Three Days Grace Alienation marca renascimento da banda

O caldeirão que empolgou o mundo nos anos 2000 com a mistura de nu metal e post grunge está de volta. Com Alienation, o Three Days Grace não apenas entrega riffs esmagadores e refrões que grudam, mas celebra um verdadeiro renascimento. O álbum marca o retorno do vocalista original Adam Gontier que, agora, divide os vocais com Matt Walst. O resultado é um som mais denso, multifacetado e cheio de novas possibilidades. A dinâmica vocal é o grande trunfo da obra, afinal, Walst nunca emulou Gontier quando o substituiu. Alternando entre sutilezas melódicas e explosões brutais, as vozes constroem uma narrativa visceral, quase como se a banda conversasse consigo mesma a cada faixa. Esse diálogo dá ao álbum uma força emocional rara, equilibrando introspecção e catarse. A base instrumental acompanha a mudança de forma poderosa: riffs sujos, grooves arrastados e linhas eletrônicas discretas mostram a atualização da banda ao atual mercado dominante de metal moderno. Apesar de experimentar com texturas eletrônicas e momentos acústicos, o álbum mantém a pegada direta e crua que sempre definiu o grupo. O formato é coeso e eficiente: introdução climática, build-up, refrão explosivo e repetição. Essa fórmula é uma bola de segurança, mas em alguns momentos passa a sensação de loop, como se a banda tivesse dificuldade em escapar de seu próprio passado. Ainda assim, quando funciona, é avassalador. Entre os destaques estão a abertura Dominate, um nu metal cru que parece ter saído do álbum Hybrid Theory do Linkin Park. Ela chega como um soco no estômago, com bateria marcial, baixo pulsante e um refrão radiofônico carregado de emoção. Apesar das quatro primeiras músicas já terem sido lançadas, a transição de Dominate para Apologies não funcionou e pode relevar torcidas de nariz para os fãs mais exigentes. A sensação é que você saiu do nu metal e, acidentalmente, trocou para uma música teen da boy band do momento. O caminho de Apologies até a pesada sexta faixa, Alienation, é pavimentado com a mesma fórmula de refrões radiofônicos e músicas mais cadenciadas. Depois, destaque para In Cold Blood, décima faixa, que resgata o auge da banda. Há também faixas que exploram riffs mais sombrios e até solos com influências orientais, pequenas surpresas que enriquecem a experiência. No fim, Alienation mostra um Three Days Grace que não apenas sobrevive às mudanças, mas encontra nova vida nelas criando holofotes para os dois vocalistas. É um disco que não será esquecido para futuras turnês, com canções com energia suficiente para incendiar arenas e nuances que dialogam com o público em momentos mais íntimos. A previsibilidade da fórmula peso + refrão pop de algumas estruturas não apaga o impacto de um álbum que soa como um verdadeiro recomeço. Nota: 3.5/5
Entrevista | Story of The Year – “É especial saber que Until The Day I Die inspirou tanta gente”

O Story of the Year retorna ao Brasil após 12 anos para participar do festival I Wanna Be Tour e mais shows paralelos em São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro. A banda, que marcou os anos 2000 com o álbum Page Avenue, promete reviver a energia que os fãs brasileiros conheceram em sua primeira passagem pelo país. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o vocalista Dan Marsala, trajado com uma surpreendente camiseta de Britney Spears, revelou que o grupo trabalhou com o produtor Colin Britton para resgatar a mesma intensidade da fase inicial no disco Tear Me to Pieces e que teremos um álbum novo em breve. Marsala destaca ainda a importância de clássicos como Until the Day I Die e Anthem of Our Dying Day, mas também disse estar animado em apresentar músicas novas que já caíram no gosto do público, como War. E, como amante de pizza, espera provar a nossa versão gastronômica dessa vez. Como é para você retornar ao Brasil como parte de um festival que celebra um movimento que você ajudou a criar? Dan Marsala: É ótimo. A última vez que estivemos no Brasil foi em 2013, então já faz 12 anos. Estamos muito animados para voltar em um grande festival com grandes bandas. Sempre tivemos grandes shows no Brasil e mal posso esperar. Você tem alguma história interessante da sua visita anterior ao Brasil? Dan Marsala: Os shows sempre foram ótimos. Os fãs são loucos. Tivemos problemas com os promotores e com pagamento nos últimos anos (risos), mas desta vez tudo está indo bem e estamos animados para voltar. Sempre é uma aventura. Há uma