Avenged Sevenfold e Bring Me The Horizon confirmados no Rock in Rio 2026

O “Dia do Rock” da próxima edição do maior festival do mundo já tem donos, e eles representam a renovação do peso. Nesta terça-feira (3), a organização do Rock in Rio 2026 confirmou que o dia 5 de setembro será liderado por dois gigantes do metal contemporâneo: Avenged Sevenfold e Bring Me The Horizon. Enquanto os americanos do A7X retornam para fechar a noite no Palco Mundo, os britânicos do BMTH fazem sua aguardada estreia no festival, trazendo um vocalista que já se sente (e vive) em casa. Retorno do Avenged e estreia do Bring Me The Horizon Após um show elogiado na edição de 2024 e protagonizar o maior show solo da carreira, no último sábado, no Allianz Parque, em São Paulo, o Avenged Sevenfold foi escalado novamente como headliner. A banda liderada por M. Shadows vive uma fase criativa intensa, impulsionada pelo álbum experimental Life is But a Dream… (2023) e pelo single mais recente, Magic, lançado em 2025 em parceria com a franquia Call of Duty. Com mais de 12 milhões de discos vendidos e uma reputação de integrar tecnologia de ponta aos shows, o grupo promete um espetáculo visualmente ainda mais ambicioso para 2026. Oli Sykes (o “quase” brasileiro) A grande novidade, no entanto, é a primeira vez do Bring Me The Horizon no Rock in Rio. A banda é, indiscutivelmente, um dos nomes mais inovadores do rock atual, transitando do deathcore para o pop-rock e eletrônico com facilidade. Mas o show ganha um sabor especial pela relação do vocalista Oliver Sykes com o país. Morador do Brasil e apaixonado pela cultura local (sim, ele tem CPF e toma café na padaria), Sykes finalmente levará a energia caótica da banda para o Palco Mundo. Novidades na Cidade do Rock Além do line-up, o festival anunciou melhorias estruturais. O Palco Mundo terá uma cenografia inédita, com 2.400 m² de painéis de LED cobrindo toda a estrutura frontal. O evento também confirmou o retorno do espetáculo aéreo The Flight, com manobras acrobáticas e fogos diurnos. O Rock in Rio 2026 acontece nos dias 4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13 de setembro. Outros nomes já confirmados incluem Elton John, Stray Kids, Maroon 5 e Jamiroquai. A data da venda geral de ingressos será anunciada em breve.
Entrevista | Ladytron – “Vou tentar ser a melhor brasileira de todos os tempos para torcer com ele”

O Ladytron, ícone do electropop e synthpop mundial, está de volta e com os olhos voltados para o Brasil. Em uma conversa exclusiva via Zoom com o Blog n’ Roll, os fundadores Helen Marnie e Daniel Hunt detalharam o processo criativo de Paradises, o oitavo álbum de estúdio da banda, com lançamento confirmado para o dia 20 de março de 2026. Após 25 anos de estrada, o grupo de Liverpool entrega o que descrevem como seu trabalho mais dançante desde o clássico Light & Magic (2002). O disco, que conta com 16 faixas e 73 minutos de duração, marca o retorno da colaboração com o produtor Jim Abbiss (responsável pelo icônico Witching Hour) e traz uma dinâmica vocal renovada, incluindo duetos inéditos entre Helen e Daniel. Para o público brasileiro, o destaque do Ladytron fica por conta de Daniel Hunt. Morador de São Paulo há 12 anos, o músico revelou como a cultura brasileira, de Wagner Moura a influências sutis da MPB, se infiltrou subconscientemente nas novas composições. Confira abaixo a íntegra da entrevista com o Ladytron, onde eles falam sobre a “tropicalização” do som da banda, o caos criativo em estúdio e a promessa de uma turnê pela América do Sul ainda em 2026. Paradises é descrito como o trabalho mais voltado para a pista de dança desde Light & Magic. O que motivou o Ladytron a abraçar essa sonoridade disco tão diretamente agora, após 25 anos? Daniel Hunt: Eu sempre digo que temos esse