Faca Preta convida Badauí, do CPM 22, no single Coragem

A Faca Preta, banda do selo Repetente Records, idealizado e conduzido por três experientes músicos do CPM22 (Badauí, Phil Fargnoli e Ali Zaher Jr), lançou Coragem, o segundo single do próximo disco, já intitulado Resistir (lançamento em agosto deste ano). A música, uma das mais melódicas já compostas pela banda, tem a participação de Badauí nos vocais ao lado de Fabiano Santos. A Faca Preta aponta Coragem como uma canção ‘predestinada’. O guitarrista Dudu Elado explica: “Quando estamos no estúdio criando, seja em cima de algo que foi trazido de casa ou que nasceu ali, identificamos o espirito da música de cara. Foi assim com Coragem: foi unânime que tinha muito o jeito de CPM22! No outro ensaio, quando o Fabiano trouxe a letra não tivemos mais dúvidas: tínhamos que chamar o Badauí para participar”. Badauí é um amigo de longa dos integrantes da Faca Preta e o convite foi aceito de imediato. A faixa foi gravada antes mesmo de surgir a oportunidade do lançamento do disco Resistir pela Repetente Records. Sobre a mensagem, Coragem fala sobre a pressão em se corromper e burlar o caminho da integridade. “Às vezes as pessoas sofrem pressão para se corromper, qualquer seja o âmbito discutido. Às vezes temos a impressão que andar pelo certo não é o correto a se fazer”. Mas é também sobre ser forte às próprias convicções. A música Coragem apresenta uma das muitas influências da banda e ajuda compor o contexto geral do disco, gestado logo após o EP de estreia. “Nesses anos tivemos tempo para experimentar novas sonoridades, lapidar as músicas que já estavam prontas e compor outras com a participação do Marcelo Sabino, que assumiu a bateria nesse percurso”, destaca a banda.

Julies inicia turnê nacional neste domingo, em São Paulo

O reggae pode até ser jamaicano, mas os brasileiros tomaram posse, aperfeiçoaram e estão carregando uma legião de fãs por onde passa. Com uma pitada de POP, o novo nome do gênero, Julies, já conta com mais de 3 milhões de streams nos aplicativos de música e parcerias com grandes nomes como Maneva, Planta & Raiz, Deko, entre outros. Agora, o artista prepara sua primeira turnê nacional, homônima do álbum de estreia Começo, Meio e Fim, e o show de estreia já tem data e horário marcado. Domingo (19), a sensação do reggae nacional se apresenta na Brainstorm e conta com a participação de Vigas, Zapi, Anna Lu e banda Good Vibe. Os ingressos estão disponíveis no site da Sympla. No repertório, o cantor apresenta seu álbum debutante Começo, Meio e Fim na íntegra, sucesso de crítica, público e repleto de participações especiais. Com a presença de nomes como Maneva na faixa Nosso Sentimento, Anna Lu & Zapi em Fumaça, single que já acumula quase 1 milhão de streams, Banda Good Vibe na canção Quando Você Vem e Viegas em Ela Arrebenta, o disco de estreia conta com dez canções: nove faixas e uma versão acústica. Se Deus Quiser, parceria com Planta & Raiz, também fará parte do show. “Este momento será de celebração máxima! Esperei dois anos por isto e vai acontecer de uma maneira ainda mais que especial: abrilhantado pelas presenças de Viegas, Zapi, Anna Lu e banda Good Vibes. É o pontapé inicial de uma jornada gigantesca.” O evento acontece na Brainstorm, tradicional bar de São Paulo, famoso por suas apresentações ao vivo, a partir das 18h. O show está marcado para iniciar às 19h com grandes surpresas. Serviço- Julies em São Paulo- Turnê “Começo, Meio e Fim” Local: Brainstorm Endereço: Rua Baroré, 65 – Casa Verde – São Paulo/SP Abertura da casa: 18h Horário do show: 19h Ingressos

