Mari Romano une New Jack Swing e colapso ambiental no single “Tudo Errado”

Dançar enquanto o mundo parece colapsar. Essa é a provocação que move o retorno de Mari Romano à música autoral. A compositora e produtora carioca disponibilizou o single Tudo Errado, primeira amostra de seu segundo álbum de estúdio, Além da Pele. A faixa sintetiza o conceito da nova fase ao unir leveza pop com uma crítica direta à crise climática. Sonoramente, a aposta é no New Jack Swing, estilo que dominou as pistas nos anos 90 com nomes como Janet Jackson. Ironia dançante de Mari Romano Produzida integralmente pela própria artista, a música propõe um contraste deliberado entre o ritmo e a letra. “Eu queria que a música soasse ironicamente divertida, mas que no final viesse um incômodo. Porque é isso que está acontecendo: a gente dança enquanto tudo parece desmoronar. O sax no final é como se fosse a realidade atravessando a festa”, comenta Mari. Do sound design à música Este lançamento marca a volta de Mari após anos dedicados aos bastidores de grandes podcasts, como Foro de Teresina, Reply All e Maníaco do Parque. Essa vivência técnica como editora de som e sound designer transformou seu processo criativo. No novo disco, previsto para o primeiro semestre, ela assume o protagonismo total: editou os elementos, escreveu arranjos de sopros e gravou guitarras e synths. “Ficar anos trabalhando com som em outro formato me deu ainda mais domínio técnico e de escuta. Voltar para a música autoral agora é diferente: é mais consciente, mais segura e mais livre”, afirma. O álbum Além da Pele também abordará temas como a ansiedade digital e o Fomo (fear of missing out), propondo um olhar mais aterrado sobre a própria existência.

O Boto inverte nomes e sentidos no single “Assiar”, prévia do disco de estreia

O amor adolescente costuma ser simples na memória, mas complexo na vivência. É nessa dualidade entre o frescor e a vulnerabilidade que a banda paulistana O Boto constrói seu mais recente trabalho. Nesta sexta-feira (30), o quarteto disponibilizou nas plataformas de streaming a faixa Assiar. A canção sucede Sushi no Violão e serve como o segundo passo em direção ao álbum de estreia do grupo, Diferente de Ninguém, previsto para o segundo semestre de 2026. Jogo de palavras no som da O Boto Liricamente, a música aposta em um trocadilho engenhoso para falar de desejo e incompletude. O título e o refrão nascem de uma inversão do nome Raíssa, transformando-o no verso “Ah, se ar (assiar) fosse tudo que eu precisasse”. O baixista Felipe Troccoli explica que a metáfora sugere algo essencial e viciante (como o ar), mas que ainda assim se mostra insuficiente para sustentar a relação. “Existe algo muito bonito no fato de todo mundo conseguir se relacionar com essa sensação de alguma maneira… Te amar sempre vai ser como andar de bicicleta”, comenta o músico, citando um dos versos que sintetizam a inocência de um sentimento complexo. Produção e influências A faixa acompanha a história da própria banda, formada também por João Pedro Rydlewski (voz), Lucas Benez (guitarra) e Gabriel Portela (bateria), existindo no repertório desde 2019. A versão final reflete o amadurecimento do grupo e suas influências de rock alternativo brasileiro (Charlie Brown Jr., Lagum, Nando Reis). A produção é assinada por Hugo Silva, nome conhecido por trabalhos com O Grilo e Ego Kill Talent, o que insere O Boto no diálogo direto com a cena contemporânea de São Paulo. Assista ao lyric video de Assiar