diferença entre tocar em festivais e nos sideshows em São Paulo e no Rio de Janeiro? Dan Marsala: Eu amo os dois tipos de shows. Amo casas menores, onde você sente a energia e fica tudo mais intenso, mas também amo grandes festivais porque você toca para muitas pessoas e divide o palco com bandas diferentes. Ambos têm suas vantagens. Estou animado para os shows menores e para o festival. Vou tocar em qualquer lugar, a qualquer momento. Os sideshows vão ser mais longos? Dan Marsala: Acho que sim, um pouco. O festival deve ter entre algo entre 50 minutos e uma hora. Os sideshows provavelmente serão um pouco mais longos, porque temos mais tempo. No começo vocês foram descritos como uma banda de post-hardcore. Hoje bandas do estilo flertam com metalcore ou modern metal. Como você define o som atual? Dan Marsala: É difícil. Isso mudou ao longo dos anos. Agora todo mundo chama de emo. Quando começamos não nos considerávamos emo, havia post-hardcore, screamo, hardcore, punk… nós apenas misturamos tudo. Eu digo que somos uma banda de rock, com energia alta. Temos elementos de vários gêneros, mas é difícil de rotular. Nos anos 2000 vocês foram parte da explosão do emo e post-hardcore. Como é ver esse movimento se revivendo agora? Dan Marsala: É louco. Nosso primeiro álbum saiu em 2003 e, em 2010, a cena morreu um pouco, principalmente na América. Foi surpreendente ver essa retomada. Acho que acontece com todos os gêneros: você se afasta um tempo, mas mais velho acaba redescobrindo o que amava. Para nós é ótimo, porque quero tocar música o resto da vida. Como você compara a fase atual com o início em Page Avenue? Dan Marsala: Foi um processo parecido. No último álbum, Tear Me to Pieces, o produtor Colin Brittain foi muito importante para capturar a mesma energia dos primeiros dias. Trabalhamos muito para trazer de volta a energia jovem de 20 anos atrás. Gravamos outro álbum com ele, que será lançado em breve, e seguimos o mesmo processo: fazer música que amamos. Isso não mudou. Ser pai mudou a forma como você escreve? Dan Marsala: Não muito. O processo continua o mesmo. Algumas influências externas entram, mas no fim das contas escrevemos músicas que gostamos de ouvir. Trabalhamos em cima disso e esperamos que funcione. Sua música já ajudou muitas pessoas em momentos difíceis e não será surpresa ver alguém com um cartaz “Story of The Year saved my life”. Como você enxerga isso? Dan Marsala: É ótimo ouvir isso. Música é mágica, pode ajudar em qualquer situação. Saber que tivemos impacto positivo na vida das pessoas é incrível. É uma das razões pelas quais gosto de escrever e tocar. Eu sempre trago uma pergunta da caixinha de perguntas do meu Instagram. E temos aqui um fã, o Vinicius, que gostaria de saber se vocês ainda vão girar a guitarra e dar piruetas no palco? Dan Marsala: Não tenho certeza. Provavelmente, sim. Ainda colocamos muita energia em cada show. Claro que somos mais velhos e algumas loucuras não acontecem mais, mas vai ter energia e vai ser divertido. No Instagram você se auto define como um amante de pizza e de música. Já provou a pizza do Brasil? E, aproveitando, já conhece as bandas brasileiras? Dan Marsala: Eu não sei se já comi pizza brasileira. Alguém precisa me trazer uma para eu experimentar desta vez. Eu amo pizza, então tenho certeza que é ótima. Sobre as bandas brasileiras conheço pouco, mas estou ansioso para ouvir algumas. Como você se sente ao ver que músicas como Until the Day I Die marcaram uma geração e ainda são um ponto de entrada para novos fãs? Dan Marsala: É louco. É difícil colocar em perspectiva, porque essa música saiu há 22 anos. Foi enorme para nós e para a cena. Ela continua incrível ao vivo, e ver multidões cantando é ótimo. É especial saber que inspirou tanta gente. Agora, um desafio: Se tivesse que escolher cinco músicas para tocar pelo resto da vida nos shows, quais seriam? Dan Marsala: Until the Day I Die, Anthem of Our Dying Day, War, Is This My Fate? e Tear Me to Pieces. São músicas especiais, que sempre funcionam ao vivo e pelas quais temos muito orgulho. Qual mensagem você deixa para os fãs brasileiros? Dan Marsala: Estamos animados demais para voltar. Vamos
Entrevista | Boston Manor – “Vamos tocar músicas que há muito tempo não tocamos”

Pela primeira vez no Brasil, o Boston Manor desembarca no país com a expectativa de retribuir o carinho de uma base de fãs que, há anos, insiste para que a banda venha tocar por aqui. Com uma carreira de pouco mais de dez anos, a banda britânica se consolidou como um dos nomes mais inventivos da cena alternativa, transitando do pop punk para um som mais sombrio e melancólico, sem se prender a rótulos. A apresentação em São Paulo acontece no dia 14 de setembro, no City Lights. Ainda há ingressos à venda na plataforma Fastix. O vocalista Henry Cox contou ao Blog n’ Roll sobre essa estreia, a evolução musical da banda, lembranças de festivais e os próximos passos em estúdio. O que você já sabia sobre os fãs brasileiros antes de confirmar este show? Henry Cox: Temos um fã-clube incrível, o Boston Manor Brasil, que nos acompanha há anos. Sempre recebemos mensagens nas redes sociais pedindo para virmos ao Brasil. Na nossa última turnê americana, alguns fãs levaram uma bandeira enorme do Brasil e reforçaram ainda mais essa vontade. Queríamos ir há muito tempo, mas foi caro e difícil de organizar. Agora finalmente deu certo e estamos muito animados para tocar pela primeira vez aí. O que o público pode esperar do setlist em São Paulo? Serão cerca de 15 músicas ou teremos surpresas? Henry Cox: Sabemos que faz muito tempo que as pessoas esperam ver a banda ao vivo, então pensamos em algo especial. Vamos tocar músicas antigas, de meio de carreira e também as mais novas. Será um setlist bem eclético, incluindo faixas que não apareciam há bastante tempo. A ideia é fazer um show intenso, emocionante e divertido. Queremos que seja caótico, no melhor sentido, que seja insano para todo mundo. E fora do palco, há planos para conhecer São Paulo? Henry Cox: Infelizmente, por causa do ritmo da turnê, estamos em um país diferente todos os dias, então não teremos muito tempo para explorar. Basicamente só terei o dia do show. Mas se alguém tiver dicas de lugares interessantes e que fiquem até uma hora do local, adoraria conhecer. Como foi a transição do pop punk para um som alternativo? Henry Cox: A mudança foi bem gradual, feita ao longo de alguns álbuns. No início, principalmente na América, parte do público estranhou, mas aos poucos fomos conquistando ainda mais fãs. Nos últimos dois discos, por exemplo, conhecemos muitas pessoas que diziam ter adorado o primeiro álbum, mas não tinham acompanhado os seguintes. Agora, com os trabalhos mais recentes, esse público voltou para a banda. Foi legal ver esse movimento. Vocês ainda se sentem parte da cena pop punk? Henry Cox: Hoje isso importa menos do que antes. O streaming abriu muito o gosto musical das pessoas. Antigamente, se você curtia punk, era só punk. Ou metal, só metal. Agora os fãs ouvem de tudo, e isso é ótimo. Já dividimos turnê com bandas muito diferentes entre si, como Knocked Loose ou Hot Mulligan, e os públicos curtem igualmente. Dez anos atrás, seria uma questão não ter um rótulo definido, mas agora isso pesa bem menos. Algumas pessoas ainda nos veem como pop punk, o que é engraçado, mas não nos preocupa. Qual música do catálogo ainda é especial para você? Henry Cox: Depois de dez anos e vários álbuns, é normal olhar para trás e pensar em mudanças que faria. Algumas músicas já não representam tanto o que somos hoje, mas continuam como uma fotografia de quem éramos na época. Do nosso primeiro álbum, por exemplo, tem faixas que considero muito confusas, cheias de elementos, mas também há coisas que ainda fazem sentido. “Kill Your Conscience” é uma delas, poderia estar em um disco novo. Outras soam muito juvenis, mais pop punk, quase infantis. É como ver uma foto antiga de você mesmo, mas ao mesmo tempo é uma cápsula do tempo, parte da história. O álbum Glue tem essa melancolia por fruto da pandemia ou já era um caminho natural? Henry Cox: Acho que já vínhamos nessa direção, mas a pandemia intensificou. O disco anterior, Welcome to the Neighbourhood, tinha tido muito sucesso e ficamos quase dois anos em turnê sem parar, dez meses por ano na estrada. Estávamos exaustos, mas mesmo assim começamos a escrever um novo álbum. Hoje vejo que talvez devêssemos ter esperado um pouco mais. Em Glue dá para sentir essa exaustão, a frustração e a tensão daquele momento. Isso deu autenticidade, mas não estávamos no melhor espaço mental para gravar. Você coloca muitas experiências pessoais nas letras? Henry Cox: Sim, bastante. Às vezes são experiências pessoais, outras vezes são observações sobre o mundo ao meu redor. Tento escrever de forma mais aberta, quase enigmática, para que cada um possa se identificar à sua maneira. Não gosto de deixar óbvio “essa música é sobre isso”, prefiro dar espaço para interpretação, mantendo um pouco de mistério. Sei que é cedo, mas há um novo álbum a caminho? Henry Cox: Sim, já começamos a compor e a fazer demos. Provavelmente entraremos em estúdio no ano que vem, mas sem pressa. Desde a pandemia lançamos dois discos e um EP, então foi bastante coisa. Agora me sinto pronto, criativo e com muito a dizer. Vivemos tempos malucos e sinto que há muito material para transformar em música. Quais artistas te influenciam nos dias de hoje? Henry Cox: No início eram bandas como Taking Back Sunday, som alternativo e mais eletrônico, além de Nine Inch Nails e, claro, Deftones, que sempre foram referência para mim, Mike e Dan. Hoje não escuto tanta música de guitarra quanto antes, o que é bom porque me influencia menos diretamente. Mas sinto vontade de fazer um álbum mais cru, agressivo, punk, e espero que as demos sigam esse caminho. Qual festival foi marcante na carreira? Henry Cox: O Download Festival, sem dúvida. Tocamos no palco principal no dia em que lançamos “Halo” e aquilo mudou nossa trajetória. Recentemente voltamos e tocamos para 80 mil pessoas, foi
Private Music, novo álbum do Deftones, soa como um convite à nostalgia

Chega ao mundo o aguardado décimo álbum do Deftones, Private Music. Foram longos cinco anos desde o último lançamento e, nesse meio tempo, a banda experimentou um crescimento inédito, impulsionado pelo TikTok, que apresentou seus clássicos a uma nova geração de adolescentes. Hoje, o grupo também é apontado como influência direta de nomes como Sleep Token e Bad Omens, considerados herdeiros do metal moderno. O Brasil teve a honra de sediar uma listening party na última quinta-feira (21) no The Cave, espaço da lendária Galeria do Rock, onde Private Music foi apresentado em primeira mão para fãs e foi muito bem recebido. O Blog N’ Roll foi representado pela Lya Hemmel que colheu as opiniões e expectativas dos presentes. Criar esse disco era um desafio enorme. Afinal, a banda precisava lidar com a pressão de seu inesperado auge, somado ao revival do Nu Metal e os fantasmas dos dois trabalhos anteriores: Gore foi incompreendido, enquanto Ohms soou como uma tentativa sufocada de agradar os fãs. Não à toa, em 2025 apenas uma música de cada álbum sobreviveu aos palcos: Prayers/Triangle e Genesis, deixando clara a urgência de uma resposta à altura neste décimo capítulo da carreira. Em Private Music, o Deftones não faz rodeios. A nostalgia aqui não é mero maneirismo ou bola de segurança, mas um portal direto ao passado da banda: a tensão entre a brutalidade das guitarras de Stephen Carpenter e a sensibilidade atmosférica de Chino Moreno continua sendo o coração criativo do grupo. O álbum abre com o single My Mind is Mountain e sua introdução thrash que lembra muito o Metallica. A canção já soma 16 milhões de plays no Spotify, é pesada, impactante e foi recebida com entusiasmo por fãs e crítica. O outro destaque, Milk of Madonna, disputa o topo da parada de Rock da Billboard, logo atrás de seus discípulos do Bad Omens. Entre as inéditas, Infinite Source traz o Deftones em essência: psicodelia, riffs monumentais, bateria grandiosa e os vocais de Chino, que abraçam ao mesmo tempo a calmaria e o caos. Já Cut Hands resgata com força as raízes do nu metal, soando como uma faixa perdida em algum disco dos anos 2000. Há espaço para experimentações, como na balada I Think About You All The Time, que poderia figurar facilmente no clássico Mellon Collie and The Infinite Sadness, do Smashing Pumpkins. O encerramento vem com a grandiosa Departing the Body, uma síntese de toda a trajetória da banda. O início grave, quase no estilo Roger Waters, explode em uma catarse que soa como um encontro entre Smashing Pumpkins, Pink Floyd e The Cure. A produção reflete com precisão o estágio atual do Deftones: monumental. Os riffs de Carpenter aparecem ainda mais robustos sem abrir mão da distorção, e o estúdio soube potencializar a força do grupo sem diluir sua essência. O retorno ao Brasil está previsto para 2026, com grandes chances do Deftones ser o nome principal do rock no Lollapalooza. Infelizmente, Stephen Carpenter não deve acompanhar a turnê, já que mantém restrições de viagem desde a pandemia. Nota: 4/5
Entrevista | Pedro de Luna – “Champignon não aguentava mais a pressão e o assédio dos haters”

