Entrevista | Supercombo – “Com as duas partes juntas é um dos discos mais incríveis da banda”

O Supercombo lança nesta sexta-feira, 10 de abril, a segunda parte do álbum Caranguejo, pela Deckdisc, concluindo um projeto concebido desde o início como um disco dividido em dois tempos. Após apresentar a primeira metade ao longo de 2025 em uma série de shows por seis estados, o novo capítulo chega com oito faixas inéditas que ampliam a proposta do trabalho, explorando diferentes climas, ritmos e atmosferas sem perder a unidade estética construída anteriormente. O show de lançamento será dia 26 de abril na Casa Natura. Musicalmente, o rock segue como base da identidade do Supercombo, mas ganha contornos mais abertos nesta segunda etapa. A sequência se inicia com “Combustão”, uma vinheta que funciona como ponte entre as duas partes, e avança para momentos de maior impacto, como “Deixa a Maré Te Levar”, marcada por riffs mais pesados e energia crescente. Ao mesmo tempo, o álbum aprofunda narrativas já sugeridas, como em “Deixar Pra Lá”, que dialoga diretamente com “Alento”, e em “Como Se Fosse Ontem”, que revisita a nostalgia da adolescência sem se prender ao passado. Com a Parte 2, Caranguejo se consolida como o trabalho mais elaborado da carreira da Supercombo, resultado de um período mais longo em estúdio e de uma produção refinada assinada por Victor de Souza, o Jotta. O disco completo, agora com 15 faixas, reforça o momento de maturidade criativa do grupo e sua proposta de construir álbuns como experiências contínuas. O Blog N’ Roll acompanhou de perto esse processo e esteve, na última sexta-feira (03/04), no estúdio da banda ao lado do fã-clube para uma audição exclusiva da segunda parte do projeto em primeira mão. Como é que foi ver a recepção dos fãs agora na audição dessa segunda parte de Caranguejo? Léo Ramos – Absurdamente incrível. A gente sempre fica numa expectativa porque a parte 1 foi tão bem recebida por eles e aí a gente pensando, né? Pô, e aí? E a parte 2? Será que a galera vai gostar? Mas eu acho que pra mim superou as expectativas, tanto pra gente quanto pra eles. Foi um momento muito legal. Tenho certeza que com as duas partes juntas, pra mim, é um dos discos mais incríveis da banda. Tem uma parte favorita de vocês? A 1 ou a 2? Léo Ramos – Cara, eu acho que eu gosto mais da 2 agora. André “Dea” – Eu acho que por ser mais novinha, todo mundo tá com a 2 no coração. Carol Navarro – Vou votar na 2 também. É, a parte 2 tem uns rifão. Não que o primeiro não tivesse, né? Mas a 2 vai ser divertido de tocar no show. Paulo Vaz – Eu gosto mais da segunda parte também. Eu acho que ela é mais concisa em relação aos timbres, a sonoridade. Eu sinto ela com mais pressão. Então eu gosto mais da segunda parte, mas amo a primeira também. E qual vai ser a primeira música de trabalho dela? Léo Ramos – Eu acho que vai ser Como Se Fosse Ontem, do Vitor Kley. Brincadeira, risos. A gente não sabia, ou a gente não lembrava, sei lá, que o Vitor Kley tinha uma música chamada Como Se Fosse Ontem. Beijo, Vitor Kley, te amo. Mas enfim, acho que vai ser esse single o primeiro. E sobre o que fala a letra? Léo Ramos – É sobre nostalgia, sobre uma época em que a gente só ia pros Corujão jogar CS até de madrugada, até o dia raiar. E a vida era muito mais simples. É uma música sobre isso, mais leve, né? Levinho.