Beck lança álbum de raridades com covers de Caetano Veloso e Daniel Johnston

Talvez você se lembre dele cantando sobre um coração partido na trilha sonora do filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. Agora, essa gravação e outras raridades da discografia de Beck estão reunidas em um só lugar. Nesta sexta-feira (30), o músico disponibilizou nas plataformas digitais o álbum Everybody’s Gotta Learn Sometime. O projeto funciona como uma compilação de raridades, faixas lado B e covers que Beck executou ao longo dos anos, especialmente durante sua recente turnê orquestral. De Scott Pilgrim a Caetano Veloso entre as raridades de Beck O repertório é eclético e traz uma surpresa para os brasileiros: uma versão de Michelangelo Antonioni, canção de Caetano Veloso. O disco abre com a faixa-título (cover do The Korgis, de 2004) e segue com interpretações de clássicos de Elvis Presley (Can’t Help Falling in Love), John Lennon (Love) e The Flamingos (I Only Have Eyes for You). O universo indie e alternativo também marca presença com releituras de Hank Williams, Daniel Johnston (True Love Will Find You in the End) e a faixa Ramona, contribuição de Beck para a trilha do filme Scott Pilgrim contra o Mundo. Lançamento físico Enquanto a versão digital já pode ser ouvida, o formato físico chega às lojas em 13 de fevereiro. Aproveitando a proximidade com o Valentine’s Day (Dia dos Namorados nos EUA), o vinil será prensado na cor “vermelho opaco”.

Sepultura anuncia EP de despedida “The Cloud Of Unknowing”

O adeus do Sepultura não será feito apenas de memórias de palco. Enquanto a turnê Celebrating Life Through Death caminha para seus meses derradeiros, a banda confirmou que deixará um último registro de estúdio antes de encerrar as atividades. O grupo revelou o título de seu EP final: The Cloud Of Unknowing. O material físico (vinil exclusivo) será inicialmente disponibilizado como parte do pacote VIP da etapa norte-americana da turnê. Este será o único registro de estúdio da banda contando com o baterista Greyson Nekrutman, que assumiu as baquetas em fevereiro de 2024 após a saída de Eloy Casagrande. Gravação de The Cloud Of Unknowing foi espontânea O guitarrista Andreas Kisser já havia adiantado a existência dessas faixas. O material foi gravado de forma despretensiosa em Miami, logo após a participação da banda no cruzeiro 70000 Tons Of Metal em janeiro de 2025. Segundo Kisser, são quatro músicas originais, criadas sem a pressão de gravadoras ou prazos. “Foi muito espontâneo… Tínhamos um estúdio, algumas ideias e dissemos: ‘Ok, vamos fazer’. E foi ótimo. Sem pressão… Fizemos no nosso tempo, sem pressa. Por causa da ideia da turnê de despedida, podemos fazer isso também, nos desafiar artisticamente”, explicou o guitarrista. Grande final em São Paulo Além do EP, os olhares se voltam para outubro de 2026. A banda planeja o encerramento definitivo da carreira com um grande evento em São Paulo, descrito por Andreas como um “Sepul-fest”. A intenção é reunir a história viva da banda no palco. O convite está aberto a todos os ex-integrantes, incluindo os irmãos Max e Igor Cavalera, além de Jairo Guedz, Eloy Casagrande, Jean Patton e Roy Mayorga. “É totalmente irrelevante discutir o passado, quem está certo, quem está errado… Vamos tocar para os fãs, para nós mesmos, para nossas famílias. Eles serão convidados. Se quiserem fazer parte desta festa, são bem-vindos. Se não, tudo bem”, afirmou Kisser. Por que parar? Ao refletir sobre os 40 anos de estrada, Andreas reforça que a decisão de parar foi consciente para evitar a estagnação artística. “Um artista não pode estar na zona de conforto. Se você está lá, você está f*****, porque vai perder o contato com a realidade… É ótimo parar em um bom momento, sem brigas, sem um fator externo separando a banda. São nossos próprios termos.” Ainda não há data confirmada para a disponibilização do EP The Cloud Of Unknowing nas plataformas de streaming.

Dead Fish revela inéditas na versão deluxe de “Labirinto da Memória”

Às vezes, o que fica de fora da tracklist final de um disco é tão urgente quanto o que entra. Quase dois anos após apresentar o álbum Labirinto da Memória (2024), o Dead Fish decidiu abrir os arquivos daquela sessão de gravação. A banda capixaba disponibilizou nas plataformas de streaming a edição deluxe do trabalho, via gravadora Deck. O projeto expandido vai além de uma simples reedição: ele traz duas faixas inéditas, Entre o Fim e o Começo e Orbitando, além de quatro registros captados ao vivo. “Tragicamente atual para 2026” Produzidas por Rafael Ramos e Ricardo Mastria, as canções inéditas mantêm a pegada hardcore melódica que marcou o disco original. Segundo a banda, elas só ficaram de fora em 2024 por questões de fluxo narrativo do álbum. O vocalista Rodrigo Lima comenta que a faixa “Entre o Fim e o Começo” reflete sobre o esgotamento de recursos e a apropriação egoísta do conhecimento: “Entre o Fim e o Começo ficou pronta no fim das gravações e preferimos deixá-la de fora. Eu, pessoalmente, gosto bastante da letra e da música, é uma letra tragicamente atual para 2026”. Já sobre Orbitando, Lima explica que a música “bateu na trave”. “Ficou pronta antes de muitas que entraram. Gosto de tudo nela… mas acabou não encaixando no flow do álbum. É uma música muito forte, que ficou sem lugar”. Registro dos palcos de Labirinto da Memória Para completar o pacote, a edição deluxe inclui a energia da turnê que rodou o Brasil nos últimos dois anos. As faixas escolhidas para as versões ao vivo foram:

Matanza Inc lança o EP “Obscurantista” e consolida nova formação

O Matanza Inc decidiu olhar para frente da única forma que sabe: com volume alto e confronto. Nesta sexta-feira (30), a banda disponibilizou nas plataformas de streaming o EP Obscurantista, lançamento que sai via Monstro Discos. Este é o primeiro registro completo com a formação atual, capitaneada pelo compositor e guitarrista Marco Donida. Ao lado dele, estão Daniel Pacheco (vocais), Marcelo Albuquerque (baixo) e Marcos Willians (bateria). Peso e ironia ácida na Obscurantista O trabalho conta com cinco faixas: Marcha para Asmodeus, Presença Nefasta, Sangue na Festa, A Única Certeza e a faixa-título. Liricamente, o grupo mantém a tradição de Marco Donida: crítica social mordaz, ironia ácida e o retrato de um mundo em colapso. Musicalmente, a banda aprofunda a fusão de riffs agressivos com elementos de country, agora inseridos de forma mais orgânica. “O discurso permanece afiado, sustentado por letras que não buscam conforto, mas confronto… A proposta segue sendo a mesma: fazer barulho, provocar desconforto e refletir, de forma crua, o tempo em que se vive”, diz o material de divulgação. Obscurantista funciona como uma reafirmação de identidade, mostrando um Matanza Inc seguro de sua trajetória e longe de tentar apenas agradar aos nostálgicos. Ouça o EP na íntegra

Aerosmith anuncia “Legendary Edition” do álbum de estreia com mixagens inéditas e box de luxo

Se você acha que já ouviu tudo o que o Aerosmith tinha para oferecer sobre seus primeiros anos, Steven Tyler e Joe Perry têm uma novidade. Nesta sexta-feira (30), a banda anunciou o lançamento do projeto Aerosmith (Legendary Edition), previsto para chegar ao mercado em 20 de março de 2026 pela Capitol Records/UMe. Pela primeira vez, os membros fundadores decidiram apresentar sua visão “sem filtros” do clássico álbum de estreia de 1973 (aquele que tem Dream On e Mama Kin). Para isso, Tyler e Perry remixaram as fitas originais ao lado do produtor Zakk Cervini (blink-182) e Steve Berkowitz. O resultado é a 2024 Album Mix, que promete elevar a energia do material ao máximo. O que vem no pacote do Aerosmith Legendary? A coleção é robusta e feita para colecionadores. A versão mais completa, a Legendary Collector’s Edition (Box Deluxe 5LPs), inclui: “Mama Kin” renovada Para dar um gostinho do que vem por aí, a banda liberou a versão Mama Kin (2024 Mix). A faixa já está disponível nas plataformas digitais e mostra a intenção do projeto: soar mais cru, alto e visceral do que a mixagem original dos anos 70 permitia. Onde começou tudo Lançado originalmente em 5 de janeiro de 1973, o álbum homônimo foi gravado no Intermedia Studios, em Boston. Foi ali que a banda estabeleceu o molde de groove blues e riffs distorcidos que influenciaria o rock pelas cinco décadas seguintes. A pré-venda já está disponível na UMusic Store.

Opeth retorna a São Paulo com a turnê do conceitual The Last Will & Testament

Famílias disfuncionais, segredos dos anos 1920 e o retorno dos vocais guturais dão o tom da nova visita dos suecos ao país. Após a passagem pelo Monsters of Rock em 2025, o Opeth confirmou nesta sexta-feira (30) que trará sua turnê solo para o Brasil. A banda se apresenta no dia 6 de novembro (sexta-feira), no Espaço Unimed, em São Paulo. A venda de ingressos começa na próxima segunda-feira, 2 de fevereiro, a partir das 10h, pela Eventim. Um thriller em forma de disco O show promove o 14º álbum de estúdio do grupo, The Last Will & Testament. Vencedor do Grammy sueco em 2025, o trabalho é o primeiro disco totalmente conceitual da carreira da banda. A narrativa gira em torno da leitura do testamento de um patriarca recém-falecido, revelando traições e conflitos familiares. “Tenho me interessado bastante por família e pela ideia de que o sangue nem sempre é mais espesso que a água”, explica o líder Mikael Åkerfeldt. Musicalmente, o álbum marca um ponto de virada para os fãs antigos: é o registro que trouxe de volta os vocais guturais de death metal de Åkerfeldt, algo que ele havia abandonado em estúdio desde Watershed (2008). O disco conta ainda com a participação de Ian Anderson (Jethro Tull) como narrador e flautista. Formação e expectativa A banda chega com sua formação atual composta por Mikael Åkerfeldt (vocais/guitarra), Fredrik Åkesson (guitarra), Martin Mendez (baixo), Joakim Svalberg (teclados) e o baterista Waltteri Väyrynen. Esta será uma apresentação única no país, produzida pela Mercury Concerts. Opeth em São Paulo Preços:

Ian Gillan revela detalhes do novo álbum do Deep Purple

Aos 80 anos, Ian Gillan não apenas recusa a aposentadoria, como já planeja o próximo capítulo da humanidade. O vocalista confirmou nesta sexta-feira (30) que o Deep Purple está finalizando um novo álbum de estúdio, com lançamento previsto para junho de 2026. O trabalho será o sucessor de =1, lançado em julho de 2024. Em entrevista ao site Songwriting For Songwriters, Gillan adiantou que, embora o título ainda seja segredo, o conceito lírico já está definido e é surpreendentemente filosófico. Metamorfose otimista de Ian Gillan Segundo o cantor, as letras exploram uma ideia conceitual “bastante solta” sobre o fim da humanidade, mas longe de ser algo sombrio. “Na verdade, é muito otimista. É sobre a metamorfose da humanidade em um estado metafísico, nossa próxima encarnação”, explicou Gillan. “Ir para o escritório” Gillan também detalhou o processo criativo da banda, que permanece inalterado há décadas. O grupo se isola por cerca de dez dias e segue uma rotina rígida: começam ao meio-dia, param para o chá às 15h e encerram às 18h. “É como ir para o escritório… Os rapazes começam a tocar e é tudo improvisado. Basicamente, é uma jam de uma semana. De vez em quando, alguém acena para outra pessoa e diz: ‘Ok, vale a pena manter isso’”, conta. A formação atual conta com o guitarrista Simon McBride, que substituiu Steve Morse em 2022. Gillan afirma que a entrada de McBride rejuvenesceu o grupo, que soa “faminto” e “apertado” musicalmente. Aposentadoria Apesar da empolgação com o disco e com a turnê pelo Reino Unido agendada para novembro de 2026, o vocalista é realista sobre o futuro. Em conversa recente com a revista Uncut, ele revelou ter apenas 30% da visão, o que torna tarefas simples, como trabalhar no laptop, exaustivas. Sobre parar de tocar, a resposta foi direta: “Acho que a dignidade humana será o fator decisivo. Quando você começa a sair e constranger as pessoas com sua incapacidade de fazer o que fez a vida toda, então é hora de parar. Mas até esse momento chegar, estamos indo bem”.