elemento, sempre estivemos próximos da música dance, mas nunca fomos exatamente “música dance”. Nunca fizemos um álbum disco propriamente dito, mas sentimos vontade e pensamos nisso antes. Acho que, neste álbum, esse elemento ganhou mais destaque. Está mais em foco do que em qualquer momento desde o segundo álbum. Não é que ele tivesse desaparecido, é uma questão de ênfase. É mais dançante no geral, mas ainda somos nós, abraçando nosso lado disco. O single Kingdom of the Undersea apresenta um dueto entre vocês dois. Como surgiu essa dinâmica e o que ela representa no álbum? Helen Marnie: Dani e eu já fizemos duetos algumas vezes, e nossas vozes combinam muito bem. Mas foi o Daniel quem decidiu que seria assim desta vez… Daniel Hunt: Na verdade, nossas vozes funcionam como uma espécie de Nancy Sinatra e Lee Hazlewood. Essa foi nossa inspiração original. Quando fizemos a primeira demo, cantei um vocal guia e percebemos que funcionava. Não foi exatamente uma decisão minha, mas as pessoas que ouviam diziam que eu deveria manter. É a primeira vez que temos as vozes de nós três (eu, Helen e Mira) na mesma faixa em algumas músicas, como For a Life in London. Vocês trabalharam novamente com Jim Abbiss (Witching Hour). De que forma a visão dele ajudou a moldar o som de Paradises? Helen Marnie: O Jim é o mais próximo que temos de um “quinto Beatle”. Ele nos conhece muito bem. Quando gravo um vocal e sei que ele está lá, me sinto confiante porque ele torce por nós. Um bom produtor extrai o melhor do artista. Daniel Hunt: Ele entrou como produtor e mixador adicional. Reservamos duas semanas no estúdio do Tony Visconti (produtor do Bowie) no Soho, em Londres. Foi uma fase caótica. Tínhamos um álbum quase pronto, mas fomos para lá para criar o caos e ver o que funcionaria. Ele traz uma alma e uma compressão analógica maravilhosa para o som. Daniel, você mencionou que o processo foi muito fluido e rápido. A que você atribui essa rapidez criativa? Daniel Hunt: No meu caso, tenho uma filha pequena e percebi que precisava ser super eficiente. Eu entrava no estúdio e sabia que tinha que ter um resultado, porque a qualquer momento ela bateria na porta. Ela até tem créditos em uma das músicas! Começou a improvisar, eu gravei, e agora ela é basicamente nossa empresária (risos). Ela me pressiona todo dia para fazer música nova. O álbum tomou forma entre Londres e São Paulo. Como a cultura brasileira se infiltrou no som do Ladytron? Daniel Hunt: É subconsciente, mas poderoso. É difícil ser estrangeiro, morar aqui há 12 anos e não ser afetado. Algumas pessoas me dizem que o álbum soa brasileiro em certos momentos e eu nem tinha percebido, mas agora não consigo desouvir. Tem uma vibe meio MPB em uma das faixas. Quando você ouvir o álbum inteiro, terá que adivinhar qual é! E como você vê essa sua “tropicalização” pessoal? Daniel Hunt: Meus amigos dizem que sou mais brasileiro que eles. Nas últimas semanas, minhas redes sociais são só trailers de Agente Secreto (filme brasileiro) e vídeos do Wagner Moura. Ano passado, eu estava em Cambridge mixando o álbum, sozinho, assistindo ao Oscar e torcendo pelos brasileiros com uma garrafa de vinho. Este ano, estarei em Liverpool ensaiando para a turnê durante o Oscar, então a Helen prometeu assistir comigo. Helen Marnie: Sim, faremos uma festa do Oscar na minha casa e eu vou tentar ser a melhor brasileira de todos os tempos para torcer com ele! O Ladytron sempre teve um público fiel na América Latina. Como vocês comparam a recepção daqui com a da Europa? Daniel Hunt: Nossa ligação com o Brasil começou muito cedo, lá por volta de 2000. O público na América do Sul é muito mais agitado. Você sai do avião e já tem gente esperando. Helen Marnie: Na Europa é mais contido. Não significa que não gostem, mas não demonstram da mesma forma. No México e no Brasil, eles não têm medo de mostrar apreço. E existe essa competição entre os países para ver quem é o melhor público, os chilenos e argentinos também são ferozes. Daniel Hunt: O Brasil gosta de ganhar em tudo (risos). Se a Argentina fez barulho, os brasileiros querem fazer mais. É como o cachorro-quente ou a pizza no Brasil: vocês pegam algo e aprimoram, deixam exagerado e melhor. Para encerrar, com o lançamento em março, os fãs brasileiros podem esperar uma turnê por aqui em
