Malevolent Creation e Mystic Circle anunciam show histórico no Hangar 110

Os veteranos do death metal norte-americano do Malevolent Creation retornam a São Paulo no dia 24 de outubro para uma apresentação especial no Hangar 110. O show marca a celebração dos 35 anos de The Ten Commandments, disco de estreia da banda e um dos registros mais importantes da primeira geração do death metal da Flórida. A noite contará ainda com a participação dos alemães do Mystic Circle, que voltam aos palcos após duas décadas sem apresentações ao vivo. Lançado em 1991, The Ten Commandments ajudou a consolidar o nome do Malevolent Creation entre os principais representantes do death metal norte-americano. Produzido por Scott Burns e com arte assinada por Dan Seagrave, o álbum trouxe clássicos como “Premature Burial”, “Multiple Stab Wounds” e “Thou Shall Kill!”, combinando a brutalidade do death metal com a velocidade e agressividade herdadas do thrash. A atual formação do grupo é liderada pelo guitarrista e fundador Phil Fasciana, único integrante presente em todas as fases da banda. Para a turnê comemorativa, o músico divide o palco com Deron Miller, Jesse Jolly, Chris Cannella e Ronnie Parmer, em uma formação com três guitarras que busca resgatar características dos primeiros anos do grupo. Mystic Circle de volta aos palcos Outro atrativo da noite será o retorno do Mystic Circle aos palcos. Formada em 1992, na Alemanha, a banda construiu uma carreira marcada pela mistura de black metal, death metal e elementos sinfônicos. Após encerrar as atividades em 2007, o grupo retomou suas atividades em 2021 e lançou uma sequência de trabalhos recentes, incluindo Mystic Circle (2022), Erzdämon (2023) e Hexenbrand 1486 (2025). A apresentação em São Paulo faz parte da turnê latino-americana do Malevolent Creation, que também passará por países como México, Costa Rica, Colômbia, Peru, Chile e Argentina. Serviço Malevolent Creation e Mystic Circle em São Paulo Data: 24 de outubro de 2026Local: Hangar 110Endereço: Rua Rodolfo Miranda, 110, Bom Retiro, São Paulo (SP) Ingressos: Fastix
Entrevista | Culture Wars – “Don’t Speak pode ser aplicada a relacionamentos e ao mundo ao nosso redor”

Lançado em abril, o álbum de estreia do Culture Wars, Don’t Speak, apresenta uma combinação eficiente de diferentes gerações do rock alternativo. Ao longo das faixas, a banda texana constrói uma sonoridade que transita com naturalidade entre as décadas de 80, 90 e 2000. Em alguns momentos, as guitarras precisas e o apelo melódico remetem ao The Police, enquanto a dinâmica entre peso e atmosfera evoca influências alternativa dos Pixies. Já a estética indie contemporânea aparece em passagens que lembram nomes como Arctic Monkeys, Kings of Leon e The Strokes, resultando em um trabalho que dialoga com várias épocas sem soar datado ou excessivamente nostálgico. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Alex Dugan falou sobre a longa espera até o lançamento do primeiro álbum da banda, explicou a mudança do título original para Don’t Speak, comentou o crescimento do Culture Wars em mercados internacionais como México e Reino Unido e revelou como as experiências em shows cada vez maiores ajudaram a consolidar a identidade musical do grupo. O vocalista também detalhou suas principais influências, além de comentar o desejo de realizar apresentações próprias no Brasil no futuro. Formada em Austin, no Texas, o Culture Wars passou boa parte da última década construindo sua trajetória por meio de EPs e singles antes de finalmente apresentar um álbum completo. A decisão de adiar o lançamento de um full length permitiu que o grupo desenvolvesse seu público gradualmente e encontrasse uma assinatura própria. A banda conquistou espaço especialmente graças ao alcance internacional de suas músicas nas plataformas digitais, como Instagram e TikTok, e à crescente popularidade de suas apresentações ao vivo abrindo shows de Keane, Maroon 5 e LANY. Musicalmente, Don’t Speak se destaca pela capacidade de equilibrar refrões grandiosos, produção moderna e influências clássicas do rock. O disco apresenta canções que funcionam tanto em grandes arenas quanto em audições mais intimistas, reforçando a versatilidade da banda. Em vez de apostar apenas em tendências contemporâneas, o Culture Wars constrói uma ponte entre diferentes épocas do gênero, resultando em um trabalho acessível, coeso e repleto de personalidade. Vocês iniciaram a banda na última década. Por que decidiram lançar o primeiro álbum completo apenas agora? Eu