gorduratrans apresenta zera, terceiro disco de estúdio

Após os bem sucedidos álbuns repertório infindável de dolorosas piadas (2015), debut do duo, e paroxismos (2017), o gorduratrans lançou o disco zera, pelo selo e editora Balaclava Records. Com uma sonoridade mais completa e madura, com novas temáticas que vão além das relações amorosas da juventude, românticas ou não – marca presente nas narrativas líricas de seus trabalhos anteriores, que acumulam milhões de visualizações e plays orgânicos nas plataformas de streaming. Com oito faixas, esse é o terceiro álbum do projeto fundado por Felipe e Luiz. Entre as músicas novas estão os bem recebidos singles “enterro dos ossos” e “nem sempre foi assim”, canções que foram lançadas acompanhada de clipes. O disco explora recursos eletrônicos inéditos na sonoridade da banda, como elementos eletrônicos, synths e percussão – shakers, pandeirolas e congas. No futebol, quando um jogador chuta a bola para longe, tirando, assim, o perigo imediato de seu campo defensivo, ele “zera” a bola. O termo também é usado no mundo dos games quando alguém joga um jogo até o fim, vencendo o “chefão”, diz-se que a pessoa “zerou o jogo”. O universo do disco “zera” orbita camadas conceituais sincréticas – desde cada elemento que compõe a capa, até a arte visual completa como unidade; bem como as músicas e os impulsos que movem o fazer artístico. É a redescoberta da relação da banda com a arte. zera foi pré-produzido pela banda durante uma semana de imersão intensa no Estúdio Sítio Romã, de Lucas Theodoro (EATNMPTD), em Araçoiaba da Serra, interior de São Paulo, e foi gravado no Estúdio El Rocha, na capital paulista, por Fernando Sanches e Rodolfo Duarte. A produção do disco tem as assinaturas do produtor pernambucano Roberto Kramer (ROKR) e de Fernando Dotta (Single Parents). Trata-se da primeira experiência da gorduratrans em uma produção de álbum aberta a terceiros, uma vez que os dois primeiros trabalhos, “repertório infindável de dolorosas piadas” e “paroxismos” foram 100% produzidos, gravados, mixados e masterizados pelos artistas na Baixada Fluminense, em casa, de forma lo-fi no estilo DIY. A estreia do duo em um grande estúdio é com o três vezes ganhador do Grammy Latino e 12 vezes indicado, Fernando Sanches, no lendário Estúdio El Rocha da família Takara, onde já passaram nomes importantes da música brasileira como Sabotagem, Racionais MC’s, Criolo, Ratos de Porão, Pitty, Tom Zé, Hurtmold, seja pelas mãos de Fernando ou do irmão, Daniel Ganjaman. O gorduratrans faz shows de lançamento do novo disco dia 24 de junho em São Paulo, na Comedoria do Sesc Belenzinho, no dia 2 de julho no Rio de Janeiro, na Audio Rebel e no dia 9 de julho em Duque de Caxias, na Lira de Ouro.

Festa Tempestade lança o mantra dançante “Mexe”

O duo paulistano Festa Tempestade, formado por Zé Ferraz (baixo, violão, vozes, percussão) e Guilherme Tieppo (pianos/sintetizadores, violão/guitarra, vozes, percussão), lançou Mexe, o segundo single de sua carreira. Com uma sonoridade crua e percussiva, a música se mostra como um mantra dançante desde o segundo inicial. O lyric vídeo, assinado pela dupla, apresenta para o público essa atmosfera. “Mexe é uma música que expressa muito daquilo que nos inspira e também mostra um lado mais dançante da nossa obra. É como se o Festa Tempestade te convidasse a remexer cintura e sentimentos, encarando as dúvidas da vida de um jeito leve e natural”, diz Zé Ferraz. “É um mantra percussivo que tenta levar o ouvinte a um lugar onde as certezas absolutas se tornam questionáveis e a reflexão passa a ser o principal objetivo. ‘Mexe’ ilustra a busca de uma maior consciência de si mesmo, que muitas vezes é dolorosa”, completa Tieppo. Muito além da música, o Festa Tempestade também tem o cuidado com a estética que envolve o seu projeto. Do figurino à direção de arte, tudo o que é apresentado para o público é conceituado em torno dos estados de Festa e Tempestade vividos pelos artistas diariamente. “Seguindo a estética binária e a estrutura visual que estabelecemos no lyric video de Vale, no lyric de Mexe trouxemos cores e elementos que traduzem a música e conversam com o conceito de Festa Tempestade de uma forma mais sensorial. Por algum motivo, sempre enxergamos esse som através da cor vermelha, talvez pelo aspecto instrumental mais cru ou pelo fato do vermelho sintetizar a energia que o ritmo da música impõe. Nos lados da composição, a luz e a escuridão são representadas de maneira doce e descompromissada através do anjo e do diabo, convidando o espectador a ‘mexer pra lá e pra cá’ os sentimentos inevitáveis”.