Frank Turner transforma espera de anos em celebração de fé no punk rock em São Paulo

Havia uma dívida pendente desde 2020. Quando a pandemia cancelou a primeira turnê sul-americana de Frank Turner, ficou no ar a dúvida de quando o músico inglês finalmente atenderia aos infinitos pedidos de “Come to Brazil”. A resposta de Frank Turner veio na noite desta sexta-feira (30), no Fabrique Club, em São Paulo. Longe das grandes arenas e festivais, Frank Turner escolheu em São Paulo o ambiente que define sua essência: um clube escuro, quente e com o público a centímetros do microfone. Em entrevista exclusiva ao Blog n’ Roll, ele havia adiantado que prefere a “intensidade e entrega” dos latinos à ironia distante das plateias de Londres. E foi exatamente essa troca de energia bruta que se viu em São Paulo. Frank Turner acústico e furioso Quando Frank Turner subiu ao palco, armado apenas com seu violão, a atmosfera de “culto secular” se instalou. Sem banda de apoio, a responsabilidade de preencher o som recaiu sobre o coro da plateia. O setlist, muito próximo do apresentado na Costa Rica, Chile e Argentina dias atrás, foi um passeio equilibrado pela discografia. A abertura com If Ever I Stray já serviu para testar as cordas vocais dos fãs. Músicas como Recovery e The Way I Tend to Be funcionaram perfeitamente no formato desplugado, ganhando contornos de hinos de bar. Um dos momentos mais curiosos da turnê atual é o esforço de Turner com o idioma local. Logo no início do show arriscou algumas frases em português. Depois disse que como todos já haviam visto que ele fala bem português, ele ia passar o resto da noite falando em inglês. Em Do One, faixa que costuma receber uma versão no idioma local nos shows, Frank Turner brincou que havia aprendido em espanhol, mas viu que em São Paulo o esforço seria um pouco maior. Revelou que recebeu a ajuda de um fã brasileiro que mandou o trecho traduzido e chamou Katerina (Katacombs) para segurar o papel com o texto em português. O esforço de Frank Turner arrancou muitos aplausos e gritos dos fãs. >> LEIA ENTREVISTA EXCLUSIVA COM FRANK TURNER Musicalmente, um dos pontos altos para os fãs de punk rock foi a execução de Bob, cover do Nofx. A faixa celebra o split que ele lançou com a lenda do punk californiano, um feito que Turner descreveu ao Blog n’ Roll como “o auge punk da carreira”. Ao vivo, a versão acústica trouxe uma melancolia que a original esconde, mas sem perder o peso da letra. Houve espaço também para novidade, com a execução de Girl From the Record Shop, No Thank You for the Music e Letters, que assim como Do One, são do álbum Undefeated, de 2024, provando que, mesmo após 3 mil shows, a máquina criativa não para. Aliás, ele fez questão de registrar que era o show 3.107 da carreira. Conexão e clímax O terço final do show foi desenhado para a catarse. Photosynthesis (com seu mantra “I won’t sit down, and I won’t shut up”) e I Still Believe não foram apenas cantadas, foram gritadas. É interessante notar como o show solo muda a dinâmica de Four Simple Words. Sem a bateria acelerada, a música se transforma em uma valsa punk onde a interação com o público é tudo. Frank Turner encerrou sua primeira noite no Brasil prometendo voltar, e talvez não sozinho. Na conversa com o blog, ele revelou o desejo de trazer sua banda completa e, quem sabe, até a edição do festival Lost Evenings para cá. Se o show do Fabrique foi um teste, o público passou com louvor. Foi uma noite de suor, honestidade e a prova de que, como ele mesmo canta, o rock and roll ainda salva vidas. Turner segue agora para Brasília (31) e Curitiba (1), levando na bagagem a certeza de que o Brasil é, de fato, intenso como ele imaginava. Edit this setlist | More Frank Turner setlists
