Dimmu Borgir é a primeira atração confirmada do Liberation Festival 2026 em São Paulo

O retorno do Liberation Festival já tem seu primeiro grande nome confirmado. Uma das bandas mais influentes da história do metal extremo, o Dimmu Borgir será a atração principal do evento no dia 12 de dezembro de 2026, no Vibra São Paulo. A apresentação será exclusiva no Brasil e marca a volta do festival após oito anos de hiato. A confirmação dos noruegueses abre oficialmente a programação da nova edição do Liberation Festival, que também terá uma segunda data, em 13 de dezembro, ainda com atrações a serem anunciadas pela organização. Os ingressos já estão à venda. Dimmu Borgir – Headliner de peso Formado em 1993, o Dimmu Borgir ajudou a transformar o black metal em um fenômeno global ao incorporar elementos sinfônicos à sonoridade extrema. Ao longo de mais de três décadas, a banda liderada por Shagrath e Silenoz construiu uma identidade própria ao unir peso, atmosferas sombrias, arranjos orquestrais e uma estética grandiosa que influenciou diferentes gerações do metal. O anúncio também coincide com um momento especial na carreira do grupo. Em maio deste ano, o Dimmu Borgir lançou Grand Serpent Rising, seu primeiro álbum de estúdio em oito anos. Sucessor de Eonian (2018), o trabalho apresenta 13 faixas e resgata diferentes fases da trajetória da banda, apostando em riffs mais orgânicos e em um uso mais equilibrado das tradicionais orquestrações. “Eu realmente sinto que nos superamos musicalmente neste álbum. Foi um processo longo e exigente, mas ver como tudo se encaixou torna isso extremamente recompensador. Grand Serpent Rising carrega ecos de cada capítulo do legado do Dimmu Borgir”, afirmou o vocalista Shagrath em material de divulgação. Gravado em Gotemburgo, na Suécia, o disco marca o reencontro da banda com o produtor Fredrik Nordström, responsável por alguns dos trabalhos mais celebrados de sua discografia, incluindo Puritanical Euphoric Misanthropia e Death Cult Armageddon. O retorno do Liberation Festival acontece após sua última edição, realizada em 2018, que contou com Kreator e Arch Enemy como destaques. Um ano antes, o evento reuniu nomes como King Diamond, Lamb of God, Carcass e Heaven Shall Burn, consolidando sua posição entre os principais festivais dedicados ao metal no Brasil. Com o Dimmu Borgir confirmado e novas atrações previstas para os próximos meses, a edição de 2026 começa a ganhar forma e promete recolocar o Liberation Festival no centro das atenções dos fãs de música pesada. Serviço Liberation Festival 2026 Data: 12 de dezembro de 2026 Local: Vibra São Paulo Endereço: Av. das Nações Unidas, 17.955 – São Paulo/SP Ingressos: clubedoingresso.com/evento/liberationfest2026