Filipe Ret expõe realidade sem retoques em LUME; ouça!

“No escuro, toda luz afronta”. É dessa maneira que Filipe Ret sintetiza o seu novo trabalho, intitulado LUME. Expondo uma realidade sem retoques, o artista carioca entrega um álbum que tem o trap como sonoridade base, mas também se mescla ao funk e recebe até influências do axé. LUME soma 11 faixas e conta com participações de Anitta, L7NNON, Poze do Rodo, entre outros. O sexto disco do trapper já está disponível no streaming, pela Som Livre, e no Spotify com uma experiência inédita para os fãs. Ret é o primeiro artista do rap nacional a realizar o lançamento de um Enhanced Album na plataforma, oferecendo uma imersão ao longo da audição com vídeos exclusivos, comentários e curiosidades sobre as faixas. No Brasil, apenas Luísa Sonza teve essa oportunidade no ano passado e, fora do país, nomes do calibre de The Beatles e Lady Gaga. O canal de YouTube de Ret, por sua vez, sobe LUME com visualizers. “LUME é inspirado na luz interior dos cria de todas as quebradas do mundo e é uma celebração do momento que o trap vive, principalmente o carioca. Tem muita gente boa por aí, por isso surgiu a ideia de trazer pessoas que gosto para os feats”, conta Ret. Das canções presentes no novo trabalho, sete têm participações, são elas: Sonho dos Cria, com MC Poze do Rodo; Tudo Nosso, com Anitta; Good Vibe, com Caio Luccas; A Meu Favor, com KAYUÁ; 7meiota, com MC MANEIRINHO e MC Cabelinho; Konteiner, com L7NNON, e Fight, com MC Hariel. Metade das parcerias têm como origem o funk e Ret enxerga isso com naturalidade. “São gêneros que convergem bastante, feitos para interferir mesmo. O trap e funk, no fundo, são dois lados da mesma moeda”, comenta o também fundador do selo NADAMAL RECORD$ (2021), que completa: “ter no mesmo álbum uma gigante como Anitta e um jovem como Caio Luccas é interessante para todo mundo”. A tracklist é arrematada com as músicas Melhor Agora, Trem Bala e Vermelho Fogo. Esta última foi produzida durante a turnê de Imaterial (2021) pelos Estados Unidos e foi a primeira a entrar para a tracklist do novo trabalho, enquanto Todo Poder, é responsável por encerrar a obra com um novo olhar do artista sobre si. “Essa música foi muito inspirada no Djonga e no encontro com uma tropa de peso. Eu assimilei aquela energia e, no dia seguinte, escrevi essa letra, na qual eu tô basicamente matando o Ret que achou que venceu”, reflete. Em LUME, Filipe Ret não apenas evoca sobre os acontecimentos da vida real, sem filtros, mas também induz a um questionamento que guia esse momento: “Até que ponto a gente recebe uma luz e até que ponto a gente é a própria luz?”.

