querer “correr pro abraço e voltar para um lugar de carinho, aconchego e felicidade”. Não à toa, o compositor e a equipe focaram em movimentos que mostrassem as diferentes formas de reconexão com o mundo e com os próprios desejos e individualidades. A inspiração simbólica – já que o beijo não é explícito no clipe – vem de diversas influências cinematográficas, incluindo o surrealismo de Alejandro Jodorowsky (A Montanha Sagrada, El Topo), que influenciou outros trabalhos, como Bairro da Graça. O clipe e o single também trazem referências de outras décadas, sons e lugares. “O single teve a composição em Portugal, a produção na Holanda, mas a base e a inspiração vem do Brasil. Também há elementos eletrônicos, percussões gravadas diretamente de São Paulo pelo músico Kabé Pinheiro e coros femininos inspirados na MPB dos anos 60 e 70. É quase uma pesquisa sobre diferentes lugares que a música pode ir e uma tentativa de expor um pouco do que se passa sobre esse meu novo momento”, revela Middea. Essa etapa se iniciou na pandemia, período dedicado por ele a estudar, descobrir e conhecer outros estilos, ritmos, nuances e sons que fazem parte do novo álbum. “Eu e o produtor musical catarinense Breno Virícimo nos encontramos em Amsterdam e criamos uma conexão muito boa. Ele me apresentou as minhas próprias músicas, mas com roupagem diferente. Isso me fez explorar lugares onde nunca tinha ido, mas gostei de estar. É bom tentar, arriscar, e às vezes o que a gente precisa é de uma mudança para criar ainda mais movimento”, fala o cantor. A parceria com Virícimo se prolongou durante a pandemia e irá se refletir em todas as canções do álbum Gente, novo disco, que tem previsão de lançamento para 2023. Leo Middea convida a todos que também se redescubram em suas rotinas com o álbum que, do início ao fim, marca a celebração da vida e a chegada de novos ciclos. “Quero ver as pessoas dançando, cantando e dando o play em diversos momentos e lugares, seja na praia, no quarto ou numa festa. Gente é sobre tudo de bom que a vida pode oferecer e sobre não se limitar. Acho que a galera vai curtir”, finaliza.

Discharge retorna ao Brasil após 18 anos; confira local e preços

O Discharge pode não ter inventado o hardcore punk, mas a banda britânica – com 45 anos de história – certamente moldou o futuro da música pesada a partir do início da década de 1980 – inspirou nomes como Death Angel, Anthrax, Sepultura e Ratos de Porão. Em plena atividade, o quinteto enfim confirma o retorno ao Brasil após 18 anos de espera, com show dia 10 de dezembro em São Paulo, no Fabrique Club. A realização é da Agência Sobcontrole. A segunda incursão do Discharge no Brasil acontece no ano e que se celebra 40 anos do seminal disco de estreia Hear Nothing, See Nothing, Say Nothing, um dos mais raivosos da história do underground, com guitarras cruas, pesadas e distorcidas que impactaram primeiro o punk hardcore da Inglaterra, mas logo eclodiu no mundo – uma sonoridade ríspida que ficaria marcada para sempre. E mais: foi o disco que pavimentou o caminho do Discharge, que nasceu na cidade industrial de Stoke, à lenda indefectível e essencial: os vocais gritados, a atmosfera sombria, os conceitos líricos de guerra e o fantasma de uma guerra nuclear, a brutalidade das batidas e as linhas de baixo exageradas. Ali ainda reside a gênese do cultuado e até os dias de hoje influente d-beat, a nomenclatura de uma batida/ritmo rápido na bateria genuinamente com a chancela do Discharge. Gosta de crust, thrashcore e derivados? Faça reverência ao Discharge! Mas as explosões primitivas de velocidade e agressividade intransigentes também já constavam nos EPs anteriores ao disco de estreia, Realities Of War, Fight Back e Why, que sem dúvida terão músicas incluídas no set list especial para este novo show na capital paulista. O último álbum de estúdio é End of Days, lançado mundo afora pela Nuclear Blast e que alcançou o 10º lugar no The Official UK Rock Charts e levou o Discharge tocar para multidões esgotadas na América do Norte e na Europa. Muitas das músicas do Discharge foram regravadas ao longo de décadas por outras lendas do rock/metal/punk: Metallica, Anthrax, Sepultura, Machine Head, Prong, Soulfly, Arch Enemy, para citar alguns, sempre com respeito máximo à banda britânica que fez e ainda faz história. Bandas convidadas Surra e Urutu são as bandas nacionais que participam do evento no Fabrique Club com Discharge. São dois nomes que gradativamente cravam sua marca na música pesada brasileira. O power-trio santista Surra já está há mais de 10 anos na estrada com seu imbatível thrash core. Já o Urutu é a personificação do metal punk paulista, com um recém-lançado compacto durante um dos ensandecidos Pre-Kool Metal Fest que rolaram no início deste ano. SERVIÇO Discharge em São Paulo Data: 10 de dezembro de 2022 (sábado) Local: Fabrique Club Endereço: rua Barra Funda, 1071 (Metrô Barra Funda) – São Paulo/SP Horário: 17h (abertura casa) | shows: 18h Bandas convidadas: Surra e Urutu Ingresso on-line Ponto de venda (sem taxa de serviço): Galeria do Rock, na Loja 255 Valores: R$ 100 (1º lote) R$ 120 (2º lote) R$ 150 (3º lote)