Death Cab for Cutie reencontra sua essência indie em I Built You a Tower

Há bandas que envelhecem tentando desesperadamente reviver o passado. Outras seguem em frente e acabam se afastando demais daquilo que as tornou especiais. O Death Cab for Cutie passou anos caminhando nessa linha tênue, alternando momentos inspirados e discos que pareciam funcionar mais pela competência técnica do que pela emoção. Em I Built You a Tower, porém, Ben Gibbard e companhia encontram um ponto de equilíbrio raro: olhar para trás sem parecer nostálgico e seguir adiante sem perder a própria identidade. Primeiro álbum da banda em quatro anos, I Built You a Tower nasce de um período turbulento na vida de Gibbard. O fim de um casamento e reflexões sobre perda, aceitação e desgaste emocional aparecem em praticamente todas as faixas. A diferença é que o vocalista abandona qualquer traço de autopiedade. Em vez disso, escreve sobre a dor com a maturidade de quem entende que algumas feridas não desaparecem, apenas passam a fazer parte da paisagem. Musicalmente, o disco soa como o trabalho mais inspirado do Death Cab desde os tempos em que álbuns como Transatlanticism e Plans ajudaram a definir uma geração inteira de fãs de indie rock. Não porque tente copiá-los, mas porque recupera características que pareciam adormecidas há anos. As guitarras voltam a ter protagonismo, o baixo ganha presença marcante e os arranjos apostam mais na emoção do que em camadas desnecessárias de produção. O resultado é um álbum que conversa diretamente com o passado da banda, mas sem parecer uma tentativa de recriação artificial. Faixas como “Punching the Flowers” carregam uma tensão quase juvenil, enquanto “Stone Over Water” mergulha em uma vulnerabilidade que remete aos primeiros anos da carreira. Já “The Flavor of Metal” apresenta um dos momentos líricos mais fortes do disco, mostrando que Gibbard continua sendo um observador excepcional das pequenas tragédias cotidianas. Em um repertório tão marcado pela melancolia, chama atenção a forma como a banda evita transformar tristeza em monotonia. Há dinâmica, contrastes e uma sensação constante de movimento. Os dois capítulos finais, “I Built You a Tower (A)” e “I Built You a Tower (B)”, funcionam como o coração conceitual do álbum. A primeira expõe arrependimentos e fragilidades. A segunda fecha a jornada com um sentimento agridoce de exaustão e aceitação. É um encerramento que sintetiza perfeitamente a proposta do disco: não oferecer respostas fáceis, mas aprender a conviver com as perguntas. Nem tudo funciona com a mesma intensidade. Algumas passagens de “Full of Stars” e “Pep Talk” soam excessivamente delicadas, quase açucaradas, reduzindo parte do impacto emocional que o álbum busca transmitir. Ainda assim, são pequenos tropeços em uma obra que acerta muito mais do que erra. No fim das contas, I Built You a Tower não é apenas o melhor disco do Death Cab for Cutie em muitos anos. É também um lembrete de por que a banda se tornou tão importante para o indie rock dos anos 2000. Sem recorrer a fórmulas prontas ou exercícios de nostalgia, Ben Gibbard transforma dor, desgaste e aceitação em canções que soam honestas, humanas e surpreendentemente revitalizadas. Quando uma banda com quase três décadas de carreira consegue soar relevante dessa forma, vale a pena prestar atenção.

Amy Lee lidera a versão mais ambiciosa do Evanescence em décadas em Sanctuary

Quando foi anunciado que Jordan Fish, ex-Bring Me The Horizon e um dos produtores mais requisitados do metal moderno, estaria envolvido em Sanctuary, muita gente imaginou que o Evanescence seguiria a cartilha adotada por diversas bandas que passaram a incorporar eletrônicos, programações e estruturas mais contemporâneas, como o Spiritbox. Felizmente, não foi isso que aconteceu. O novo álbum mostra uma banda que entende exatamente quem é. Jordan Fish não transforma o Evanescence em outra coisa. Seu papel parece muito mais o de potencializar qualidades que já existiam do que reinventar a roda. O resultado é um disco que dá um enorme passo em direção ao metal moderno sem abandonar a personalidade construída por Amy Lee e companhia ao longo de mais de duas décadas. Ao contrário de álbuns recentes da “classe dos anos 2000”, Sanctuary soa gigantesco e é um dos maiores trabalhos da banda, mesmo que não tenha mais a potência da rádio e da MTV como propulsores. As guitarras são mais pesadas, os refrões mais impactantes e os arranjos eletrônicos aparecem como complemento, não como muleta. Há uma sensação constante de movimento e urgência que faz o álbum soar atual sem parecer uma tentativa desesperada de acompanhar tendências. O que, para mim, foi um grande alívio. Amy Lee começa o álbum em tons mais graves, mas depois prova que continua sendo o centro gravitacional de tudo. Logo em seu primeiro agudo, sua voz segue carregando a dramaticidade característica da banda, mas agora encontra um instrumental mais agressivo e confiante. O Evanescence de Sanctuary não está olhando para o passado. Está olhando para frente. E talvez seja justamente aí que esteja o único “problema” do disco. O som da banda evoluiu tanto que as faixas mais próximas da fórmula clássica acabam parecendo menos interessantes ou dão a sensação de “eu já ouvi isso antes”. As baladas e os momentos mais contemplativos não são ruins, longe disso. Apenas têm dificuldade para competir com músicas que mostram um Evanescence mais pesado, moderno e ambicioso. Quando o álbum acelera, cresce e explora sua nova identidade, fica evidente que esse é o caminho mais natural para a banda neste momento. O mais interessante é que essa modernização não vem acompanhada de perda de identidade. Ainda é impossível confundir o Evanescence com qualquer outra banda. Os elementos que fizeram o grupo conquistar milhões de fãs continuam presentes, mas agora aparecem revestidos por uma produção que amplia seu alcance e sua potência. Sanctuary não é uma reinvenção completa. É algo mais difícil de alcançar: uma evolução convincente. Um álbum que respeita o passado sem ficar preso a ele. Mais do que um retorno inspirado, o disco apresenta um Evanescence agressivo, atual e pronto para assumir novamente o papel de protagonista dentro do rock e do metal contemporâneo.

Entrevista | The Red Jumpsuit Apparatus – “O Emo ganhou uma nova chance nos últimos anos”

A primeira vez do The Red Jumpsuit Apparatus no Brasil está marcada para o lendário Hangar 110, em São Paulo, no dia 8 de agosto, em uma apresentação especial da turnê que celebra os 20 anos de Don’t You Fake It (2006), álbum que ajudou a definir a sonoridade emo e do rock alternativo dos anos 2000. O show percorrerá os principais momentos do disco que revelou o grupo ao mundo, incluindo clássicos como “Face Down”, “False Pretense” e “Your Guardian Angel”. Duas décadas após o lançamento do álbum de estreia, o The Red Jumpsuit Apparatus continua em atividade e atravessa um novo momento criativo. Em 2025, a banda apresentou os singles “Perfection” e “Slipping Through”, trabalhos que antecederam o álbum X’s For Eyes. O novo material foi bem recebido pelos fãs e ganhou espaço no repertório da atual turnê mundial, que passou por diferentes continentes nos últimos meses. Em entrevista ao Blog n’ Roll, o tecladista Nadeem Salam revelou que X’s For Eyes possui uma conexão direta com Don’t You Fake It. Segundo ele, o vocalista Ronnie Winter revisitou composições e ideias desenvolvidas há cerca de 20 anos para construir parte do novo álbum. O músico afirmou que a proposta era recuperar a mesma energia criativa do início da carreira, algo que tem sido percebido pelo público durante os shows. Nadeem também comentou sua relação pessoal com o disco de estreia, lembrando que ainda estava no ensino médio quando o álbum chegou às lojas. Além disso, destacou a importância contínua de “Face Down”, canção que aborda a violência doméstica e segue provocando reflexões em diferentes gerações, e falou sobre a expectativa para tocar pela primeira vez no lendário Hangar 110, casa que ele considera ideal para a estreia da banda em solo brasileiro. Como você avalia a recepção de X’s For Eyes desde o lançamento? A recepção tem sido incrível. Acabamos de concluir uma turnê mundial que passou pela Ásia e fizemos vários shows ao lado de bandas como Saosin e Dashboard Confessional. Esse ciclo do álbum tem sido diferente porque, pela primeira vez em muito tempo, nós também estamos extremamente empolgados com o material novo. Tem sido especial ver a reação das pessoas, já que estamos tocando várias dessas músicas ao vivo. A banda nunca deixou de lançar músicas, mas esse momento parece diferente. É um capítulo muito especial para nós. Além disso, nosso primeiro álbum está completando 20 anos, então tudo isso traz uma sensação de ciclo completo. Como um novo membro, qual foi seu papel no processo criativo e na gravação do álbum? Sou responsável pelos teclados e pelos efeitos da banda. Neste álbum, porém, houve algo especial. O Ronnie queria resgatar a mesma sensação que existia quando gravou o primeiro disco. Como o álbum de estreia completa 20 anos, ele voltou aos arquivos antigos e várias músicas nasceram de ideias que ele já desenvolvia naquela época. É como retomar um capítulo que ficou aberto por duas décadas. O resultado foi um disco que traz uma energia muito próxima da do primeiro álbum, e os fãs têm percebido isso. E onde estava o Nadeem em 2006 quando Don’t You Fake It foi lançado? Eu estava no ensino médio. Sou um dos integrantes mais jovens da banda. Eu e o Josh, nosso guitarrista, crescemos ouvindo esse álbum. Ele foi a trilha sonora de uma fase muito importante da minha vida. É surreal pensar que eu cresci ouvindo esse disco e hoje meu trabalho é tocá-lo ao redor do mundo. Se alguém dissesse ao Nadeem de 2006 o que estaria fazendo em 2026, ele acharia que era mentira e provavelmente me bloquearia no MySpace. Agora que você está do outro lado, alguma música desse álbum ganhou um novo significado para você depois de entrar na banda? Sim. Quando eu era fã, interpretava aquelas letras de uma forma muito pessoal. Hoje, estando na banda, minha missão é ajudar a transmitir a mensagem que o Ronnie queria passar. Músicas como “Face Down”, “False Pretense” e “Damn Regret” falam de experiências que muitas pessoas conseguem relacionar às próprias vidas. Agora, através da iluminação, dos efeitos visuais e da produção dos shows, temos a oportunidade de contar essas histórias de uma forma ainda mais completa. No Brasil ainda vemos muitos casos de feminicídio e violência contra a mulher. Como é tocar “Face Down” sabendo que a mensagem continua tão atual? É algo muito poderoso. Nossa base de fãs é bastante diversa e cada pessoa se conecta à música de uma maneira diferente. Quando tocamos “Face Down”, sabemos que grande parte do público espera por esse momento. Ao longo dos anos, conhecemos histórias de pessoas que foram impactadas pela mensagem da canção. Isso deu um significado completamente novo para mim. Não é apenas tocar uma música. É compartilhar uma experiência muito importante com o público. Você já tinha ouvido falar da importância do Hangar 110 para a cena alternativa brasileira? Não conhecia, mas fico feliz de saber disso. Parece que será o lugar perfeito para nossa estreia no Brasil. Estamos muito animados porque tocar em uma casa com tanta história pode ajudar a construir uma relação duradoura com o público brasileiro. Esperamos voltar muitas vezes no futuro. O que você espera da primeira passagem da banda pelo Brasil? Estou muito animado. Além dos shows, existe uma conexão pessoal porque pratiquei capoeira durante muitos anos. Sempre foi minha arte marcial favorita. Também adoro futebol e estou ansioso para conhecer melhor o país. Brinquei até que gostaria de caminhar pelas ruas do Brasil, encontrar uma roda de capoeira e participar dela. Tenho certeza de que será uma experiência incrível e estou realmente ansioso para finalmente conhecer os fãs brasileiros. E como você entrou para a banda? Passou por alguma audição? Minha história com o The Red Jumpsuit Apparatus começou há cerca de 15 anos. Quando eu tinha 17 anos, enviei centenas de e-mails para bandas tentando encontrar uma oportunidade na indústria musical. O Ronnie foi praticamente a única pessoa que me respondeu. Comecei trabalhando

Malevolent Creation e Mystic Circle anunciam show histórico no Hangar 110

Os veteranos do death metal norte-americano do Malevolent Creation retornam a São Paulo no dia 24 de outubro para uma apresentação especial no Hangar 110. O show marca a celebração dos 35 anos de The Ten Commandments, disco de estreia da banda e um dos registros mais importantes da primeira geração do death metal da Flórida. A noite contará ainda com a participação dos alemães do Mystic Circle, que voltam aos palcos após duas décadas sem apresentações ao vivo. Lançado em 1991, The Ten Commandments ajudou a consolidar o nome do Malevolent Creation entre os principais representantes do death metal norte-americano. Produzido por Scott Burns e com arte assinada por Dan Seagrave, o álbum trouxe clássicos como “Premature Burial”, “Multiple Stab Wounds” e “Thou Shall Kill!”, combinando a brutalidade do death metal com a velocidade e agressividade herdadas do thrash. A atual formação do grupo é liderada pelo guitarrista e fundador Phil Fasciana, único integrante presente em todas as fases da banda. Para a turnê comemorativa, o músico divide o palco com Deron Miller, Jesse Jolly, Chris Cannella e Ronnie Parmer, em uma formação com três guitarras que busca resgatar características dos primeiros anos do grupo. Mystic Circle de volta aos palcos Outro atrativo da noite será o retorno do Mystic Circle aos palcos. Formada em 1992, na Alemanha, a banda construiu uma carreira marcada pela mistura de black metal, death metal e elementos sinfônicos. Após encerrar as atividades em 2007, o grupo retomou suas atividades em 2021 e lançou uma sequência de trabalhos recentes, incluindo Mystic Circle (2022), Erzdämon (2023) e Hexenbrand 1486 (2025). A apresentação em São Paulo faz parte da turnê latino-americana do Malevolent Creation, que também passará por países como México, Costa Rica, Colômbia, Peru, Chile e Argentina. Serviço Malevolent Creation e Mystic Circle em São Paulo Data: 24 de outubro de 2026Local: Hangar 110Endereço: Rua Rodolfo Miranda, 110, Bom Retiro, São Paulo (SP) Ingressos: Fastix

Entrevista | Culture Wars – “Don’t Speak pode ser aplicada a relacionamentos e ao mundo ao nosso redor”