Entrevista | Winger – “Provavelmente será a última vez que tocamos no Brasil”

A banda Winger está confirmada no line-up do Bangers Open Air e se apresenta no dia 26 de abril. Formado no fim dos anos 1980, o grupo liderado por Kip Winger ganhou projeção com hits como “Seventeen” e “Miles Away”, consolidando seu nome no hard rock melódico da época. A banda também ficou conhecida pela forte musicalidade, equilibrando técnica refinada e apelo radiofônico, algo que os diferenciava dentro da cena glam. Ao longo das décadas, o Winger enfrentou altos e baixos, especialmente durante a virada dos anos 1990, quando o grunge dominou o mercado e impactou diretamente bandas do estilo. Ainda assim, o grupo manteve sua relevância com trabalhos consistentes e retornos pontuais, como o álbum “Karma” e o mais recente “Winger VII”, que reuniu a formação clássica. Paralelamente, Kip Winger desenvolveu uma carreira respeitada na música erudita, inclusive com indicações ao Grammy na área de composição clássica. A apresentação no Bangers Open Air ganha contornos ainda mais especiais por marcar uma das últimas passagens da banda pelo Brasil, dentro de uma turnê que sinaliza o encerramento gradual das atividades. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Charles “Kip” Winger falou sobre o fim das turnês, a transição para a música clássica e a relação com o público brasileiro. Quando você percebeu que era hora de encerrar a trajetória do Winger? Já venho pensando nisso há cerca de cinco anos. Tenho me dedicado cada vez mais à composição orquestral e senti que queria focar mais nisso. Chegamos a planejar essa despedida antes da pandemia, mas com a COVID decidimos seguir e depois fazer uma despedida gradual, com shows finais ao redor do mundo. Não anunciei oficialmente que nunca mais vou tocar, mas estou diminuindo o ritmo. Também tive alguns problemas vocais nos últimos anos e não quero subir ao palco sem conseguir cantar bem. Essa será uma despedida definitiva dos palcos ou ainda haverá espaço para apresentações pontuais? Provavelmente será a última vez que tocamos no Brasil. Já fizemos nossos últimos shows no Japão e na Europa. Ainda temos algumas datas nos Estados Unidos, mas estou mantendo tudo bem reduzido e sem aceitar novos compromissos. O que muda emocionalmente ao subir no palco sabendo que são os últimos shows? Foi um processo gradual. Sinto que já fiz tudo que podia com a banda. O álbum “Winger VII” foi pensado como uma declaração final, reunindo a essência do início com tudo que construímos ao longo de 35 anos. Eu não gosto de me repetir como artista, então prefiro seguir em frente e explorar novos caminhos, principalmente na música clássica. Como está sendo montado o setlist dessa turnê final sendo um show em Festival? Haverá surpresas para o Brasil? Ainda não defini completamente. Inclusive meu empresário me perguntou isso recentemente. Se você tiver alguma música favorita, pode sugerir. Vamos incluir os principais hits, claro, e algumas faixas que gostamos de tocar ao vivo. Gosto dos clássicos, mas imagino que já estejam no set, como “Seventeen”e “Can’ Get Enough”. Inclusive, “Miles Away” fez sucesso como trilha sonora de novela no Brasil. Como você vê esse tipo de exposição? Fiquei sabendo disso depois. É uma grande honra. Sempre é bom quando sua música chega a outros contextos, como TV e cinema. Há alguma música difícil de deixar de fora do repertório nessa turnê? Não especificamente. Sempre priorizamos os hits, que são muitos, e escolhemos outras músicas dependendo do momento. Algumas funcionam melhor ao vivo do que outras. Você sabia que São Paulo é hoje a cidade que mais ouve Winger no mundo? Inclusive ela tem quase o dobro de plays no Spotify do que Chicago, segunda colocada. Esse tipo de dado influencia decisões de turnê? Não sabia. Isso é incrível e aumenta ainda mais a responsabilidade para o show. Sou bem old school e não acompanho estatísticas. Acho que isso pode até atrapalhar a criatividade. Como você enxerga o público brasileiro? Todos os shows que fiz no Brasil foram incríveis. Os fãs brasileiros são absolutamente impressionantes, eles vivem e respiram a música de uma forma única. Não existe nada igual. Fiz uma pequena turnê acústica com meu percussionista, Robbie Rothschild, e desde o primeiro show, mesmo em um lugar pequeno, estava lotado e o público estava enlouquecido. Eu me virei para ele e disse: “é disso que se trata tudo isso”. Porque você não vai ver isso em qualquer lugar. O Brasil é muito único nesse sentido. Os fãs simplesmente se tornam a música, é algo inacreditável. Então, quando você me pergunta sobre memórias, a verdade é que cada show no Brasil é melhor que o anterior. Como foi a transição de tocar com Alice Cooper para liderar sua própria banda? Foi uma experiência muito importante para mim. Aprendi bastante com o Alice, principalmente sobre turnês e sobre como se comportar como frontman. Eu vinha de uma banda com meus irmãos, onde esse papel era dividido, então precisei desenvolver isso quando o Winger começou. Observar como ele conduzia o público e comandava o palco foi uma grande escola, e isso acabou sendo fundamental quando a banda engrenou. A banda sofreu críticas nos anos 1990 com o grunge e a cultura pop, teve o episódio do personagem de Beavis and Butthead que era fã de Winger e sofria bullying, teve a cena do Lars do Metallica jogando dardos na sua foto… Como você lidou com isso? Aquilo tudo simplesmente aconteceu ao nosso redor. A chegada do grunge, o impacto cultural de coisas como Beavis and Butt-Head e até o próprio Metallica acabaram nos colocando no centro de uma situação que não controlávamos. Foi algo que prejudicou bastante a nossa imagem por um tempo, mas musicalmente nunca me afetou. Eu sempre tive uma visão clara do que queria fazer e continuei evoluindo. Foquei na música, segui trabalhando e, no fim, consegui sair do outro lado, inclusive com reconhecimento na música clássica. Por outro lado, hoje há um revival de estilos clássicos. Inclusive, o Crazy Lixx que dividirá o palco com vocês é uma banda bem mais