Champignon faleceu dia 9 setembro de 2013, aos 31 anos, justamente o mês agora associado à campanha Setembro Amarelo, dedicada à prevenção do suicídio e à saúde mental. A biografia de Pedro de Luna mostra não apenas o legado musical de Champignon, mas também os problemas de depressão, ansiedade e pressões financeiras que ele enfrentava, lembrando que por trás do talento e da fama existiam batalhas silenciosas que merecem atenção, compreensão e diálogo. Luna mergulhou na vida do baixista em um relato detalhado sobre sua trajetória pessoal e artística. Afinal, Luiz Carlos Leão Duarte Júnior, o Champignon, foi um dos nomes mais emblemáticos do rock brasileiro, reconhecido pelo trabalho com o Charlie Brown Jr. e por projetos como Revolucionnários, Nove Mil Anjos e A Banca. Com talento, carisma e presença de palco, ele marcou gerações, mas também enfrentou desafios pessoais e emocionais complexos que moldaram sua história. Você teve a impressão de que o Champignon era a segunda cara do Charlie Brown Jr., quase um “segundo em comando”, quando escreveu a biografia? Pedro de Luna: Sim, tive essa impressão, como se ele fosse o segundo em comando. O Dom Quixote e o Sancho Pança. É engraçado você falar isso, porque tem uma passagem no livro em que, se não me engano foi o Thiago (Castanho) ou o Marcão, contou numa entrevista que eles estavam em um evento e viram o Champignon e o Chorão andando de costas. A pessoa comentou: “Cara, até andar igual eles andavam”. Essa simbiose foi muito intensa. O Champignon tinha 12 anos quando conheceu o Chorão, que já tinha seus 20 anos e um filho. Essa convivência influenciou muito, principalmente o mais novo. O Chorão era o dono da banda, o porta-voz nas entrevistas, mas o Champignon, de alguma forma, era o segundo em comando. Como foi o processo de viabilizar o livro via crowdfunding, ainda mais durante a pandemia? Pedro de Luna: Não foi o primeiro livro que fiz por financiamento coletivo. Já tinha feito, por exemplo, a biografia de outro baixista, o Speed (parceiro do Black Alien), e também outros livros por venda antecipada. Mas no caso do Champignon foi desanimador no início, porque a primeira campanha não bateu a meta. Pensei: “Não é possível que as pessoas não tenham interesse em saber sobre ele”. Foi uma decepção, mas tentamos novamente. Na segunda campanha começamos com uma meta mais alta, depois reduzimos, e aí conseguimos bater e bancar a primeira tiragem praticamente no zero. O grande desafio mesmo foi a pandemia. Eu gosto de fazer entrevistas pessoalmente, e naquele momento não dava. A única pessoa que exigiu o encontro presencial foi uma das irmãs do Champignon, a Dani, a caçula. Nos encontramos em um lugar aberto, com todos os cuidados, e foi ótimo. Ela contribuiu muito, assim como a Eliane, a irmã mais velha, que ajudou com fotos e material de acervo pessoal. Mas foi a única entrevista que consegui fazer presencialmente. Isso dificultou bastante o processo. Os fãs ajudaram a escolher a capa do livro. A disputa foi acirrada ou houve um consenso? Pedro de Luna: Foi apertada, mas no fim a capa vencedora ganhou com folga. Essa foto acabou virando a principal e a camisa ficou com a Dani, irmã mais nova do Champignon. A outra opção era uma foto de 1998, dele bem jovem com um macacão bordado com “Charlie Brown”, que acabou indo para a contracapa. A escolha da capa foi simbólica também porque a foto é do Marcos Hermes, um grande fotógrafo e amigo meu. Nós moramos juntos quando me mudei para São Paulo em 1998, então ter uma foto dele no livro foi especial. Você entrevistou músicos de outras bandas como CPM 22 e NX Zero, que tiveram relações com o Charlie Brown Jr. Como você viu essa influência e convivência entre eles e o Champignon? Pedro de Luna: É interessante, porque o Chorão sempre foi um ponto de tensão com outras bandas, mas o Champignon era o oposto: um cara muito boa praça, que se dava bem com todo mundo. O Marcelo D2, por exemplo, sempre foi amigo do Chorão, e o Planet Hemp foi fundamental na trajetória do Charlie Brown, já que foi o D2 quem sugeriu que o Chorão cantasse em português. Sobre a geração seguinte NX Zero e CPM 22 e até o Raimundos, da mesma geração, era natural a convivência. Nos anos 90 e 2000 havia muitos festivais de rádio, aniversários de emissoras, e quem estava no topo eram as bandas dessa geração. O Charlie Brown ainda era um finalzinho dos 90, antes da ascensão do emo, e dividiu muito palco com todos eles. A famosa “treta” com o CPM surgiu de uma entrevista boba publicada na Capricho, mas na prática os caras eram próximos. Há vídeos de turnês nos EUA com Champignon, Badaui e Japinha juntos, super amigos. O NX Zero nunca teve treta nenhuma, pelo contrário: Di Ferrero participou de shows com o Champignon em sua fase fora do Charlie Brown, e vice-versa. O Raimundos também sempre abriu espaço, o Digão chamou o Champignon para apresentações e ajudou bastante. Eu tenho muito cuidado como biógrafo: não coloco fofoca nem rumores. Só relato coisas já publicadas em entrevistas, matérias de TV e revistas. Não escrevo livro para criar desavenças, e sim para contar histórias de forma honesta e respeitosa. E eu vi que você teve dificuldade também de encontrar matérias, entrevistas e alguns materiais com o Champignon. Como é que foi que você se enfrentou esse tipo de dificuldade para encontrar material? Pedro de Luna: Cara, a pesquisa é sempre a parte mais difícil do livro. Escrever já está no automático, mas a pesquisa, até antes das entrevistas, eu tenho que fazer uma boa pesquisa. No caso do Charlie Brown, e na verdade com muita gente, as informações que estão na internet ou não são fiéis, ou estão com datas erradas. Até mesmo vídeo, encontrei pessoas que postavam muitos vídeos e depois, fazendo uma pesquisa, vi que o ano estava errado,
Ricochet: Novo álbum do Rise Against decepciona fãs

Ricochet, o décimo álbum de estúdio do Rise Against, prometia uma nova fase da banda de Chicago sob a batuta da produtora Catherine Marks e do mixer Alan Moulder. Mas, em vez de revitalizar a sonoridade característica do grupo, o disco acabou destoando: vozes envoltas em reverb excessivo, produção polida além da conta, arranjos que preferem o pop radiofônico em vez do punk rápido e agressivo que a banda construiu ao longo da carreira. Enquanto há momentos de força, como o groove urgente da dobradinha “Sink Like a Stone” e “Forty Days” e a potência refinada de “Nod”, executada em show último show no Brasil, a maioria das faixas mergulha em territórios excessivamente lisos, como “Soldier” e “Gold Long Gone”. Soa muito mais como pastiche do que como evolução. Parece tudo, menos Rise Against. A recepção dos fãs nas redes sociais tem sido dura. Relatos no Instagram e no Reddit são claros: “Este é, de longe, o álbum que menos gostei da banda.”“A mixagem é um overload sensorial, meus ouvidos fatigaram.”“Isso não é punk. A produção não é punk.” Ou seja, ao tentar “ser diferente”, como disse Tim McIlrath em entrevista recente, o resultado parece ter afastado fãs históricos, muitos reclamando que Ricochet soa distante da energia visceral e urgência que define o Rise Against desde os primeiros álbuns. Óbvio que os shows vão continuar sendo ótimos, graças a boa discografia da banda. Porém este será um álbum que daqui há alguns anos ninguém irá se lembrar. Nota 2.5 de 5
The Devil Wears Prada surpreende e encerra turnê com música inédita em São Paulo

O The Devil Wears Prada encerrou ontem (17.08) a turnê latino-americana no Carioca Club, em São Paulo, o mesmo palco que recebeu a última passagem da banda pelo Brasil há 13 anos. Não foi uma jornada fácil: além de lidar com a saída recente do baixista Mason Nagy, substituído nos shows por faixas gravadas, o grupo também enfrentou um assalto no aeroporto de Bogotá. Antes do show, conversamos com o vocalista Mike Hranica, que revelou de maneira exclusiva que um novo álbum está a caminho. Além dos singles Ritual e For You, a banda surpreendeu o público paulista com a inédita Where the Flowers Never Grow, apresentada de forma exclusiva e que será lançada em breve. O showA Liberation, organizadora do evento, apoiou a cena colocando como abertura a banda brasileira Emmercia, que aposta no metal moderno e vem se consolidando como um nome promissor do estilo. Na sequência, o The Devil Wears Prada entregou uma apresentação com foco na fase recente: nove das 17 músicas do set foram lançadas nos últimos três anos. O início privilegiou faixas mais pesadas, que incendiaram o público com rodas de mosh intensas. Destaque para Watchtower e Danger: Wildwoman, dedicada ao ex-baterista Daniel Williams, falecido recentemente. A parte intermediária do show trouxe composições mais voltadas ao metal moderno. Os vocais melódicos de Jeremy DePoyster ficaram em evidência, enquanto Mike Hranica se destacou ao inserir uma terceira guitarra em algumas músicas. Ritual foi um dos pontos altos, celebrada em coro pelo público. Na reta final, a banda revisitou a fase metalcore, com exceção da balada For You, cantada a plenos pulmões pelos presentes. Após a execução de Sacrifice, o grupo deixou o palco para o tradicional Encore. Enquanto a plateia aguardava as duas últimas faixas que fecharam toda a turnê, Mike Hranica surpreendeu ao anunciar o lançamento de uma nova música ao vivo. Foi então que apresentaram Where the Flowers Never Grow, seguida das clássicas Dogs Can Grow Beards All Over e Hey John, What’s Your Name Again?, que fecharam a noite em clima de celebração. Com a calorosa recepção em São Paulo, o The Devil Wears Prada prometeu não deixar passar mais 13 anos até a próxima visita ao Brasil. Setlist
Entrevista exclusiva | Supercombo conta todos os detalhes sobre o álbum Caranguejo

O Supercombo lançou ontem (15/08) a primeira parte do álbum Caranguejo. O trabalho demorou cerca de um ano para ficar pronto, porém caiu nas graças dos fãs e ativou a curiosidade de pessoas que haviam perdido contato com a banda (leia o review do álbum aqui). Conversamos de maneira exclusiva com Léo Ramos, Paulo Vaz, Carol Navarro e André Dea que deram todos os detalhes sobre o trabalho, incluindo um faixa a faixa com o significado de cada letra. Vocês fizeram um evento com os fãs mais assíduos para a audição do álbum. Como foi ver, em tempo real, a reação das pessoas durante o evento de audição? Léo Ramos: Pô, foi muito lindo. Passamos tanto tempo na caverna com o disco, só a gente escutando e sem saber como o público reagiria. Ver que as pessoas se emocionaram nas mesmas músicas e sentiram o peso das mais pesadas foi muito gratificante. Parece um sonho ver esse trabalho finalmente no mundo, ainda mais naquele momento da audição. Foi muito massa. Sobre esse disco ter ficado guardado um tempo, quanto tempo ele ficou na “caverna”? Léo Ramos: Com certeza mais de um ano. Tentamos primeiro a fórmula do “Remédios” (último disco, lançado em 2023) , todo mundo tocando ao vivo, fazendo jams no estúdio. Algumas músicas nasceram daí, como “Piseiro Black Sabbath” e outras que vão para a parte dois. Depois pegamos material antigo, fizemos umas novas, reunimos 40, 50 músicas. Com a ajuda do Rafael Ramos (produtor e diretor da DeckDisc), filtramos esse repertório e escolhemos o que faria sentido. Aí resolvemos lançar em duas partes. Foi um processo de mais de um ano de pensar, criar e elaborar. E “Piseiro Black Sabbath”? Como tem sido a recepção ao vivo? Léo Ramos: Nossa primeira apresentação dela foi no metrô, com um palquinho na estação, versão acústica roots com o Pindé (André Dea) na vassourinha, eu no violão, Paulinho com teclado. Foi absurdamente incrível. Quando tocamos num festival grande depois, foi ainda mais. A gente já sabia que daria certo. Ela é quase uma isca e o público canta com a mesma força de clássicos como “Sol da Manhã” e “Piloto Automático”. É impressionante. E como foi a participação do Jotta na produção deste álbum? Léo Ramos: O Jotinha a gente já admirava. Ele tem bom gosto nas produções, pós, timbres, perfumaria, que dá um tchan nas músicas. Convidei ele pra colaborar, ele topou e foi além. Ele esteve presente nas gravações com bateria, baixo, guitarra, dava direcionamento quando eu saía. Foi incrível tê-lo com a gente no Caranguejo. A parte dois chega no ano que vem. Vai ter o mesmo número de músicas? Léo Ramos: Vai ter uma a mais, serão oito no total. O nome Caranguejo veio de uma piada interna, mas caiu muito bem para resumir a banda, que sempre buscou várias direções. Vocês chegaram a adaptar letras ou estética visual depois dessa ideia do nome do álbum? Léo Ramos: Um pouco das duas coisas. É como uma massinha de modelar que vai se ajustando. A parte 1 acabou ganhando considerações de identidade na reta final, mexi em letras, visual, mitologia do caranguejo. A parte 2 está ainda mais conectada ao conceito e vai fazer muito sentido com a primeira parte. No release, o Paulo fala “somos uma banda de rock e gostamos de riff de guitarra”. Mas senti uma faceta mais pesada no disco. O que motivou esse peso maior? Paulo Vaz: Quando começamos a conceber o disco, quisemos retomar uma raiz mais pesada, algo presente em Sal Grosso e Amianto. Com Remédios, gravado ao vivo, começamos a tocar diferente. Trouxemos uma bateria mais pesada e um baixo com muito drive, pensando também no ao vivo, que já soa mais agressivo. A reação na audição foi intensa, muitos se emocionaram… A bateria do Pindé é como locomotiva, corpo e força que carregam o disco. Com produção cuidadosa e o Jottinha ao lado, este é o disco mais bem produzido da nossa carreira. E com essa identidade do álbum, mais pesado, denso e produzido, onde ele se situa na evolução da banda? O que vem depois? Léo Ramos: Caranguejo é o disco que soa melhor, mais pesado, denso e grandioso. A gente sempre manteve nossa