Lançado em abril, o álbum de estreia do Culture Wars, Don’t Speak, apresenta uma combinação eficiente de diferentes gerações do rock alternativo. Ao longo das faixas, a banda texana constrói uma sonoridade que transita com naturalidade entre as décadas de 80, 90 e 2000. Em alguns momentos, as guitarras precisas e o apelo melódico remetem ao The Police, enquanto a dinâmica entre peso e atmosfera evoca influências alternativa dos Pixies. Já a estética indie contemporânea aparece em passagens que lembram nomes como Arctic Monkeys, Kings of Leon e The Strokes, resultando em um trabalho que dialoga com várias épocas sem soar datado ou excessivamente nostálgico. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Alex Dugan falou sobre a longa espera até o lançamento do primeiro álbum da banda, explicou a mudança do título original para Don’t Speak, comentou o crescimento do Culture Wars em mercados internacionais como México e Reino Unido e revelou como as experiências em shows cada vez maiores ajudaram a consolidar a identidade musical do grupo. O vocalista também detalhou suas principais influências, além de comentar o desejo de realizar apresentações próprias no Brasil no futuro. Formada em Austin, no Texas, o Culture Wars passou boa parte da última década construindo sua trajetória por meio de EPs e singles antes de finalmente apresentar um álbum completo. A decisão de adiar o lançamento de um full length permitiu que o grupo desenvolvesse seu público gradualmente e encontrasse uma assinatura própria. A banda conquistou espaço especialmente graças ao alcance internacional de suas músicas nas plataformas digitais, como Instagram e TikTok, e à crescente popularidade de suas apresentações ao vivo abrindo shows de Keane, Maroon 5 e LANY. Musicalmente, Don’t Speak se destaca pela capacidade de equilibrar refrões grandiosos, produção moderna e influências clássicas do rock. O disco apresenta canções que funcionam tanto em grandes arenas quanto em audições mais intimistas, reforçando a versatilidade da banda. Em vez de apostar apenas em tendências contemporâneas, o Culture Wars constrói uma ponte entre diferentes épocas do gênero, resultando em um trabalho acessível, coeso e repleto de personalidade. Vocês iniciaram a banda na última década. Por que decidiram lançar o primeiro álbum completo apenas agora? Eu não queria lançar um álbum antes de existir um público que realmente quisesse ouvir um álbum nosso. Também passamos muito tempo tentando encontrar nosso som e consolidar a identidade da banda. Jogar um disco no mundo sem ter pessoas esperando por ele pode ser um desperdício, porque toda música tem um ciclo de descoberta. Quando esse momento passa, ela rapidamente se torna algo antigo para o público. Por isso, preferimos construir uma relação gradual com os ouvintes e lançar as músicas no nosso próprio ritmo. E em que momento você percebeu que a banda estava realmente crescendo? Houve alguns momentos importantes. Um deles foi quando tocamos no México com o Wallows, há cerca de dois anos. Estávamos abrindo o show e não esperávamos nada além disso. Mas as pessoas cantavam a letra de “Typical Ways”. Não era um show nosso e sequer tivemos muito tempo para divulgar nossa participação. Ver aquele reconhecimento espontâneo foi impressionante. Outro momento aconteceu em Londres, quando fizemos nosso primeiro show solo na cidade e esgotamos os ingressos. Eram cerca de 250 pessoas cantando todas as músicas. Foi quando pensei: “isso realmente está funcionando”. E qual foi o motivo para a mudança do título do álbum de If Not Now, When? para Don’t Speak? Realmente, o título original era If Not Now, When?, e ele fazia sentido durante as gravações. Mas, quando finalizamos o disco, percebemos que já não representava o material. Reescrevemos boa parte da segunda metade do álbum e até descartamos a capa original. Então passamos a olhar para uma foto usada no videoclipe de “Don’t Speak” e todos concordaram que ela deveria ser a capa do álbum. Aos poucos, percebemos que o título também fazia mais sentido. A ideia de “Don’t Speak” pode ser aplicada a relacionamentos, ao mundo ao nosso redor e até à própria banda, refletindo sobre o momento certo de se manifestar e ocupar espaço. Pouco mais de um mês, como tem sido a reação ao álbum neste início de ciclo promocional? Tem sido incrível. Eu tento não me basear muito no que acontece na internet, porque ela funciona como uma espécie de vácuo. O que realmente torna tudo real é ver as pessoas nos shows. Estamos fazendo a turnê mundial e praticamente todas as apresentações estão esgotadas. Recentemente tocamos em Dallas para cerca de 700 pessoas. Há menos de dois anos, estávamos tentando convencer amigos e familiares a comparecer aos nossos shows em bares. Ver essa evolução é algo surreal. E você comentou que reescreveram boa parte do material. Qual foi a música mais difícil de finalizar no álbum? Sem dúvida foi “Typical Ways”. Foi uma das primeiras músicas escritas para o disco, mas eu reescrevi os versos diversas vezes ao longo de quatro anos. As letras nunca pareciam certas. Acho que precisei amadurecer como pessoa para encontrar as palavras corretas. Os outros integrantes ficaram cansados das mudanças, mas eu insistia que precisava ficar perfeito. Hoje tenho certeza de que valeu a pena. E sua forma de compor mudou depois que a banda começou a tocar para públicos maiores? De certa forma, sim. Mais do que pensar em refrões para grandes plateias, os shows nos ajudaram a entender quem realmente somos. Houve momentos específicos em determinadas músicas em que percebíamos que estávamos completamente confortáveis e conectados com o público. Isso acabou confirmando nossa identidade artística. Quando voltamos a compor, tudo ficou mais simples porque sabíamos exatamente o que queríamos fazer. Eu consigo ouvir influências que vão além dos anos 2000. Percebi elementos de bandas como The Police e Pixies. O que você ouvia quando era criança e adolescente? Quando eu era criança, meu pai só permitia dois CDs no carro: 1, coletânea dos Beatles, e Are You Experienced?, de Jimi Hendrix. Durante anos, praticamente só ouvi isso. Mais tarde, comecei a explorar outros artistas. Passei por Rolling

