Entrevista | Adrian Younge – “Este álbum é um sonho, é o ápice da minha capacidade”

Adrian Younge volta a reafirmar sua posição como um dos nomes mais inventivos da música contemporânea com a chegada de Younge, seu novo álbum instrumental, lançado em 17 de abril pelo selo Linear Labs. Concebido como uma obra orquestral pensada a partir da lógica do hip hop, o disco funciona como um manifesto artístico: é cinema sonoro, soul psicodélico e composição sinfônica fundidos em uma mesma linguagem. Gravado inteiramente em fita analógica e executado com uma orquestra de 30 músicos, o trabalho se apresenta como a obra mais ambiciosa da carreira do músico norte-americano. Mérito de Younge O grande mérito de Younge está justamente na forma como o artista transforma referências do passado em algo vivo e contemporâneo. Inspirado por mestres como Lalo Schifrin, David Axelrod e Ennio Morricone, Younge constrói um álbum de tensão cinematográfica constante, em que cordas, metais e seções rítmicas se alternam entre momentos de explosão e respiro. Faixas como Portschute e Visual Assault resumem bem a proposta do disco: composições modulares, com atmosfera setentista, mas desenhadas para dialogar com a cultura do sample e com a estética do hip hop moderno. Mais do que uma homenagem, o álbum soa como uma reinterpretação autoral da tradição, revelando um artista em pleno domínio de sua linguagem. Ao longo da carreira, Adrian Younge construiu uma trajetória singular entre a produção musical, a composição e o trabalho como multi-instrumentista. Autodidata, ele ganhou notoriedade com a trilha de Black Dynamite, em 2009, e consolidou sua assinatura sonora em discos como Something About April e em colaborações marcantes com nomes como Ghostface Killah, Roy Ayers e Ali Shaheed Muhammad, seu parceiro no projeto Jazz Is Dead. Sua música sempre transitou entre soul, jazz, funk e hip hop, com forte influência da cultura do vinil e da gravação analógica. Ligação com Luke Cage Outro capítulo fundamental de sua carreira está nas trilhas sonoras, especialmente no aclamado trabalho para a série Luke Cage, da Marvel, que ajudou a inserir a estética do hip hop dentro do universo dos super-heróis na televisão. Esse olhar cinematográfico volta com força em Younge, álbum que talvez represente a síntese definitiva de tudo que o artista construiu até aqui: a fusão entre o produtor moldado pelo sample, o compositor de trilhas e o instrumentista apaixonado pelo som orgânico. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Younge falou sobre o conceito do novo álbum, a influência da música brasileira e o impacto de suas trilhas sonoras na construção do disco. Younge parece mergulhar na sonoridade do início dos anos 1970. Como foi a proposta criativa dele? É o começo dos anos 1970, de 1968 a 1973, para ser mais específico. E eu sempre quis fazer um disco que representasse isso, entende? Então, para mim, este álbum é realmente a realização de me tornar o compositor que sempre quis ser para as pessoas. E também mostrar que um compositor de hoje ainda pode fazer esse tipo de música, essa soul psicodélica cinematográfica, que era feita há 50 anos. Foi por isso que senti que era importante mostrar que ainda podemos fazer essa música, mas pensando no amanhã, sem apenas tentar soar como todo mundo ou reciclar sons antigos. Você acredita que a linha entre música orquestral e hip hop praticamente desapareceu hoje com o uso de muito samples eletrônicos? A conexão entre as duas sempre existiu. Alguns dos maiores samples da história do hip hop vieram de gravações orquestrais. A música orquestral, sozinha, muitas vezes soa muito branca e distante da musicalidade negra. Mas quando você traz soul, quando traz jazz, você sente outra energia. E é justamente essa energia diferente que eu queria ouvir no álbum. Também é essa energia que costuma ser sampleada no hip hop. A conexão está lá. O hip hop é underground, é sujo. A música orquestral normalmente tenta ser limpa. Quando ela ganha sujeira, ela se torna hip hop. Um desafio para você: Existe uma faixa que melhor representa o conceito do álbum? Sim, Portschute. Ela foi inspirada pelo Portishead, especialmente pela música Sour Times. Essa faixa usou um sample de Lalo Schifrin, e há um instrumento específico nessa música, o marxophone, que eu também utilizei no novo álbum. Quis mostrar como o Portishead, que sampleou Lalo Schifrin, me inspirou, e criar uma música que devolvesse essa influência. O nome Portschute vem de um antigo nome da cidade de Portishead. Essa faixa representa muito bem a minha jornada como um cara do hip hop que se apaixonou pela música antiga através de bandas como o Portishead. O que este disco revela sobre você como artista que trabalhos anteriores talvez não mostrassem? Boa pergunta. Eu gosto de dizer que vim do sampler para a sinfonia. Em 1996, comecei sampleando discos, e logo percebi que estava mais inspirado pelos discos que sampleava do que pela música que fazia com eles. Então comecei a aprender instrumentos sozinho e a comprar livros para estudar escrita orquestral. Isso me levou ao ponto de me tornar um compositor vencedor do Emmy. Este álbum é o ápice da minha capacidade, onde posso escrever partituras, reunir todos em uma sala e tocar ao vivo com uma orquestra de 30 músicos. Era um sonho que eu tinha quando era jovem, e finalmente consegui realizá-lo em um álbum instrumental. Com tanta tecnologia, por que a gravação em analógico ainda é tão essencial para sua identidade artística? O analógico é o melhor som já criado, e o digital tenta emular isso. Eu me vejo como a coisa real. Quando estou em uma loja de discos, me vejo próximo dos artistas cujos discos estou observando, porque gravamos da mesma forma. Não fazemos mil tomadas para encontrar a perfeita. Entramos no estúdio sabendo que temos um trabalho a fazer, fazemos isso juntos, cometemos erros e mantemos esses erros. A combinação dessa perspectiva com o calor e a beleza do som analógico é, para mim, o que um disco deve soar. Você é um artista completo e isso me deixa com uma dúvida: Quando você inicia um novo