não queria lançar um álbum antes de existir um público que realmente quisesse ouvir um álbum nosso. Também passamos muito tempo tentando encontrar nosso som e consolidar a identidade da banda. Jogar um disco no mundo sem ter pessoas esperando por ele pode ser um desperdício, porque toda música tem um ciclo de descoberta. Quando esse momento passa, ela rapidamente se torna algo antigo para o público. Por isso, preferimos construir uma relação gradual com os ouvintes e lançar as músicas no nosso próprio ritmo. E em que momento você percebeu que a banda estava realmente crescendo? Houve alguns momentos importantes. Um deles foi quando tocamos no México com o Wallows, há cerca de dois anos. Estávamos abrindo o show e não esperávamos nada além disso. Mas as pessoas cantavam a letra de “Typical Ways”. Não era um show nosso e sequer tivemos muito tempo para divulgar nossa participação. Ver aquele reconhecimento espontâneo foi impressionante. Outro momento aconteceu em Londres, quando fizemos nosso primeiro show solo na cidade e esgotamos os ingressos. Eram cerca de 250 pessoas cantando todas as músicas. Foi quando pensei: “isso realmente está funcionando”. E qual foi o motivo para a mudança do título do álbum de If Not Now, When? para Don’t Speak? Realmente, o título original era If Not Now, When?, e ele fazia sentido durante as gravações. Mas, quando finalizamos o disco, percebemos que já não representava o material. Reescrevemos boa parte da segunda metade do álbum e até descartamos a capa original. Então passamos a olhar para uma foto usada no videoclipe de “Don’t Speak” e todos concordaram que ela deveria ser a capa do álbum. Aos poucos, percebemos que o título também fazia mais sentido. A ideia de “Don’t Speak” pode ser aplicada a relacionamentos, ao mundo ao nosso redor e até à própria banda, refletindo sobre o momento certo de se manifestar e ocupar espaço. Pouco mais de um mês, como tem sido a reação ao álbum neste início de ciclo promocional? Tem sido incrível. Eu tento não me basear muito no que acontece na internet, porque ela funciona como uma espécie de vácuo. O que realmente torna tudo real é ver as pessoas nos shows. Estamos fazendo a turnê mundial e praticamente todas as apresentações estão esgotadas. Recentemente tocamos em Dallas para cerca de 700 pessoas. Há menos de dois anos, estávamos tentando convencer amigos e familiares a comparecer aos nossos shows em bares. Ver essa evolução é algo surreal. E você comentou que reescreveram boa parte do material. Qual foi a música mais difícil de finalizar no álbum? Sem dúvida foi “Typical Ways”. Foi uma das primeiras músicas escritas para o disco, mas eu reescrevi os versos diversas vezes ao longo de quatro anos. As letras nunca pareciam certas. Acho que precisei amadurecer como pessoa para encontrar as palavras corretas. Os outros integrantes ficaram cansados das mudanças, mas eu insistia que precisava ficar perfeito. Hoje tenho certeza de que valeu a pena. E sua forma de compor mudou depois que a banda começou a tocar para públicos maiores? De certa forma, sim. Mais do que pensar em refrões para grandes plateias, os shows nos ajudaram a entender quem realmente somos. Houve momentos específicos em determinadas músicas em que percebíamos que estávamos completamente confortáveis e conectados com o público. Isso acabou confirmando nossa identidade artística. Quando voltamos a compor, tudo ficou mais simples porque sabíamos exatamente o que queríamos fazer. Eu consigo ouvir influências que vão além dos anos 2000. Percebi elementos de bandas como The Police e Pixies. O que você ouvia quando era criança e adolescente? Quando eu era criança, meu pai só permitia dois CDs no carro: 1, coletânea dos Beatles, e Are You Experienced?, de Jimi Hendrix. Durante anos, praticamente só ouvi isso. Mais tarde, comecei a explorar outros artistas. Passei por Rolling
Entrevista | Bullet Bane – “Optamos por segurar o novo álbum para que tudo fosse encaixado da melhor forma possível”