Entrevista | Bullet Bane – “Optamos por segurar o novo álbum para que tudo fosse encaixado da melhor forma possível”

O Bullet Bane lança nesta sexta-feira (29) o álbum O Agora Que Cobra Viver, trabalho que marca uma nova fase na trajetória do grupo. O disco chega acompanhado de mudanças importantes na formação, com a entrada do vocalista Lucas Guerra e do baterista Andrew Lee. As transformações refletem diretamente na identidade sonora da banda, que amplia ainda mais seus horizontes sem abandonar a intensidade característica construída ao longo da carreira. Com produção de padrão internacional, O Agora Que Cobra Viver surpreende pela maneira como expande os limites do hardcore melódico moderno. O álbum incorpora elementos do metal contemporâneo e aposta em experimentações que incluem screams, sintetizadores, beats eletrônicos e até uma orquestra com 12 instrumentos na faixa “Mais Um Dia”. O resultado é um disco pesado, emocional e ambicioso, que alterna momentos explosivos e atmosferas grandiosas sem perder a conexão com o lado melódico da banda. O trabalho ainda reúne participações especiais de Teco Martins, que aparece em “Mais Um Dia”, e Rodrigo Lima em “Paradoxo Progresso”. E ainda há espaço para uma surpresa: “Alma Gêmea”, tocada em voz e violão de maneira bem intimista. Todas as letras do álbum foram escritas por Lucas Guerra, mostrando a importância da nova formação. A produção ficou a cargo do guitarrista Fernando Uehara, que dividiu a função com toda a banda, enquanto Caio Weber assinou a produção de vozes e colaborou em algumas melodias do disco. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Fernando Uehara conta sobre a segunda troca de vocalista, o processo e cuidado na produção do álbum e como ele soa o reflexo do momento dos cinco integrantes. ​Como tem sido o processo de composição com a entrada do Lee e do Lucas? A primeira música que a gente fez foi “Reta-ação”. Eu, Dan e Rafa já tínhamos essa música e mostramos para o Lee e para o Lucas. Eles piraram e aquilo acabou funcionando como uma porta de entrada para essa nova fase. Foi uma conversa bem direta: “Galera, estamos com essa ideia para um novo momento da banda e queremos que tenha essa energia”. Eles compraram a ideia imediatamente e começamos a trabalhar juntos em cima disso. O mais legal é que tudo fluiu de forma muito natural no estúdio, mesmo sem termos criado nada juntos até então. Foi um processo leve desde o começo. Depois dessa primeira experiência, o restante das músicas acabou acontecendo de forma quase automática. Fomos trabalhando faixa por faixa ao longo dos últimos meses. Já faz cerca de um ano desde que eles entraram na banda e acho que, mais para o final do ano passado, a gente realmente se encontrou musicalmente. A ideia inicial era lançar o álbum antes, mas decidimos adiar porque percebemos que ainda poderíamos amadurecer alguns detalhes. Depois de tocar juntos, fazer shows e observar a reação do público, entendemos melhor o que as pessoas esperavam, o que gostávamos de fazer e qual energia queríamos transmitir. Então optamos por segurar o disco até agora para que tudo fosse encaixado da melhor forma possível. Queríamos que, ao ouvir as músicas, as pessoas realmente sentissem cada um de nós ali dentro. Acho que essa conexão que criamos é algo difícil de alcançar e o fato de nos entendermos tão bem e termos nos encontrado nesse momento da vida fez tudo fluir naturalmente. Todo mundo ficou muito satisfeito com o resultado. A troca de um vocalista é sempre um processo complicado para muitas bandas, mas vejo que todo mundo ficou feliz com a nova formação. Como foram os primeiros shows e o feedback do público? A troca de vocalista é sempre algo complicado e até curioso, porque é difícil lembrar de bandas que passaram por duas mudanças desse tipo e conseguiram continuar fortes. A primeira aconteceu em 2018, com a saída do Vitro, que era o vocalista original do Bullet Bane. Foi um momento difícil, mas logo nos recompusemos com a entrada do Arthur. Tivemos uma fase muito boa e tudo fluiu naturalmente naquele período. Com o passar do tempo, porém, as coisas deixaram de funcionar da mesma maneira e, em 2025, aconteceu a saída do Arthur. Já não existia mais a mesma sinergia entre a gente e entendemos que fazia mais sentido cada um seguir seu caminho. Ele foi para a carreira solo e, para nós, era assustador pensar em uma segunda troca de vocalista. Uma mudança já é complicada, então uma segunda parecia um desafio ainda maior. Quando o Arthur saiu, muita gente do Brasil inteiro entrou em contato interessada em fazer testes, mas o Lucas já era um amigo nosso de longa data. A gente nunca teve banda junto, mas já tínhamos convivido bastante e feito muitas coisas juntos. Por isso, ele foi a escolha mais coerente. Também coincidiu com o momento em que ele estava de volta ao Brasil e disposto a entrar nesse novo projeto. Tudo aconteceu de forma muito natural. A aceitação do público foi muito positiva. O Lucas já é um cara muito querido por conta dos trabalhos anteriores e da carreira que construiu. As pessoas gostaram muito de vê-lo cantando as músicas antigas e nós também curtimos bastante como elas soaram na voz dele. E as músicas novas ficaram ainda mais fortes. Eu sou fã dele há muito tempo, principalmente pela forma como escreve e pela visão que tem nas letras. Acho que as pessoas vão gostar muito dessa fusão que aconteceu. Qual a história por trás do nome “O Agora Que Cobra Viver”? Para ser sincero, a gente não tinha um nome definido para o álbum. Fomos fazendo as músicas e desenvolvendo o projeto até chegar o momento em que precisávamos decidir isso para avançar com a arte e toda a identidade visual. Sempre é uma escolha difícil porque o nome precisa soar forte, fazer sentido e agradar todo mundo da banda. “O Agora Que Cobra Viver” surgiu a partir de um trecho da música “Decisão”, a segunda faixa do disco. No refrão existe a frase “do agora que cobra viver” e aquilo