identidade, mas esse tem muitas camadas, efeitos, perfumaria, ao contrário dos discos mais secos do passado. Gostei tanto do resultado que ainda não sei o que vem depois. Talvez Lagosta ou um Megazord (risos), mas abriu novas portas que certamente vão influenciar produções futuras. Escolhemos aqui a melhor pergunta enviada pelos nossos seguidores. Ela veio do Ivan Gutisan que gostaria de saber o que vocês querem atingir com esse novo álbum, mais produzido. Paulo Vaz: Acho que são duas coisas. Primeiro, entender e agradar o público que já é nosso, mas também alcançar quem ainda não nos conhece. Quando participamos de festivais com outros estilos, percebemos que a aceitação da nossa música é grande. Hoje não existe mais um mainstream único, mas vários. Queremos ampliar nosso público e fazer com que mais gente conheça não só o novo disco, mas também a nossa discografia. É um processo de se estabelecer cada vez mais no cenário e mostrar que cabemos em diferentes universos musicais. Nosso objetivo é atingir também o público do hip-hop, trap, pop, rock, até do sertanejo. Queremos levar o nosso som para quem quiser ouvir, sem nos limitar a um único espaço. Por isso o disco tem contrastes: músicas pesadas como “A Transmissão”, faixas emocionais como “Testa” e misturas rítmicas como “Piseiro Black Sabbath”. A ideia é continuar cativando quem já caminha com a gente, mas também ampliar o alcance e conquistar novos ouvintes. Ping Pong Descontraído: Paulo Vaz: Pra mim, é Kill Bill, tem o sangue, o visual amarelo. É isso. Léo Ramos: Eu vejo A Chegada, do Denis Villeneuve. Uma coisa meio cósmica, quase Lovecraft. André Dea: Eu imagino um filme de um ser vindo de outro lugar, não precisa ser do espaço, mas de um lugar que
Supercombo lança Caranguejo (Parte 1) indo do piseiro ao metal

O novo álbum da Supercombo, “Caranguejo” está no ar, ou quase isso. A banda decidiu dividir o novo trabalho em duas partes, disponibilizando a primeira metade no dia de hoje (15/08). O nome nasceu de uma piada interna na pré-produção. Um amigo disse que algumas músicas da banda pareciam o próprio bicho, ou seja, algo estranho, indo para um lado e depois para o outro. A banda abraçou a ideia, transformou o crustáceo em símbolo e deu nome ao disco que marca um retorno às raízes, mas sem medo de se aventurar em novos horizontes. Aqui, o rock e o pop continuam sendo a espinha dorsal, mas ganha tempero com ritmos brasileiros e a diversidade que vai do metal até o piseiro. E falando em piseiro, o primeiro single, “Piseiro Black Sabbath”, é a prova da versatilidade que só a Supercombo sabe entregar. Gravada quase de brincadeira, a faixa mistura peso e brasilidade com um groove irresistível e um refrão chiclete. O clipe já soma quase 150 mil visualizações no YouTube, confirmando que essa mistura inusitada caiu no gosto do público. Mas foi “Alento” que pegou em cheio pra mim. É daquelas músicas feitas para serem trilha da nossa vida, principalmente no meu caso que sou pai. Ano que vem minha filha completa 18 anos e vai para a faculdade, e essa letra sobre amor e cuidado mexeu comigo de um jeito que poucas músicas mexem. Veio na hora certa, no desafio de entregar o filho ao mundo. “Testa” é o single mais radiofônico do disco, com potencial para tocar em qualquer playlist pop/rock, novela e ainda assim fazer muita gente chorar, principalmente aqueles que perderam alguém especial. Já “Hoje Eu Tô Zen” tem um refrão bipolar que gruda e pode muito bem virar trend no TikTok e Instagram. Entre as mais pesadas, “A Transmissão” e “Alfaiate” mostram um lado mais metaleiro da Supercombo, mas sem perder a essência, principalmente nas letras afiadas e sarcásticas, recheadas de metafóras. O vocal de Léo Ramos continua sendo a cola que une tudo, mesmo quando a banda decide sair da zona de conforto. Podemos ouvir um metal ou piseiro e saber na hora que é o Supercombo. Com produção cuidadosa de Victor de Souza, o Jotta, e um planejamento para ser lançado em duas partes, “Caranguejo” é para ser ouvido com atenção e calma. Seu final vai ser agridoce, com aquele gosto de quero mais esperando a continuação em 2026. Próximos Shows 04.OUT – Santos/SP – Aurora Sounds12.OUT – Curitiba/PR – Opera de Arame18.OUT – Rio de Janeiro/RJ – Circo Voador02.NOV – Porto Alegre/RS – Teatro da Amrigs06.NOV – Joinville/SC – Teatro da Liga07.NOV – Blumenau/SC – Ahoy!08.NOV – Florianópolis/SC – John Bull23.NOV – Belo Horizonte/MG – Mister Rock14.DEZ – São Paulo/SP – Audio Ingressos em: www.supercomborock.com