Dave Hause entregou muito mais que um show de abertura em SP

Se alguém esperava apenas um “aquecimento” para Frank Turner, Dave Hause tratou de dissipar essa ideia logo nos primeiros acordes. Velho companheiro de estrada do britânico e eterno líder do The Loved Ones, Dave Hause subiu ao palco do Fabrique não como um coadjuvante, mas como um co-protagonista espiritual da noite. A conexão com o público foi testada, e aprovada, instantaneamente. Logo na abertura com Look Alive, uma falha no som deixou o cantor sem microfone por boa parte da canção. Longe de esfriar o ânimo, o incidente transformou o Fabrique em um coro uníssono, com a plateia segurando a melodia enquanto Hause regia o público, provando que o carisma de um frontman veterano supera qualquer falha técnica. Essa energia crua não é acidental. Após uma fase mais voltada ao Americana e gravações polidas em Nashville, Hause vive um momento de epifania rock’n’roll com seu projeto atual, …And the Mermaid (2025). O repertório foi um passeio por essa trajetória, com faixas como Hazard Lights, Cellmates, C’mon Kid, Saboteurs e Damn Personal. Para os fãs das antigas, o ponto alto foi Jane, clássico do The Loved Ones que fez a pista tremer. Hause também não fugiu do posicionamento político, uma marca de sua carreira vinda da escola punk da Filadélfia. Antes de Dirty Fucker, dedicou a música “a dois filhos da puta”: Donald Trump e Jair Bolsonaro, sendo ovacionado pelo público. Em sua primeira vez no Brasil, ele lamentou não poder atender a todos os pedidos da plateia devido ao tempo curto, mas deixou uma promessa: voltaria para tocar o set completo se retornasse como headliner. Se depender da recepção calorosa e da intensidade que entregou, o convite já está feito.
Atmosfera etérea de Katacombs abre a noite de Frank Turner em SP

A responsabilidade de abrir a noite para nomes de peso como Dave Hause e Frank Turner, no Fabrique Club, na Barra Funda, em São Paulo, na noite de sexta-feira (30), ficou a cargo de Katacombs. O projeto é a identidade artística de Katerina Kiranos, cantora norte-americana que traz em sua bagagem uma fusão cultural fascinante: nascida em Miami, ela é filha de mãe espanhola e pai grego. Com um repertório intimista, Katerina transformou o ambiente do clube antes da explosão de energia das atrações principais. Esbanjando carisma e uma qualidade vocal impressionante, ela apresentou faixas que transitam por melodias dramáticas e etéreas. O setlist incluiu Blue Beard, Fruta y Mar, Weeping Willow, Old Fashioned e Pin Pin (com exceção de Blue Beard, todas do álbum de estreia, Fragments of the Underwater), encerrando com a faixa-título de seu primeiro EP, You Will Not. A profundidade de suas canções não é por acaso. Antes de assumir os palcos, Katerina dedicou anos à escultura de móveis em osso e madeira, uma meticulosidade que ela parece ter transferido para a construção de suas melodias. You Will Not, seu trabalho de estreia, funciona como uma montanha-russa emocional, refletindo uma jornada de autodescoberta que atravessa fronteiras geográficas e gêneros musicais, algo natural para alguém que passou a vida navegando entre múltiplas culturas. No palco do Fabrique, Katacombs provou que sua decisão de sair do “quarto escuro”, onde compunha solitariamente, para compartilhar seu mundo sagrado com o público foi, sem dúvida, a escolha certa.
