Grammy 2026: Bad Bunny faz história com Álbum do Ano; Caetano e Bethânia vencem

A 68ª edição do Grammy Awards quebrou barreiras linguísticas e celebrou o retorno de lendas, mas a manchete principal pertence a Porto Rico: Bad Bunny conquistou o prêmio mais cobiçado da noite, o de Álbum do Ano, com Debí Tirar Más Fotos. É a consagração definitiva da música urbana latina no palco mais conservador da indústria. O “Coelho Mau” superou concorrentes de peso como Beyoncé, Lady Gaga e Kendrick Lamar. Além do prêmio principal, ele também levou para casa o gramofone de Melhor Álbum de Música Urbana e Melhor Performance Global. Aliás, vale lembrar que Bad Bunny fará shows em São Paulo em fevereiro. Antes disso, no entanto, ele se apresenta no badalado show do intervalo do Super Bowl. Além de Bad Bunny, Kendrick, Billie e Lady Gaga também brilham Nas outras categorias principais (o chamado “Big Four”), a diversidade de gêneros imperou. Quem também teve uma noite de gala foi Lady Gaga. A artista dominou as categorias pop, levando Melhor Álbum Vocal Pop por Mayhem e Melhor Gravação Dance Pop por Abracadabra. Retorno do rock e alternativo A noite também foi de celebração para o The Cure. A lendária banda britânica venceu Melhor Álbum de Música Alternativa com Songs of a Lost World e Melhor Performance Alternativa. Já no rock pesado, o Turnstile confirmou sua ascensão, levando Melhor Álbum de Rock por Never Enough. Brasil no topo A música brasileira foi muito bem representada. Os irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia venceram a categoria Melhor Álbum de Música Global com o projeto Caetano e Bethânia Ao Vivo, superando nomes como Burna Boy e Anoushka Shankar. 🏆 Lista completa de vencedores do Grammy 2026 Álbum do Ano Gravação do Ano Música do Ano (Prêmio aos Compositores) Artista Revelação Produtor do Ano, Não Clássico Compositor(a) do Ano, Não Clássico Melhor Performance Solo Pop Melhor Performance de Duo/Grupo Pop Melhor Álbum Vocal Pop Melhor Gravação de Dance/Eletrônica Melhor Gravação de Dance Pop Melhor Álbum de Dance/Eletrônica Melhor Gravação Remixada Melhor Performance de Rock Melhor Desempenho em Metal Melhor Música de Rock Melhor Álbum de Rock Melhor Performance de Música Alternativa Melhor Álbum de Música Alternativa Melhor Performance de R&B Melhor Performance de R&B Tradicional Melhor Música de R&B Melhor Álbum de R&B Progressivo Melhor Álbum de R&B Melhor Performance de Rap Melhor Performance de Rap Melódico Melhor Música de Rap Melhor Álbum de Rap Melhor Álbum de Poesia Falada Melhor Performance de Jazz Melhor Álbum Vocal de Jazz Melhor Álbum Instrumental de Jazz Melhor Álbum para Grande Conjunto de Jazz Melhor Álbum de Jazz Latino Melhor Álbum de Jazz Alternativo Melhor Álbum Vocal Pop Tradicional Melhor Álbum Instrumental Contemporâneo Melhor Álbum de Teatro Musical Melhor Performance Solo de Música Country Melhor Performance Country em Dupla/Grupo Melhor Música Country Melhor Álbum de Música Country Tradicional Melhor Álbum de Música Country Contemporânea Melhor Performance de Música Tradicional Americana Melhor Performance Americana Melhor Canção de Raízes Americanas Melhor Álbum de Americana Melhor Álbum de Bluegrass Melhor Álbum de Blues Tradicional Melhor Álbum de Blues Contemporâneo Melhor Álbum de Folk Melhor Álbum de Música Regional de Raízes Melhor Performance/Canção Gospel Melhor Performance/Canção de Música Cristã Contemporânea Melhor Álbum Gospel Melhor Álbum de Música Cristã Contemporânea Melhor Álbum de Gospel Tradicional Melhor Álbum de Pop Latino Melhor Álbum de Música Urbana Melhor Album de Rock Latino ou Alternativo Melhor Álbum de Música Mexicana Melhor Álbum Tropical Latino Melhor Performance Musical Global Melhor Performance de Música Africana Melhor Álbum de Música Global Melhor Álbum de Reggae Melhor Álbum de New Age, Ambient ou Chant Melhor Álbum de Música Infantil Melhor Álbum de Comédia Melhor Gravação de Audiolivro Melhor Trilha Sonora para Mídia Visual Melhor Trilha Sonora para Videogames Melhor Canção Escrita para Mídia Visual Melhor Videoclipe Melhor Filme Musical Melhor Pacote de Gravação Melhor Capa de Álbum Melhores Notas de Álbum Melhor Album Histórico Melhor Álbum de Engenharia de Som, Não Clássico Melhor Álbum de Engenharia de Som, Clássico Produtor do Ano, Música Clássica Melhor Álbum de Áudio Imersivo Melhor Composição Instrumental Melhor Arranjo, Instrumental ou A Cappella Melhor Arranjo, Instrumentos e Vocais Melhor Performance Orquestral Melhor Gravação de Ópera Melhor Performance Coral Melhor Performance de Música de Câmara Melhor Solo Instrumental Clássico Melhor Álbum de Música Clássica Solo Vocal Melhor Compêndio Clássico Melhor Composição Clássica Contemporânea