Entrevista | Lansdowne – “Wish You Well é um retorno às nossas origens”

A banda americana Lansdowne chega a um novo capítulo de sua trajetória com Wish You Well, álbum que consolida a evolução construída ao longo de quase duas décadas na estrada. Formado em Boston em 2006, o grupo é conhecido por transitar entre o hard rock moderno, o post-grunge e o rock alternativo, construindo uma identidade marcada por refrões fortes, riffs acessíveis e letras confessionais. Desde o debut Blue Collar Revolver (2011), a banda acumulou turnês internacionais e abriu shows para nomes de peso do rock mundial, ampliando sua base de fãs também fora dos Estados Unidos. Depois de um hiato e do retorno com Medicine em 2023, o novo trabalho surge como a síntese mais madura da carreira do Lansdowne. Wish You Well funciona como um disco de fechamento e renascimento, reunindo o peso característico da banda com uma abordagem mais emocional e adulta. Faixas como Burn It Down, Rescue e Feel You Coming reforçam a energia radiofônica do quinteto, enquanto Release Me encerra o álbum com uma carga catártica que conversa diretamente com a proposta de cura e superação que atravessa todo o repertório. Lansdowne traz honestidade emocional em novo álbum De uma forma geral, o álbum mostra uma Lansdowne segura de sua fórmula. O disco aposta em melodias fortes, refrões grandiosos e um hard rock contemporâneo pensado tanto para os palcos quanto para playlists. Ainda que não reinvente o gênero, Wish You Well se destaca pela honestidade emocional e pela solidez da execução, funcionando como um registro de maturidade artística. É um trabalho que soa grande, coeso e pronto para ampliar ainda mais o alcance internacional da banda, especialmente em mercados como o brasileiro, onde o grupo já registra forte desempenho nas plataformas de streaming. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Shaun Lichtenstein e Glenn Mungo falaram sobre o processo emocional de criação de Wish You Well, a forte recepção do novo material nos shows ao vivo e a possibilidade de uma futura turnê do Lansdowne pela América do Sul, com foco especial no Brasil. Wish You Well parece um álbum muito emocional e intenso. Em que momento da jornada da banda ele nasceu e existe alguma história de bastidor que inspirou as letras? Shaun Lichtenstein: É engraçado dizer isso, mas provavelmente estamos escrevendo esse disco há tanto tempo quanto existe a banda. Algumas das músicas são canções cujas letras nós retrabalhamos e reaproveitamos. Você pode encontrar versões antigas delas lá no fundo do nosso YouTube. Elas ganharam um novo significado à medida que crescemos como banda e como homens, e realmente se alinharam com o estado mental do John e com o momento que estávamos vivendo como grupo. Então, existem algumas músicas que foram retrabalhadas. Em termos de quanto tempo estamos escrevendo, este é o disco que estivemos escrevendo durante toda a nossa carreira. É muito legal ver isso finalmente se concretizando por completo agora. Que experiência pessoal ou sentimento inspirou mais fortemente esse disco do Lansdowne? Glenn Mungo: Ah, foram muitas coisas. O John, nosso vocalista, trouxe muitas das experiências pessoais dele, que é onde tudo começa, certo? E o interessante nesse álbum é que a experiência dele ao começar a escrever uma letra, quando eu e o Shaun nos relacionamos com isso, pode vir de um lugar completamente diferente. Isso ressoa em nós de formas diferentes. E então fecha um ciclo com as conversas que tivemos com os fãs. Essas conversas e ouvir essas histórias tiveram um papel enorme nesse disco. Ouvir as lutas deles, as vitórias, as perdas, as coisas pelas quais passaram, realmente ajudou a inspirar a ideia central do álbum, que é: você precisa passar por algumas coisas difíceis para sair do outro lado e perceber que, no final, aquilo foi uma evolução necessária ou um mal necessário para se tornar uma pessoa melhor ou estar em uma situação melhor. E que você é, de fato, forte o suficiente para fazer isso. Então não existe um exemplo específico. Acho que são vários pequenos exemplos que vivemos ao longo desses 20 anos e que se conectam com esse momento do disco. Nos bastidores, qual música foi a mais difícil de finalizar? Glenn Mungo: Acho que talvez tenhamos respostas diferentes aqui. Para mim, existe uma música que é a última do álbum, chamada Release Me, que na verdade é a música que está pronta há mais tempo e nunca tinha entrado em um disco até este. E acho que foi um poder maior dizendo: “sabe de uma coisa? finalmente é hora de lançar essa música”, porque estávamos guardando ela há 15 anos. Mas quando você ouve o disco do começo ao fim, ele termina exatamente da forma que você quer. Release Me é exatamente isso. É seguir em frente e finalmente estar curado para entrar no próximo capítulo. Então, para mim, essa foi a mais difícil de finalmente entregar ao público. Na visão de vocês, o que faz Wish You Well ser diferente dos últimos trabalhos do Lansdowne? Shaun Lichtenstein: Acho que Medicine foi uma compilação de algumas músicas do passado para nos reapresentar ao mundo, por assim dizer, porque tínhamos ficado um tempo parados. Ele deu às pessoas um gostinho de quem éramos e para onde estávamos indo. E acho que Wish You Well é a conclusão desse caminho. É um retorno às nossas origens, mas também uma evolução do que as pessoas descobriram e amaram na banda. Elas vão encontrar tudo isso que estava em Blue Collar Revolver dentro deste disco. Mas definitivamente é uma evolução em termos de temática, em termos de som, eu diria que é mais maduro. É um disco de crescimento para nós, tanto como banda quanto como maridos e pais. Vi que vocês colocaram cinco músicas do novo álbum no último show. Por que decidiram levar tanto material novo para o palco logo de cara? Glenn Mungo: Acho que foi muito baseado no que queríamos que as pessoas sentissem e vissem no show ao vivo. Como essa é uma turnê como atração principal, temos um set