10 anos sem David Bowie: Seu Jorge libera live “The Life Aquatic” no YouTube

Hoje, o mundo da música completa exatos dez anos sem o inigualável Camaleão do Rock. Para marcar a data, o cantor Seu Jorge preparou um presente especial para os fãs. Ele disponibilizou, pela primeira vez de forma permanente, a live “The Life Aquatic: A Tribute to David Bowie” em seu canal oficial no YouTube. Até então, o público só podia acessar esse material de forma restrita ou temporária. Agora, o registro chega como um gesto definitivo de memória e respeito, celebrando um diálogo artístico que já dura mais de duas décadas. Do cinema para os palcos A conexão entre o músico brasileiro e a obra de Bowie nasceu no cinema. Em 2004, o diretor Wes Anderson convidou Seu Jorge para integrar o elenco do filme A Vida Marinha Com Steve Zissou. Na ocasião, Jorge criou versões em português para clássicos do britânico. Essas releituras ganharam vida própria e formaram o aclamado álbum The Life Aquatic Studio Sessions (2005). Vale destacar que o brasileiro compôs quase todas as versões, com exceção de “Starman”, que manteve a adaptação consagrada pela banda Nenhum de Nós (“Astronauta de Mármore”). O sucesso foi tanto que o projeto virou turnê internacional. A partir de 2016, Seu Jorge levou esse show para diversas cidades dos Estados Unidos, Europa e Austrália, provando a força dessas interpretações ao vivo. Intimidade de Seu Jorge com voz e violão A live que chega hoje ao YouTube traz esse repertório em sua forma mais essencial: voz e violão. A equipe gravou a apresentação em agosto de 2020, durante a pandemia, em uma casa em Ubatuba (SP). O cenário natural contribuiu para o clima contemplativo da performance. O setlist conta com 15 canções, incluindo pérolas como “Life on Mars?”, “Changes” e “Rebel Rebel”. Segundo Seu Jorge, liberar esse material agora é uma forma de honrar o legado de um criador que segue inspirando gerações. A benção do Camaleão É impossível falar desse projeto sem lembrar o reconhecimento do próprio homenageado. Na época do lançamento do filme, David Bowie escreveu um texto elogiando o trabalho do brasileiro. ”Se Seu Jorge não tivesse gravado minhas músicas em português, eu nunca teria ouvido esse novo nível de beleza que ele soube imprimir nelas”, declarou o astro britânico.
Entrevista | Bullet For My Valentine – “Ele ainda é muito relevante, muito próximo aos nossos corações”

Vinte anos após o lançamento de The Poison, o Bullet For My Valentine encerrou um ciclo histórico em solo brasileiro. No último dia 20, pouco antes de subirem ao palco do Allianz Parque, em São Paulo, para abrir o show do Limp Bizkit, Michael Paget, Jason Bowld e Jamie Mathias conversaram sobre o peso do legado que carregam e a conexão renovada com uma nova geração de fãs. O Bullet For My Valentine, que ajudou a moldar o metalcore mundial, refletiu sobre a experiência de tocar seu álbum de estreia na íntegra pela última vez. Em um clima de celebração e respeito mútuo entre gerações do metal, os músicos destacaram a importância de manter a essência focada nas guitarras e a honra de dividir o palco com ídolos que foram cruciais para suas próprias formações musicais. >> Confira como foi o show em São Paulo Nesta entrevista, o trio abriu o jogo sobre o futuro sonoro do grupo, a “bênção” que foi o sucesso repentino nos anos 2000 e revela os discos fundamentais que definiram suas trajetórias. Confira abaixo o bate-papo completo. Qual é a sensação de ver um álbum como The