Superalma convida S7lermo para o solar “Derretendo com Você”

Se o último trabalho do Superalma foi um mergulho denso na filosofia do tempo, o passo seguinte é sentir o calor na pele. O trio formado por Bella Vox, Frankstation e U.F.O. disponibilizou nas plataformas de streaming a faixa Derretendo com Você, marcando uma mudança de direção em sua sonoridade. Diferente do disco-manifesto Todo Tempo Que Virá Depois Desse Momento – Volume 2, que priorizava a reflexão, a canção aposta em uma atmosfera solar e imediata. Afrobeat e conexão carioca A música une afrobeat, pop e R&B, funcionando como uma trilha para o verão. A letra narra o encontro de duas pessoas sob o sol do Rio de Janeiro, focando na presença e no prazer sem culpa. Para somar nessa construção, o grupo convidou o rapper carioca S7lermo, que traz a identidade do trap para dialogar com os vocais de Bella Vox. A produção é assinada por Mvzza, responsável por costurar os beats e criar a textura envolvente da faixa. “Se [o álbum anterior] se debruçava sobre o instante como conceito filosófico e emocional, o single escolhe vivê-lo no corpo”, descreve o material de divulgação. Ouça a faixa abaixo

The Snuts aborda depressão pós-parto em “Summer Rain”

A euforia dos palcos muitas vezes camufla os dramas silenciosos da vida doméstica. Para os escoceses do The Snuts, o choque de realidade ao voltar para casa serviu de combustível para abordar um tema raramente explorado no indie rock. O grupo disponibilizou o single Summer Rain, marcando seu primeiro material inédito desde 2024. A faixa nasce de um período de reconexão da banda com suas raízes em West Lothian, mas o cerne da composição é pessoal e doloroso. O vocalista Jack Cochrane revelou que a letra trata da depressão pós-parto enfrentada por sua esposa. “Eu tive que crescer”, diz o vocalista do The Snuts Cochrane explica que o nascimento do filho coincidiu com um momento caótico profissionalmente, logo após o lançamento do terceiro álbum e durante uma turnê. “Minha esposa estava lutando muito contra a depressão pós-parto… Tivemos um filho quando a banda tinha acabado de lançar o terceiro álbum e estava em turnê. É coisa demais para se fazer com um recém-nascido”, compartilhou. A letra reflete o impacto dessa mudança brusca e a tentativa, muitas vezes falha, de tentar resolver tudo racionalmente. “Eu pensei que poderia apenas consertar isso, é uma coisa clássica de homem, então eu tive que realmente crescer. Liricamente, a música expressa o medo do futuro, mas também uma vontade ou apelo para recomeçar e reivindicar a felicidade funcional”. Musicalmente, Summer Rain canaliza esses obstáculos pessoais em uma sonoridade que busca a superação.

Thundercat anuncia álbum “Distracted” com feat inédito de Mac Miller

“Se não é uma garota, são os impostos. Se não são os impostos, é a Terceira Guerra Mundial.” É com essa síntese agridoce da vida moderna que Thundercat encerra um hiato de seis anos. O baixista virtuoso confirmou para o dia 3 de abril a chegada de Distracted, seu quinto álbum de estúdio, via Brainfeeder Records. O projeto dá sequência aos temas de luto explorados no disco anterior, It Is What It Is (2020), mas amplia o escopo das colaborações. O destaque imediato da tracklist vai para She Knows Too Much, uma faixa inédita gravada com seu falecido amigo e colaborador frequente, Mac Miller. Coração partido e convidados de peso Para apresentar a nova fase, Thundercat liberou o single I Did This To Myself, que conta com a participação de Lil Yachty. A produção do disco reúne um time de peso: além do parceiro de longa data Flying Lotus, aparecem nos créditos Kenny Beats e o duo The Lemon Twigs. Sobre a temática do disco, o músico reflete no comunicado de imprensa: “Eu não acho que o coração partido tenha parado… Se não é a Terceira Guerra Mundial, é uma nova atualização no telefone.” Além de Mac Miller e Yachty, o álbum traz participações de A$AP Rocky, Channel Tres, Willow e Tame Impala (na faixa No More Lies). Tracklist: Distracted