Renan Inquérito transforma luta contra câncer em álbum mais íntimo da carreira

O rapper Renan Inquérito transformou um dos momentos mais delicados de sua vida em matéria-prima para seu novo álbum, “Tireoide”, já disponível nas plataformas digitais. Em 2024, enquanto se preparava para a gravação de um clipe e um show que celebraria uma década de carreira, o artista descobriu um corpo estranho na glândula tireoide, responsável pela produção dos hormônios T3 e T4 e fundamental para o funcionamento do organismo. O diagnóstico trouxe o risco de comprometer sua principal ferramenta de trabalho, a voz, e deu início a uma jornada marcada por exames, tratamentos e cirurgias. Mais do que um novo lançamento, “Tireoide” se apresenta como um registro direto do enfrentamento ao câncer. Em tom cru e confessional, o disco percorre contrastes entre o impacto do diagnóstico e o alívio da cura, entre perdas e recomeços. Ao longo de 11 faixas, o rapper expõe momentos de vulnerabilidade, como em “Elis Não Sabe Nada”, dedicada à filha, ao mesmo tempo em que constrói uma narrativa de superação que ganha força em músicas mais luminosas, onde o câncer deixa de ser protagonista e abre espaço para a esperança e a celebração da vida. Com produção de Pop Black, o álbum aposta em uma estética clássica do boombap, mesclando samples e batidas tradicionais com instrumentação orgânica. O projeto ainda reúne participações de Vih Mendes, Wesley Camilo, Dow Raíz e Lino Krizz. Após a retirada total da glândula, Renan Inquérito encerra o ciclo com um trabalho que reafirma sua trajetória e transforma dor em discurso, consolidando um dos capítulos mais intensos de sua carreira.

Entrevista | Blackberry Smoke – “O Brit faleceu há três anos, então vamos dedicar essa turnê a ele”