Jack Antonoff faz do amor o centro de “everyone for ten minutes”, novo álbum do Bleachers

Jack Antonoff nunca foi exatamente discreto. Seja produzindo discos para Taylor Swift, Lana Del Rey ou Sabrina Carpenter, o produtor transformou a própria assinatura em uma das mais reconhecíveis do pop moderno. São 11 discos com Taylor, três com Lana, dois com Sabrina e uma fila interminável de artistas tentando capturar aquele misto de nostalgia, sintetizadores e melancolia suburbana que ele ajudou a transformar em tendência. Só que em “everyone for ten minutes”, o novo álbum do Bleachers, Antonoff parece menos preocupado em criar o próximo grande momento pop da internet e mais interessado em escrever cartas de amor para Margaret Qualley, a famosa atriz do filme A Substância. E isso muda tudo. O disco inteiro soa como alguém finalmente confortável dentro da própria vida. Não existe mais aquela ansiedade juvenil de “Gone Now” ou a necessidade de transformar qualquer refrão em um hino de estádio. Aqui, Jack troca a grandiosidade pelo detalhe. É um álbum sobre casamento, memória, rotina, saudade e a estranha sensação de perceber que os sonhos continuam existindo mesmo depois da vida adulta chegar. Muito disso passa diretamente por Margaret. “you and forever”, talvez a música mais imediatamente apaixonante do disco, já entregava isso desde o lançamento do single. O clipe estrelado pela atriz praticamente transformava a faixa em uma declaração pública de amor. Mas o interessante é como essa devoção aparece espalhada pelo álbum inteiro. “dirty wedding dress” parece dialogar diretamente com “Margaret”, a música que ele escreveu com Lana Del Rey alguns anos atrás. “sideways”, “take you out tonight”, “she’s from before” e “I’m not joking” também carregam essa sensação de intimidade quase doméstica, como se Antonoff estivesse transformando pequenos momentos do relacionamento em música. Faz sentido vindo de alguém que já havia escrito “Tiny Moves” e “Merry Christmas, Please Don’t Call” pensando nela. E talvez seja justamente isso que faz “everyone for ten minutes” soar diferente do resto da discografia do Bleachers. É um disco menos preocupado em parecer importante. Enquanto muita gente ainda espera que Jack entregue outro “Don’t Take The Money” ou “Rollercoaster”, ele parece mais interessado em fazer músicas que respiram. Tem momentos em que o álbum soa quase cansado da internet, cansado da necessidade de virar trend, cansado da hiperexposição. “We Should Talk” é um ótimo exemplo disso. A música cresce devagar, quase como uma conversa desconfortável que ninguém queria ter. Já “I’m Not Joking” entra facilmente entre as coisas mais interessantes que Antonoff fez nos últimos anos. Tem alma, tem groove, tem aquele clima meio soul melancólico que encaixa perfeitamente na proposta do álbum. “Dirty Wedding Dress” provavelmente é o ponto onde tudo funciona melhor. É nostálgica sem virar caricatura e romântica sem parecer calculada. Parece música feita de madrugada, pensando demais na própria vida. E isso vale como elogio. Ao mesmo tempo, “everyone for ten minutes” talvez seja o disco mais divisivo da carreira do Bleachers. Parte da crítica ainda enxerga Jack preso demais na própria estética “Bruce Springsteen encontra synthpop sentimental”. Outra parte vê justamente aí o charme do álbum. Pra mim, funciona porque dá para ver que existe verdade ali. Jack Antonoff poderia facilmente continuar vivendo apenas como o produtor mais requisitado do pop atual. Mas o Bleachers continua existindo justamente porque parece ser o único espaço onde ele realmente escreve sem filtro. E “everyone for ten minutes” soa exatamente assim: um disco íntimo, apaixonado, melancólico e estranho na medida certa. O texto contou com colaboração de Fernanda Melo.