Mari Romano une New Jack Swing e colapso ambiental no single “Tudo Errado”

Dançar enquanto o mundo parece colapsar. Essa é a provocação que move o retorno de Mari Romano à música autoral. A compositora e produtora carioca disponibilizou o single Tudo Errado, primeira amostra de seu segundo álbum de estúdio, Além da Pele. A faixa sintetiza o conceito da nova fase ao unir leveza pop com uma crítica direta à crise climática. Sonoramente, a aposta é no New Jack Swing, estilo que dominou as pistas nos anos 90 com nomes como Janet Jackson. Ironia dançante de Mari Romano Produzida integralmente pela própria artista, a música propõe um contraste deliberado entre o ritmo e a letra. “Eu queria que a música soasse ironicamente divertida, mas que no final viesse um incômodo. Porque é isso que está acontecendo: a gente dança enquanto tudo parece desmoronar. O sax no final é como se fosse a realidade atravessando a festa”, comenta Mari. Do sound design à música Este lançamento marca a volta de Mari após anos dedicados aos bastidores de grandes podcasts, como Foro de Teresina, Reply All e Maníaco do Parque. Essa vivência técnica como editora de som e sound designer transformou seu processo criativo. No novo disco, previsto para o primeiro semestre, ela assume o protagonismo total: editou os elementos, escreveu arranjos de sopros e gravou guitarras e synths. “Ficar anos trabalhando com som em outro formato me deu ainda mais domínio técnico e de escuta. Voltar para a música autoral agora é diferente: é mais consciente, mais segura e mais livre”, afirma. O álbum Além da Pele também abordará temas como a ansiedade digital e o Fomo (fear of missing out), propondo um olhar mais aterrado sobre a própria existência.

O Boto inverte nomes e sentidos no single “Assiar”, prévia do disco de estreia

O amor adolescente costuma ser simples na memória, mas complexo na vivência. É nessa dualidade entre o frescor e a vulnerabilidade que a banda paulistana O Boto constrói seu mais recente trabalho. Nesta sexta-feira (30), o quarteto disponibilizou nas plataformas de streaming a faixa Assiar. A canção sucede Sushi no Violão e serve como o segundo passo em direção ao álbum de estreia do grupo, Diferente de Ninguém, previsto para o segundo semestre de 2026. Jogo de palavras no som da O Boto Liricamente, a música aposta em um trocadilho engenhoso para falar de desejo e incompletude. O título e o refrão nascem de uma inversão do nome Raíssa, transformando-o no verso “Ah, se ar (assiar) fosse tudo que eu precisasse”. O baixista Felipe Troccoli explica que a metáfora sugere algo essencial e viciante (como o ar), mas que ainda assim se mostra insuficiente para sustentar a relação. “Existe algo muito bonito no fato de todo mundo conseguir se relacionar com essa sensação de alguma maneira… Te amar sempre vai ser como andar de bicicleta”, comenta o músico, citando um dos versos que sintetizam a inocência de um sentimento complexo. Produção e influências A faixa acompanha a história da própria banda, formada também por João Pedro Rydlewski (voz), Lucas Benez (guitarra) e Gabriel Portela (bateria), existindo no repertório desde 2019. A versão final reflete o amadurecimento do grupo e suas influências de rock alternativo brasileiro (Charlie Brown Jr., Lagum, Nando Reis). A produção é assinada por Hugo Silva, nome conhecido por trabalhos com O Grilo e Ego Kill Talent, o que insere O Boto no diálogo direto com a cena contemporânea de São Paulo. Assista ao lyric video de Assiar

Beck lança álbum de raridades com covers de Caetano Veloso e Daniel Johnston

Talvez você se lembre dele cantando sobre um coração partido na trilha sonora do filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. Agora, essa gravação e outras raridades da discografia de Beck estão reunidas em um só lugar. Nesta sexta-feira (30), o músico disponibilizou nas plataformas digitais o álbum Everybody’s Gotta Learn Sometime. O projeto funciona como uma compilação de raridades, faixas lado B e covers que Beck executou ao longo dos anos, especialmente durante sua recente turnê orquestral. De Scott Pilgrim a Caetano Veloso entre as raridades de Beck O repertório é eclético e traz uma surpresa para os brasileiros: uma versão de Michelangelo Antonioni, canção de Caetano Veloso. O disco abre com a faixa-título (cover do The Korgis, de 2004) e segue com interpretações de clássicos de Elvis Presley (Can’t Help Falling in Love), John Lennon (Love) e The Flamingos (I Only Have Eyes for You). O universo indie e alternativo também marca presença com releituras de Hank Williams, Daniel Johnston (True Love Will Find You in the End) e a faixa Ramona, contribuição de Beck para a trilha do filme Scott Pilgrim contra o Mundo. Lançamento físico Enquanto a versão digital já pode ser ouvida, o formato físico chega às lojas em 13 de fevereiro. Aproveitando a proximidade com o Valentine’s Day (Dia dos Namorados nos EUA), o vinil será prensado na cor “vermelho opaco”.