Entrevista | Ava Della Pietra – “3am me leva para um lado mais pessoal dentro das narrativas que construo”

A cantora e compositora Ava Della Pietra surge como um dos novos nomes promissores do pop teen internacional e merece a atenção do público brasileiro. Ex-atriz da Broadway e dona de uma trajetória que une teatro musical, composições autorais e forte presença nas plataformas digitais, a artista norte-americana vem construindo sua identidade com narrativas confessionais e um apelo pop contemporâneo. Aos 20 anos, Ava combina vocais marcantes, influência teatral e uma escrita sensível, elementos que a colocam como uma das apostas da nova geração do gênero. Seu lançamento mais recente, 3am, aprofunda esse momento de amadurecimento artístico. A faixa aborda os conflitos emocionais de um relacionamento cíclico, guiada pelo refrão “nothing bad’s gonna happen at 3am”, e apresenta uma sonoridade intimista, entre o pop melódico e a atmosfera noturna do indie. A música chegou acompanhada de videoclipe e reforça o lado mais vulnerável e narrativo da cantora, consolidando Ava Della Pietra como uma nova estrela teen em ascensão. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Ava fala sobre o novo capítulo em sua carreira, a influência da Broadway em sua música e os próximos passos rumo a um álbum. Você sente que 3am representa um novo capítulo na sua carreira? Acho que sim. Sinto que essa música me leva para um lado mais pessoal dentro das narrativas que construo. Ela também mostra uma falha na narradora, algo que eu gosto, um lado mais vulnerável. Então, sim, eu diria que representa um novo capítulo. Hoje em dia é comum um single ganhar uma versão acústica como parte da estratégia de lançamento para bandas de rock, como forma de suavizar o som. No caso de 3am, essa ideia surgiu organicamente? Sim, aconteceu de forma bem natural. Quando comecei a gravar a música, eu a imaginava mais acústica. Desenvolvi uma primeira versão assim com o produtor e gostei muito. Mas no estúdio eu costumo ficar muito animada e isso acaba refletindo na produção. Por isso, decidi lançar primeiro a versão mais intensa e depois a acústica, que também representa muito a essência original da canção. Eu achei a letra bem pessoal. O quanto essa música é autobiográfica? Ela não é totalmente autobiográfica. A inspiração veio da observação de um relacionamento de uma amiga, além de uma frase dita por outro amigo, que me falou para “pensar durante a noite e decidir no dia seguinte”. Achei essa frase perfeita para a música e construí a narrativa a partir disso. Qual foi a parte mais difícil de transformar essa experiência em música? O mais desafiador foi construir essa narradora quase não confiável. O refrão sugere que nada de ruim vai acontecer às 3 da manhã, quando, na verdade, o público percebe que existe um ciclo tóxico ali. Trabalhar essa dualidade foi desafiador, mas também muito interessante. Em início de carreira, você já hesitou em expor seu lado vulnerável nas músicas? Na verdade, a vulnerabilidade sempre fez parte do meu processo. Costumo escrever quando estou refletindo sobre a vida, então a composição acaba funcionando como um diário e também como algo terapêutico. E como foi o processo criativo do videoclipe? Você teve participação ou isso ficou a cargo da produção? Sim. Eu sou muito envolvida na criação dos videoclipes, inclusive na edição e na narrativa. A ideia era mostrar um ciclo de acontecimentos, com repetições que simbolizam a repetição dentro do relacionamento. A estética mais escura reforça a vulnerabilidade da música. O quanto sua experiência na Broadway influenciou a artista que você é hoje? Influenciou muito. Aprendi sobre performance, presença de palco e conexão com o público. Além disso, cresci ouvindo trilhas de musicais e músicas da Disney, então essa construção narrativa com começo, meio e fim aparece bastante nas minhas composições. O teatro musical também moldou a forma como você interpreta suas canções? Com certeza. Gosto de escrever músicas que contem histórias e tenham uma mensagem, quase como uma moral ao final. Isso vem muito da minha formação e da exposição ao teatro musical desde cedo. Você faz duas faculdades e ainda dá os primeiros passos na sua carreira. Conta para mim, como você consegue equilibrar tudo e como seus estudos impactam sua carreira musical? Atualmente estudo em Harvard e na Berklee College of Music, em um programa conjunto. Tenho aprendido muito com as aulas e, principalmente, com as pessoas ao meu redor. Mas essa rotina me ajuda bastante. As novas experiências que vivo acabam servindo de inspiração para as composições. Quais artistas mais te inspiram hoje? E como você enxerga o momento atual da música pop? Sou muito fã de Conan Gray e Chappell Roan. Gosto especialmente da forma narrativa como o Conan escreve suas músicas. Acho que o pop está cada vez mais diverso, incorporando diferentes estilos. Gosto muito quando artistas experimentam novas direções, porque isso reflete mudanças naturais da vida e da própria identidade artística. Como costuma nascer uma música sua? Pela melodia ou pela letra? Normalmente, o hook (gancho) e parte do refrão surgem primeiro, com letra e melodia ao mesmo tempo. Depois desenvolvo a ideia como se fosse um poema e vou construindo a música a partir disso.

Entrevista | From Ashes To New – “O novo álbum encoraja as pessoas a olharem para dentro e refletirem sobre a própria vida”

O From Ashes To New acaba de lançar Reflections, novo álbum que aprofunda a sonoridade pesada e emocional que consolidou a banda como um dos principais nomes do nu metal moderno. O disco chega impulsionado por faixas como “New Disease”, “Drag Me” e “Villain”, ampliando a mistura entre metal contemporâneo, linhas melódicas e elementos de rap que se tornaram marca registrada do grupo. Em conversa exclusiva com o Brasil pelo Blog N’ Roll, o vocalista Danny Case afirmou que, apesar do interesse da banda em tocar na América Latina, não há planos concretos para uma vinda ao neste primeiro momento, embora o país siga no radar para uma futura turnê. Formado em Lancaster, na Pensilvânia, em 2013, o From Ashes To New surgiu em meio à retomada da estética do rap rock e do nu metal, absorvendo influências evidentes de Linkin Park, Limp Bizkit e Papa Roach. Desde o início, a proposta da banda foi unir riffs pesados, refrões de forte apelo melódico e versos em rap, criando uma identidade que dialoga tanto com a nostalgia dos anos 2000 quanto com a linguagem do metal atual. O grupo ganhou destaque com o álbum Day One (2016), seguido por trabalhos como The Future (2018), Panic (2020) e Blackout (2023), construindo uma base sólida de fãs, especialmente entre o público que acompanha a nova geração do gênero. Ao longo da última década, a banda também se fortaleceu no circuito de grandes festivais e turnês internacionais, consolidando sua presença no cenário do rock pesado norte-americano e europeu. A participação recente no retorno da Warped Tour reforçou esse momento. Segundo Danny, fazer parte da volta do evento teve um peso simbólico importante, especialmente porque a banda surgiu logo após o encerramento da turnê original. Agora, com Reflections, o grupo vive um novo capítulo, apostando em letras mais introspectivas e em um discurso voltado às tensões emocionais e culturais do presente. Reflections parece ser o trabalho mais introspectivo e psicológico da banda. Como surgiu o conceito central do disco? Acho que foi uma consequência natural do que estávamos vivendo como banda e também como indivíduos. Na época, não percebemos isso totalmente, mas quando terminamos o disco e olhamos para trás, pensamos: “uau, isso realmente reflete tudo o que passamos”. O próprio processo de criação acabou se tornando parte do significado do álbum. Foi um período turbulento, desafiador, mas também sobre perseverança. Por muito tempo, nem sabíamos qual seria o nome do disco. Quando chegamos a Reflections, tudo fez sentido, porque o álbum encoraja as pessoas a olharem para dentro, refletirem sobre a própria vida e enfrentarem aquilo que está desafiando cada um. Faixas como “Villain” e “Die For You” tratam de exaustão emocional e relacionamentos destrutivos. Como foi escrever sobre temas tão intensos? Há algo auto biográfico? Em certo sentido, é tudo muito pessoal. “Die For You” veio muito das experiências do Lance, dos erros que ele cometeu e também das coisas que viveu em relacionamentos. Todos nós já passamos por algo parecido, então foi fácil me conectar à música. Já “Villain” foi diferente, porque teve um lado mais imaginativo. Todo mundo ama um vilão, seja o Coringa ou o Loki. A ideia era justamente brincar com isso: eu posso ser o vilão na sua história. Foi algo muito divertido de fazer e bem diferente do que já tínhamos feito antes. Outro destaque é “New Disease”, que soa como uma crítica ao ambiente digital e à ansiedade coletiva. O que inspirou essa música? Muito veio da forma como as coisas estão culturalmente hoje. Tudo gira em torno das redes sociais, parece que todo mundo segue as mesmas tendências e faz as mesmas coisas. Tivemos vontade de escrever nossa perspectiva sobre isso e mostrar como alguns aspectos podem ser perigosos ou simplesmente ruins para o indivíduo. E como foi a recepção do novo álbum nesses primeiros dias e também a escolha dos singles antes do lançamento? A resposta tem sido incrível. Ainda não temos os números completos da primeira semana, mas os pré-saves, pré-downloads e as vendas de vinil já superaram Blackout. Escolher os singles foi muito difícil. Quase ninguém na banda concordava sobre qual deveria ser a primeira música. No fim, fomos com “New Disease” primeiro e “Drag Me” depois, porque eram as duas faixas que mais geravam consenso. É sempre complicado decidir se você lança a melhor música logo de cara ou se guarda algo ainda maior para depois. Alguma faixa mudou muito da demo para a versão final? Sim, praticamente todas. “New Disease”, por exemplo, começou em 2019 como uma música completamente diferente. Manteve apenas o título e a ideia central. O riff, os versos, o refrão, a ponte, tudo mudou. Isso aconteceu com várias músicas do disco. Se alguém não estava completamente satisfeito, nós voltávamos e refazíamos até ficar melhor. Vocês misturaram rap e metal quando ninguém mais falava em nu metal. Foi um risco? Com certeza. Não são muitas bandas que conseguiram fazer isso de forma realmente bem-sucedida. Você pensa em Linkin Park, Limp Bizkit, Papa Roach, Hollywood Undead. É um risco porque imediatamente surgem comparações, mas para nós isso faz parte da nossa identidade. O Matt é um rapper incrível, então seria impossível não explorar isso. E esse revival do nu metal ajudou a banda? Sim, sem dúvida. É engraçado perceber como os anos 90 e 2000 estão em alta novamente, tanto na música quanto na cultura. Ver esse revival acontecendo é muito legal, e nós abraçamos isso totalmente. Como foi participar do retorno da Warped Tour? Foi incrível. Nossa banda surgiu logo depois que a turnê acabou, e eu sempre quis tocar lá. Mesmo com um formato diferente hoje, o espírito continua o mesmo. Foi especial estar na primeira edição desse retorno. Falando em shows, vocês nunca vieram para o Brasil. Há chances de isso acontecer nessa turnê? Não temos nada concreto no momento. Fazer turnês internacionais está no topo das nossas prioridades, e sabemos que os fãs na América Latina são extremamente apaixonados. Queremos muito ir, mas

Your Favorite Toy: Foo Fighters lança álbum cru, porém sem um grande hit

O Foo Fighters sempre soube transformar crises em combustível criativo. Foi assim após a morte de Taylor Hawkins em But Here We Are, e volta a ser assim em Your Favorite Toy, décimo segundo álbum de estúdio da banda. O problema é que, desta vez, a descarga emocional vem embalada em um disco competente, intenso e por vezes visceral, mas que raramente alcança o impacto necessário para criar um hit a ser cantado nos estádios. Há energia de sobra. Desde a abertura com “Caught in the Echo”, Dave Grohl parece decidido a devolver a banda ao terreno do rock mais cru, urgente e nervoso, com riffs secos, bateria em primeiro plano e um senso de velocidade que remete ao DNA mais punk do grupo. O álbum soa menos polido, mais humano, quase como uma reação instintiva aos últimos anos turbulentos. Ainda assim, a sensação que fica é a de um trabalho bom, mas sem o brilho de um disco que vá sobreviver no imaginário do fã por muito tempo. Esse talvez seja o principal ponto de Your Favorite Toy: ele funciona no presente, mas assim como But Here We Are, ele não parece ter o peso de futuro. É um disco que se ouve bem agora, que certamente renderá bons momentos ao vivo nos próximos meses, porém dificilmente deve ocupar espaço relevante nos setlists daqui a alguns anos, especialmente quando a banda tem um catálogo tão dominante. Falta aquela música inevitável, aquele refrão instantâneo, aquela faixa que se impõe como clássico imediato. Faixas como “Of All People” e “Unconditional” estão entre os melhores momentos justamente por conseguirem equilibrar urgência sonora e densidade emocional. Já outras, embora interessantes, parecem passar sem deixar marcas profundas. É um álbum honesto, às vezes intenso, mas que não empolga na mesma medida em que tenta soar grandioso. No fim, Your Favorite Toy é menos sobre reinvenção e mais sobre sobrevivência. E talvez isso explique sua força e também sua limitação: é um disco de reação e revolta, não de ruptura. Veja o que a imprensa internacional falou Rolling Stone (EUA) Destacou o disco como um trabalho poderoso e de cura emocional, ressaltando a energia heroica e a forma como Grohl transforma ruído em catarse. Kerrang!Enfatizou o retorno ao rock noventista e elogiou especialmente “Unconditional”, apontando o álbum como um reencontro da banda com sua essência. NME / Louder SoundA leitura é de um retorno feroz às raízes pós-grunge, com bastante energia e senso de urgência. Vê o disco como forte, ainda que menos revelador emocionalmente que o anterior. El PaísFoi mais crítico, afirmando que a raiva por si só não basta e que faltam músicas realmente memoráveis. Washington Post Destacou como um retorno de alta energia, ressaltando que o Foo Fighters assume alguns riscos de produção e abraça uma sonoridade mais crua e acelerada. O texto elogia a vitalidade do disco e aponta faixas como “Caught in the Echo” e “Unconditional” entre os destaques, mas reconhece que algumas escolhas podem dividir o público. Faixa a faixa: a história por trás das letras Caught in the EchoA abertura do álbum já mergulha em um território emocional pesado. A letra trabalha a ideia de ecos do passado, lembranças que voltam com força e sentimentos que parecem impossíveis de silenciar. É uma música sobre viver cercado por memórias, como se a mente insistisse em revisitar feridas antigas. Of All PeopleAqui, o foco está na decepção e na quebra de confiança. A canção fala sobre a dor de ser ferido justamente por alguém de quem se esperava acolhimento ou lealdade, o que torna a letra uma das mais confessionais do disco. WindowA faixa traz uma atmosfera contemplativa e melancólica. A imagem da janela funciona como metáfora para distância e observação, como se o narrador enxergasse uma relação, uma lembrança ou até uma fase da vida já fora de alcance. Your Favorite ToyA faixa-título usa uma metáfora forte ao transformar a ideia de um brinquedo favorito em símbolo de desgaste afetivo. A letra sugere a sensação de ter sido usado, valorizado por um tempo e depois deixado de lado. If You Only KnewÉ uma música sobre sentimentos não revelados e palavras que ficaram presas. A letra gira em torno do arrependimento e da frustração de não conseguir expressar tudo aquilo que ficou guardado. Spit ShineCom uma abordagem mais crítica, a faixa fala sobre aparências e a necessidade de manter tudo “brilhando” por fora, mesmo quando internamente as coisas já não estão bem. É quase um comentário sobre máscara emocional. UnconditionalUma das músicas mais abertas emocionalmente do álbum. A letra fala sobre entrega, amor e vínculos que permanecem mesmo em meio ao caos, trazendo um respiro mais sensível dentro do disco. Child ActorA canção reflete sobre identidade e performance. A sensação é de alguém vivendo um papel, preso entre aquilo que o mundo espera e aquilo que realmente é, quase como uma crítica à fama e à exposição. Amen, CavemanMais agressiva e instintiva, a letra parece mergulhar em impulsos primários, sobrevivência e reação visceral. É uma música mais física, quase um grito bruto dentro da narrativa do álbum. Asking For A FriendO encerramento tem um tom confessional e vulnerável. Ao usar a ideia de estar “perguntando por um amigo”, a letra revela inseguranças e dúvidas pessoais, funcionando como uma despedida introspectiva.

Mortification volta à América Latina e confirma quatro shows no Brasil

Após mais de uma década longe dos palcos, o Mortification está oficialmente de volta. Pioneira do death/thrash metal e uma das bandas mais influentes da história do metal extremo, a banda australiana anunciou uma turnê pela América Latina com quatro datas confirmadas no Brasil. O retorno marca uma nova fase do grupo, agora com uma formação especial que celebra o legado construído por Steve Rowe, fundador e principal nome da trajetória da banda. A volta acontece após um longo período de hiato, motivado pelo estado de saúde de Rowe, que se aposentou definitivamente das apresentações ao vivo. Mesmo fora dos palcos, o músico segue diretamente envolvido no projeto, supervisionando detalhes como repertório, identidade visual e direção geral da turnê. Para assumir os vocais e o baixo, o Mortification recrutou Luke Renno, conhecido pelo trabalho no Crimson Thorn. A nova formação reúne ainda nomes históricos que passaram por diferentes fases da banda: os guitarristas Lincoln Bowen e Mick Jelinic, além do baterista Jayson Sherlock, integrante da formação clássica do início dos anos 1990. A excursão também celebra os 35 anos do icônico álbum Scrolls of the Megilloth, um dos discos mais importantes do metal cristão extremo e peça fundamental da discografia do grupo. No Brasil, a turnê terá quatro apresentações em fevereiro de 2027: 17/2 em Recife, no Downtown Recife; 19/2 em Belo Horizonte, no Mister Rock Bar; 20/2 em São Paulo, no Burning House; e 21/2 em Curitiba, no Basement Cultural. Os shows contarão ainda com as bandas Terraphobia, da Austrália, e Antidemon, do Brasil, como atrações de abertura. A produção executiva é assinada pela En Hakkore Rec, responsável por recentes turnês de nomes como Stryper, P.O.D., Demon Hunter e Narnia. Para os fãs de metal extremo, o retorno do Mortification representa um dos anúncios mais relevantes do gênero para 2027, resgatando um nome fundamental na construção do death/thrash mundial. Histórico Formado na Austrália no fim dos anos 1980 a partir das cinzas do Lightforce, o Mortification se consolidou como um dos nomes mais importantes do metal extremo mundial nos anos 1990. Liderada por Steve Rowe, a banda ganhou notoriedade ao misturar death, thrash e grindcore em discos que se tornaram referência, especialmente Scrolls of the Megilloth (1992), considerado um clássico do gênero. Ao longo da carreira, o grupo lançou mais de uma dezena de álbuns e ajudou a expandir o alcance do metal australiano para o mercado internacional, incluindo lançamentos pela Nuclear Blast. Além do peso sonoro, o Mortification também se tornou pioneiro por sua forte identidade cristã, sendo uma das primeiras bandas a levar mensagens de fé para dentro do death metal extremo. Em um cenário historicamente associado a temáticas sombrias e anticlericais, o grupo abriu caminho para o chamado christian death metal, transformando-se em referência para diversas bandas que surgiram depois dentro do nicho. Essa combinação entre brutalidade musical e letras voltadas à espiritualidade foi um dos principais elementos que ajudaram a construir o status cult e a relevância histórica da banda. Serviço17 de fevereiro — Recife | Downtown Recife19 de fevereiro — Belo Horizonte | Mister Rock Bar20 de fevereiro — São Paulo | Burning House21 de fevereiro — Curitiba | Basement Cultural Ingressos: venda pela Clube do Ingresso.

Julio Meloni transforma São Paulo em protagonista no novo single “Nome de Santo”

Julio Meloni apresenta um novo capítulo de sua trajetória artística com o lançamento de “Nome de Santo”, single que transforma São Paulo em personagem central de uma narrativa sonora marcada por contrastes, simbolismo e atmosfera urbana. Na faixa, o cantor e compositor parte da experiência cotidiana na capital paulista para construir uma leitura que vai além do concreto, convertendo a cidade em uma paisagem ao mesmo tempo real e imaginária. O resultado é uma canção que oscila entre pertencimento e estranhamento, refletindo a complexidade de uma metrópole em constante movimento. A nova música reforça a identidade de Meloni dentro do pop psicodélico, agora com um olhar ainda mais voltado para a vida urbana. Guitarras eletrizadas e sintetizadores expansivos conduzem a sonoridade de “Nome de Santo”, criando uma atmosfera que alterna tensão e contemplação. A proposta é acompanhar, no plano musical, os extremos sugeridos pela letra, que apresenta São Paulo como um organismo vivo, capaz de ser acolhedor e ameaçador ao mesmo tempo. “São Paulo é minha casa faz 25 anos. Me sinto parte dela, mesmo que uma milésima parte. O que me atrai são os seus extremos: uma doce menina ou um poderoso dragão? Foi para entender a cidade onde eu vivo que eu decidi cantá-la”, afirma o artista. Produzida em parceria com Iran Ribas e Kaneo Ramos, a faixa dá sequência a uma colaboração já consolidada na carreira do músico, equilibrando densidade sensorial, textura e impacto melódico em uma produção que dialoga com o indie contemporâneo e o pop experimental. Inserido na cena independente desde 2022, Julio Meloni vem construindo uma obra que cruza referências da música brasileira com elementos do pop internacional e do universo dos sintetizadores. Após o álbum de estreia “Herdeiro da Lua”, lançado em 2023 e revisitado em versão deluxe em 2025, o artista avança agora para uma fase mais provocativa, em que a cidade assume papel central em sua construção estética e conceitual. Com mais de 200 composições autorais e ouvintes em mais de 30 países, Julio Meloni chega a este lançamento em um momento de consolidação. Indicado ao Prêmio Profissionais da Música em 2024, na categoria Pop-Sudeste, e presente na programação da 36ª Bienal de São Paulo em 2025, dentro do projeto Varanda Bienal, o cantor prepara novos lançamentos e o desenvolvimento de seu próximo show. “Nome de Santo” surge, assim, como a abertura de uma nova fase, em que São Paulo deixa de ser pano de fundo e passa a ocupar o centro da narrativa.

Entrevista | Crypta- “A Victoria já entrou contribuindo criativamente, isso foi a chave para efetivá-la”