O Blackberry Smoke está de volta ao Brasil após sete anos. A banda norte-americana, um dos principais nomes do renascimento moderno do southern rock, desembarca no país para uma série de quatro shows em abril, passando por Porto Alegre, Belo Horizonte, São Paulo e Curitiba. Com uma base fiel de fãs e uma carreira construída na estrada, o grupo retorna em um momento simbólico, celebrando 25 anos de atividade. Com realização da Solid Music Entertainment, a turnê passa por Porto Alegre/RS no dia 8/04 (Urb Stage), Belo Horizonte/MG dia 10/04 (Mister Rock), São Paulo/SP dia 11/04 (Audio) e Curitiba/PR no dia 12/04 (Tork n’ Roll). Formado em Atlanta, o Blackberry Smoke consolidou seu nome ao longo das últimas duas décadas com uma sonoridade que mistura southern rock, country e blues, mantendo uma abordagem orgânica em meio a um mercado cada vez mais digital. Fora do mainstream tradicional, a banda construiu sua trajetória de forma independente, conquistando relevância global e chegando ao topo das paradas de country mesmo sem seguir os padrões do gênero. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o vocalista Charlie Starr falou sobre a expectativa para o retorno ao Brasil, a nova fase da banda após a perda do baterista Brit Turner e também comentou o cenário atual da música, incluindo a relação entre country e rock e o uso crescente de tecnologia nos shows ao vivo. O que vocês mais esperam dessa volta e existe alguma memória específica da última vez de vocês no Brasil? As pessoas. As pessoas lindas. Eu lembro de como as pessoas cantavam alto as músicas, e eu amo muito isso. O público brasileiro tem fama de ser intenso. Você sentiu isso de forma diferente no palco em comparação com outros países? Cada país é diferente, até cada cidade dentro dos Estados Unidos pode ser diferente, e de uma noite para outra a intensidade muda. Mas é muito especial tocar em lugares que não visitamos com frequência, isso torna tudo ainda mais especial. O setlist será o mesmo da turnê ou podemos esperar surpresas? Com certeza teremos surpresas. A gente muda o setlist toda noite, tentamos não repetir sempre a mesma coisa. Na última passagem, teve alguma música que teve uma reação diferente do público brasileiro? Não sei se diferente, mas eu adoro como o público brasileiro canta até os riffs de guitarra. Tem uma música chamada “Ain’t Got The Blues” e as pessoas estavam cantando a guitarra, isso não acontece com frequência. O que mudou na banda da última visita até agora e o que essa turnê representa para o futuro da banda? Bom, temos outro baterista. Nosso baterista original, Brit, faleceu há três anos, então vamos dedicar essa turnê a ele. Estamos celebrando 25 anos de banda este ano, então já é um bom motivo para comemorar. Vamos seguir em frente. Vocês estão trabalhando em material novo durante a estrada? Sim, estamos escrevendo agora. Está sendo bom, estou animado. Já que vocês compõe na estrada, há algum lugar que já inspirou diretamente vocês a compor músicas? Sim, o tempo todo. Onde quer que a gente vá, eu tento manter a antena ligada, prestar atenção e buscar inspiração em tudo. Depois de 25 anos, vocês ainda estabelecem objetivos ou é mais sobre manter consistência? Acho que é mais sobre consistência. Não sei se alguma vez realmente estabelecemos metas. A gente só quer tocar para o maior número de pessoas possível e fazer a melhor música que puder. Ainda existe algo que vocês querem conquistar na carreira? Eu foco no que estamos fazendo, mas adoraria fazer um show com os Rolling Stones, seria incrível. O Brit era visto como o “norte” da banda. Como vocês reorganizaram esse papel? Não sei se reorganizamos exatamente. A gente absorveu a ética de trabalho dele. Ele era incansável e uma inspiração para continuar seguindo em frente. Ele trabalhava muito na parte de negócios e merchandising, então tentamos manter isso em homenagem a ele. Como foram os primeiros ensaios e shows sem ele? Foi muito surreal. O último show dele foi em Atlanta, na cidade natal. A gente não sabia que seria o último. Ele já estava perdendo algumas habilidades motoras e precisou se afastar em alguns momentos. Foi muito triste, sinto falta do meu amigo. E como o público reagiu a esses primeiros shows sem ele? Acho que todo mundo ficou em choque. Mas todas as noites a gente menciona que o show é para o Brit, e isso cria uma sensação de união com os fãs, porque eles acompanharam tudo, a doença, a piora e a perda. Vocês já lideraram as paradas de country sendo uma banda de southern rock. Como veem essa diferença hoje? É difícil dizer. Muito do country atual nem soa como country para mim. Mas a música evolui, sempre evoluiu. Tem espaço para todo mundo. Como vocês veem artistas pop, como Beyoncé e Post Malone entrando no country? Acho legal. Gosto do disco do Post Malone, ele é muito talentoso. A música da Beyoncé também achei boa. No começo estranhei, mas depois pensei, é um hit. Hoje, com streaming, as pessoas buscam novos caminhos para se manter relevantes. Como vocês veem o rock hoje em dia e o que você acha do uso de backing tracks e elementos eletrônicos nos shows? É algo que sempre evolui. Mas tocar ao vivo, tocar alto e não ser seguro demais, isso é o que define o rock desde o começo. Mas eu gosto de música ao vivo. Se vou ver alguém tocar, quero ouvir tocando de verdade. Não gosto de tracks, acho isso péssimo. Prefiro imperfeição do que algo perfeito demais. Perfeição é chata. Vocês construíram a carreira fora da mídia tradicional. Hoje é mais fácil ou mais difícil seguir fora do mainstream? Acho que é mais acessível hoje, existem mais caminhos. Não sei se mais fácil, mas certamente mais possível. Aprendemos do jeito antigo, controlando tudo, pagando tudo e levando nossa música diretamente para as pessoas. Foi um crescimento orgânico. Que conselho vocês