O Bullet Bane lança nesta sexta-feira (29) o álbum O Agora Que Cobra Viver, trabalho que marca uma nova fase na trajetória do grupo. O disco chega acompanhado de mudanças importantes na formação, com a entrada do vocalista Lucas Guerra e do baterista Andrew Lee. As transformações refletem diretamente na identidade sonora da banda, que amplia ainda mais seus horizontes sem abandonar a intensidade característica construída ao longo da carreira. Com produção de padrão internacional, O Agora Que Cobra Viver surpreende pela maneira como expande os limites do hardcore melódico moderno. O álbum incorpora elementos do metal contemporâneo e aposta em experimentações que incluem screams, sintetizadores, beats eletrônicos e até uma orquestra com 12 instrumentos na faixa “Mais Um Dia”. O resultado é um disco pesado, emocional e ambicioso, que alterna momentos explosivos e atmosferas grandiosas sem perder a conexão com o lado melódico da banda. O trabalho ainda reúne participações especiais de Teco Martins, que aparece em “Mais Um Dia”, e Rodrigo Lima em “Paradoxo Progresso”. E ainda há espaço para uma surpresa: “Alma Gêmea”, tocada em voz e violão de maneira bem intimista. Todas as letras do álbum foram escritas por Lucas Guerra, mostrando a importância da nova formação. A produção ficou a cargo do guitarrista Fernando Uehara, que dividiu a função com toda a banda, enquanto Caio Weber assinou a produção de vozes e colaborou em algumas melodias do disco. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Fernando Uehara conta sobre a segunda troca de vocalista, o processo e cuidado na produção do álbum e como ele soa o reflexo do momento dos cinco integrantes. Como tem sido o processo de composição com a entrada do Lee e do Lucas? A primeira música que a gente fez foi “Reta-ação”. Eu, Dan e Rafa já tínhamos essa música e mostramos para o Lee e para o Lucas. Eles piraram e aquilo acabou funcionando como uma porta de entrada para essa nova fase. Foi uma conversa bem direta: “Galera, estamos com essa ideia para um novo momento da banda e queremos que tenha essa energia”. Eles compraram a ideia imediatamente e começamos a trabalhar juntos em cima disso. O mais legal é que tudo fluiu de forma muito natural no estúdio, mesmo sem termos criado nada juntos até então. Foi um processo leve desde o começo. Depois dessa primeira experiência, o restante das músicas acabou acontecendo de forma quase automática. Fomos trabalhando faixa por faixa ao longo dos últimos meses. Já faz cerca de um ano desde que eles entraram na banda e acho que, mais para o final do ano passado, a gente realmente se encontrou musicalmente. A ideia inicial era lançar o álbum antes, mas decidimos adiar porque percebemos que ainda poderíamos amadurecer alguns detalhes. Depois de tocar juntos, fazer shows e observar a reação do público, entendemos melhor o que as pessoas esperavam, o que gostávamos de fazer e qual energia queríamos transmitir. Então optamos por segurar o disco até agora para que tudo fosse encaixado da melhor forma possível. Queríamos que, ao ouvir as músicas, as pessoas realmente sentissem cada um de nós ali dentro. Acho que essa conexão que criamos é algo difícil de alcançar e o fato de nos entendermos tão bem e termos nos encontrado nesse momento da vida fez tudo fluir naturalmente. Todo mundo ficou muito satisfeito com o resultado. A troca de um vocalista é sempre um processo complicado para muitas bandas, mas vejo que todo mundo ficou feliz com a nova formação. Como foram os primeiros shows e o feedback do público? A troca de vocalista é sempre algo complicado e até curioso, porque é difícil lembrar de bandas que passaram por duas mudanças desse tipo e conseguiram continuar fortes. A primeira aconteceu em 2018, com a saída do Vitro, que era o vocalista original do Bullet Bane. Foi um momento difícil, mas logo nos recompusemos com a entrada do Arthur. Tivemos uma fase muito boa e tudo fluiu naturalmente naquele período. Com o passar do tempo, porém, as coisas deixaram de funcionar da mesma maneira e, em 2025, aconteceu a saída do Arthur. Já não existia mais a mesma sinergia entre a gente e entendemos que fazia mais sentido cada um seguir seu caminho. Ele foi para a carreira solo e, para nós, era assustador pensar em uma segunda troca de vocalista. Uma mudança já é complicada, então uma segunda parecia um desafio ainda maior. Quando o Arthur saiu, muita gente do Brasil inteiro entrou em contato interessada em fazer testes, mas o Lucas já era um amigo nosso de longa data. A gente nunca teve banda junto, mas já tínhamos convivido bastante e feito muitas coisas juntos. Por isso, ele foi a escolha mais coerente. Também coincidiu com o momento em que ele estava de volta ao Brasil e disposto a entrar nesse novo projeto. Tudo aconteceu de forma muito natural. A aceitação do público foi muito positiva. O Lucas já é um cara muito querido por conta dos trabalhos anteriores e da carreira que construiu. As pessoas gostaram muito de vê-lo cantando as músicas antigas e nós também curtimos bastante como elas soaram na voz dele. E as