Novo álbum Blue Morpho mostra Ed O’Brien longe das sombras do Radiohead

Ed O’Brien sempre foi aquele tipo de músico que parecia confortável em ficar na sombra. Mesmo sendo peça fundamental do Radiohead, nunca teve a necessidade de disputar protagonismo com Thom Yorke ou Jonny Greenwood. Mas Blue Morpho mostra justamente o contrário do que muita gente imaginava: talvez ele só estivesse esperando o momento certo para construir algo realmente pessoal. E aqui não existe pressa. O disco inteiro parece respirar no tempo dele próprio, como uma caminhada sem destino em meio a uma floresta úmida no interior do País de Gales. Se Earth ainda soava como um artista procurando identidade fora da própria banda, Blue Morpho finalmente encontra esse lugar. E não por acaso. O álbum nasce de um período de depressão profunda vivido por Ed após a pandemia, transformando sessões longas de guitarra, isolamento e contemplação em combustível criativo. A produção de Paul Epworth ajuda a transformar essa vulnerabilidade em paisagens sonoras que flutuam entre psych folk, ambient, trip hop e texturas cinematográficas. “Incantations” abre o disco como um mantra hipnótico de quase oito minutos, enquanto a faixa-título transforma guitarras e cordas em algo quase líquido, guiado pela ideia de cura através da natureza. Em muitos momentos, Ed parece menos interessado em construir músicas tradicionais e mais focado em provocar sensação. Talvez por isso os vocais frequentemente apareçam escondidos no meio da mixagem, quase como mais um instrumento dentro daquele universo nebuloso. E funciona. Blue Morpho tem aquela atmosfera de disco feito para ser absorvido lentamente, sem ansiedade por refrão ou explosão. “Teachers” quebra um pouco essa névoa contemplativa com um groove mais pulsante, quase krautrock em alguns momentos, enquanto “Solfeggio” e “Thin Places” mergulham de vez em um estado meditativo que beira o espiritual. Tudo culmina em “Obrigado”, faixa de quase dez minutos que encerra o álbum como um transe lento e emocional. É ali que Ed finalmente abandona parte da contenção e deixa a guitarra falar de forma mais emotiva, sem perder a elegância minimalista que domina o restante do trabalho. Existe também uma sensação constante de renascimento atravessando o disco inteiro. Não à toa, Blue Morpho marca o primeiro trabalho solo lançado oficialmente sob o nome Ed O’Brien, abandonando a sigla EOB usada em Earth. Parece detalhe, mas simboliza exatamente o que o álbum representa: um músico que finalmente parou de se esconder atrás do papel de coadjuvante. Blue Morpho não tenta ser “o disco solo do guitarrista do Radiohead”. E talvez esse seja justamente o maior mérito dele. Ao invés de perseguir grandiosidade ou experimentalismo exagerado, Ed O’Brien entrega um álbum profundamente humano, contemplativo e melancólico. Um trabalho que parece existir muito mais para sentir do que para entender.