The Amity Affliction anuncia show em São Paulo com nova fase e álbum inédito

A banda australiana The Amity Affliction retorna a São Paulo no dia 24 de maio para apresentação única no Brasil, marcada para o Carioca Club. O show integra a Latin America Tour 2026 e acontece poucas semanas após o lançamento de House of Cards, nono álbum de estúdio do grupo, previsto para 24 de abril. A turnê marca também a estreia de Jonny Reeves nos vocais limpos, reforçando uma nova fase na trajetória da banda. Formado por Joel Birch, principal compositor do grupo, o The Amity Affliction construiu sua carreira abordando temas como depressão, ansiedade, dependência química e exaustão emocional de forma direta. Essa abordagem ajudou a projetar a banda além da Austrália, com quatro álbuns alcançando o topo da parada da ARIA e presença constante em rankings internacionais. Nos últimos anos, o grupo também manteve relevância com Not Without My Ghosts, que entrou no Top 10 em 2023, e com a releitura Let the Ocean Take Me (Redux), novamente no Top 10 em 2024. O novo álbum, House of Cards, chega cercado de expectativa por representar um momento delicado para Birch e sua família. O disco foi concebido a partir do luto pela morte da mãe do vocalista, em 2024, e carrega uma carga emocional ainda mais intensa. A faixa-título, apresentada pela gravadora Pure Noise Records, foi descrita como uma composição pessoal dedicada a ele e aos irmãos, refletindo o impacto direto dessa perda. Musicalmente, o trabalho também indica mudanças, como um período de renovação para a banda: formação atualizada, processo de autoprodução e uma retomada consciente da sonoridade melódica que marcou seus maiores sucessos. O disco reforça a identidade do grupo ao combinar refrões acessíveis com letras intensas e sem filtro emocional. Com esse novo repertório, o The Amity Affliction chega ao Brasil em um momento decisivo da carreira, revisitando sua essência enquanto expande sua abordagem criativa. A expectativa é de um show que equilibre clássicos da banda com as faixas inéditas, mantendo a conexão direta com o público que os acompanha ao longo dos anos. ServiçoThe Amity Affliction em São PauloData: 24 de maio de 2026Horário: a partir das 17hLocal: Carioca ClubEndereço: Rua Cardeal Arcoverde, 2899 – São Paulo/SPIngressos: fastix.com.br/events/the-amity-affliction-em-sao-paulo

Entrevista | Lucifer – “Às vezes é difícil cantar uma música ao vivo porque me leva a momentos em que estava machucada”

A banda sueca Lucifer retorna ao Brasil em abril para uma série de oito apresentações que marcam mais um capítulo de sua relação com o público sul-americano. A nova turnê, que também passa por Argentina e Chile, chega em um momento especial da carreira do grupo, impulsionada pelo lançamento de Lucifer V, disco que consolidou a maturidade artística do projeto liderado pela vocalista Johanna Platow. No país, o ponto alto será a participação no Bangers Open Air, em São Paulo, além de um show solo no Hangar 110, oferecendo uma experiência mais completa fora do formato de festival. Formado em 2014, o Lucifer se firmou como um dos principais nomes do occult rock contemporâneo ao resgatar a essência do heavy metal dos anos 1970, com influência direta de bandas como Black Sabbath, Pentagram e Coven. Ao longo de cinco álbuns, a banda desenvolveu uma identidade própria, equilibrando peso e melodia com uma forte estética conceitual. Em Lucifer V, esse caminho atinge um ponto de síntese, com composições mais diretas, mas ainda carregadas de emoção, explorando temas como perda, espiritualidade e experiências pessoais. Em conversa ao Blog N’ Roll, Johanna falou sobre a fase atual da banda ao chegar a um grande festival no Brasil, refletiu sobre o processo emocional por trás de Lucifer V e comentou sua visão crítica sobre os rumos do metal contemporâneo. Vocês tocaram em locais menores nas passagens anteriores pelo Brasil. Como você enxerga a fase atual do Lucifer chegando ao Brasil em um grande festival como o Bangers? Estou muito animada, porque é o primeiro festival no Brasil que vamos tocar. Já fizemos turnês pela América Latina com o Lucifer, mas, pelo que me lembro, foram apenas shows em clubes. O último álbum Lucifer V é um disco emocional, pessoal e mais maduro. O que mudou em você durante esse processo? Não acho que tenha me mudado tanto assim. Acho que as mudanças vêm da vida. Você passa por coisas e vai mudando, e o álbum captura esse momento no tempo. Eu não costumo ouvir os discos do Lucifer, mas quando preciso, por exemplo para me preparar para um show, e escuto alguma música, ela me leva de volta para aquele período da minha vida. As letras são pessoais, então funcionam quase como uma fotografia daquele momento. Não vejo o processo de gravação como algo que me mudou, mas como um registro de quem eu era naquele momento. Você considera esse o disco mais pessoal da sua carreira? Todos são pessoais, porque eu sempre uso as letras quase como uma terapia quando estou passando por coisas na minha vida. Mas eu diria que nesse álbum eu me permiti ser mais emocional e mais aberta. Tem uma música, por exemplo, “Slow Dance in a Crypt”, que talvez eu não tivesse feito em discos anteriores. Então sim, Lucifer V é meu álbum favorito. E o que você vê de diferente do Lucifer V para os outros trabalhos? Acho que a produção é a melhor, tem mais variedade emocional e explora mais estilos. Também está mais sombrio novamente do que os dois ou três discos anteriores. O som do Lucifer conversa muito com o metal dos anos 70. Como você enxerga o rumo do metal mais moderno, com uso de elementos eletrônicos e mais experimentações? Eu não me interesso tanto pelo que é moderno. Eu amo música em geral, claro, mas quando o rock e o metal ficam genéricos demais, com todo mundo usando os mesmos efeitos, tudo muito polido, muito plástico, isso me incomoda. Falta algo orgânico, mais humano. Muitas bandas soam iguais hoje em dia, e isso é entediante. Quando eu cresci, nos anos 90, havia muito mais diversidade. Eu entrevistei recentemente o Crazy Lixx, que também estará no Bangers, e eles disseram que decidiram voltar a uma época em que o rock era bom e seguir dali. Você sente que o Lucifer cria como se estivesse na era do Black Sabbath? Sim, o Black Sabbath é minha banda favorita. Se você me obrigasse a escolher uma única banda para ouvir em uma ilha, seria Black Sabbath. É a principal influência do Lucifer, com certeza. Como foi o processo de transição da sonoridade doom para a atual, deixando o som mais acessível sem perder o peso? Uma coisa não exclui a outra. Você pode ser pesado e acessível ao mesmo tempo. O Black Sabbath é o melhor exemplo disso. Eles são extremamente pesados, mas têm uma sensibilidade pop muito forte, o que muita gente esquece. Algo melódico e acessível também pode ser pesado. Significa apenas que é uma boa melodia. Vocês parecem não se preocupar com o mainstream. Existe um limite que você não quer ultrapassar? Não tenho uma ideologia de precisar defender o underground. Não preciso provar nada para ninguém. Estou no rock e no metal desde os 13 anos. Para mim, o importante é que a música seja sincera e que você realmente ame o que está fazendo. Você cresceu em um ambiente religioso, certo? Como foi a transição para trabalhar com elementos do ocultismo? Foi muito fácil, porque cresci em um ambiente protestante na Alemanha, que é bem mais liberal do que o católico. Tenho vários pastores na família, mas nunca foi algo rígido. Quando eu tinha 14 anos, fui para minha confirmação com cabelo preto e usando uma cruz invertida, e minha mãe só pediu para eu esconder a cruz por baixo do vestido. Depois saí da igreja, mas nunca foi uma ruptura dramática. Crescer em Berlim nos anos 90 também ajudou, porque havia muitas livrarias com literatura ocultista, uma cena gótica forte, muitos cemitérios bonitos. Foi natural me conectar com isso. Vocês já têm um setlist definido para os shows no Brasil? O que os fãs podem esperar? Já temos um setlist, porque todos os integrantes moram em países diferentes e vamos nos encontrar em Barcelona para ensaiar antes da turnê. O público pode esperar clássicos do Lucifer, músicas do Lucifer V, algo bem antigo e até algo que não