Juçara Marçal lança “EPDEB”, com faixas inéditas de Delta Estácio Blues

Um dos nomes de destaque da cena musical paulistana, a cantora e compositora Juçara Marçal lançou EPDEB, um EP com quatro faixas inéditas feitas nas sessões do aclamado álbum Delta Estácio Blues. O lançamento é uma realização Natura Musical / QTV Selo / Mais um Discos / Goma Gringa. O álbum traz parcerias com Jadsa (que participa com guitarras em sua composição Um Choro), Rodrigo Campos, Clima e Alzira E, além de Kiko Dinucci, que assina a produção musical. O EP conta com participação especial do lendário percussionista Paulo Santos, membro fundador do Uakti, na faixa Odumbiodé e Marcelo Cabral no baixo e Guilherme Held na guitarra em Não Reparem. Cantora do Metá Metá, Juçara Marçal integrou os grupos Vésper Vocal, A Barca e Ilu Obá De Min. Em 2014 lançou seu primeiro disco solo, Encarnado. O álbum foi um sucesso de público e crítica e venceu o Prêmio APCA, Governador do Estado e Multishow, entre outros. No ano seguinte, Juçara lançou Anganga ao lado do músico e experimentador carioca Cadu Tenório. Em 2017, inspirada no livro O mito de Sísifo de Albert Camus, ela lançou Sambas do Absurdo com Rodrigo Campos e Gui Amabis. Desde 2018, Juçara realiza, ao lado de Kiko Dinucci e Thaís Nicodemo, o show Brigitte Fontaine, em que canta em francês repertório da artista. Em fevereiro de 2019, Marçal estreou como atriz na peça Gota d’água {Preta}, montagem do clássico de Chico Buarque e Paulo Pontes, com elenco majoritariamente negro. Ela adicionou uma nova página nessa carreira de êxitos com Delta Estácio Blues, vencedor do Prêmio APCA e de dois Prêmio Multishow. O disco também foi responsável por Dinucci ganhar o Prêmio Multishow de Melhor Produtor. No álbum, Juçara Marçal aborda a música eletrônica fora dos clichês e gêneros já conhecidos, propondo novos cenários, investigações rítmicas e buscando um diálogo com o pop, sem deixar de lado a inquietude e a ligação estreita com a música brasileira. Presentes nas canções, temas que revelam posicionamentos da artista enquanto mulher negra no Brasil de hoje. Racismo, negritude, feminino, ancestralidade surgem em versos contundentes, sem nunca perderem de vista a poesia. O projeto contou com o patrocínio do Natura Musical, garantindo a finalização, gravação e lançamento do disco, que pode ser ouvido nas plataformas de streaming e baixado através do site da cantora. O lançamento é do selo carioca QTV, responsável por trabalhos de Negro Leo, Tantão e os Fita e MBÉ e do histórico disco de estreia do Índio da Cuíca.

Popload Festival anuncia Pixies, Jack White, Cat Power, entre outros

O Popload Festival anunciou Pixies e Jack White como principais atrações de sua oitava edição, que acontece em 12 de outubro, no Centro Esportivo Tietê, em São Paulo. Os ingressos já estão à venda. Além dos dois nomes de peso, o Popload Festival também contará com outros artistas marcantes como o cantor e produtor australiano Chet Faker; a banda eletropop inglesa Years & Years; a cantora e guitarrista americana Cat Power; a banda-fenômeno argentina Perotá Chingó, além da incrível multiartista paulistana Jup do Bairro.  Os ingressos estão disponíveis no site ticketsforfun.com.br (com taxa) ou então na bilheteria oficial  (sem taxa; no Teatro Renault. Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411 – República). POPLOAD FESTIVAL 2022 Data: 12 de outubro, quarta-feira Local: Centro Esportivo Tietê. Av. Santos Dumont, 843 – Luz, São Paulo Capacidade: 15.000 pessoas Ingressos: PISTA Inteira 1º lote | R$ 380,00 (inteira) | R$ 190,00 (meia-entrada) Entrada Social* 1º lote | R$ 209,00 PREMIUM Inteira 1º lote | R$ 680,00 (inteira) | R$ 340,00 (meia-entrada) Entrada Social* 1º lote | R$ 374,00 Início das vendas dos ingressos: 14 de junho, 10h Site de vendas (com taxa de conveniência): ticketsforfun.com.br Bilheteria oficial (sem taxa de conveniência): Teatro Renault – Avenida Brigadeiro Luis Antônio, 411, Bela Vista De terça a domingo: das 12h às 20h (na terça-feira, 14 de junho, a bilheteria abre às 10h00) Segunda e feriados: fechado * Entrada social: A entrada social é uma categoria de ingressos que oferece desconto de 45% no preço do ingresso inteira, caso o cliente opte por fazer uma doação de R$ 10,00 à Pastoral Povo da Rua do Padre Júlio Lancelotti dentro dos valores estabelecidos.  O período de vigência da entrada social será até 21/09/2022, sujeito à disponibilidade de ingressos. 