músicas novas ficaram ainda mais fortes. Eu sou fã dele há muito tempo, principalmente pela forma como escreve e pela visão que tem nas letras. Acho que as pessoas vão gostar muito dessa fusão que aconteceu. Qual a história por trás do nome “O Agora Que Cobra Viver”? Para ser sincero, a gente não tinha um nome definido para o álbum. Fomos fazendo as músicas e desenvolvendo o projeto até chegar o momento em que precisávamos decidir isso para avançar com a arte e toda a identidade visual. Sempre é uma escolha difícil porque o nome precisa soar forte, fazer sentido e agradar todo mundo da banda. “O Agora Que Cobra Viver” surgiu a partir de um trecho da música “Decisão”, a segunda faixa do disco. No refrão existe a frase “do agora que cobra viver” e aquilo
Jack Antonoff faz do amor o centro de “everyone for ten minutes”, novo álbum do Bleachers

Jack Antonoff nunca foi exatamente discreto. Seja produzindo discos para Taylor Swift, Lana Del Rey ou Sabrina Carpenter, o produtor transformou a própria assinatura em uma das mais reconhecíveis do pop moderno. São 11 discos com Taylor, três com Lana, dois com Sabrina e uma fila interminável de artistas tentando capturar aquele misto de nostalgia, sintetizadores e melancolia suburbana que ele ajudou a transformar em tendência. Só que em “everyone for ten minutes”, o novo álbum do Bleachers, Antonoff parece menos preocupado em criar o próximo grande momento pop da internet e mais interessado em escrever cartas de amor para Margaret Qualley, a famosa atriz do filme A Substância. E isso muda tudo. O disco inteiro soa como alguém finalmente confortável dentro da própria vida. Não existe mais aquela ansiedade juvenil de “Gone Now” ou a necessidade de transformar qualquer refrão em um hino de estádio. Aqui, Jack troca a grandiosidade pelo detalhe. É um álbum sobre casamento, memória, rotina, saudade e a estranha sensação de perceber que os sonhos continuam existindo mesmo depois da vida adulta chegar. Muito disso passa diretamente por Margaret. “you and forever”, talvez a música mais imediatamente apaixonante do disco, já entregava isso desde o lançamento do single. O clipe estrelado pela atriz praticamente transformava a faixa em uma declaração pública de amor. Mas o interessante é como essa devoção aparece espalhada pelo álbum inteiro. “dirty wedding dress” parece dialogar diretamente com “Margaret”, a música que ele escreveu com Lana Del Rey alguns anos atrás. “sideways”, “take you out tonight”, “she’s from before” e “I’m not joking” também carregam essa sensação de intimidade quase doméstica, como se Antonoff estivesse transformando pequenos momentos do relacionamento em música. Faz sentido vindo de alguém que já havia escrito “Tiny Moves” e “Merry Christmas, Please Don’t Call” pensando nela. E talvez seja justamente isso que faz “everyone for ten minutes” soar diferente do resto da discografia do Bleachers. É um disco menos preocupado em parecer importante. Enquanto muita gente ainda espera que Jack entregue outro “Don’t Take The Money” ou “Rollercoaster”, ele parece mais interessado em fazer músicas que respiram. Tem momentos em que o álbum soa quase cansado da internet, cansado da necessidade de virar trend, cansado da hiperexposição. “We Should Talk” é um ótimo exemplo disso. A música cresce devagar, quase como uma conversa desconfortável que ninguém queria ter. Já “I’m Not Joking” entra facilmente entre as coisas mais interessantes que Antonoff fez nos últimos anos. Tem alma, tem groove, tem aquele clima meio soul melancólico que encaixa perfeitamente na proposta do álbum. “Dirty Wedding Dress” provavelmente é o ponto onde tudo funciona melhor. É nostálgica sem virar caricatura e romântica sem parecer calculada. Parece música feita de madrugada, pensando demais na própria vida. E isso vale como elogio. Ao mesmo tempo, “everyone for ten minutes” talvez seja o disco mais divisivo da carreira do Bleachers. Parte da crítica ainda enxerga Jack preso demais na própria estética “Bruce Springsteen encontra synthpop sentimental”. Outra parte vê justamente aí o charme do álbum. Pra mim, funciona porque dá para ver que existe verdade ali. Jack Antonoff poderia facilmente continuar vivendo apenas como o produtor mais requisitado do pop atual. Mas o Bleachers continua existindo justamente porque parece ser o único espaço onde ele realmente escreve sem filtro. E “everyone for ten minutes” soa exatamente assim: um disco íntimo, apaixonado, melancólico e estranho na medida certa. O texto contou com colaboração de Fernanda Melo.
Novo álbum Blue Morpho mostra Ed O’Brien longe das sombras do Radiohead

Ed O’Brien sempre foi aquele tipo de músico que parecia confortável em ficar na sombra. Mesmo sendo peça fundamental do Radiohead, nunca teve a necessidade de disputar protagonismo com Thom Yorke ou Jonny Greenwood. Mas Blue Morpho mostra justamente o contrário do que muita gente imaginava: talvez ele só estivesse esperando o momento certo para construir algo realmente pessoal. E aqui não existe pressa. O disco inteiro parece respirar no tempo dele próprio, como uma caminhada sem destino em meio a uma floresta úmida no interior do País de Gales. Se Earth ainda soava como um artista procurando identidade fora da própria banda, Blue Morpho finalmente encontra esse lugar. E não por acaso. O álbum nasce de um período de depressão profunda vivido por Ed após a pandemia, transformando sessões longas de guitarra, isolamento e contemplação em combustível criativo. A produção de Paul Epworth ajuda a transformar essa vulnerabilidade em paisagens sonoras que flutuam entre psych folk, ambient, trip hop e texturas cinematográficas. “Incantations” abre o disco como um mantra hipnótico de quase oito minutos, enquanto a faixa-título transforma guitarras e cordas em algo quase líquido, guiado pela ideia de cura através da natureza. Em muitos momentos, Ed parece menos interessado em construir músicas tradicionais e mais focado em provocar sensação. Talvez por isso os vocais frequentemente apareçam escondidos no meio da mixagem, quase como mais um instrumento dentro daquele universo nebuloso. E funciona. Blue Morpho tem aquela atmosfera de disco feito para ser absorvido lentamente, sem ansiedade por refrão ou explosão. “Teachers” quebra um pouco essa névoa contemplativa com um groove mais pulsante, quase krautrock em alguns momentos, enquanto “Solfeggio” e “Thin Places” mergulham de vez em um estado meditativo que beira o espiritual. Tudo culmina em “Obrigado”, faixa de quase dez minutos que encerra o álbum como um transe lento e emocional. É ali que Ed finalmente abandona parte da contenção e deixa a guitarra falar de forma mais emotiva, sem perder a elegância minimalista que domina o restante do trabalho. Existe também uma sensação constante de renascimento atravessando o disco inteiro. Não à toa, Blue Morpho marca o primeiro trabalho solo lançado oficialmente sob o nome Ed O’Brien, abandonando a sigla EOB usada em Earth. Parece detalhe, mas simboliza exatamente o que o álbum representa: um músico que finalmente parou de se esconder atrás do papel de coadjuvante. Blue Morpho não tenta ser “o disco solo do guitarrista do Radiohead”. E talvez esse seja justamente o maior mérito dele. Ao invés de perseguir grandiosidade ou experimentalismo exagerado, Ed O’Brien entrega um álbum profundamente humano, contemplativo e melancólico. Um trabalho que parece existir muito mais para sentir do que para entender.
Banda OVM mergulha em saúde mental e tensão emocional no EP Senóides

A banda OVM lançou o EP Senóides, novo capítulo do projeto que culminará no segundo álbum da carreira, Exúvios, previsto para ser apresentado integralmente até outubro de 2026. Formado pelas faixas “Vestida” e “Senoide 1 / Senoide 2”, o trabalho amplia o universo conceitual construído pelo trio em torno da saúde mental, misturando rock alternativo, indie e momentos de tensão emocional em composições marcadas por contraste e densidade. Produzido, mixado e masterizado por Gui Godoy, o EP reforça a identidade da banda ao transformar desconforto psicológico em narrativa musical. Em “Vestida”, o grupo revisita o universo do álbum de estreia A Mosca (2018) e apresenta um contraponto à faixa “Nua”, explorando acontecimentos anteriores ao crime citado na música original. Segundo a banda, a composição surgiu a partir de uma releitura acústica feita por Dan Nascimento, ganhando uma abordagem mais lírica e melancólica. Já “Senoide 1 / Senoide 2” mergulha diretamente em ciclos ligados à esquizofrenia, abordando pensamentos intrusivos, paranoia e momentos de estabilização emocional. A construção da faixa partiu de um compasso incomum em 7/8, desenvolvido inicialmente a partir de uma linha de baixo criada por Mancin. Com contribuições posteriores de Dan Nascimento e Eddie, a música evoluiu para uma estrutura que traduz musicalmente a instabilidade retratada na letra. Formada em 2014, a OVM construiu uma trajetória marcada por letras densas, crítica existencial e arranjos que alternam melancolia e intensidade. O trio cita influências como Radiohead, Nirvana, Queens of the Stone Age, Pink Floyd e Chico Buarque como parte da base criativa do projeto. O lançamento também reforça o crescimento da Casalago Records, selo fundado em 2025 por Gui Godoy em Jundiaí. Voltada ao fortalecimento da cena alternativa nacional, a gravadora aposta em lançamentos autorais e na realização de shows e festivais independentes para fomentar novos nomes do rock brasileiro.
Porão do Rock bate recorde de público em Brasília e anuncia expansão para Fortaleza

O Porão do Rock 2026 mostrou mais uma vez por que segue como um dos festivais mais importantes da música independente brasileira. Realizada nos dias 22 e 23 de maio, em Brasília, a edição deste ano reuniu mais de 25 mil pessoas e bateu recordes de público e audiência, consolidando a retomada do evento em grande estilo. Com mais de 30 atrações espalhadas em três palcos, o festival misturou hardcore, punk, metal, rap e rock alternativo em uma programação que uniu diferentes gerações. A diversidade do line-up foi um dos pontos altos do festival. Nomes como Pennywise, Angra, Marcelo Falcão, Nação Zumbi, Dead Fish e o retorno do Rodox ajudaram a transformar o espaço em um encontro de nostalgia, peso e celebração da cena alternativa. Além das atrações principais, o festival manteve viva sua tradição de fortalecer a música independente. As dez seletivas nacionais levaram bandas de diferentes regiões do país para Brasília, ampliando a diversidade artística do evento e reforçando o DNA do Porão como vitrine para novos nomes da cena brasileira. A edição de 2026 também chamou atenção pela estrutura renovada e pela experiência mais integrada ao público. O novo formato apostou em áreas amplas, espaços de convivência e melhor circulação entre os palcos, onde os principais ficaram ladeados. Isso ajudou a criar um ambiente mais confortável para quem encarou os dois dias de festival. O resultado apareceu não apenas nos números, mas também na repercussão nas redes sociais e na movimentação da cidade durante o evento. Shows in loco – Dia 1 Em dois dias de festival, Brasília viu uma maratona de mais de 30 shows em que a música praticamente não parou por um minuto. Entre veteranos, bandas em ascensão e artistas internacionais, o evento entregou apresentações intensas, cheias de personalidade e com públicos completamente entregues do início ao fim. Na sexta-feira, o Bayside Kings, de Santos, já mostrou que o clima seria de caos organizado. Conhecida por derrubar qualquer barreira entre palco e público, a banda percebeu rapidamente que a pista premium estava mais vazia e o vocalista Milton Aguiar decidiu atravessar para a grade da pista comum. Quase metade do show aconteceu ali, no meio do público, em uma sequência interminável de stage dives e mosh pits que transformou o espaço em um dos momentos mais explosivos do festival. Na sequência, o Rancore apostou em uma apresentação mais crua e intensa. Focada na divulgação do recém-lançado “Brio”, a banda abriu mão de longas interações para encaixar o maior número possível de músicas no setlist, mantendo o público em movimento o tempo inteiro. Os japoneses do Deviloof provaram que o visual kei extremo e a mistura de deathcore, metalcore e elementos brutais do metal moderno já encontraram uma base sólida de fãs no Brasil. Muitos apareceram caracterizados, com pinturas e figurinos inspirados na banda, criando uma atmosfera de expectativa rara de se ver antes mesmo do início do show. Na sequência, o Angra, mesmo sendo uma banda de metal no meio de um line-up recheado de bandas de hardcore, fez uma apresentação impecável. A produção de palco, os efeitos especiais e a iluminação elevaram ainda mais o impacto do show, enquanto Alírio Netto mostrou segurança e naturalidade em seu primeiro show completo com a banda sem dividir os vocais. A participação especial de Kiko Loureiro levou o público ao delírio com a formação de três guitarras no palco, em um dos momentos mais grandiosos da edição. E falando em hardcore, o Pennywise voltou ao Brasil apenas dois meses depois e entregou um show leve, divertido e completamente sem protocolos. Com muita conversa, improvisos e interação constante, a banda parecia tocar em um ensaio aberto entre amigos. A informalidade acabou funcionando perfeitamente e transformou a apresentação em uma das mais carismáticas de todo o festival. O aguardado retorno do Rodox para Brasília foi um dos shows mais comentados do festival. Rodolfo Abrantes estava claramente emocionado e confortável tocando em sua cidade. A banda desfilou seus principais sucessos e ainda conseguiu convencer a produção a estender um pouco mais o tempo de palco, aumentando ainda mais a sensação de celebração coletiva. Fechando a primeira noite, o Dead Fish celebrou os 25 anos de “Afasia” em um show especial que recuperou músicas raramente executadas ao vivo, como “Noite”. No fim, a sequência de hits transformou o encerramento em um grande coro coletivo, afastando o frio de Brasília com rodas e público cantando do começo ao fim. Dia 2 – Diversidade de rock e suas vertentes No segundo dia, o Papangu mostrou por que se tornou uma das bandas mais inventivas do rock nacional atual. Misturando ritmos regionais brasileiros com rock progressivo e peso extremo, o grupo demonstrou maturidade de palco e naturalidade em grandes festivais, algo que já vinha sendo construído em eventos como Knotfest e Lollapalooza. Na sequência Autoramas abriu o palco principal em um show explosivo e sem espaço para respiro. Liderado por Gabriel Thomaz usando máscara de lucha libre, o grupo apostou nos clássicos do rock alternativo nacional, além de músicas que atravessam toda a trajetória do músico, incluindo hits do Little Quail and The Mad Birds e “I Saw You Saying”, composição feita para o Raimundos. A Lupa, mais uma banda jogando em casa, mostrou forte conexão com o público mais jovem e entregou um dos shows mais calorosos do segundo dia. Com indie rock animado e cheio de personalidade, o vocalista Mucio Botelho também abandonou o palco em alguns momentos para cantar junto à grade e aumentar ainda mais a proximidade com os fãs. A apresentação da Nação Zumbi sofreu um pouco com a sua produção e contou com uma iluminação ora excessivamente escura ora deixando a iluminação direta muito forte, atrapalhando a visão do público. Em vários momentos, os integrantes apareciam apenas como sombras no palco. Ainda assim, a banda cresceu do meio para o fim do show ao apostar nos principais sucessos do repertório, levantando o público em uma reta final intensa. Visitando o Palco 3, a Sh4rk, vencedora da
Kampfar celebra 30 anos com show único em São Paulo

A cidade de São Paulo segue como uma das principais rotas do metal extremo mundial. Desta vez, quem desembarca na capital paulista é a banda norueguesa Kampfar, que realiza show único no Brasil no próximo dia 31 de maio, no Manifesto Bar. A apresentação integra a turnê latino-americana “Three Decades of True Norse Black Metal”, celebrando os 30 anos de trajetória do grupo formado em 1994. Conhecido pela sonoridade agressiva e pela forte conexão com temas ligados à cultura nórdica, o quarteto promete um repertório que percorre diferentes momentos da carreira. Clássicos como “Hymne”, “Mylder” e “Swarm Norvegicus” devem dividir espaço com músicas do álbum “Til Klovers Takt”, lançado em 2022 e considerado um dos trabalhos mais elogiados da fase recente da banda. Atualmente formado por Dolk, Ask, Ole e Ese, o Kampfar construiu uma trajetória sólida dentro do black metal europeu. Ao longo de três décadas, o grupo lançou nove discos de estúdio, realizou mais de 300 apresentações ao redor do mundo e conquistou reconhecimento importante na Noruega. A banda venceu duas vezes o Spellemannprisen, principal premiação musical do país, na categoria de melhor banda de Black Metal, pelos álbuns “Profan” e “Til Klovers Takt”. O disco “Ofidians Manifest” também recebeu indicação ao prêmio em 2019. A passagem pela América Latina inclui apresentações na Argentina, Colômbia, Chile e México antes do encerramento em São Paulo. A realização da turnê é da Talent Nation, responsável pelo agenciamento do grupo no continente. O show acontece no tradicional Manifesto Bar, uma das casas mais emblemáticas da cena rock e metal no Brasil. Fundado em 1994, o espaço já recebeu nomes históricos como Motörhead, Ramones, Iron Maiden e Metallica, além de seguir abrindo espaço para novas bandas e diferentes vertentes do rock pesado. Serviço Kampfar – Three Decades of True Norse Black MetalData: 31 de maio de 2026Local: Manifesto BarEndereço: Rua Ramos Batista, 207 – Vila OlímpiaAbertura da casa: 19hIngressos: a partir de R$ 120 Clube do Ingresso
Tigers Jaw anuncia turnê brasileira do álbum “Lost On You”

A banda Tigers Jaw confirmou o retorno ao Brasil para uma série de três shows em outubro de 2026. A turnê latino-americana do novo álbum “Lost On You” passa por São Paulo no dia 10 de outubro, no Cine Joia, segue para o Rio de Janeiro no dia 11, com local ainda a ser anunciado, e termina em Curitiba no dia 12, no Belvedere. A realização é da New Direction Productions em parceria com a Powerline Music & Books. Formado há duas décadas em Scranton, na Pensilvânia, o Tigers Jaw se consolidou como um dos nomes mais influentes da geração emo surgida nos anos 2000. A banda construiu uma trajetória marcada por melodias confessionais, guitarras melancólicas e pela combinação vocal entre Ben Walsh e Brianna Collins, que transformaram experiências íntimas da juventude em canções capazes de acompanhar o amadurecimento do próprio público. Ao longo da carreira, o grupo lançou discos cultuados como “Tigers Jaw”, “Charmer”, “Spin” e “I Won’t Care How You Remember Me”. A nova passagem pelo Brasil marca a divulgação de “Lost On You”, sétimo álbum de estúdio da banda e primeiro trabalho inédito em cinco anos. Gravado novamente com o produtor Will Yip no Studio 4, na Pensilvânia, o disco retoma elementos clássicos da identidade do Tigers Jaw, equilibrando peso e delicadeza em guitarras melódicas e vocais entrelaçados. O álbum também reforça uma abordagem mais madura nas letras, explorando memória, ansiedade, afeto e as incertezas que permanecem mesmo na vida adulta. Antes de desembarcar no Brasil, a banda passa por Cidade do México, Guatemala City, San José, Bogotá, Santiago e Buenos Aires. A última visita do Tigers Jaw ao país aconteceu em 2017, durante a turnê do álbum “Spin”, com apresentações em São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Belo Horizonte. Faixas como “The Sun”, “Plane vs. Tank vs. Submarine”, “Guardian”, “June” e “Escape Plan” seguem entre as mais celebradas pelos fãs. “Lost On You” também recebeu destaque na imprensa internacional. A revista Kerrang! descreveu o álbum como um trabalho “cheio de esperança, dor, desejo e aprendizado”, enquanto a New Noise apontou o disco como “um dos mais poderosos da carreira da banda”. Já a When The Horn Blows classificou o lançamento como “renovador e familiar”, e a PopMatters definiu o Tigers Jaw como “confiavelmente ótimo” em mais uma coleção de músicas que reforçam a identidade construída ao longo de duas décadas. Serviço Tigers Jaw em São PauloData: 10 de outubro de 2026Local: Cine Joia Tigers Jaw no Rio de JaneiroData: 11 de outubro de 2026Local: a ser anunciado Tigers Jaw em CuritibaData: 12 de outubro de 2026Local: Belvedere