Poison, que foi lançado há duas décadas, ainda ser a porta de entrada para tantos fãs? Michael Paget: É incrível, sabe? Aquele álbum se conectou com tanta gente 20 anos atrás e poder tocá-lo 20 anos depois, vendo todos esses novos fãs mais jovens aparecendo e aceitando o disco, tem sido maravilhoso. Ele ainda é muito relevante, é muito próximo aos nossos corações e temos muito orgulho dele porque fez muito pelas pessoas, a forma como ele se comunica e se conecta com elas. É muito importante para nós. Além disso, tocá-lo o ano todo em alguns dos locais onde tocamos pelo mundo e ir a lugares onde nunca estivemos antes também foi animal. Hoje é o último show, a última vez que o tocaremos na íntegra, então vai ser um estouro. Jason Bowld: É, a última vez tocando o The Poison. Vou sentir falta… até daqui a dez anos. O álbum mais recente é o homônimo (Bullet For My Valentine, de 2021)… esse som mais agressivo definitivamente combina mais com a banda? Jason Bowld: Ih, eu estaria revelando segredos, isso seria… Top secret? Jason Bowld: É, segredo absoluto. Eu não gosto de falar muito sobre como será o próximo álbum porque… Estou me referindo ao mais recente, de 2021. Michael Paget: Ah, o mais recente? Achei que era o próximo. O último foi o autointitulado (Self-titled), então o próximo vai ser ainda mais agressivo. Vai ser sempre pesado e sempre terá… vai ser simplesmente Bullet, é tudo o que gostaria de dizer, na verdade. Vai ser a cara do Bullet. O nu metal está tendo um retorno enorme. Como uma banda de metalcore, como vocês se sentem dividindo o palco com o Limp Bizkit hoje à noite? Michael Paget: Ah, é bom pra caralho, cara. Somos fãs de longa data do Limp Bizkit. Eles mudaram nossas vidas anos atrás, da mesma forma que o The Poison mudou a vida de tanta gente para nós. Ser convidado para vir e abrir para eles na América do Sul tem sido um sonho realizado. É loucura! Jason Bowld: É, muita loucura. Lugares enormes também, tem sido incrível! A energia da multidão é… não me lembro de ter visto uma banda gerar tanta energia com o público, sabe? E eles são classe pura. Pessoas de classe, músicos incríveis e, sim, eles ainda são relevantes. Mas, sabe, essa coisa do retorno do nu metal… não sei, talvez seja um retorno com algumas reviravoltas, mas na minha visão você não consegue replicar estilos que já passaram sem que pareça algo forçado. Vocês ficaram encantados com o apoio incrível e radical dos fãs brasileiros. Qual é o segredo para manter o respeito dessas lendas e, ao mesmo tempo, continuar relevante para a geração mais jovem? Michael Paget: Essa talvez seja uma pergunta para você responder, mas… acho que para nós, lá no começo, a gente explodiu muito rápido. De novo, acho que foi por causa do The Poison e de como tocamos em algo que conectou com muita gente. Não sei o que foi, mas foi uma “bênção disfarçada” para nós. Simplesmente aconteceu do dia para a noite. E acho que talvez seja porque somos focados nas guitarras; Metallica e Iron Maiden são influências muito grandes na banda também. Então acho que o encaixe foi certo e nós éramos aquela banda nova que as pessoas queriam levar em turnê. Já realizamos muita coisa, a nossa lista de desejos está bem cheia no momento, mas estamos no caminho. Só uma última pergunta: cada um de vocês poderia dizer um álbum que mais influenciou na carreira? Jason Bowld: Steal This Album!, do System Of A Down. Jamie Mathias: Master of Puppets, do Metallica. Michael Paget: Cowboys From Hell, do Pantera.
