Dead Fish celebra show de 20 anos de “Zero e Um” e lança o registro de Queda Livre nas plataformas

O Dead Fish segue reafirmando seu peso na cena nacional. Em meio à divulgação de “Labirinto da Memória (Deluxe)”, o grupo também abriu espaço na agenda para revisitar um dos capítulos mais importantes da própria trajetória. O resultado é o audiovisual “Dead Fish – 20 Anos de Zero e Um (Ao Vivo)”, registro de uma apresentação especial realizada na Áudio, em São Paulo. A gravação celebra as duas décadas de “Zero e Um”, disco que se tornou um marco não apenas na discografia da banda, mas também na história do hardcore brasileiro. O show reúne versões ao vivo de músicas que atravessaram gerações, como “A Urgência”, “Queda Livre” e “Você”, reafirmando a força de um repertório que permanece atual. Além de integrar o repertório do audiovisual, “Queda Livre (Ao Vivo)” também foi lançada nas plataformas digitais, ampliando o alcance da celebração e conectando a nova geração de ouvintes ao catálogo clássico da banda. O vídeo da faixa já está disponível no YouTube, abrindo a sequência de registros que serão publicados no canal oficial do grupo, com dois vídeos por dia, de segunda a sexta-feira. A noite registrada em São Paulo contou ainda com a participação especial de Phill Fargnoli, que integrou o Dead Fish até 2013 e depois seguiu para o CPM 22. O guitarrista e vocalista retornou ao palco para celebrar o disco que ajudou a consolidar a identidade do grupo. Para ampliar o alcance da comemoração, o show foi exibido na íntegra ontem, 03 de março, no Canal Bis, levando a celebração dos 20 anos de “Zero e Um” para além das casas de espetáculo. Entre turnês lotadas, presenças em festivais e relançamentos comemorativos, o Dead Fish mostra que seu passado segue pulsando com a mesma urgência que moldou sua história.
Drowning Pool traz o peso do nu metal para três datas no Brasil

A banda Drowning Pool, um dos nomes mais representativos do nu metal desde o início dos anos 2000, confirmou uma turnê pela América Latina em maio de 2026, com três apresentações no Brasil, reforçando a permanência do estilo que dominou rádios, MTV e a cultura pop no início do milênio. Formada em Dallas, no Texas, em 1996, a Drowning Pool alcançou projeção mundial com o álbum Sinner, lançado em 2001. O disco apresentou ao mundo a faixa Bodies, que rapidamente se transformou em um hino do Nu Metal, recebendo certificação de platina nos Estados Unidos e se tornando presença constante em arenas esportivas e eventos de grande porte. Desde então, a banda manteve uma trajetória consistente, atravessando mudanças de formação e consolidando uma base fiel de fãs ao redor do mundo. Na América Latina, a turnê começa em 20 de maio, em Bogotá, na Colômbia, e segue por outros países até desembarcar no Brasil no fim do mês. Por aqui, os shows acontecem no dia 29 de maio, no Mister Rock, em Belo Horizonte; no dia 30 de maio, no Carioca Club, em São Paulo; e no dia 31 de maio, no Tork n’ Roll, em Curitiba. A realização da turnê é da Vênus Concerts, com produção local em São Paulo da ND Productions e Powerline. Em todas as datas na América Latina, a banda paulista Válvera participa como atração de abertura. O grupo vem promovendo o álbum Unleashed Fury, trabalho que combina elementos do thrash metal tradicional com uma abordagem contemporânea. Com um repertório que deve passear pelos principais momentos da carreira, a Drowning Pool retorna ao país apostando na força de clássicos que ajudaram a moldar o nu metal e mantêm o público em sintonia duas décadas depois do auge do gênero. Serviço Drowning Pool no Brasil29 de maio – Mister Rock – Belo HorizonteIngressos: ingressomaster.com/evento/56/drowning-pool-south-american-2026 30 de maio – Carioca Club – São PauloIngressos: fastix.com.br/events/drowning-pool-eua-em-sao-paulo 31 de maio – Tork n’ Roll – CuritibaIngressos: ingressomaster.com/evento/55/drowning-pool-south-american-2026
Entrevista | Millencolin – “Se não fosse o skate, eu não estaria tocando música. Isso mudou minha vida”

O nome do Millencolin voltou a ganhar força no Brasil em 2026 integrando o lineup do We Are One Tour. Com show esgotado em apenas três dias na capital paulista, uma nova data foi confirmada, ampliando a expectativa em torno do reencontro com o público brasileiro. O festival conta também com Pennywise, Mute e The Mönic. O evento desembarca no Brasil no dia 24 de março, em Porto Alegre, no URB Stage. Depois segue para Florianópolis, dia 25, no Life Club, Curitiba, dia 27, no Piazza Notte, São Paulo, dia 28, no Terra SP, Rio de Janeiro, dia 29, no Sacadura 154, e encerra com o show extra na capital paulista, dia 31, na Audio. Antes da chegada da We Are One Tour ao país, conversamos com o guitarrista do Millencolin Mathias Färm, peça fundamental na construção do som melódico e acelerado que marcou gerações desde os anos 90. A entrevista integra a série especial do Blog n’ Roll dedicada ao festival e é a segunda publicada. A primeira foi com a banda Mute. Sobre o Millencolin Fundada em Örebro em 1992, a banda atravessou décadas mantendo a formação clássica e consolidando um repertório que ultrapassou o rótulo de skate punk. Entre álbuns como Life on a Plate e For Monkeys, foi com Pennybridge Pioneers que o grupo ampliou seu alcance internacional e se tornou referência dentro do hardcore melódico europeu. A banda passou pelo Brasil pela primeira vez em 1998 e foi um dos primeiros capítulos de shows de hardcore internacionais. A primeira vez que o Millencolin veio ao Brasil foi em 1998 e foi uma espécie de caos, certo? Brigas, falta de equipamentos no rider… O que você se lembra daquela experiência? Foi algo muito especial para nós vir ao Brasil. É muito longe da Suécia, mas foi incrível. Tenho muitas boas lembranças e também muito caos. Minha guitarra quebrou em dois pedaços durante aquele primeiro show porque um cara a jogou para longe. Foi punk rock de verdade, com muita intensidade. Mesmo assim, foram momentos incríveis. Nós amamos o Brasil e a América do Sul. Sou de Santos e dizem que foi o show mais tranquilo daquela turnê do Millencolin. Quais são suas lembranças da cidade? Para ser honesto, eu não me lembro muito de Santos naquela primeira vez, porque isso foi há quase 30 anos. Naquela turnê, eu realmente não sabia em que cidade estava, eu apenas tocava. Tenho muitas lembranças daquela passagem, mas não consigo associá-las exatamente a cada cidade. Todos os lugares que visitamos no Brasil são ótimos. Mas quando você está em turnê é difícil lembrar de tudo, porque quase sempre estamos atrasados, tocamos todos os dias e não temos muitos dias livres. Mesmo assim, voltamos para Santos outras vezes, isso eu lembro. Ainda falando sobre 1998 vocês jogaram futebol em Copacabana contra um combinado de outras bandas de hardcore e assistiram a algumas partidas nos estádios. Vocês ainda mantém essa ligação com o futebol? Sim. Acho que o Nikola é quem mais gosta de futebol, mas todos nós gostamos. Temos uma ligação forte com isso. Nosso time local é o de Örebro, e até fizemos uma música para eles. Na Suécia, futebol e hóquei no gelo são os maiores esportes. Imagino que hóquei não seja tão popular em Santos (risos), mas o futebol é incrível. Na Suécia, praticamente todo mundo já jogou em algum time quando era jovem. Falando em Suécia, no último show do Millencolin lá no ano passado, vocês tocaram músicas menos comuns no setlist, como Black Gold e That’s Up on Me. Estão preparando alguma surpresa para o Brasil? Claro que sim. Temos muitas músicas para escolher ao tocar ao vivo. Normalmente sabemos quais são as que o público quer ouvir, então tentamos tocar os clássicos e misturar com algumas que não tocamos com tanta frequência. É difícil agradar todo mundo, porque cada pessoa tem suas favoritas, mas tenho certeza de que será um ótimo show e que o público ficará feliz. Teremos algumas surpresas. Existe alguma música subestimada do Millencolin que você gostaria que tivesse mais reconhecimento? Sempre há algumas. No Life on a Plate, há uma chamada Dr. Jackal & Mr. Hyde. Acho uma música muito boa, especialmente considerando que a escrevemos há tanto tempo. Às vezes nem entendo como conseguimos fazer aquilo naquela época. Ela tem uma vibração mais emocional. Talvez essa seja uma boa escolha. Está completando dez anos do clipe de True Brew. Como surgiu a ideia de gravar no Brasil, especialmente no Nordeste? Nós fizemos a música primeiro em inglês e gravamos um vídeo. Depois queríamos fazer uma versão em sueco também. Um amigo nosso que estava em turnê conosco sugeriu gravar no Brasil. Era inverno na Suécia e tudo estava muito depressivo, então queríamos sol no vídeo. No Brasil há sol, boa vibração, clima incrível e uma atmosfera fantástica nas cidades. Foi a combinação perfeita para nós. Recentemente entrevistei o The Hives e eles citaram vocês como a maior banda da cena sueca nos anos 90 que mostrou ser possível alcançar o mercado internacional. Como você vê essa relação com eles hoje? É ótimo. Eu gravei a primeira demo do The Hives, lá na década de 90. Conhecemos esses caras há mais de 30 anos. Temos uma ótima relação com eles. São pessoas muito legais. Nós dois fizemos parte da Burning Heart Records quando o selo ainda existia. Tocamos muito juntos na Suécia no passado. É uma relação de amizade de longa data. Life on a Plate está completando 30 anos. Há planos para algum relançamento em vinil ou cd? Preparamos, na verdade, tocar o álbum inteiro em um festival no Canadá, no fim de maio. Pode ser que façamos mais apresentações assim, mas por enquanto é isso. Precisamos reaprender algumas músicas, porque algumas não tocamos há muito tempo. Vai ser divertido. Muitas músicas nasceram com riffs seus. Como funciona seu processo criativo? No passado, cada um escrevia suas ideias em casa e levava para o ensaio. Hoje não moramos todos
Entrevista | Angra – “Estou muito curioso para ver como será eu, o Aquiles e todo mundo junto no Bangers”

O Bangers Open Air terá um dos momentos mais aguardados do heavy metal nacional em 2026. O Angra sobe ao palco do festival em um formato especial que marca uma reunião histórica de integrantes ligados à fase clássica da banda. O encontro promete celebrar diferentes eras do grupo em uma apresentação pensada exclusivamente para o evento. Além do festival, o Angra também realiza um sideshow especial da turnê Nova Era no Espaço Unimed, ampliando a celebração para o público paulistano. A apresentação paralela reforça o peso do reencontro e cria um fim de semana dedicado à trajetória da banda, reunindo fãs de diferentes gerações. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o baterista Bruno Valverde, que também estará no festival com o Smith/Kotzen, conta como será o formato exclusivo preparado para o Bangers Open Air e explica como funcionará a dinâmica dividida com Aquiles Priester no palco. Como é a preparação física para aguentar uma jornada dupla no domingo com Smith/Kotzen e Angra? Olha, vamos ver o que vai acontecer, mas com certeza é comer muita carne para ter bastante proteína e energia também. Eu faço um ensaio no dia anterior com o Angra e pretendo passar o setlist umas três ou quatro vezes no dia, para ficar com a mão praticamente sangrando, justamente para saber que tem bastante energia para o dia seguinte. Vai ser um dia muito intenso. Provavelmente na passagem de som eu já vou estar com meus dois kits separados. Não vou usar o mesmo kit para as duas bandas, então vai ser uma coisa bem intensa. Vou estar com o meu drum tech lá, que está muito preocupado. Aliás, vai ser a primeira vez que eu vou usar a Tama. O meu próprio kit no Brasil está chegando agora, então é tudo novo nesse sentido. Que bacana, a estreia vai ser aqui? Exatamente. A estreia dos meus novos kits da Tama será no Brasil, especificamente no Bangers Open Air. Mas você não vai tocar o show inteiro do Angra, ou vai? Tem essa vantagem, porque o show do Angra é muito intenso, geralmente tem duas horas ou um pouco mais. Se fosse um show completo comigo tocando tudo, eu ficaria um pouco mais preocupado. Mas como vai ter basicamente uma hora, uma hora e pouco, depois o show do Angra será dividido em três partes. Eu toco a primeira parte, depois entra o Aquiles e, no final, a gente toca junto. Então não vai ser aquela coisa extremamente louca de se fazer, mas vai ser emocionante. Estou muito curioso para ver como vai ser ver todo mundo junto lá. Muita gente que comprou ingresso para o Bangers tem dúvida sobre o formato e a exclusividade do show. No Porão do Rock, por exemplo, foi anunciado somente o Kiko. Qual é a diferença entre as propostas? No Porão do Rock vai estar o Kiko como participação especial. Não vai ter o Edu nem o Aquiles, então a proposta é totalmente diferente. Será um show muito mais parecido com o que a gente já faz, mas com a participação do Kiko. Obviamente vai ter músicas diferentes por causa disso. Também vai ser um show grande, porque a gente será headliner do Porão. Vai ser um showzaço. Da minha parte, vai ter um bate e volta. Esse show acontece no dia 22 de maio. Eu chego no dia, toco e vou embora na madrugada, porque tenho um projeto acontecendo em Los Angeles. Então será bem intenso. Sair do avião e tocar duas horas como um maníaco. E você se prepara fisicamente em Los Angeles? Sim, me preparo bastante. Para o show do Angra, começo a me preparar pelo menos três semanas a um mês antes, com intensidade física mesmo.
Entrevista | Smith/Kotzen – “Estamos todos contando os minutos para tocar no Bangers Open Air”

O Bangers Open Air recebe neste ano um encontro que une peso, groove e história no rock. O Smith/Kotzen desembarca no festival, dia 26 de abril, trazendo ao Brasil a parceria entre dois guitarristas de trajetórias consagradas. De um lado, Adrian Smith, integrante do Iron Maiden e responsável por alguns dos riffs mais emblemáticos do heavy metal. Do outro, Richie Kotzen, multi-instrumentista com passagens por Poison, Mr. Big, The Winery Dogs e uma sólida carreira solo marcada por blues, soul e improvisação. No palco, a dupla é sustentada por dois brasileiros de trajetória internacional: a baixista Julia Lage, que construiu carreira nos Estados Unidos e já integrou a banda Vixen, e o baterista Bruno Valverde, atual baterista do Angra, conhecido por sua versatilidade e intensidade técnica. Em entrevista ao Blog N’Roll, a dupla brasileira, responsável pela cozinha do projeto, falou sobre como surgiu o convite para integrar a banda, a possibilidade de mudanças no setlist no Brasil e a expectativa para o Bangers Open Air. Como foi o convite para vocês integrarem o Smith/Kotzen? E como aconteceu a coincidência de os dois serem brasileiros? Bruno Valverde: Fui tocar em um bar de fusion em Los Angeles chamado Baked Potato, com o guitarrista brasileiro Rafa Moreira. A Júlia e o Richie foram assistir ao show e eu estava na bateria. Já tínhamos nos encontrado antes em Los Angeles, mas ali trocamos contato. O Richie me viu tocando e, cerca de quatro ou cinco meses depois, perto de dezembro, a Júlia me ligou dizendo que ele queria falar comigo. Ele comentou que tinha um projeto com o Adrian Smith e que começariam os ensaios na semana seguinte. Mandou quatro ou cinco músicas e, na outra semana, já estávamos ensaiando para a turnê de 2022. Foi tudo muito direto. Júlia Lage: No meu caso foi algo bem orgânico. Todo fim de ano o Richie fazia uma festa na casa dele em Malibu, que sempre terminava em jam session. No final, ficavam Richie e Adrian tocando por horas. Quando surgiu a necessidade de montar a banda ao vivo, a esposa do Adrian, que inclusive foi quem conectou os dois, sugeriu meu nome. Depois chamaram o Bruno também, colocaram todo mundo no estúdio para testar e tocamos quatro ou cinco músicas. Deu liga. É um ambiente muito familiar. O fato de sermos brasileiros também facilitou a conexão cultural entre nós. O Richie, como multi-instrumentista, é muito exigente ou deixa vocês mais livres? Bruno Valverde: O Richie é um grande músico, com uma cabeça muito voltada tanto para o artista quanto para o instrumentista. Ele gosta muito de música e de improvisar. Na turnê solo dele, há músicas que chegam a 10 ou 15 minutos porque ele gosta de jam, de trocar ideias entre os instrumentos. Ele não limita suas ideias, mas você precisa entender o formato do projeto e agir como profissional. Não é sair ultrapassando limites. Ele sabe o que quer ouvir, mas gosta que você traga algo. É uma construção orgânica. Júlia Lage: Ele gosta que você contribua, mas é preciso entender a música. Existem partes que precisam ser executadas exatamente como são. Ele é aberto, gosta da parte criativa, mas sempre dentro do contexto da canção. Mas, Júlia, como é sustentar a base para o Adrian Smith? Há momentos em que você precisa segurar a mão para deixar ele brilhar? Júlia Lage: Com qualquer artista você precisa entender de quem é o momento. Como baixista, minha função é sustentar o groove. Se há espaço para um detalhe, faço, mas preciso compreender meu papel e o tipo de show que estamos fazendo. No solo de “Wasted Years”, por exemplo, eu executo exatamente como no disco, porque aquele momento é dele. É uma questão de bom senso musical. Bruno Valverde: Estamos ali para servir a música. Não é sobre alguém brilhar mais que o outro, mas sobre criar o ambiente para que cada momento aconteça. Esse projeto é diferente porque todos são muito apaixonados por música. Não é apenas performance, é troca real. Eu ia perguntar, mas já que você mencionou, The Wasted Years vai rolar no Brasil? Júlia Lage: Ainda não discutimos o que será tocado na América do Sul. Provavelmente será muito parecido com o que temos feito, mas, por ser festival e ter menos tempo, talvez algumas músicas sejam cortadas. Bruno Valverde: Existe possibilidade, mas ainda não está definido. E como o Adrian e o Richie enxergam o público brasileiro? Bruno Valverde: É quase unanimidade entre artistas que tocam na América do Sul que o público é muito intenso. É uma energia humana muito forte. Não tem como não ser alimentado por isso. Em alguns lugares da Europa o público é mais contido. No Brasil é uma loucura do começo ao fim. Júlia Lage: Os dois já tocaram muito no Brasil e sabem o que esperar. Estamos todos contando os minutos para tocar na América do Sul e no Bangers. A energia é diferente e isso impacta diretamente o show. Como vocês enxergam a participação no Bangers Open Air, um festival tradicionalmente ligado ao metal, tocando um som mais próximo ao hard rock? Júlia Lage: Será a primeira vez que tocaremos nesse festival com essa banda, então vamos descobrir. Mas o show é energético. Mesmo sendo mais hard rock e blues em alguns momentos, há intensidade. Existe ação o tempo todo no palco. Bruno Valverde: A expectativa do público é grande, mesmo conhecendo o setlist. A gente faz o que precisa fazer no palco e entrega energia. O que vocês têm ouvido atualmente no fone de vocês? Bruno Valverde: Nada, silêncio (risos). Existe uma característica comum entre nós de evitar música de fundo. Estamos todos os dias tocando na estrada, sempre com muito som ao redor. Precisamos de silêncio para descompressão. Júlia Lage: Às vezes escuto algo bem tranquilo para dormir e baixar a adrenalina do pós-show. Depois de horas de intensidade no palco, é importante equilibrar.
AC/DC ignora a chuva, cala críticos e transforma o Morumbis em templo do rock

O sábado, 28, entrou para a história do Morumbis como mais uma noite monumental do AC/DC no Brasil. No segundo dos três shows com ingressos esgotados, cerca de 70 mil pessoas transformaram o estádio em território sagrado do rock pesado durante 2h15. A banda ainda retorna no dia 4 de março, encerrando a passagem que já nasce histórica. Quase duas décadas depois da última visita, o reencontro carrega outro peso. Desde a apresentação de 2009, muita coisa mudou no mundo e dentro da própria banda. Por isso, qualquer análise honesta precisa considerar o fator tempo. Ele não perdoa ninguém, nem mesmo as lendas. Leia aqui o review da primeira noite do AC/DC no Morumbis Ainda assim, o que se viu em São Paulo foi uma banda em plena forma, contrariando vídeos e comentários que circularam após trechos da turnê europeia. Sim, algumas mudanças são perceptíveis. O riff de Thunderstruck apareceu em andamento levemente mais cadenciado. E Brian Johnson já não sustenta todas as notas agudas como nos anos 80. Mas nada disso compromete o impacto do espetáculo. Aos 78 anos, o vocalista canta, caminha, dança e interage com uma vitalidade que muitos artistas com metade da idade não conseguem sustentar. A entrega continua absoluta. Angus Young também respondeu à altura. A chuva inesperada que caiu sobre o Morumbis poderia ter esfriado o clima. Não para ele. O guitarrista atravessou a passarela sob a água, solo em punho e dancinha, sem hesitar. Como se o tempo fosse apenas mais um detalhe irrelevante diante do compromisso com o público. Seu uniforme escolar permanece intacto como símbolo, e o famoso duckwalk segue arrancando gritos. O longo desfecho instrumental em Let There Be Rock reafirma por que ele é um dos arquitetos definitivos da guitarra no hard rock. A base formada por Stevie Young, Chris Chaney e Matt Laug sustenta o peso com precisão cirúrgica. Sem exageros, sem disputas de protagonismo. Apenas riffs sólidos, graves pulsantes e batidas diretas ao ponto. A engrenagem funciona como sempre funcionou: simples, alta e eficiente. Para quem preferiu opinar à distância, o show foi um recado claro. Exigir de músicos septuagenários o mesmo desempenho físico de três décadas atrás é perder o ponto principal. O público que esteve no estádio entendeu isso desde o primeiro acorde e provou porque o Brasil merecia mais visitas dos australianos nos últimos anos. Cantou cada refrão, abriu rodas, puxou o tradicional coro de estádio e iluminou a noite com milhares de chifres vermelhos piscando. As tradições permaneceram intocáveis. O sino marcando a introdução de Hells Bells ecoou imponente. Em Highway to Hell, Angus saudou a multidão com o clássico chifrinho iluminado. E Let There Be Rock trouxe a já esperada sequência de solos, estendida, intensa, celebrada como um ritual coletivo. O repertório foi um passeio pela espinha dorsal do rock. Clássicos de Back in Black, Highway to Hell, Dirty Deeds Done Dirt Cheap, Powerage e Power Up apareceram em sequência quase didática. A abertura com If You Want Blood (You’ve Got It), seguida imediatamente por Back in Black, estabeleceu o tom da noite. Um dos momentos mais comemorados foi Jailbreak, ausente dos palcos por décadas e agora reintegrada ao set. No bis, T.N.T. transformou o estádio em um coral de dezenas de milhares de vozes, preparando o terreno para For Those About to Rock (We Salute You), acompanhada por explosões e fogos que fecharam a apresentação em clima de celebração máxima. O AC/DC não é mais a mesma formação física de 30 anos atrás. E não precisa ser. O que permanece é a convicção, o repertório irretocável e a conexão direta com quem está na frente do palco. Em 2026, vê-los ao vivo é mais do que assistir a um show, será, provavelmente, a última chance de testemunhar a permanência de um legado que insiste em continuar pulsando alto. Foto por @christiegoodwin
Taylor Momsen assume controle do Morumbis e The Pretty Reckless entrega abertura à altura do AC/DC

A responsabilidade de abrir para o AC/DC nunca é pequena. Ainda mais quando se trata de uma banda liderada por uma atriz que ficou conhecida em um seriado teen em meio a uma plateia mais velha e amante do rock clássico. O rótulo poderia pesar contra o The Pretty Reckless, mas bastou o primeiro riff ecoar no Morumbis para qualquer desconfiança cair por terra. Taylor Momsen e seus parceiros entraram com postura de veteranos e, em poucos minutos, tinham a multidão nas mãos. O que poderia ser um teste de fogo virou uma recepção calorosa, com direito a aplausos consistentes e um público atento do começo ao fim. Leia aqui o review do primeiro show da The Pretty Reckless no dia 24.02 Sem recorrer a telões grandiosos, efeitos especiais ou labaredas cenográficas, o quarteto apostou no básico que sustenta qualquer show de rock de verdade nesta segunda noite de dobradinha com o AC/DC no sábado (28/02): guitarra alta, cozinha pesada e presença de palco. O repertório foi construído com dez músicas executadas sem rodeios, alternando momentos mais sotis com explosões diretas. Death by Rock and Roll abriu os trabalhos apontando o caminho da noite, seguida por Since You’re Gone e Follow Me Down. A banda também trouxe a densidade de Only Love Can Save Me Now, o clima mais sombrio de Witches Burn, dedicada a todas as mulheres no público, e apresentou For I Am Death, faixa recente que entrou há pouco tempo no setlist. Na parte final, vieram as cartas mais conhecidas. Make Me Wanna Die foi cantada em coro, Going to Hell incendiou o gramado e Heaven Knows funcionou como ponto máximo de interação. O encerramento com Take Me Down manteve a vibração lá em cima e consolidou a missão cumprida. Antes de deixar o palco, Taylor surpreendeu ao pegar um caderno para se comunicar em português com o público, gesto simples que arrancou gritos e aproximou ainda mais a banda da plateia brasileira. Ao fim, ficou claro que o grupo não apenas abriu caminho para o gigante australiano, mas também cravou seu próprio espaço na noite e um show solo no futuro. Crédito da foto: Camila Cara / Live Nation
Review faixa a faixa: New Found Glory retorna com força em “Listen Up!” e reafirma legado no pop-punk

Quase três décadas depois de surgir como um dos pilares do pop-punk moderno, o New Found Glory retorna com Listen Up!, um álbum que reafirma a identidade da banda ao mesmo tempo em que dialoga com maturidade, resistência e pertencimento. Em Listen Up!, o New Found Glory aposta naquilo que sempre soube fazer melhor: refrões explosivos, guitarras afiadas e letras que transformam conflitos pessoais em combustível emocional. O resultado é um disco que não reinventa o gênero, mas reforça por que o nome da banda ainda segue relevante em 2026. A abertura com Boom Roasted já deixa claro que Listen Up! não pretende ser discreto. O riff inicial é urgente, quase nostálgico, remetendo diretamente à fase clássica do NFG. A letra critica a espetacularização da dor e ironiza a cultura da exposição, enquanto o instrumental mantém a vibração crua que consolidou o grupo no início dos anos 2000. Em seguida, 100% mantém o ritmo acelerado e entrega um dos refrões mais grudentos do álbum. É pop-punk direto ao ponto, com versos rápidos e uma mensagem otimista e que imagino que funciona muito bem ao vivo. Laugh It Off desacelera levemente a tensão para apostar em dinâmica melódica e narrativa relacional. Há um equilíbrio interessante entre leveza e frustração, sustentado por uma estrutura que valoriza o contraste entre versos contidos e refrão expansivo. A Love Song, apesar do título simples, surge com guitarras firmes e energia consistente, reafirmando o compromisso com melodias acessíveis sem abrir mão da intensidade. Um dos momentos mais marcantes de Listen Up! aparece em Beer and Blood Stains. A faixa mergulha na nostalgia dos primeiros anos da banda, evocando memórias de clubes pequenos, turnês caóticas e noites marcadas por excessos. Musicalmente, é uma das composições mais sólidas do álbum, combinando peso e melodia com naturalidade. Medicine introduz um clima mais introspectivo, com linha de baixo destacada e atmosfera levemente mais sombria. A banda explora vulnerabilidade sem abandonar o formato pop-punk que define sua assinatura. Treat Yourself retoma a energia positiva com uma mensagem de autocuidado e resiliência. Ainda que a abordagem soe direta demais em alguns momentos, a música cumpre seu papel dentro da proposta do álbum ao reforçar a conexão emocional com o público. Dream Born Again funciona como um respiro melódico, trazendo um clima mais contemplativo e mostrando que o New Found Glory ainda sabe trabalhar nuances dentro de uma fórmula conhecida. Na reta final, You Got This aposta em um refrão feito sob medida para grandes coros. É simples, quase ingênua em sua mensagem motivacional, mas eficaz na construção de atmosfera coletiva. O encerramento com Frankenstein’s Monster adiciona peso emocional ao conjunto. A faixa aborda batalhas internas e desafios pessoais com intensidade sincera, transformando fragilidade em potência sonora. No panorama geral, Listen Up! reafirma o New Found Glory como um dos nomes mais consistentes do pop-punk. O álbum pode não apresentar rupturas radicais, mas demonstra confiança criativa e domínio da própria linguagem. Para fãs antigos, funciona como reencontro. Para novos ouvintes, é uma porta de entrada acessível para entender por que o NFG permanece como referência do gênero. Em tempos de revisitações constantes ao pop-punk, a banda mostra que não vive apenas de nostalgia, mas de continuidade consciente de seu legado.
Entrevista | Nile – “Estamos tocando um monte de coisas que não tocamos em anos”

Menos de um ano após incendiar o público no Bangers Open Air, realizado em maio de 2025, em São Paulo, o Nile confirma seu retorno ao Brasil em março de 2026 para três apresentações: dia 20/03 em Brasília, 21/03 em Fortaleza, e 22/03 em São Paulo. A nova passagem marca mais um capítulo da turnê de divulgação de The Underworld Awaits Us All (2024), décimo álbum de estúdio do grupo. Formado em 1993, nos Estados Unidos, o Nile construiu uma identidade singular ao unir death metal técnico, velocidade extrema e rigor histórico, com letras inspiradas no Antigo Egito e em culturas do Oriente Médio e da África. Ao longo de mais de três décadas, lançou álbuns fundamentais como Black Seeds of Vengeance e Annihilation of the Wicked, consolidando seu nome como uma das forças mais respeitadas do metal extremo mundial. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Karl Sanders fala sobre a cena death metal dos anos 90, a recepção da nova formação no Brasil e os paralelos entre história antiga e política contemporânea. Como era a cena de death metal nos Estados Unidos quando o Nile surgiu, em 1993? Acho que estava entre o que eu chamo de a primeira onda e a segunda onda. Death Metal tinha chegado e o Black Metal estava fazendo um barulho. Ai tem New Wave, depois Nu Metal, Metalcore, e toda aquela merda que era popular. Então foi um pouco difícil conquistar espaço, mas nós não nos importávamos, nós amávamos o Death Metal, nós íamos tocar Death Metal, não importava se era modesto ou não, nós íamos fazer. Quais bandas foram influências fundamentais naquele início? As bandas de metal antigas, como Gorfest, Entombed, Left Hand Path, Clandestine, Early Morbid Angel, as músicas antigas do Black Sabbath, mais um monte de coisas antigas e clássicas no começo. Mas também teve uma influência de trilha sonora. Eu estava particularmente fã da trilha sonora de Exorcista 2, tem um monte de coisa boa lá dentro. Depois de apresentar o novo álbum no Brasil, inclusive no Bangers Open Air, qual peso este disco terá na atual turnê? Definitivamente vamos tocar uma mistura de tudo. Nós estamos tocando algumas coisas do novo álbum, mas também um monte de clássicas antigas. Eu acho que essa será a primeira tour em muitos anos que nós tocamos Cast Down the Heretic, de Annihilation of the Wicked, e tocamos isso há uns 10 anos. Também estamos tocando um monte de outras coisas que não tocamos em anos. Tem Ithypallic, Hittite Dung Incantation, um monte de coisas clássicas. Você sentiu uma boa recepção das novas músicas no Brasil? Sim, eu acho que toda vez que chegamos ao Brasil, na história da banda, os fãs de metal do Brasil foram incríveis. É um dos meus lugares favoritos para estar. E como foi a recepção da nova fase com Adam no Brasil? Bem, eu acho que foi muito boa. A audiência foi ótima. Eles nos trataram maravilhosamente. Não podemos ser gratos o suficiente. Estamos muito orgulhosos dessa nova fase. Temos alguns caras realmente talentosos. Eles estão trabalhando muito duro. Eles só querem tocar metal. E eu acho que o público percebe isso. As pessoas sentem quando o coração está no lugar certo, quando você está ali pelas razões certas. O Brasil tem uma das cenas mais intensas do mundo. Em que se diferencia o público brasileiro? Eu acho que a herança do metal é um fator importante. O Brasil tem grandes bandas. Somos bons amigos do Krisiun. Fizemos turnês com eles muitas vezes ao longo dos anos, especialmente nos anos 2000. E eu sinto que o metal está no sangue de vocês. Está na alma. Está no coração. Os fãs brasileiros têm esse coração e essa alma do metal. Isso está no sangue. E como você vê a evolução da base de fãs do Nile no Brasil ao longo dos anos? Nós só viemos ao Brasil uma vez por ano, às vezes nem isso. Então eu não acompanho de perto o que acontece o tempo todo. Mas toda vez que venho, vejo uma ótima audiência. Para mim, sempre foi assim. Por isso é difícil avaliar a evolução. Do meu ponto de vista, sempre foi um público forte. Falando sobre as composições, de onde surgiu a abordagem lírica baseada no Egito Antigo e culturas do Oriente Médio e da África? Foi algo que sempre nos interessou. Algo de que gostamos. O autor Samuel Clemens, mais conhecido como Mark Twain, disse uma vez: escreva sobre o que você conhece. Escreva sobre o que você gosta. Acho que esse é um bom conselho. Você deve criar sobre aquilo que realmente te interessa. Se você gosta de carros esportivos, então escreva sobre carros esportivos. Em algumas letras é possível notar paralelos entre eventos históricos e o sistema político atual dos Estados Unidos. Como você constrói essas metáforas? Eu acho que as pessoas continuam sendo as mesmas. A tecnologia avança. A civilização avança. Mas os seres humanos continuam basicamente os mesmos de milhares de anos atrás. É aí que vejo os paralelos. Quando vejo governos fazendo coisas terríveis, isso não é nada novo. Isso sempre aconteceu. É uma parte triste da condição humana, a forma como as pessoas se tratam. Depois de mais de três décadas de carreira, qual foi o momento decisivo da banda? Eu diria que foi quando fizemos nosso primeiro grande álbum. Houve um momento na primeira grande turnê que fizemos pelos Estados Unidos. Estávamos abrindo para o Morbid Angel. Viajávamos em uma van pequena, puxando um trailer pequeno, mas tínhamos atravessado o país inteiro. Eu já tinha ido para o outro lado dos Estados Unidos antes, mas nunca como banda. Quando estávamos olhando para o oceano, perto de Seattle, percebi que nossa música tinha nos levado até o outro lado do continente. Aquilo foi profundo. Pensei: o que mais podemos fazer? Há mais continentes para conquistar. Foi um momento muito marcante. Sim, é possível. Pode ser feito. Você tem alguma história curiosa ou engraçada no Brasil?