A Crypta se prepara para encerrar no Brasil o ciclo de shows do álbum Shades of Sorrow, trabalho que consolidou ainda mais a força do grupo no cenário do death metal mundial. Após uma sequência intensa de apresentações, incluindo 31 shows em 39 dias nos EUA, a banda chega à reta final da turnê nacional antes de voltar para a Europa e suas atenções integralmente ao próximo disco. Depois dessas datas, o repertório do álbum atual deve dar espaço ao novo material, que já está em fase avançada de composição. O encerramento dessa etapa em território nacional acontece com duas datas de peso em São Paulo: um show no Hangar 110 e a participação no Bangers Open Air, festival que se tornou uma vitrine importante para a banda no país. As apresentações marcam a despedida ao vivo do repertório dos dois últimos discos e também de algumas músicas mais antigas. Em entrevista ao Blog n’ Roll, a baterista Luana Dametto falou sobre a reta final da turnê de Shades of Sorrow, o processo de composição do novo álbum e a entrada definitiva da guitarrista Victoria Villarreal na formação. Como você avalia esse momento final da turnê de Shades of Sorrow? Houve algum show mais marcante nessa reta final? É difícil apontar um show mais marcante, porque com certeza teve, mas a gente toca tanto que minha memória dura no máximo até o que eu fiz ontem à tarde. Depois eu já deleto tudo. Essas últimas turnês do Shades têm sido muito boas. Já estamos tocando essas músicas há bastante tempo, então é como um impulso final, sabe? Tipo: beleza, vamos tocar essas agora e depois focar totalmente no disco novo. Também é a última chance de tocar algumas músicas que a gente não vinha tocando há um tempo, inclusive faixas do Echoes of the Soul que estavam mais abandonadas. A gente pensou: vamos colocar de volta no setlist, já que é a última turnê dessa fase. Ainda tem uma sequência importante na Europa, entre junho e agosto, e aí sim eu acredito que essa turnê do disco se encerra de vez. Os shows finais no Brasil serão no Hangar 110 e no Bangers Open Air. Existe um peso especial por serem datas em casa? Estou achando muito massa que, nessa última sequência de shows no Brasil, a gente teve a oportunidade de tocar no Bangers, que é um festival grande. Como são as últimas datas no Brasil com esse disco, foi importante conseguir uma vaga forte assim para divulgar esse final de turnê. Além do Bangers, também tivemos o festival em Friburgo, que foi muito bom, e ainda teremos esse show do Hangar. Talvez não sejam tantas datas no Brasil, mas são datas muito boas para fechar esse ciclo. Também existe a empolgação do público pela oficialização da nova integrante. A gente já tinha tocado com a Victoria antes, então não foi exatamente uma surpresa, mas a confirmação dela trouxe um novo olhar para a banda, inclusive de pessoas que ainda não conheciam o trabalho. Por que decidiram efetivar a Vitória agora, nessa reta final da turnê? A gente já queria há algum tempo ter uma nova integrante na banda. Desta vez, ao invés de simplesmente chamar alguém direto, resolvemos fazer diferente: testar em turnê, testar em várias situações e depois decidir. Tecnicamente, muitas pessoas poderiam assumir o posto. Tivemos músicos testados até mesmo pela internet. Mas o que estávamos procurando ia muito além da parte técnica. Queríamos alguém que agregasse nas composições, alguém com background no death metal e experiência na cena. A Victoria já entrou contribuindo criativamente. Ela compôs, mandou ideias, e a gente percebeu que aquilo combinava muito com a banda. Isso foi a chave final para efetivá-la. Então deu tempo dela conseguir colocar o DNA dela no próximo álbum? Sim. Embora tenha sido oficializada agora, ela já vinha participando desse processo há algum tempo. Durante essa fase de testes, ela já estava compondo com a gente. Quando ela mandou algumas composições, a reação foi imediata: “isso aqui combina”. Foi aí que entendemos que era o momento certo para efetivar. Então, sim, deu tempo de ela deixar a marca dela no disco. É, se teve essa química, é melhor não perder a oportunidade. Você pode contar em que estágio está o próximo álbum? A gente já tem quase o disco todo. Talvez mais um mês para terminar a composição e mais uns dois meses para acertar todos os detalhes. As demos principais da maioria das músicas já estão prontas. O maior desafio é realmente encontrar tempo, porque estamos sempre em turnê. Nos intervalos entre as datas, a ideia é finalizar tudo para conseguir gravar ainda este ano. O lançamento, muito provavelmente, fica para o ano que vem, porque depois da gravação ainda existe todo o processo de produção, prensagem e lançamento. Então a ideia é entrar em estúdio após os shows finais na Europa? Exatamente. Talvez um pouco depois, para dar tempo de colocar tudo em ordem e também descansar o corpo após a turnê. Mas o plano é esse: finalizar os shows, organizar tudo e partir para a gravação. Existe uma ligação enorme de vocês e o Bangers. O show no Bangers terá algo especial? Sim. Como é um show focado nos dois últimos discos, a gente mudou o setlist em comparação ao que vinha fazendo até agora. Estamos trazendo algumas músicas que fazia muito tempo que não tocávamos, faixas que a gente achou que talvez nunca mais voltassem ao repertório. Como é a última oportunidade de tocar esse material, resolvemos aproveitar. Tem como dar um spoiler? Dá sim. Uma das músicas é “I Resign”, que voltou ao set. Fazia muito tempo que eu não tocava essa música, precisei até assistir ao meu próprio playthrough para lembrar como era. Ainda bem que tinha vídeo, pois eu já tinha esquecido. E além da Crypta você tem realizado sonhos, né? Como foi participar da homenagem ao Joey Jordison? Foi uma das coisas mais importantes que já me

Supercombo faz primeiro show da segunda parte de Caranguejo neste domingo

A Supercombo sobe ao palco da Casa Natura Musical neste domingo, 26 de abril, para o show de lançamento de Caranguejo (Parte 2), novo capítulo do álbum dividido em duas etapas e já disponível nas plataformas de streaming. A apresentação, marcada para as 19h, será a primeira oportunidade para o público acompanhar ao vivo as oito faixas inéditas que completam o projeto lançado pela Deck. Depois de circular por seis estados ao longo de 2025 com a primeira metade do disco, a banda encerra agora o ciclo de um trabalho concebido desde o início como uma obra em dois tempos. A segunda parte se conecta diretamente ao repertório já apresentado, mas propõe uma mudança de atmosfera, explorando novos climas, ritmos e texturas sem perder a unidade estética do álbum. O resultado amplia a proposta sonora de Caranguejo, mantendo a identidade que consolidou o grupo entre os principais nomes do rock alternativo nacional. Em entrevista ao Blog N’ Roll (relembre aqui), o vocalista Léo Ramos afirma que com as duas partes juntas, Caranguejo é um dos álbuns mais incríveis da banda. Musicalmente, o rock continua como eixo central da Supercombo, mas as novas canções apostam em contrastes de dinâmica, mudanças de andamento e diferentes camadas de ambiência. Entre momentos mais diretos e passagens introspectivas, a banda preserva o equilíbrio entre riffs marcantes, melodias fortes e letras conectadas ao cotidiano, características que acompanham sua trajetória. O trabalho mostra bem a ideia de caranguejo, que vai de um lado ao outro, indo do metal à MPB. O show na capital paulista marca não apenas a estreia ao vivo do novo repertório, mas também o início de uma fase importante do projeto. ServiçoSupercombo – lançamento de Caranguejo (Parte 2)Data: 26 de abril de 2026 (domingo)Local: Casa Natura MusicalHorário: 17h30 (abertura da casa) | 19h (show)Classificação: 18 anos