Na saideira dos grandes shows internacionais de 2025, Limp Bizkit instala o caos no Allianz Parque

O último sábado (20) marcou um encontro geracional no Allianz Parque, em São Paulo. O Limp Bizkit, um dos maiores expoentes do nu metal, provou que sua relevância em 2025 vai muito além do saudosismo. O que se viu foi uma celebração explosiva de uma sonoridade que, embora frequentemente criticada no passado, hoje é abraçada com uma energia renovada por fãs de todas as idades. Fred Durst, ostentando seu visual de “vovô do rock” que se tornou sua marca registrada recentemente, comandou a massa com a precisão de um maestro. O show não foi apenas uma sucessão de músicas, mas um espetáculo de entretenimento. Durst sabe como manipular a dinâmica da plateia, alternando entre momentos de pura agressividade sonora e interações descontraídas, mantendo o público na palma da mão durante toda a apresentação. Enquanto Fred é a voz, Wes Borland continua sendo o motor criativo visual e sonoro da banda. Com seu figurino extravagante e riffs que definiram uma era, Borland entregou uma performance impecável, lembrando a todos por que é considerado um dos guitarristas mais inventivos do gênero. A química entre os membros originais remanescentes transpareceu em cada nota de clássicos como My Generation e Rollin’ (Air Raid Vehicle). Um dos pontos altos e mais sensíveis da noite foi a homenagem ao baixista Sam Rivers, falecido recentemente. O tributo, antes do início do show, trouxe uma camada de profundidade emocional para a apresentação, equilibrando o “caos controlado” característico da banda com um respeito genuíno ao legado de um de seus fundadores. Foi um momento de união entre banda e público, transformando o estádio em um ambiente de celebração e despedida. O Limp Bizkit em 2025 é uma banda que entende perfeitamente seu papel. Eles não tentam reinventar a roda, mas sim polir a energia bruta que os tornou gigantes. O Allianz Parque testemunhou rodas de pogo insanas durante Break Stuff, provando que a geração Z e os millennials compartilham o mesmo entusiasmo pela catarse sonora proporcionada pelo grupo. Foi, sem dúvida, um dos shows mais energéticos e memoráveis do ano em solo brasileiro, incluindo até lançamento de fogos de artifício do meio da plateia. Edit this setlist | More Limp Bizkit setlists
Bullet For My Valentine substitui Yungblud com show focado em “The Poison”

Substituir um headliner de última hora é uma tarefa ingrata, mas o Bullet For My Valentine provou ser a escolha definitiva para ocupar a lacuna deixada por Yungblud na etapa latino-americana da Loserville Tour. Convocados para suprir a ausência do músico britânico, que se retirou do lineup por questões de saúde, os galeses não apenas cumpriram a tabela: eles dominaram o palco do Allianz Parque com uma autoridade que só veteranos do metalcore possuem. A conexão com o público paulistano foi instantânea e avassaladora. Antes mesmo dos primeiros acordes ecoarem pelo estádio, a pista já fervilhava com mosh pits espontâneos, sinalizando que a audiência estava pronta para uma descarga de energia pesada. O respaldo dos fãs foi o combustível necessário para que o quarteto entregasse uma performance técnica e emocionalmente carregada. Estrategicamente, a banda optou por não montar um setlist genérico de festival. Em vez de uma coletânea de hits esparsos, eles mantiveram a espinha dorsal de sua turnê de 2025: a celebração monumental dos 20 anos de The Poison. O álbum, que definiu uma era para o metal moderno, foi o protagonista da noite, sendo executado quase na íntegra. Das 13 faixas originais, dez foram resgatadas, transportando o público diretamente para 2005 com hinos como Tears Don’t Fall e 4 Words (to Choke Upon). O show ainda guardou fôlego para pérolas essenciais da discografia, como Hand of Blood e o encerramento catártico com Waking the Demon. Embora o formato reduzido do set tenha deixado um gosto de “quero mais” nos presentes, a recepção calorosa e o apoio incondicional da plateia consolidaram a passagem do BFMV por São Paulo como um dos grandes momentos do evento. Eles entraram como substitutos, mas saíram como protagonistas. Setlist Her Voice Resides 4 Words (to Choke Upon) Tears Don’t Fall Suffocating Under Words of Sorrow (What Can I Do) Hit the Floor All These Things I Hate (Revolve Around Me) Hand of Blood Room 409 The Poison 10 Years Today Cries in Vain The End Waking the Demon