Ana Cacimba mergulha na nova MPB com o single “Sereia”

A cantora, compositora e instrumentista Ana Cacimba apresenta o single “Sereia”, uma balada romântica que mistura elementos da nova MPB com referências da espiritualidade afro-brasileira, marcas recorrentes em sua trajetória artística. A faixa chega em parceria com PH Moraes, do duo Luau, e ganha um visualizer assinado por Ysis Policarpo. Em “Sereia”, Ana Cacimba constrói uma narrativa sobre um amor que não se projeta para o futuro, mas se intensifica no presente. A ideia do “eterno enquanto dure” conduz a letra, que encontra na figura da sereia uma metáfora para esse encontro passageiro. A personagem surge como uma espécie de bênção de Iemanjá, inserindo a canção em um cenário simbólico de liberdade, desejo e encantamento à beira-mar. A sonoridade acompanha essa proposta. Violões e tambores dialogam com beats eletrônicos, enquanto o asalato, instrumento africano de percussão presente no universo da artista, reforça a identidade rítmica da faixa. O resultado é uma atmosfera leve e envolvente, que remete ao clima de um luau ao entardecer. Com o lançamento, Ana Cacimba se posiciona dentro de uma cena contemporânea da música brasileira que aposta em sonoridades solares e híbridas. Nesse contexto, dialoga com nomes como Gilsons, Rachel Reis, Letícia Fialho, Benziê, Avuá e Amanda Magalhães. “Sereia” reforça essa conexão ao mesmo tempo em que amplia o repertório da artista, consolidando uma identidade que transita entre o íntimo, o espiritual e o contemporâneo.

Do contrabaixo à canção: Michael Pipoquinha inicia nova fase na carreira

Depois de consolidar seu nome como um dos principais contrabaixistas do país, Michael Pipoquinha inicia um novo momento na carreira. Conhecido pela atuação no universo instrumental, o músico cearense agora se aproxima da canção e passa a incorporar a própria voz como elemento central de sua criação. Nascido em Limoeiro do Norte, no Ceará, e radicado em São Paulo desde a adolescência, Pipoquinha construiu uma trajetória marcada pela excelência técnica e pela circulação em diferentes cenas musicais. Ao longo dos anos, dividiu palco com nomes como Djavan, Gilberto Gil, Hamilton de Holanda, Yamandu Costa, Ivan Lins, Elba Ramalho, Chico César, João Bosco e Toninho Horta, além de colaborações com Arismar do Espírito Santo e Pedro Martins. Sua atuação também ganhou projeção internacional, com apresentações em países da América do Sul e turnês pela Europa e Oriente Médio. No circuito global, dialoga com referências como Jacob Collier, Thundercat, John Patitucci e Victor Wooten, além de colaborar recentemente com Richard Bona. Seu trabalho também já recebeu reconhecimento de nomes como Stanley Clarke. A discografia acompanha essa trajetória, com álbuns como Cearencinho (2014), Lua (2017) e Um Novo Tom (2023), além de parcerias em projetos como Nosso Mundo e Cumplicidade. Em todos eles, o contrabaixo ocupa papel central, conduzindo a narrativa musical entre o jazz, a música brasileira e influências globais. “O baixo sempre foi o meu lugar de fala. Foi através dele que construí minha identidade”, explica o músico. Nos últimos anos, no entanto, esse eixo começou a se transformar. Sem abandonar o instrumento, Pipoquinha passou a investigar a canção como forma de comunicação mais direta, incorporando letra e voz ao processo criativo. A mudança ganhou força a partir da composição de “A Minha Pele”, momento que, segundo ele, marcou a virada. “Percebi que havia coisas que só poderiam existir com palavras. Foi ali que entendi que podia e precisava cantar”, afirma. A transição não representa uma ruptura com o passado, mas uma expansão de linguagem. A improvisação e a técnica seguem presentes, agora atravessadas por uma abordagem mais íntima e comunicativa. O foco se desloca do virtuosismo instrumental para a construção de um diálogo mais direto com o público. “Quero que minha música faça parte do cotidiano das pessoas. A canção me abriu essa possibilidade de identificação e troca”, resume. Reconhecido por diferentes gerações de músicos e com trajetória consolidada no instrumental, Michael Pipoquinha entra em uma fase em que escuta e expressão caminham lado a lado. Ao assumir a própria voz, o artista amplia seu campo criativo e aponta para novos desdobramentos de uma obra que segue em movimento.