Rolling Stones cancela show em Amsterdã após Mick Jagger contrair covid

O quarto show da turnê Sixty, do Rolling Stones, foi cancelado em cima da hora. Faltando poucas horas para o início da apresentação, nesta segunda-feira (13), na Johan Cruijff Arena, em Amsterdã, a banda revelou que não seria possível manter a programação porque Mick Jagger contraiu covid. Confira abaixo a nota do Rolling Stones “Os Rolling Stones foram forçados a cancelar o show de hoje à noite em Amsterdã, na Johan Cruijff Arena, após Mick Jagger testar positivo para a covid, quando chegou ao estádio. Os Rolling Stones estão profundamente chateados pelo adiamento, mas a segurança da plateia, dos músicos e da equipe de turnê é prioridade. O show será remarcado para uma outra data. Os ingressos para o show de hoje continuarão valendo para essa nova data”. Confira abaixo a nota de Mick Jagger “Eu sinto muito que nós tenhamos que adiar o show de Amsterdã com uma.noticia tão repentina nesta noite. Eu, infelizmente, acabo de testar positivo para covid. Estamos decididos a reagendar, o mais rápido possível, e voltarmos assim que pudermos. Obrigado pela paciência e compreensão”.

Rolling Stones: o dia que a maior banda de todos os tempos conquistou Liverpool

Quem acompanha o Blog n’ Roll há anos já sabe o que pensamos: o Rolling Stones é a maior banda de todos os tempos e não tem discussão. Assistir Mick Jagger e companhia em Liverpool, cidade dos Beatles, a segunda maior da história, não tem preço. Havia muita coisa por trás desse show, que aconteceu na última quinta (9), em Liverpool. Foi a primeira apresentação dos Stones na cidade em 51 anos! A estreia da banda no lendário Anfield, estádio do poderoso Liverpool. E também a primeira vez no Reino Unido sem Charlie Watts. Verdade que fizeram um pequeno tributo no acanhado Ronnie’s Scott, em Londres, recentemente. A atmosfera da cidade parecia de clássico de futebol. Os fãs dos Stones estavam por todos os lados, inclusive em maior número na Mathew Street, a rua do Cavern Club e do quarteirão inteiramente dedicado ao Fab Four. Alguns desses fãs carregavam faixas e camisetas com mensagens provocativas aos Beatles, principalmente após Paul McCartney tentar criar uma rixa chamando o Stones de banda de covers de blues. Algo que nunca incomodou Jagger e Richards, que responderam sempre com respeito e educação ao trash talk do Beatle. O ônibus que partiu da região central de Liverpool rumo ao Anfield estava lotado. Alguns cantavam trechos de músicas dos Stones, enquanto outros conversavam sobre possibilidades do que poderia entrar no set. Parecia uma reunião da ONU. Argentino, brasileiro, polonês, italiano, inglês, espanhol. Todos estavam na mesma trilha. Na hora do ponto final, o motorista gritou: “esse é o ponto para o show do Stones”. Uma rápida caminhada e já estava em Anfield. Organização incrível para garantir a entrada rápida do público. O estádio é grande, mas tem aquele aspecto de arena, o que aproxima fã e banda durante o show. Talvez as cadeiras inferiores não tenham uma visão tão legal, mas o restante do estádio garante uma experiência única. E o melhor de tudo: todo coberto nas cadeiras. Aberto apenas na pista e pista premium. Echo & The Bunnymen Veterana da cena de Liverpool, a Echo & The Bunnymen foi quem abriu o evento no Anfield. Surgida em 1978, a banda teve grande alcance comercial nos anos 1980, mas perdeu força a partir da década seguinte. Ian McCulloch e Will Sergeant, vocalista e guitarrista, respectivamente, são os remanescentes da formação original. Curioso