Do hardcore ao caos psicodélico: Drain e Portugal. The Man lideram os lançamentos da semana

A nova investida da banda norte-americana Drain confirma sua reputação de “banda mais simpática do hardcore”. Gravado em meio a adversidades, já que o baterista Tim Flegal enfrentou recentemente um diagnóstico de câncer, o álbum explode com a energia característica do HCNY, riffs frenéticos e refrões que misturam otimismo e intensidade. Faixas como “Stealing Happiness From Tomorrow” trazem hinos com o mantra “Life is not a contest, but I’ve already won!”, enquanto “Darkest Days” e “Scared Of Everything And Nothing” exploram ansiedade, vulnerabilidade e superação. Os vocais de Sammy Ciaramitaro não escondem os demônios pessoais, e é justamente essa honestidade que torna o disco tão potente. No fim, “Is Your Friend” serve tanto como trilha de mosh-pit quanto como manifesto de união, reafirmando que o hardcore do Drain é sobre comunidade, não apenas brutalidade. Portugal. The Man Enquanto isso, o Portugal. The Man retorna com seu décimo álbum, “Shish”, expandindo fronteiras sonoras com uma mistura de indie rock, distorção pesada e colagens experimentais. O disco traz a fórmula de sucesso que mistura psicodelia, eletrônico e indie pop. John Gourley e Zoe Manville mergulham em suas próprias raízes para criar faixas que vão do crust punk agressivo de “Pittman Railliers” aos momentos contemplativos de “Knik” e “Tanana”. Algumas escolhas arrojadas, como o refrão de “Angoon” que lembra o saudoso Kurt Cobain, mostram uma banda que não teme errar para seguir explorando. “Shish” é denso, cheio de texturas e nuances, e recompensa quem escuta com atenção. É uma obra de liberdade criativa e autoconhecimento, um retrato de uma banda que prefere se reinventar a repetir fórmulas. Esses dois lançamentos mostram caminhos opostos, mas igualmente pulsantes do rock atual. O Drain mantém viva a essência do hardcore visceral e coletivo, enquanto o Portugal. The Man se aventura por um território mais caótico e inventivo. Em comum, ambos reafirmam que a música continua sendo um espaço de intensidade e renovação. ServiçoDrain – “Is Your Friend” (lançamento: 7 de novembro de 2025, Epitaph Records)Portugal. The Man – “Shish” (lançamento: 7 de novembro de 2025, Thirty Tigers)

Dois Girassóis lança o álbum “Coisas Boas” e celebra uma década de estrada

O duo formado por Luiza Novaes e Aloisio Oliveira chega ao primeiro álbum autoral com “Coisas Boas”, trabalho que marca os dez anos de trajetória do Dois Girassóis. O disco, lançado pela Tratore e disponível em todas as plataformas digitais, abre um novo ciclo para os artistas, reconhecidos em 2024 com o Prêmio Inezita Barroso de Música Caipira e Cultura Popular. A dupla soma passagens por projetos como Ruas Abertas, Virada Cultural (2016–2025) e feiras literárias pelo país, além de turnês pelos Estados Unidos, Argentina e Peru. Gravado no Estúdio 185, o álbum tem produção de Rodrigo Carraro e masterização de Beto Mendonça. As faixas transitam entre o baião, o folk celta, o reggae e o cururu, misturando influências nordestinas e da música popular brasileira. “É um convite para acordar a criança do adulto e fazer dormir o adulto da criança”, resumem os músicos. Entre os destaques estão “Lua Gira Sol”, que reflete sobre as fases da lua e seus efeitos sobre os sentimentos, “Coisas Boas”, composta à beira-mar como um chamado à energia positiva, e “Beijo”, que resgata a leveza das brincadeiras de roda. Já “Repense”, escrita no Dia do Meio Ambiente, reforça a importância dos sete R’s; “Deixa” fala sobre o perdão; e “Tudo ou Nada”, em ritmo de forró, aborda a dificuldade de colocar emoções em palavras. Outras faixas ampliam o universo poético do álbum, como “Acerola no Quintal”, que celebra a natureza em compasso 7/8, e “Intransitivo”, sobre o amor que existe por si só. O clipe dessa última já ultrapassou 120 mil visualizações após sua exibição no festival La Mission. O disco termina com “Eu Não Tô Só”, canção que lembra que sonhos se realizam em conjunto. O álbum conta com participações de Márcio Maresias (gaita), Lucas Tornezze (viola caipira), Marcos Coin (violão e guitarra), Rodrigo y Castro (flauta), Ramiro Marques (saxofone), Humberto Zigler (bateria e moringa) e Max Dias (baixo). A capa, assinada por Warley Kenji, foi registrada nos trilhos de trem que levavam o duo às aulas de yoga, o mesmo caminho onde nasceram várias composições, simbolizando a busca pela luz mesmo em dias nublados. O lançamento vem acompanhado de um videoclipe dirigido por Alécio Cezar, que mostra os bastidores da gravação. Viabilizado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio do município de Guararema, o projeto celebra a arte como força transformadora. “Coisas Boas” é, acima de tudo, um disco sobre esperança, parceria e o poder de encontrar beleza no simples.