Sepultura anuncia EP de despedida “The Cloud Of Unknowing”

O adeus do Sepultura não será feito apenas de memórias de palco. Enquanto a turnê Celebrating Life Through Death caminha para seus meses derradeiros, a banda confirmou que deixará um último registro de estúdio antes de encerrar as atividades. O grupo revelou o título de seu EP final: The Cloud Of Unknowing. O material físico (vinil exclusivo) será inicialmente disponibilizado como parte do pacote VIP da etapa norte-americana da turnê. Este será o único registro de estúdio da banda contando com o baterista Greyson Nekrutman, que assumiu as baquetas em fevereiro de 2024 após a saída de Eloy Casagrande. Gravação de The Cloud Of Unknowing foi espontânea O guitarrista Andreas Kisser já havia adiantado a existência dessas faixas. O material foi gravado de forma despretensiosa em Miami, logo após a participação da banda no cruzeiro 70000 Tons Of Metal em janeiro de 2025. Segundo Kisser, são quatro músicas originais, criadas sem a pressão de gravadoras ou prazos. “Foi muito espontâneo… Tínhamos um estúdio, algumas ideias e dissemos: ‘Ok, vamos fazer’. E foi ótimo. Sem pressão… Fizemos no nosso tempo, sem pressa. Por causa da ideia da turnê de despedida, podemos fazer isso também, nos desafiar artisticamente”, explicou o guitarrista. Grande final em São Paulo Além do EP, os olhares se voltam para outubro de 2026. A banda planeja o encerramento definitivo da carreira com um grande evento em São Paulo, descrito por Andreas como um “Sepul-fest”. A intenção é reunir a história viva da banda no palco. O convite está aberto a todos os ex-integrantes, incluindo os irmãos Max e Igor Cavalera, além de Jairo Guedz, Eloy Casagrande, Jean Patton e Roy Mayorga. “É totalmente irrelevante discutir o passado, quem está certo, quem está errado… Vamos tocar para os fãs, para nós mesmos, para nossas famílias. Eles serão convidados. Se quiserem fazer parte desta festa, são bem-vindos. Se não, tudo bem”, afirmou Kisser. Por que parar? Ao refletir sobre os 40 anos de estrada, Andreas reforça que a decisão de parar foi consciente para evitar a estagnação artística. “Um artista não pode estar na zona de conforto. Se você está lá, você está f*****, porque vai perder o contato com a realidade… É ótimo parar em um bom momento, sem brigas, sem um fator externo separando a banda. São nossos próprios termos.” Ainda não há data confirmada para a disponibilização do EP The Cloud Of Unknowing nas plataformas de streaming.

Dead Fish revela inéditas na versão deluxe de “Labirinto da Memória”

Às vezes, o que fica de fora da tracklist final de um disco é tão urgente quanto o que entra. Quase dois anos após apresentar o álbum Labirinto da Memória (2024), o Dead Fish decidiu abrir os arquivos daquela sessão de gravação. A banda capixaba disponibilizou nas plataformas de streaming a edição deluxe do trabalho, via gravadora Deck. O projeto expandido vai além de uma simples reedição: ele traz duas faixas inéditas, Entre o Fim e o Começo e Orbitando, além de quatro registros captados ao vivo. “Tragicamente atual para 2026” Produzidas por Rafael Ramos e Ricardo Mastria, as canções inéditas mantêm a pegada hardcore melódica que marcou o disco original. Segundo a banda, elas só ficaram de fora em 2024 por questões de fluxo narrativo do álbum. O vocalista Rodrigo Lima comenta que a faixa “Entre o Fim e o Começo” reflete sobre o esgotamento de recursos e a apropriação egoísta do conhecimento: “Entre o Fim e o Começo ficou pronta no fim das gravações e preferimos deixá-la de fora. Eu, pessoalmente, gosto bastante da letra e da música, é uma letra tragicamente atual para 2026”. Já sobre Orbitando, Lima explica que a música “bateu na trave”. “Ficou pronta antes de muitas que entraram. Gosto de tudo nela… mas acabou não encaixando no flow do álbum. É uma música muito forte, que ficou sem lugar”. Registro dos palcos de Labirinto da Memória Para completar o pacote, a edição deluxe inclui a energia da turnê que rodou o Brasil nos últimos dois anos. As faixas escolhidas para as versões ao vivo foram: