Black Label Society mantém seu DNA e entrega disco intenso com Engines of Demolition

O Black Label Society lançou, hoje (27), o álbum Engines of Demolition, um trabalho que reforça a identidade construída por Zakk Wylde ao longo de décadas sem a preocupação de reinventar a própria fórmula. O disco chega como um retrato direto do momento vivido pelo guitarrista, equilibrando peso, melodia e um forte componente emocional, especialmente após a morte de Ozzy Osbourne, anos intensos de turnês e projetos paralelos. Desde as primeiras faixas, o álbum deixa claro seu caminho. Riffs densos, andamento cadenciado e uma forte influência do hard rock clássico moldam a espinha dorsal das composições. Há uma sensação de familiaridade que não soa acomodada, mas sim consciente. Wylde segue apostando naquilo que sempre funcionou, construindo músicas que partem do riff como elemento central e evoluem para melodias marcantes. Como ele próprio disse em entrevista ao Blog N’ Roll, “tudo começa com o riff” e, se a base estiver próxima daquele espírito de bandas como Black Sabbath ou Led Zeppelin, o caminho já está traçado. Entre os destaques, Name in Blood sintetiza bem a proposta do disco. A faixa traz peso e groove, mas também carrega um conceito direto, como explicou o guitarrista na mesma entrevista. “Isso significa compromisso total com o projeto. É como quando você decide dar o próximo passo em um relacionamento.” A música funciona como uma espécie de manifesto dentro do álbum, reforçando a entrega total que marca esta fase da banda. Mas é em Ozzy’s Song que Engines of Demolition encontra seu ponto mais forte e emocional. A faixa se destaca não apenas pela construção mais sensível, mas pelo peso simbólico que carrega. Trata-se de uma homenagem direta a Ozzy Osbourne, figura central na trajetória de Wylde. A música começa de forma contida e cresce gradualmente até chegar a um solo carregado de sentimento, funcionando como uma espécie de despedida traduzida em som. O próprio Zakk detalhou esse momento ao Blog N’ Roll, revelando o caráter íntimo da composição. “Eu estava na biblioteca de casa, com fones de ouvido, olhando um livro sobre o Ozzy. A melodia surgiu e eu escrevi a letra ali.” A escolha da guitarra também reforça esse simbolismo: o músico utilizou a lendária Grail, a mesma com a qual gravou suas primeiras músicas com Ozzy, fechando um ciclo dentro da própria carreira. O processo de criação do disco também ajuda a explicar sua sonoridade. Diferente de trabalhos anteriores, o álbum foi desenvolvido ao longo de anos, entre pausas e compromissos como a turnê de celebração do Pantera. Esse intervalo mais longo permitiu que Wylde acumulasse ideias e trabalhasse as composições com mais calma. “Dessa vez tivemos muito tempo entre um disco e outro… eu só continuei escrevendo”, afirmou. A consequência é um trabalho que soa mais orgânico, sem a urgência de prazos apertados. Outro ponto que se destaca é a ausência de pressão em relação à recepção do público. Wylde adota uma postura direta e despreocupada, focando apenas na própria satisfação artística. “Você tem que fazer o disco que ama fazer. Se você está feliz com isso, é o que importa”. Essa filosofia se reflete em um álbum que não busca tendências ou atualizações sonoras, mas sim reforça uma identidade consolidada. Com Engines of Demolition, o Black Label Society entrega um disco que não pretende surpreender, mas sim reafirmar. É um trabalho que aposta na consistência, no peso e na emoção como pilares principais. Em um cenário onde a novidade muitas vezes é supervalorizada, Zakk Wylde segue na contramão, mostrando que ainda há força em permanecer fiel à própria essência.

Entrevista exclusiva | Dr. Chud – “Estávamos todos no auge naquela fase do Misfits. Poderíamos ter feito pelo menos mais cinco discos”

O ex-baterista dos Misfits, Dr. Chud, confirmou sua volta ao Brasil com a turnê “South America/Italia Tour”, marcada para agosto. O músico se apresenta em São Paulo dia 16, no tradicional Hangar 110, espaço histórico da cena punk e hardcore nacional. A passagem marca o retorno do artista ao continente após anos afastado de turnês próprias. Conhecido por sua atuação em uma das fases mais populares dos Misfits, Dr. Chud promete um show voltado ao horror punk, com repertório que mistura clássicos da banda com composições autorais e material de seus projetos mais recentes. A proposta, segundo o próprio músico, é entregar uma apresentação energética e acessível, dialogando diretamente com o público que acompanhou sua trajetória desde os anos 1990 até sua fase atual. Dr. Chud participou de álbuns como “American Psycho” e “Famous Monsters”, além de registros como “Cuts from the Crypt”. Multi-instrumentista, produtor e compositor, ele também integrou bandas como Blitzkid e desenvolveu projetos autorais ao longo das últimas décadas. Sua formação inclui passagens por diferentes estilos e estudos aprofundados de percussão, o que ajudou a moldar sua identidade musical tanto na bateria quanto na composição. Em entrevista exclusiva para o Brasil, Dr. Chud fala com o Blog N’ Roll sobre os shows no país, o repertório da turnê e sua relação com o legado dos Misfits. O que vem a sua mente ao se preparar para voltar ao Brasil em agosto e reencontrar seus fãs? O Hangar 110 é uma espécie de CBGB brasileiro. Eu quero oferecer um show de horror punk acessível e incrível com a minha banda de horror punk. É algo que eu sempre quis fazer, levar minha banda internacionalmente e minha música para o mundo. Vai ser divertido e intenso. Eu tenho muitos amigos no Brasil, então vou me divertir bastante. Qual será a formação da sua banda nos shows no Brasil? Você vai cantar, tocar bateria ou ambos? Eu vou cantar o set inteiro. Talvez eu toque bateria em algumas músicas no final. Ainda faltam quatro meses, então estou trabalhando com muitas ideias diferentes. Mas sim, gostaria de ir para a bateria em algumas músicas. Eu nunca fiz isso antes. Sobre o repertório, você pretende focar apenas nos álbuns dos Misfits ou haverá surpresas? Eu tenho mais de 50 álbuns. Do Misfits eu participei de quatro álbuns: Cuts from the Crypt, Evil Eye II, Famous Monsters e American Psycho. Eu vou tocar as músicas que escrevi para esses álbuns. Vou tocar também coisas do X-Ward e outros álbuns que fiz, como Sacred Trash. Eu estive em muitas bandas, então vou escolher coisas aqui e ali. Mas principalmente quero tocar todo o meu álbum do X-Ward e talvez algumas músicas novas do X-Ward também. Mas sim, vai ter, talvez dez músicas dos Misfits. Mas eu escrevi todas elas, então vai ser divertido mostrar minha interpretação dessas músicas para pessoas que nunca ouviram, da forma como eu escrevi ou como eu mudei elas 30 anos depois. Isso é divertido. Você já tocou no Brasil com outros projetos? Eu toquei quando eu estava em turnê com o Blitzkid. Acho que essas foram as duas bandas com as quais estive aí, Misfits e Blitzkid. Você adapta sua performance para diferentes públicos dependendo da cidade que você vai se apresentar? Eu ainda não sei. Eu ainda não toquei pelo mundo todo com a minha banda atual. Eu gosto de mudar as coisas. Posso fazer sets acústicos em encontros com fãs. Gosto de mudar isso, talvez tocar quatro músicas. Mas o setlist provavelmente vai se manter o mesmo nesta turnê. Depois eu vou mudando conforme as turnês avançam e novas músicas são lançadas. Como foi entrar nos Misfits em um momento tão importante da banda? Pareceu natural. Foi uma boa combinação para mim. Eu me diverti muito. Eu pude escrever músicas para eles e tocar com eles. Eu honro esse período. E eu acabei de receber um disco de ouro por American Psycho. Como era o processo criativo e de gravação naquela época com essa nova formação? Foi incrível. Nós ensaiávamos muito e trabalhávamos nas músicas o tempo todo. Era uma máquina de composição. Todos escrevíamos músicas naquele período. Todos tinham uma parte igual nisso. Foi divertido e tudo aconteceu de forma bem tranquila. Foi mágico, na verdade. Um momento mágico. E esses álbuns vendem melhor hoje do que jamais venderam. Como você define seu legado nos Misfits? É o bom e velho rock and roll. Nós fizemos com intensidade. As melodias eram ótimas. Estávamos todos no auge. Tínhamos mais cinco discos dentro de nós. Poderíamos ter feito pelo menos mais cinco discos. Qual sua visão sobre as polêmicas políticas envolvendo Glenn Danzig e Michale Graves com o nazismo e fascismo? Isso pode afetar o legado dos Misfits? Eu não sei. Eu faço a minha própria coisa. Sempre fiz. Não sei. É a vibração deles. Eu estou em uma vibração diferente. Não falo com o Michale desde 2002. Então não sei o que ele está fazendo. E eu realmente não conheço o Glenn. Então não sei o que eles estão fazendo. Espero que estejam fazendo discos. Você mantém contato com algum integrante dos Misfits? Não, só para falar de negócios. Por que American Psycho e Famous Monsters têm uma qualidade de gravação muito superior aos demais trabalhos? Houve uma preocupação nesse sentido? Você está absolutamente certo, foi simplesmente melhor gravado. Tinha um orçamento maior também, a Geffen Records financiou o primeiro, acho que a Roadrunner fez o segundo. Eu gravei a minha vida inteira e também estou lá dando minhas ideias, pois tenho estúdio desde os 19 anos. Sempre gravei em casa, trabalhei com gênios da gravação e eu amo gravar. Amo todo o processo. Então sim, foi divertido gravar. Os álbuns têm muita energia. Eles eram gravados ao vivo ou por partes? Eu acho que gravávamos a banda inteira ao vivo. Depois o Doyle adicionava camadas de guitarra e fazíamos vocais de apoio. Era basicamente ao vivo. Quais foram suas principais influências na bateria? Eu sempre

Aléxia divulga capa do novo álbum Garra e se prepara para o Somos Rock 2026

A cantora Aléxia dá início a uma nova fase da carreira com o anúncio de Garra, seu álbum de estreia, e a revelação da identidade visual que acompanhará o projeto. A artista, confirmada no Somos Rock Festival, também divulgou a capa do trabalho e os primeiros detalhes do single “Seja Você”, que chega às plataformas digitais em 10 de abril, com clipe previsto para o dia 13. O disco completo será lançado em 30 de abril. Em setembro de 2025, a cantora e líder da banda falou com o Blog N’ Roll. Na época ela vivia a expectativa de abrir a turnê do The Calling e colhia os frutos do lançamento do single “Monstro”. Com quatro anos de trajetória e mais de 400 shows realizados, Aléxia consolida um momento de virada dentro da cena paulista. A presença no line-up do festival, marcado para 25 de abril, na Arena Anhembi, reforça esse avanço em meio a uma agenda que já inclui apresentações ao lado de nomes como CPM 22, Stone Temple Pilots, Nando Reis e Detonautas, além do próprio The Calling. Transitando entre o rock alternativo, o metal moderno, o pós-grunge, o punk e o dark pop, Aléxia vem consolidando uma sonoridade própria que define como heavy pop. Em Garra, essa proposta se expande em 14 faixas que abordam temas como saúde mental, luto, medo, coragem, empoderamento e amor. O álbum funciona como um retrato de amadurecimento artístico e pessoal, transformando experiências intensas em linguagem musical. O primeiro recorte do projeto, “Seja Você”, sintetiza essa busca por autenticidade em meio ao caos. Com vocais marcantes e influências de hardcore e pop punk, a faixa antecipa a direção estética do disco, equilibrando peso e apelo melódico. A canção abre caminho para um trabalho que aposta na intensidade emocional sem abrir mão de estrutura e identidade sonora. A capa revelada para o single também introduz um dos principais eixos simbólicos de Garra. A imagem explora a dualidade do título ao apresentar a garra de um “monstro” que fere a artista. O elemento visual remete a marcas profundas deixadas por experiências passadas, mas que também ajudam a construir força e identidade. O conceito dialoga diretamente com a proposta do álbum, que transforma dor em afirmação e consolida a nova fase de Aléxia como um dos nomes em ascensão no rock nacional.

Entrevista exclusiva | The Casualties – “Ver o que acontece no Brasil e comparar com os EUA foi a forma como esse disco saiu”

O The Casualties lançou nesta sexta-feira (27) o álbum Detonate, reforçando sua posição como um dos principais nomes do street punk mundial. O disco chega às plataformas com a proposta de traduzir em som e atitude as tensões sociais e políticas atuais, mantendo a identidade agressiva e direta que marcou a trajetória da banda desde os anos 1990. Em Detonate, o The Casualties aposta em uma combinação de energia crua e senso de urgência, com letras que transitam entre revolta e consciência coletiva. A crítica internacional destaca o trabalho como um álbum que equilibra intensidade e reflexão, trazendo uma “explosão” que vai além do som e se conecta diretamente ao cenário global contemporâneo. Formado no início dos anos 1990 em Nova York, a banda se consolidou como referência dentro do street punk. Ao longo das décadas, eles passaram por mudanças importantes na formação, especialmente após a saída do vocalista Jorge Herrera. Desde então, David Rodriguez assumiu os vocais e ajudou a redefinir a identidade do grupo, trazendo novas influências sem romper com a base construída nos primeiros anos. Em entrevista exclusiva para o Brasil, o vocalista David Rodriguez fala com o Blog N’ Roll sobre o novo álbum, o tom político das composições, a relação com o público brasileiro e as transformações na dinâmica criativa da banda nos últimos anos. O título do álbum sugere uma explosão. O que exatamente está prestes a explodir? É algo interno, como uma combustão interna. Tudo o que está acontecendo no mundo faz a gente querer explodir. Nossos corações e mentes querem explodir de raiva, de tristeza, mas também com a ideia de que, juntos, podemos consertar isso. O disco tem um tom político muito forte. Quando você percebeu que esse seria o caminho? Eu sempre me senti assim, porque Estados Unidos e Brasil estão lidando com muitas questões, como Bolsonaro e Trump. E, pelo que foram esses últimos anos, eu sinto como se fosse quase uma ditadura, como se estivessem tentando chegar nisso. Então isso tem sido uma emoção muito forte desde o último disco, desde que entrei na banda. E vou te dizer também que estar no Brasil criou muito disso em mim. Eu consegui ver o que estava acontecendo no Brasil e comparar com o que estava acontecendo nos Estados Unidos, e isso teve muito a ver com a forma como esse disco saiu. Eu escrevi muito dele em Ubatuba e também em São Paulo. Como foi trabalhar neste álbum com a formação atual da Casualties? Eu estou na banda há oito anos, mas tenho uma relação com o The Casualties há uns 27 anos. Eu tinha uma banda chamada Crumb Bums, e lá por 2004 eles levaram a gente para uma turnê. Desde então sempre fomos amigos, sempre juntos. Eu, Jake e Meggers sempre estivemos muito próximos. A gente nunca tinha composto junto antes do último disco, mas foi muito natural escrever. Nós três escrevemos a maior parte desse álbum juntos aqui em Austin. Nosso baixista, Doug, é muito bom e trouxe o estilo dele para o que estávamos fazendo. Foi um processo muito natural. Com tudo o que está acontecendo no mundo, todos conseguimos nos expressar. Eu gosto muito desse disco. É, eu como baixista prestei bastante atenção nas linhas de baixo e é um destaque a parte. Existe uma faixa que melhor representa o espírito do disco? Cara, eu diria People Over Power. Eu acho que essa música representa quem a banda é. E também respeita quem a banda sempre foi antes de mim e quem somos agora. Dá pra ouvir o quanto o Jake evoluiu como guitarrista, o quanto o Meggers evoluiu, e dá pra ver do último disco pra esse o quanto eu também cresci. E é uma música simples. Tem aquela linha: “people over power”. É simples assim. Poder sobre as pessoas e a gente queima isso tudo. É uma música sobre união. Você acha que a sua entrada na Casualties trouxe uma nova dinâmica criativa? Sim, com certeza. E digo isso com respeito. Na internet, as pessoas gostam de falar mal. Ninguém chega pra dizer que você está bem, só querem dizer que você é ruim. Vão dizer que eu não pareço o Jorge. Ainda bem. Eu não quero soar como ele. Ele tem a identidade dele. Eu tenho a minha. Eu não estou aqui para substituir ninguém, estou aqui para ser eu mesmo. Tenho uma visão de mundo diferente. O que os fãs podem esperar da nova turnê do Casualties? Shows mais rápidos e pesados do que nunca. Espero que as pessoas escutem o álbum com atenção, leiam as letras e absorvam a mensagem. Não é um álbum para você ouvir e ficar fazendo outras coisas, precisa de concentração. Há planos de trazer a nova turnê do Casualties para o Brasil? Com certeza nós vamos voltar. Queremos tocar mais. Infelizmente perdemos o show de Curitiba devido ao mau tempo, o avião não podia levantar voo. Então queremos compensar o que perdemos e viver mais experiências por aí. Como marido de uma brasileira, como foi tocar no Brasil no ano passado? Me diverti muito, porque tudo o que minha esposa, Renata, tinha me contado sobre os shows era verdade. Todo mundo fazendo a dança punk em São Paulo, todo mundo cantando. Eu podia jogar o microfone e o público cantava. Eles conheciam o disco que gravei e também as músicas antigas. Eu sinto muita saudade (fala em português). E você sabia que a palavra saudade só existe em português? É isso. Não dá pra explicar, só sentir. Como você compara o público da América do Sul com o dos EUA e Europa? O público sul-americano é muito mais selvagem, muito mais divertido. Existem bons shows nos Estados Unidos, mas quase todo show na América do Sul é incrível. Muito mais energia, muito mais entrega. Quais foram as suas melhores memórias do Brasil? Ver todo mundo cantando junto e poder me jogar na multidão. É uma conexão única. Você nem pensa em cair porque

Entrevista | Man With A Mission – “Muitas bandas japonesas tinham dificuldade de comunicação, mas somos lobos, somos diferentes”

A banda Man With A Mission desembarca no Brasil pela primeira vez para um show único no dia 27 de maio, no Carioca Club, em São Paulo. Conhecida pelo visual marcante com cabeças de lobo e por um som que mistura rock, eletrônico e energia cinematográfica, a banda traz ao país a turnê mundial Howling Across the World. A apresentação integra a celebração dos 15 anos de carreira do grupo, atualmente em destaque com o EP XV (Across The Globe). Formado em Tóquio, o quinteto Man With A Mission construiu uma trajetória sólida no cenário internacional ao unir estética performática e versatilidade musical. Ao longo dos anos, a banda se destacou tanto nos palcos de grandes festivais quanto na cultura pop global, especialmente por trilhas em animes como Demon Slayer e Log Horizon. Com uma sonoridade que transita entre o alternativo, o metal e o pop experimental, o grupo se consolidou como um dos principais nomes do rock japonês contemporâneo. Em entrevista ao Blog n’ Roll, o vocalista e guitarrista do Man With A Mission, Jean-Ken Johnny, falou sobre a experiência de tocar na América Latina com as máscaras, a relação histórica com o público brasileiro e o impacto da identidade visual da banda na era das redes sociais. Vocês já tocaram no México, e a América Latina costuma ter shows muito intensos. Como vocês se adaptam para tocar com as máscaras em ambientes quentes e com tanta energia do público? Sim, definitivamente fica quente. Bem, isso não é uma máscara, é o que nós somos, mas como você disse, fica muito quente quando subimos ao palco e estamos bem atentos à temperatura. No geral, é a primeira vez que visitamos muitos lugares nessa turnê, então estamos muito animados e empolgados. Estamos mais prontos do que nunca. E como funciona a máscara na prática durante o show? Ela interfere na respiração ou na projeção da voz? Existe alguma tecnologia específica por trás disso? Enquanto estamos nos apresentando, isso não incomoda nem um pouco. Mas quando falamos da reação com o público, nós definitivamente parecemos diferentes de outros artistas. Normalmente, quando alguém está no palco, o público pensa no personagem de cada integrante. Mas, como somos lobos, eles não precisam se preocupar com isso. É como uma figura icônica que faz com que as pessoas não se preocupem com quem somos, mas consigam focar mais facilmente na música e na atmosfera. Acho que isso ajuda bastante nesse sentido. Por conta dos videogames e animes, além da história de imigração, o Brasil sempre teve uma conexão forte com a cultura japonesa. Vocês percebem isso na forma como o público brasileiro interage com o Man With A Mission nas redes sociais? Sim, temos recebido muitos comentários no YouTube e em redes sociais como o Twitter (X). Já faz 15, 16 anos que começamos a banda, e desde o início muitas pessoas do Brasil reagiam ao nosso trabalho, pedindo para irmos ao país, para tocarmos nas cidades delas. Isso nos incentivou muito ao longo da carreira. Sempre fomos muito gratos por todo o apoio. Estamos felizes por finalmente cumprir essa promessa. Vocês sempre focaram em uma carreira internacional? Em que momento perceberam que essa expansão global estava realmente acontecendo? Para ser honesto, quando começamos a banda isso não era exatamente um objetivo. Mas sempre sonhamos em viajar pelo mundo e tocar para pessoas de outros países. Musicalmente, sempre tentamos fazer algo que soasse internacional, que pudesse atravessar fronteiras com facilidade. Acho que percebemos isso por causa da internet. As pessoas reagiam imediatamente, comentavam, e começamos a notar que havia público em vários lugares querendo nossos shows. Isso aumentou muito nossa motivação para fazer turnês pelo mundo. Existe algum país ou público que surpreendeu vocês recentemente? Falando da América Latina, a primeira vez que fomos ao México foi incrível. O local tinha capacidade para cerca de 800 ou mil pessoas, mas quando subimos ao palco parecia um show gigantesco. O público cantava todas as músicas, cada palavra. Foi uma experiência impressionante. Em que momento vocês perceberam que o conceito dos lobos era mais do que estética e virou linguagem da banda? Começamos no Japão e já tocávamos há algum tempo, mas logo no primeiro show percebi que o público reagia de forma diferente. As pessoas conseguiam focar mais na música por causa do visual icônico. Muitas bandas japonesas tinham dificuldade de comunicação, não pela língua, mas por serem identificadas como japonesas. Isso às vezes criava uma barreira. O nosso visual faz com que as pessoas não se preocupem com isso. Somos lobos, somos diferentes. Acho que isso ajudou muito na conexão internacional. E vocês sentem que o conceito visual ajuda na comunicação na era das redes sociais, principalmente no consumo de vídeos curtos? Somos fáceis de reconhecer visualmente, isso é certo. Mas hoje as redes sociais estão mais complexas. As pessoas querem conhecer o lado pessoal dos artistas, e nós não somos muito bons nisso. Por outro lado, o fato de não sermos “humanos comuns” facilita expressar ideias e sentimentos. Isso pode tornar a mensagem mais acessível. Acho que, de certa forma, as redes sociais acabam sendo mais fáceis para nós. Quais foram as principais influências fora do Japão que ajudaram a construir o som de vocês? Sou muito fã da cena dos anos 90. Bandas como Nirvana, Smashing Pumpkins, Pixies, Sonic Youth e Dinosaur Jr. me influenciaram bastante. O movimento grunge e alternativo foi muito importante para mim. Também gosto muito da mistura de gêneros daquela época, como Rage Against the Machine, Linkin Park e Korn. Era um período muito experimental, com diversidade musical e novas possibilidades dentro do rock. Essa foi a maior influência para mim. Depois de mais de quinze anos, o que define a identidade da banda hoje? Ainda estamos no caminho, mesmo depois de 15 ou 16 anos. Hoje vemos muitas bandas japonesas ganhando espaço no mundo, e isso também tem relação com o crescimento do anime. Não acho que inventamos algo totalmente novo, mas temos orgulho de estar

Entrevista | Spin Doctors – “A gravadora dizia que Two Princes não era um hit”

A banda americana Spin Doctors está confirmada como uma das atrações do Somos Rock Festival, com apresentações marcadas para 25 de abril em São Paulo e 26 de abril em Curitiba. Além das datas no evento, o grupo também fará sideshows no Brasil: 22 de abril no Rio de Janeiro, 28 de abril em Porto Alegre e 30 de abril em Belo Horizonte, ampliando a aguardada volta da banda ao país após três décadas. Formado em Nova York no final dos anos 1980, o Spin Doctors se tornou um dos nomes mais populares do rock alternativo dos anos 1990 com o álbum Pocket Full of Kryptonite. O disco revelou sucessos que dominaram a programação da MTV e das rádios, como Two Princes, Little Miss Can’t Be Wrong e Jimmy Olsen’s Blues, ajudando a consolidar a banda como parte importante da geração que levou o rock novamente às paradas de sucesso da década. No Brasil, a banda ficou conhecida também pela passagem em 1995, quando abriu shows dos The Rolling Stones no festival Hollywood Rock. Foi a única passagem deles por aqui. Agora, com nova turnê e o álbum Face Full of Cake na bagagem, o baterista Aaron Comess falou com o Blog N’ Roll sobre as lembranças da primeira visita ao Brasil, a nova geração que descobriu a banda nos últimos anos e como o grupo equilibra clássicos com material recente nos shows. O Spin Doctors tocou no Brasil há cerca de 30 anos, abrindo shows dos Rolling Stones no Hollywood Rock. Mas a reação do público foi intensa. O que você lembra daqueles shows hoje? Acha que isso influenciou o fato de a banda não ter voltado ao Brasil por tanto tempo? Acho que você está se referindo às pessoas jogando coisas no palco, né? Olha, para ser sincero, nossa experiência no Brasil foi em grande parte muito positiva. Mas lembro de um show específico em um estádio enorme, em que estava chovendo muito. Eu estava no palco e havia muitas garrafas sendo jogadas na nossa direção, então a gente ficava ali tocando e meio que se esquivando. Mas você precisa seguir em frente. Tinha algo como 200 mil pessoas naquela noite, então penso que pelo menos metade delas gostou do show. Foi uma situação interessante, digamos assim. De qualquer forma, não existe um motivo específico para termos demorado tanto para voltar. A banda passou por muitas coisas ao longo dos anos, mas agora estamos funcionando a todo vapor novamente e estamos muito felizes por ter a oportunidade de retornar. Nota da redação: O show foi no Pacaembu, no dia 30 de janeiro de 1995, e para um público menor do que o mencionado por conta da capacidade do estádio. Agora vocês que vão voltar depois de muitos anos, como você acha que os fãs brasileiros vão reagir ao Spin Doctors hoje? Eu prometo que a recepção será melhor. Tenho certeza de que o público brasileiro é muito legal. Na verdade, sempre foi. Acho que vai dar tudo muito certo. Tenho um pressentimento muito bom sobre isso. O que temos visto aqui nos Estados Unidos, cerca de 30 anos depois do grande sucesso da MTV e dos hits da banda, é que uma nova geração inteira descobriu nossa música. Hoje temos muitos jovens nos nossos shows, então o público acaba sendo bem variado em termos de idade. Tenho a sensação de que isso também vai acontecer no Brasil. É isso que espero e imagino que aconteça. Pensando nos sideshows no Brasil e no Festival Somos Rock, vocês planejam alguma surpresa no setlist? Como vocês vão mesclar as músicas novas com os clássicos que o público quer ouvir? Nós sempre tocamos todos os clássicos que as pessoas querem ouvir. Isso é essencial e também adoramos tocar essas músicas, então o público pode esperar ouvir todas as canções que espera de um show do Spin Doctors. Mas, dependendo da duração do set, gostamos de variar um pouco de show para show. Sempre incluímos algumas músicas novas e também resgatamos faixas de outros discos. Às vezes tocamos um ou dois covers também. No último ano começamos a fazer uma versão de Purple Rain, do Prince, e tem sido muito divertido. Então é bem possível que a gente toque essa música na maioria dos shows. Eu ia perguntar justamente sobre o cover de Purple Rain, estava curioso sobre isso. Falando sobre os hits, uma das músicas mais curiosas da banda é Jimmy Olsen’s Blues, inspirada no universo do Superman. Como surgiu a ideia de escrever sobre um personagem de quadrinhos? Essa música foi escrita pelo Chris. Só ele poderá dizer de onde veio a inspiração inicial, mas é muito o estilo de letras dele. Tem muito daquele espírito de Nova York e das histórias que ele gostava de contar. Com certeza vamos tocar essa música. Na verdade, acho que tocamos Jimmy Olsen’s Blues praticamente todas as noites desde que a banda começou. Deve ser a única música em todos os shows desde que entrei na banda. E já que falamos de super-heróis, no filme Wanderlust, o ator Paul Rudd canta Two Princes em uma cena bem divertida. E, veja bem, hoje ele é um dos Vingadores (risos). Como foi ver essa situação? Aquilo é hilário. Muito engraçado mesmo. Eu adorei. Foi clássico! Quem sabe ele não aparece em um show para tocar com a gente algum dia? E quando o Spin Doctors gravou Two Princes, vocês imaginavam que ela se tornaria um dos grandes hinos do rock dos anos 90? Para ser honesto, não. Nós éramos uma banda jovem e queríamos simplesmente fazer um grande disco. A ideia era gravar um álbum forte, em que cada música tivesse personalidade e mostrasse os diferentes lados da banda. Nunca imaginamos que seria um sucesso tão grande. Depois de um tempo começamos a perceber a reação do público nos shows com músicas como Two Princes, Little Miss e Jimmy Olsen. Então pensamos que talvez algo pudesse acontecer com aquelas canções. Mas a gravadora não fazia

Lollapalooza no sábado teve leques, surpresas e polêmica

O segundo dia do Lollapalooza Brasil chegou com menos expectativa e números mais modestos de público, mas ainda assim entregou momentos relevantes dentro de um lineup cheio de apostas. Entre surpresas, reafirmações de força e uma das maiores polêmicas da edição, o sábado mostrou que, mesmo sem soldout, o festival segue capaz de gerar impacto dentro e fora dos palcos. No sábado, a proposta era acompanhar mais sete apresentações em um dia considerado mais modesto entre os três lineups. Sem soldout, o público caiu de 100 mil para cerca de 85 mil pessoas. Comecei novamente pelo palco Samsung com o Hurricanes, que mantém viva a estética e sonoridade dos anos 70. Funcionou como um bom cartão de visitas para quem ainda não conhecia o grupo. No palco principal, Agnes Nunes foi uma grata surpresa. Misturando MPB e pop, conquistou o público com autenticidade e emoção, chegando às lágrimas ao reconhecer o peso de estar ali como mulher preta e paraibana. A participação de Tiago Iorc em “Pode Se Achegar” elevou ainda mais o momento. De volta ao Samsung, o projeto Foto em Grupo reuniu integrantes de Daparte, Lagum e Anavitória. Apostando no carisma de Ana Caetano e Pedro Calais, o grupo trouxe ares de uma versão moderna dos Novos Baianos. Além das faixas autorais, covers de Lagum e Anavitória funcionaram bem para completar o set, com destaque para o momento político em “Eu Te Odeio”, com críticas a Donald Trump e Jair Bolsonaro. No palco principal, MARINA mostrou força de headliner mesmo fora desse posto. A área ficou lotada antes das 17h e o público criou uma atmosfera própria ao usar leques como percussão, transformando o show em uma experiência coletiva marcante. Representando o hip hop chicano, o Cypress Hill manteve sua identidade intacta. Sem concessões ao restante do lineup, entregou um show fiel à sua estética, com forte presença da cultura cannabis e momentos como o cover de “Bombtrack”, do Rage Against the Machine. Logo depois, o TV Girl apresentou um show despretensioso, quase caótico. O vocalista, Brad Petering, alternava seu carisma com momentos icônicos como comer banana e fumar vape nos intervalos. Fora dos padrões, a banda mostra que pode sustentar um indie pop-rock sem guitarrista e que funcionou muito bem ao vivo. Coube à Chappell Roan encerrar minha jornada no sábado em meio a um dos episódios mais comentados do festival. A artista subiu ao palco sob gritos contra o Flamengo e protestos ligados a uma polêmica envolvendo a filha do ator Jude Law e enteada de Jorginho, jogador do time carioca. Segundo relatos da família, a cantora teria acionado a segurança do hotel após acusar a criança de assédio durante o café da manhã, episódio que rapidamente dominou as redes sociais. Mesmo com o rótulo de “fofoca do dia”, Chappell fez uma estreia consistente no Brasil. Diferente da estética ensolarada de Sabrina Carpenter, apostou em um cenário de castelo gótico e uma banda formada por mulheres, trazendo um peso mais próximo do rock à sua apresentação. No repertório, incluiu um cover de “Barracuda”, do Heart, reforçando a conexão com o rock feminino clássico. Hits como “Pink Pony Club” foram cantados em coro, embalados por uma plateia que manteve a já tradicional coreografia com leques. Ao fim do show, a cantora se pronunciou nos stories, pediu desculpas pelo ocorrido e afirmou não ter relação com a atitude do segurança.

Lollapalooza in loco: Sete shows na Sexta-Feira com revival do Nu Metal e afirmação da nova cena pop

A convite do Lollapalooza Brasil, acompanhei in loco os dois primeiros dias do festival, sexta e sábado, em uma maratona de 14 shows que ajudaram a desenhar o termômetro da edição. Entre apostas da nova cena, nomes já consolidados e headliners de peso, o evento mostrou seus contrastes logo nas primeiras horas. Na sexta, cheguei direto ao palco Samsung para conferir a vencedora da seletiva da 89FM Rádio Rock. A Ginger and the Peppers confirmou o hype das redes sociais com um som calcado no classic rock setentista, evocando referências como Led Zeppelin e AC/DC. Cantando em inglês, a banda teve como destaque a presença de sua vocalista Julia, que sustenta a identidade do grupo com segurança. Permaneci na mesma área, transitando entre os palcos Samsung e Flying Fish durante as próximas horas. O Viagra Boys entregou um dos shows mais divertidos do dia, com energia contagiante e uma mistura crua de indie e punk. Nem pareciam que haviam feito um sideshow há menos de 24 horas. Mesmo quem não conhecia o repertório acabou fisgado pela intensidade da apresentação, que teve direito até a stage dive de um dos integrantes. Na sequência, Ruel quebrou a sequência mais pesada com um pop dançante e bem executado. Aproveitando o momento do single “Don’t Say That”, mostrou maturidade aos 22 anos, alternando entre coreografias e momentos mais intimistas, como a versão voz e violão de “Girls Just Wanna Have Fun”, de Cyndi Lauper. Um dos nomes mais aguardados, o Interpol reforçou uma impressão recorrente em festivais: funciona melhor para fãs do que para novos públicos. Com execução impecável e elegância visual, a banda optou por uma postura distante, quase protocolar, o que esfriou o clima entre a explosão do Viagra Boys e a expectativa pelo Deftones. Em contraponto, o Men I Trust, no palco ao lado, transformou o espaço menor em um grande coro coletivo. Com forte carisma de sua vocalista, Emma, o show ganhou clima de luau ao anoitecer, com o público cantando em uníssono. Quando o Deftones subiu ao palco, Chino Moreno já ditava o ritmo com intensidade máxima. A apresentação foi explosiva e reafirmou o status de headliner da banda, mesmo com foco no material mais recente do elogiado álbum Private Music e ausência de alguns hits. Houve sinalizadores, mosh e entrega do público. O ponto negativo ficou por conta do uso dos telões, pouco funcionais para quem acompanhava de longe e sentado nos morrinhos. Encerrando a noite, Sabrina Carpenter assumiu o posto de headliner com um espetáculo pensado nos mínimos detalhes. Após passagens anteriores pelo Brasil como coadjuvante, inclusive abrindo para Taylor Swift e Ariana Grande, a artista agora liderou o primeiro dia com autoridade. O show foi protocolar, mas altamente eficiente, com cenário cinematográfico, trocas de figurino e forte interação visual. Em “Juno”, a participação de Luísa Sonza dividiu opiniões. No fim, hits como “Espresso” e um show pirotécnico transformaram a noite em um verdadeiro réveillon pop. No sábado, a proposta era acompanhar mais sete apresentações em um dia considerado mais fraco de lineup. Sem soldout, o público caiu de 100 mil para cerca de 85 mil pessoas. Comecei novamente pelo palco Samsung com o Hurricanes, que mantém viva a estética e sonoridade dos anos 70. Funcionou como um bom cartão de visitas para quem ainda não conhecia o grupo. No palco principal, Agnes Nunes foi uma grata surpresa. Misturando MPB e pop, conquistou o público com autenticidade e emoção, chegando às lágrimas ao reconhecer o peso de estar ali como mulher preta e paraibana. A participação de Tiago Iorc em “Pode Se Achegar” elevou ainda mais o momento. De volta ao Samsung, o projeto Foto em Grupo reuniu integrantes de Daparte, Lagum e Anavitória. Apostando no carisma de Ana Caetano e Pedro Calais, o grupo trouxe uma releitura moderna da vibe dos Novos Baianos. Além das faixas autorais, covers funcionaram bem para completar o set, com destaque para o momento político em “Eu Te Odeio”, com críticas a Donald Trump e Jair Bolsonaro. No palco principal, MARINA mostrou força de headliner mesmo fora desse posto. A área ficou lotada antes das 17h e o público criou uma atmosfera própria ao usar leques como percussão, transformando o show em uma experiência coletiva marcante. Representando o hip hop chicano, o Cypress Hill manteve sua identidade intacta. Sem concessões ao restante do lineup, entregou um show fiel à sua estética, com forte presença da cultura cannabis e momentos como o cover de “Bombtrack”, do Rage Against the Machine. Logo depois, o TV Girl apresentou um show despretensioso, quase caótico. O vocalista alternava entre comer banana e fumar vape nos intervalos, enquanto a banda sustentava um indie pop sem guitarrista que funcionou melhor ao vivo do que no papel. Coube à Chappell Roan encerrar minha jornada no sábado em meio a um dos episódios mais comentados do festival. A artista subiu ao palco sob gritos e protestos ligados a uma polêmica envolvendo a filha do ator Jude Law e enteada de Jorginho, jogador do Flamengo. Segundo relatos da família, a cantora teria acionado a segurança do hotel após acusar a criança de assédio durante o café da manhã, episódio que rapidamente dominou as redes sociais. Mesmo com o rótulo de “fofoca do dia”, Chappell fez uma estreia consistente no Brasil. Diferente da estética ensolarada de Sabrina Carpenter, apostou em um cenário de castelo gótico e uma banda formada por mulheres, trazendo um peso mais próximo do rock à sua apresentação. No repertório, incluiu um cover de “Barracuda”, do Heart, reforçando a conexão com o rock feminino clássico. Hits como “Pink Pony Club” foram cantados em coro, embalados por uma plateia que manteve a já tradicional coreografia com leques. Ao fim do show, a cantora se pronunciou, pediu desculpas pelo ocorrido e afirmou não ter relação com a atitude do segurança. Em dois dias, o Lollapalooza expôs suas dualidades: entre o espetáculo calculado do pop e a entrega crua do rock, entre novas apostas e nomes consolidados. No fim, mais do

Entrevista | Candlebox – “Acho que fomos subestimados. Fizemos vários discos bons e nunca paramos”

O Candlebox será uma das principais atrações internacionais do Somos Rock Festival, com apresentações marcadas para São Paulo, no dia 25 de abril, e Curitiba, no dia 26. A passagem, que inclui também um sideshow dia 24 em Santo André, marca a estreia da banda no Brasil após mais de três décadas de carreira, dentro da turnê sul-americana. Chile e Argentina serão os outros países contemplados nessa passagem. Liderado pelo vocalista Kevin Martin, o grupo chega ao país em um momento de retomada, após um quase adeus, e impulsionado pelo retorno do guitarrista fundador Peter Klett. A formação reacende a essência dos primeiros discos e amplia a expectativa para performances de clássicos como “Far Behind” e “You”, além de um repertório mais abrangente que revisita diferentes fases da carreira. Formado em Seattle no início dos anos 90, o Candlebox surgiu na esteira da explosão do grunge e rapidamente alcançou sucesso comercial com seu álbum de estreia, lançado em 1993, que ultrapassou a marca de quatro milhões de cópias vendidas. Ao longo dos anos, a banda consolidou seu nome como um dos principais representantes do post grunge, mantendo atividade constante mesmo após mudanças de formação e períodos de hiato, até chegar à atual fase, marcada por um “recomeço” após a anunciada turnê de despedida. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o vocalista Kevin Martin explica os motivos da banda não ter encerrado a carreira na turnê de despedida, o retorno de Peter Klett, a inédita estreia da banda no Brasil e até mesmo sobre o famoso meme do “rock de pai divorciado”. Quando você anunciou The Long Goodbye, aquilo era realmente o fim ou já existia alguma dúvida interna? Era realmente isso que eu queria fazer. Eu tinha certeza de que havia terminado e não queria continuar tocando ou fazendo música. Sentia que tinha chegado a um platô na minha vida e na minha carreira. Então, o Pete e eu tivemos uma longa conversa e ele disse que queria voltar para a banda. Isso reacendeu algo em mim, renovou o que eu estava sentindo e as emoções que eu tinha naquele momento. Percebi que talvez não tivesse terminado de verdade. E, claro, eu sentia falta dele na minha vida, como músico, como amigo e como parceiro criativo. Então você sente que esse retorno do Peter é como uma continuação natural da história da banda? Sim, 100%. Eu realmente sinto isso. Faz todo sentido quando você pensa no quanto o Candlebox foi importante para tantas pessoas. É muito fácil esquecer, quando alguém sai da banda, ou decide se afastar por um tempo, o quanto aquela pessoa era essencial. Você começa a pensar que tudo depende de você, que você é a banda. Mas quando essa pessoa volta, você percebe exatamente o quanto ela foi importante e o quanto continua sendo para a continuidade da banda. Além da volta do Peter, houve um show específico ou um convite que mudou a sua cabeça? Acho que foi quando estávamos tocando no Texas e ele apareceu para tocar alguns shows com a gente. Naquele momento, senti que ele estava voltando com intenção, com vontade real de estar ali. E isso era algo que eu sentia que faltava quando ele saiu da banda em 2015. Na época, ele não estava comprometido com o que fazíamos. Mas naquele retorno, ficou claro que ele queria estar ali de verdade. Eu reconheci isso e senti isso no palco. Hoje, olhando para trás, onde o Candlebox se encontra? É um novo começo, um novo capítulo ou algo ainda em aberto? Eu vejo como um novo capítulo. Estamos trabalhando em música nova e não vamos parar tão cedo. E, como eu disse, isso tem muito a ver com o retorno do Peter. Ele me inspirou a voltar a trabalhar com ele e pensar em um novo álbum. Posso dizer com certeza que estamos de volta por um bom tempo. E depois de mais de 30 anos, por que demorou tanto para o Candlebox tocar no Brasil? Nós nunca conseguimos encontrar um promotor em quem pudéssemos confiar. Fomos convidados várias vezes, mas é complicado para uma banda como o Candlebox. Não somos uma banda do tamanho de Soundgarden ou Pearl Jam, então muitas vezes precisamos trabalhar com promotores menores ou novos. E sempre que começávamos a alinhar datas, algo dava errado e precisávamos cancelar. Estamos tentando tocar no Brasil e na América do Sul literalmente há mais de 30 anos. Agora finalmente aconteceu, e acho que é uma grande oportunidade. Pode até abrir portas para festivais como Lollapalooza ou Rock in Rio no futuro. E o que você ouviu sobre o público brasileiro ao longo dos anos? Te dava mais vontade de vir? Nosso tour manager por 17 anos, Carlos Novais, é de São Paulo, então sempre ouvimos coisas incríveis. Além disso, somos amigos de muitos músicos que já tocaram aí. Todos dizem que o público é apaixonado e intenso. E sempre fazem a mesma brincadeira: para tomar cuidado com as mulheres brasileiras. Então vamos ver como vai ser. Vocês estão preparando algo especial para o debut no Brasil? Vão preparar um set especial? Estamos tocando muitas músicas que as pessoas talvez não esperem. Vai ser um show longo, com cerca de 90 minutos, algo entre 20 e 22 músicas. Não vamos focar só no primeiro álbum. Vamos tocar coisas de Happy Pills, Into the Sun e várias músicas que não tocamos há anos. Também vamos incluir bastante material do Lucy. Vai ser um show bem completo. Bem, o público sul-americano é conhecido por ser intenso. Isso muda a forma como o Candlebox encara o show? Sim, nós focamos muito na energia. Queremos que o público sinta o que veio sentir. Normalmente começamos com algo do primeiro álbum, mas durante o show vamos ajustando o setlist de acordo com a reação. Se sentimos que algo não está funcionando, mudamos na hora. É um processo muito dinâmico. E o line-up do festival está bem interessante, como um revival indo dos anos 80