Festival da Lua Cheia expande line-up com nomes emergentes da cena brasileira

O Festival da Lua Cheia anunciou uma nova leva de atrações para a sua 34ª edição, marcada entre os dias 4 e 7 de junho de 2026, no Hotel Fazenda Vale das Grutas, em Altinópolis, interior de São Paulo. Entre os nomes confirmados estão Rom Santana, Roça Nova e Furmiga Dub, reforçando a proposta do evento de apostar na diversidade e na renovação da música brasileira. Um dos destaques do anúncio é Rom Santana, artista baiano radicado no bairro do Bixiga, em São Paulo, que vem se consolidando como um dos nomes mais quentes da noite paulistana. Misturando arrocha, pagode baiano e piseiro, o cantor ganhou espaço com apresentações de forte apelo popular, marcadas pela energia e pela proximidade com o público, reunindo multidões em shows cada vez mais concorridos. Outra novidade no line-up é a banda Roça Nova, formada na Zona da Mata mineira. O grupo é responsável por desenvolver o chamado caipigroove, uma sonoridade que combina música caipira, ritmos afro-latinos e rock psicodélico com referências contemporâneas. A projeção nacional veio após a vitória no concurso de bandas do João Rock, consolidando o nome no circuito independente. Fechando o anúncio, o projeto Furmiga Dub leva ao festival a influência do reggae e da cultura sound system, ampliando o espectro musical da programação. A inclusão do trio de artistas reforça o olhar do festival para novas tendências e linguagens dentro da música brasileira. Segundo o curador Pedro Barreira, a proposta do Festival da Lua Cheia segue alinhada à descoberta de novos talentos. Rom Santana passa a integrar um conjunto de apostas ao lado de nomes como Melly, Mari Jasca, Núbia e O Cheiro do Queijo, apontados como possíveis surpresas desta edição. Com seis palcos espalhados pela fazenda e mais de 100 atrações confirmadas, o Festival da Lua Cheia 2026 mantém sua tradição de reunir diferentes gerações e estilos. A programação vai além dos shows, com mais de 300 atividades que incluem oficinas, vivências, intervenções artísticas e experiências coletivas ao ar livre, em um ambiente que privilegia o contato com a natureza e a convivência. Entre os artistas já anunciados estão Mano Brown, Céu, Russo Passapusso & Ministereo Público SoundSystem, Mari Jasca, Braza, Melly, ChicoChico, Funk Como Le Gusta, Zeca Baleiro, Edson Gomes, Maneva e Lamparina. O Festival da Lua Cheia reafirma, assim, sua identidade como um dos eventos mais plurais do calendário brasileiro, equilibrando nomes consagrados e novas apostas em uma programação que aposta na experiência completa do público. ServiçoFestival da Lua Cheia 2026Data: 4 a 7 de junho de 2026Local: Hotel Fazenda Vale das Grutas – Altinópolis (SP)Programação: mais de 100 atrações musicais, seis palcos, mais de 300 atividades, oficinas, vivências, intervenções artísticas e área de campingwww.festivaldaluacheia.com.br