N4T! lança “Lighthouse” com Jason Lancaster em faixa que celebra a nostalgia pop punk dos anos 2000

Depois de parcerias com nomes como Kellin Quinn (Sleeping With Sirens) e We The Kings, a artista brasileira N4T! apresenta “Lighthouse”, faixa que marca uma das colaborações mais emocionais e cinematográficas de sua carreira. A música conta com a participação de Jason Lancaster, lendário vocalista e compositor que marcou o pop punk dos anos 2000 à frente do Go Radio e do Mayday Parade. Gravada na Geórgia (EUA) e produzida por Zack Odom e Kenneth Mount, dupla responsável pelo som de álbuns icônicos da cena, como A Lesson in Romantics (2007), do Mayday Parade, “Lighthouse” combina arranjos de piano, violinos e vocais intensos para construir uma narrativa sobre amor e esperança. A canção fala sobre encontrar luz em meio à escuridão e retoma a estética emocional dos anos 2000, sem perder a identidade contemporânea de N4T!. “Trabalhar com o Jason foi surreal”, conta N4T!. “Ele é uma das vozes que mais me influenciaram quando comecei a compor. E poder gravar essa música com os mesmos produtores do álbum que marcou minha vida, A Lesson in Romantics, foi um sonho realizado.” Com atmosfera cinematográfica e produção refinada, “Lighthouse” chega como um hino moderno sobre amor, fé e conexão. Uma verdadeira ponte entre a nostalgia do pop punk e a nova geração do gênero.

Entrevista | Chet Faker – “Assisti vários shows no Rock The Mountain e fiquei impressionado com a música brasileira”