notar como McCulloch, mesmo debaixo de forte calor e diante de uma multidão, se manteve intacto em sua presença de palco e com um visual bem característico do pós punk. Sem muito tempo disponível, apenas 50 minutos, o Echo & The Bunnymen entregou um set calcado em sucessos. Foram nove faixas, incluindo Bring On The Dancing Horses, Seven Seas, The Cutter e The Killing Moon, que encerrou o show. Em Nothing Lasts Forever, a banda fez um medley com Walk On The Wild Side, de Lou Reed. E com o estádio ainda sendo preenchido pelo público, Ian McCulloch agradeceu os Stones pelo convite, disse que tinha realizado um sonho e saiu de cena. Rolling Stones Enquanto o público retornava da pausa para a hidratação, o telão iniciou uma linda homenagem a Charlie Watts, eterno baterista do Stones, falecido em agosto do ano passado. Ninguém mais ficou sentado. O estádio inteiro, 50 mil pessoas, aplaudiu o tributo. Alguns se emocionaram bastante. Street Fighting Man abriu a apresentação. Steve Jordan, que já convive e trabalha com alguns Stones há mais de 40 anos, está no lugar de Watts. E os fãs o receberam de forma muito respeitosa desde o início. Logo de cara é extremamente necessário lembrar que Mick Jagger completará 79 anos no próximo mês. Sim, 79 anos!!! E a turnê Sixty, que já passou por Madrid, Munique e Liverpool, comemora os 60 anos de estrada do Stones. Pois bem, Jagger não mudou nada. A voz segue impecável, os passinhos de dança não mudaram. A energia no palco é a mesma da observada na última turnê no Brasil, em 2016. É impressionante! Na frente do palco, duas pessoas acompanham atentamente Jagger: o coreógrafo, que depois chama a atenção para onde acertou e errou, além do filho mais novo, Deveraux Jagger, de cinco anos, que imita os passos do pai em vários momentos. Keith Richards (78 anos) perdeu um pouco a mobilidade. Não anda mais pelo palco como antes, mas Ronnie Wood (75) segue acompanhando Jagger nos passeios pela passarela e laterais do palco. O início da apresentação seguiu bem nostálgico, com dois resgates incríveis dos tempos em que o Stones se apresentava no Empire Theatre, em Liverpool: 19th Nervous Breakdown e Get Off of My Cloud, essa substituindo Rocks Off, tocada em Munique. “Em 1962 nós conhecemos um baterista chamado Charlie Watts. Essa é a nossa primeira turnê na Inglaterra sem ele. Então nós queremos dedicar esse show para ele”, disse Jagger, em sua primeira comunicação com o público. Tumbling Dice veio logo depois. Não sei explicar, mas simplesmente chorei. Stones é a trilha da minha vida. Ouvi pela primeira vez em 1989, quando tinha 4 anos e imitava Mick Jagger no histórico show de Atlantic City, que foi exibido na TV, repleto de convidados. Stones também foi o primeiro grande show da minha vida, em 1995, no estádio do Pacaembu, em São Paulo. E as lembranças se seguiram por toda vida. Impossível explicar o que sinto. Em 1995, com 10 anos, lembro de ter chorado ouvindo Out of Tears no Pacaembu. Tumbling Dice foi quem conseguiu esse feito agora. Ao término de Tumbling Dice, Jagger fez uma confissão. Disse que a banda havia pensado em tocar You’ll Never Walk Alone, famosa na voz do Gerry & The Pacemakers e na torcida do Liverpool. No entanto, optaram por algo que também seria incrível: I Wanna Be Your Man, faixa composta pelos Beatles, mas lançada pelos Stones em 1963. Foi a primeira vez que a música foi lembrada em um show deles em dez anos. E, como se tivéssemos sido transportados para os anos 1960, Jagger e companhia seguiram explorando o repertório dessa fase, com