O cantor e compositor australiano Chet Faker, também conhecido por seu nome de batismo Nick Murphy, está no Brasil para duas datas no festival Rock The Mountain e vive uma nova fase criativa. Após o elogiado Hotel Surrender (2021), o artista prepara o lançamento de A Love for Strangers, que chega em 13 de fevereiro de 2026 pela BMG. O disco promete marcar um retorno às composições mais diretas e orgânicas, com menos dependência da produção eletrônica. Em faixas como This Time for Real, Inefficient Love e Far Side of the Moon, Faker resgata a autenticidade que o consagrou, ao mesmo tempo em que explora novas sonoridades inspiradas nos anos 1990 e 2000. Após um show hipnótico no último fim de semana no festival Rock the Mountain, em Petrópolis, Chet Faker retorna ao palco neste sábado para sua segunda apresentação no evento. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o artista falou sobre o novo álbum, a relação com o Brasil e a fusão entre suas identidades artísticas. Seu novo álbum, A Love for Strangers, marca uma nova fase na sua carreira. O que mudou no seu processo criativo desde Hotel Surrender até esse novo projeto? Acho que muita coisa mudou. Mas a principal foi me afastar da produção mais complexa, com loops e camadas no computador, e focar mais na escrita tradicional das músicas. Muitas faixas desse disco foram gravadas com apenas um instrumento, do começo ao fim. Quase todas eu posso tocar no piano ou no violão, sem depender de samples ou elementos eletrônicos que dificultam a execução ao vivo. Então foi uma volta ao básico, à composição pura, deixando isso guiar o processo. O novo single, This Time for Real, fala sobre esperança e autenticidade. Essa música veio de uma experiência pessoal recente? Com certeza. Tudo o que eu escrevo vem de experiências pessoais. É curioso, porque quase tirei essa faixa do álbum, já que o estilo dela é um pouco diferente do resto. Ela foi escrita na época do Hotel Surrender, então tem essa transição. A canção fala sobre lidar com o fato de que algumas músicas chegam a públicos maiores e o que isso significa na indústria. Tem um pouco de ironia também, especialmente no videoclipe, que me mostra dirigindo carros esportivos e andando de jet ski. No fundo, é uma música sobre aprender a lidar com o sucesso. E isso é como aprender a andar de bicicleta pela primeira vez no meio de um furacão. Sua música sempre flutua entre eletrônica, soul, pop e até elementos de rock. Nesse momento, há algum som ou gênero que esteja te inspirando mais? A Love for Strangers é provavelmente o primeiro álbum em que tentei recriar o sentimento de quando eu era criança ouvindo música nos anos 1990 e 2000. Eu jogava Playstation 1 com meu irmão, e muitos dos jogos japoneses tinham trilhas com batidas de jungle e rave. Ao mesmo tempo, eu ouvia pop no carro da minha mãe, como David Gray, e também grunge e música de guitarra. Essa mistura me marcou muito. Então esse disco tenta capturar essa sensação de ser uma criança cercada por sons completamente diferentes vindo de todos os lados. Sobre o Rock the Mountain, como foi a experiência do show neste último semana e o que achou do festival, que apresenta tantas sonoridades diferentes? Foi um show ótimo. O público estava incrível, cheio de energia. E o lugar é lindo, cercado pela natureza. Antes da minha apresentação, fui dar uma caminhada e acabei assistindo a várias bandas brasileiras. Foi uma experiência muito boa, porque é tudo música ao vivo, com muita gente tocando instrumentos de verdade. Fiquei impressionado com a força da música brasileira. É uma das mais ricas do mundo. Você vai se apresentar novamente neste fim de semana. Podemos esperar algo diferente no setlist? Ainda não decidi. Costumo definir o repertório de acordo com o que estou sentindo no dia, você acredita? Mas estou muito animado. Você alternou os nomes Nick Murphy e Chet Faker ao longo da carreira. Hoje, como vê a diferença entre essas duas identidades? Para mim, é mais uma sensação do que uma definição clara. No começo, o Chet Faker tinha muitas limitações, era um projeto mais específico. Mas com o tempo, tudo começou a se misturar. Acho que o Chet Faker se tornou uma espécie de marca, e há músicas que simplesmente não se encaixam nele, mesmo que façam parte de mim. É algo intuitivo. Hoje eu sinto quando uma canção pertence a esse universo, e quando não pertence. Se você pudesse escolher, quais cinco músicas tocaria para sempre em seus shows? Essa é boa. Eu iria de Talk Is Cheap, Gold, Inefficient Love, 1998 e Far Side of the Moon. Essas são as que eu mais gosto de tocar.

Festival DoSol 2025 anuncia lineup com Terno Rei, Rancore e Black Pantera

O Festival DoSol 2025 chega à sua 22ª edição consolidado como um dos maiores eventos da música independente brasileira. Entre os dias 13 e 29 de novembro, o festival ocupará cinco cidades do Rio Grande do Norte: Natal, Mossoró, Caicó, Assu e Currais Novos, com mais de 80 shows que vão do indie ao punk, passando pelo samba, reggae e música eletrônica. Reconhecido como Patrimônio Cultural e Imaterial do estado, o evento terá entrada gratuita no interior e ingressos a preços populares na capital. O lineup deste ano destaca nomes como Terno Rei, Rancore, Mukeka di Rato, The Mönic e Black Pantera, além de atrações internacionais como os portugueses Linda Martini e o sul-coreano Octopoulpe. Fiel à sua proposta de valorizar a produção local, o Festival DoSol 2025 também apresenta novos talentos potiguares, como Bixanu, Dani Cruz, Gracinha, Sourebel e Taj Ma House, além de reencontros marcantes com Talma&Gadelha, Camarones Orquestra Guitarrística e Dusouto. Em Natal, o evento ocupará o Centro Histórico da Ribeira, distribuído por cinco palcos: Largo da Rua Chile, Galpão 292, Armazém Ribeira e Frisson (interno e externo), em dois dias de maratona cultural que seguem até o amanhecer. Já nas cidades do interior, a proposta é democratizar o acesso à música com apresentações totalmente gratuitas. “O DoSol nasceu e cresceu ocupando espaços da cidade e do estado. Incluir o interior na nossa agenda é sempre um desafio, mas também é nossa maior alegria”, afirma Ana Morena, coordenadora geral do festival. Com 22 anos de história, o Festival DoSol segue como símbolo de resistência cultural e experimentação artística, integrando a Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin) e fortalecendo a cena alternativa no país. O evento tem patrocínio da Cerveja Sol, via Lei Câmara Cascudo, e da Unimed Natal, via Lei Djalma Maranhão, além de apoio do Governo do RN, Fundação José Augusto, Prefeitura de Natal e parceiros culturais locais. Serviço22ª edição do Festival DoSol13, 14, 23 e 27 de novembro – Sede Cultural DoSol (Natal/RN)15 de novembro – Caicó/RN16 de novembro – Currais Novos/RN21 de novembro – Assu/RN22 de novembro – Mossoró/RN28 e 29 de novembro – Natal/RN Entrada gratuita no interior e na primeira hora em NatalIngressos: outgo.com.br/festivaldosol2025Mais informações: instagram.com/festivaldosol

Five Finger Death Punch celebra 20 anos com novo álbum “Best Of – Volume 2”

O Five Finger Death Punch comemora duas décadas de carreira com o lançamento de Best Of – Volume 2, uma coletânea que revisita os maiores sucessos da banda em novas versões e inclui colaborações inéditas. O disco foi lançado ontem, 24 de outubro, e marca uma nova fase na trajetória do grupo, que decidiu regravar clássicos após a venda não autorizada dos masters originais. Celebrar aniversários não é novidade. Em 2020, o baixista Chris Kael deu uma entrevista ao Blog N’ Roll falando sobre os 15 anos da banda, como a sobriedade mudou o processo de gravação e também sobre a forte amizade do grupo. Agora, com mais cinco anos de estrada, as marcas impressionam: mais de 8 bilhões de streams e 3 bilhões de visualizações de vídeo no mundo todo. O single mais recente, “I Refuse”, parceria com Maria Brink (In This Moment), já ultrapassou 4,8 milhões de streams, entrou no Top 10 Active Rock nos Estados Unidos e aparece entre os destaques no Shazam alemão, com 61 mil pré-saves no Spotify. Diferente de um simples relançamento, o Volume 2 apresenta 16 faixas regravadas em 2025, incluindo “Hell To Pay”, “Got Your Six”, “Blue On Black” e “Walk Away”, além de três gravações ao vivo inéditas: “Wash It All Away”, “Wrong Side Of Heaven” e “Jekyll And Hyde”. Um dos destaques é “The End”, que traz participação da sensação japonesa BABYMETAL e se tornou a primeira música com versos em japonês a entrar nas rádios norte-americanas do segmento Active Rock. Em entrevista à Digital Beat Magazine, Su-Metal, vocalista do BABYMETAL, comentou sobre a parceria: “Cantei letras em japonês inspiradas nos vocais originais de ‘The End’ e passei muito tempo experimentando para encontrar a voz que melhor se encaixasse nessa faixa profunda e intensa. Meu momento favorito é o fluxo de ‘Negai o kakete’ para a pausa, onde minha voz é gradualmente engolida pelo growl do Ivan. Me deu arrepios. Espero que os ouvintes sintam isso também.” A banda também está em turnê pelos Estados Unidos neste verão, incluindo participação em grandes festivais, com foco na promoção do novo repertório. Paralelamente, o Five Finger Death Punch prepara um novo álbum de estúdio, além de ações de destaque como uma entrevista e um especial em áudio para o Loudwire. Com 25 hits no Top 10, 13 singles em primeiro lugar e mais de 12 bilhões de streams acumulados, o Five Finger Death Punch reforça seu domínio no rock contemporâneo e sua capacidade de transformar desafios em oportunidades. O lançamento de Best Of – Volume 2 reafirma o poder e a longevidade da banda, que segue moldando seu legado com intensidade e visão estratégica.

Entrevista | Simon Phillips traz os bastidores de Distorted Mirror, novo álbum do DarWin

O lendário baterista Simon Phillips (The Who, Toto, Tears for Fears, Judas Priest) retorna com o DarWin para apresentar Distorted Mirror, quinto álbum do supergrupo lançado em outubro de 2025 pela OoS/Phantom Recordings. O projeto conta tamém com Darwin Gerzson, Matt Bissonette, Mohini Dey, Greg Howe, além de um verdadeiro hall de grandes músicos. O novo álbum chega como uma continuação direta de Five Steps on the Sun, apostando novamente em arranjos complexos, virtuosismo e sonoridades que transitam entre o rock progressivo e o metal moderno. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Simon Phillips contou que Distorted Mirror é resultado de uma parceria cada vez mais afinada com DarWin, marcada por uma busca constante por melodias impactantes e harmonias vocais bem elaboradas. Simon Phillips destaca que o novo álbum reflete não apenas a maturidade artística da banda, mas também a evolução de sua visão sobre produção e composição, abrindo caminho para o próximo trabalho que já está em desenvolvimento. Ouvi seu novo álbum, Distorted Mirror, mas gostaria de saber sobre o começo. Como começou sua parceria com o DarWin? E o que o motivou a se juntar a este projeto? Ele (Darwin) me enviou um e-mail. De repente, eu abri o e-mail e li. Muitos projetos dos anos 2000 começaram com contatos por e-mail. Na verdade, até hoje nós raramente falamos com as pessoas ao telefone. Hoje em dia, é assim que trabalhamos. Voltando, o DarWin me enviou um e-mail com algumas ideias grandiosas de gravar um disco. E eu pensei, ok, vamos ver. Então, trocamos mensagens e pedi algumas músicas para que eu pudesse ouvir. Quando ele me mandou, eu pensei “Isso é muito interessante. Eu acho que essa música é boa. Eu posso fazer algo com isso”. Então, nós criamos algumas sessões de gravação. Ele veio para o meu estúdio em Los Angeles e gravamos as três primeiras músicas. Isso foi em 2015 e aqui estamos nós, dez anos depois. Acabamos de lançar o nosso quinto álbum e já estamos trabalhando no sexto. Distorted Mirror é uma continuação de Five Steps on the Sun. Como você define essa nova fase, musicalmente e conceitualmente? Bem, é prog rock. Mas é um tipo diferente de prog rock, porque é muito melódico. Prog rock é melódico, mas também tem muitas vozes. Então, eu brinco dizendo que é prog rock misturado com Crosby, Stills & Nash. Porque ambos gostam de vozes e eu amo a produção vocal, amo harmonias vocais. E o DarWin também. Sem contar que o Matt Bissonette é excelente em fazer harmonias muito interessantes, absolutamente maravilhoso. Então, é uma boa mistura: prog rock, mas com melodias e harmonias muito marcantes. Você é um baterista lendário, mas no DarWin você tem vários papéis: produtor, engenheiro, mixer. Qual desses foi o mais desafiador neste álbum? Todos, todos são desafiadores. A música começa com uma demo do DarWin. Ele toca tudo nela: guitarra, base, bateria e envia para mim e para o Matt. Daí o Matt começa a trabalhar nas letras e vozes. Eu começo a trabalhar no arranjo, escolhendo talvez as melhores partes da música. A primeira coisa que faço é a transcrição. Tudo está em MIDI, em teclados. Eu posso rearmonizar, mudar o tom, até mudar o compasso. Eu faço isso muito. Porque eu escuto e penso: “Como isso soaria em 7 tempos?” Ou vice e versa. O DarWin pode ter escrito algo em 7 ou 8, e eu penso: “Parece forçado. E se colocássemos em 4?” Gosto dessa construção porque dá uma boa tensão à música. Depois, entramos no processo de gravação ao vivo eu, DarWin e a Mohini Dey (baixista). Isso é muito importante. Dá um sentimento orgânico. E também podemos mudar as coisas rapidamente como tempo, arranjo, tudo. Enquanto toco, também faço engenharia. É algo que faço há muito tempo. Nunca é fácil, mas já é natural para mim. Quando você recebe as primeiras demos e grava essa base em power trio, que tipo de ajustes ou refinamentos costuma sugerir aos outros músicos do projeto? As partes de guitarra geralmente são as originais do DarWin. Mas às vezes eu crio novas ideias. Não sou guitarrista, então faço isso com um som de teclado distorcido. Claro, as notas não ficam perfeitas, mas passam a ideia. Ele ouve e adapta com a guitarra de verdade. Já Mohini adora as linhas de baixo que eu crio, mas às vezes ela vem com ideias novas, e eu deixo livre. Se for melhor, ótimo. Se não funcionar, voltamos à original. É um processo cada caso um caso, seção por seção. Eu só quero que a música fique melhor. Às vezes, tocar algo simples funciona muito mais do que algo complexo. Você usa compassos e grooves pouco convencionais, como é comum no prog. Como você aborda esses materiais complexos na bateria? Juro que eu não sei, apenas começo a tocar. Sou um músico muito intuitivo, não planejo muito. Normalmente, quando entro em estúdio, ouço a música e penso em algo, mas quando começo a tocar, sai algo completamente diferente. É sempre intuitivo. Às vezes ouço algo e penso: “Deixe-me trabalhar nisso.” Aí resolvo, testamos e vemos se funciona. Se soa bem, seguimos. Se não, ajustamos. É mais experiência do que planejamento. Há planos para uma turnê desse álbum ou planos para tocar no Brasil? O Brasil está entre os principais ouvintes do DarWin. Ainda não temos planos, mas estamos conversando sobre isso. É complicado, porque a música é complexa e precisa de uma boa estrutura no palco. Minha bateria é grande, há dois teclados, baixo, duas guitarras e vocais. Precisamos de um espaço adequado e público suficiente. Mas se surgir um promotor na América do Sul disposto a montar isso direito, nós adoraríamos vir tocar, com certeza. Entre todos os artistas com quem você trabalhou, qual sessão ou turnê foi a mais desafiadora ou fora do comum? Eu diria que o Peter Gabriel. Lembro desses dias com ele, foram sessões muito experimentais, mas divertidas. Trabalhar com ele foi incrível. Outro trabalho marcante

Oasis terá loja física em São Paulo a partir de 20 de novembro

A febre do retorno do Oasis chega a São Paulo com a abertura da fan store oficial da turnê Oasis Live ‘25. O espaço, que funcionará na Projeto 2005 (Rua Martim Carrasco, 66, Largo da Batata, em Pinheiros), abre as portas do dia 20 a 28 de novembro oferecendo uma experiência única para os fãs brasileiros. Após o sucesso das lojas oficiais que acompanharam os shows no Reino Unido e na Irlanda, a capital paulista será a única cidade do Brasil a receber a fan store, que antecede a aguardada passagem da turnê pela América do Sul com ingressos esgotados em todo o mundo. No local, serão vendidos produtos oficiais da turnê, incluindo itens de edição limitada, roupas masculinas, femininas e infantis, além de acessórios como camisetas, moletons, jaquetas e muito mais. Entre os destaques está a colaboração Adidas X Oasis, sucesso mundial que estará disponível em quantidades limitadas na pop-up store de São Paulo. A coleção terá preços que começam em R$ 279,99 e podem chegar a R$ 999,99, de acordo com informações divulgadas pelo site da Adidas. As camisas mais procuradas, do modelo Jacquard Jersey, com design inspirado em uniformes de futebol, custarão R$ 499,99 (azul) e R$ 699,99 (preta). A loja também trará camisetas exclusivas com artes de álbuns e singles clássicos, como Definitely Maybe, (What’s The Story) Morning Glory?, Wonderwall e Supersonic. Outro item imperdível é o famoso bucket hat, chapéu de pescador eternizado por Liam Gallagher nos anos 1990 e símbolo do estilo britpop e da cultura de Manchester. A entrada é gratuita, mas recomenda-se reservar o horário de visita antecipadamente para evitar filas. O público pode confirmar presença por meio de cadastro online. A loja funcionará de segunda a sexta-feira, das 11h às 20h; sábado, das 11h às 19h e, no domingo, das 11h às 18h. O Oasis se apresenta no Brasil nos dias 22 e 23 de novembro de 2025, no Estádio Morumbis, em São Paulo. Os ingressos para ambos os shows já estão esgotados.

Story of The Year lança “Gasoline”, música mais pesada da carreira, após passagem pelo Brasil

O Story of the Year anunciou o oitavo álbum da carreira, A.R.S.O.N., com lançamento previsto para 13 de fevereiro de 2026 pela SharpTone Records. Para marcar a nova fase, a banda divulgou o single “Gasoline (All Rage Still Only Numb)”, descrito como uma das faixas mais pesadas e intensas de sua trajetória. O lançamento chega logo após a elogiada participação da banda na I Wanna Be Tour e nos sideshows em São Paulo e Rio de Janeiro. Produzida por Colin Brittain (Linkin Park), a música traz guitarras distorcidas, vocais viscerais e uma letra que fala sobre explosão emocional e a vontade de “queimar tudo para recomeçar”. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o vocalista Dan Marsala comentou sobre trabalhar novamente com Brittain. “No último álbum, Tear Me to Pieces, o produtor Colin Britton foi muito importante para capturar a mesma energia dos primeiros dias. Trabalhamos muito para trazer de volta a energia jovem de 20 anos atrás. Gravamos outro álbum com ele, que será lançado em breve, e seguimos o mesmo processo: fazer música que amamos. Isso não mudou”. Já para o guitarrista Ryan Phillips, o novo trabalho representa um mergulho mais profundo na combinação de peso e melodia que consagrou o quarteto desde Page Avenue (2003). Com A.R.S.O.N., o grupo, que conta também com Josh Wills e Adam Russell, promete uma sonoridade ainda mais agressiva e emocional, mantendo o espírito do post-hardcore vivo mais de duas décadas depois.