Entrevista | Blackberry Smoke – “O Brit faleceu há três anos, então vamos dedicar essa turnê a ele”

O Blackberry Smoke está de volta ao Brasil após sete anos. A banda norte-americana, um dos principais nomes do renascimento moderno do southern rock, desembarca no país para uma série de quatro shows em abril, passando por Porto Alegre, Belo Horizonte, São Paulo e Curitiba. Com uma base fiel de fãs e uma carreira construída na estrada, o grupo retorna em um momento simbólico, celebrando 25 anos de atividade. Com realização da Solid Music Entertainment, a turnê passa por Porto Alegre/RS no dia 8/04 (Urb Stage), Belo Horizonte/MG dia 10/04 (Mister Rock), São Paulo/SP dia 11/04 (Audio) e Curitiba/PR no dia 12/04 (Tork n’ Roll). Formado em Atlanta, o Blackberry Smoke consolidou seu nome ao longo das últimas duas décadas com uma sonoridade que mistura southern rock, country e blues, mantendo uma abordagem orgânica em meio a um mercado cada vez mais digital. Fora do mainstream tradicional, a banda construiu sua trajetória de forma independente, conquistando relevância global e chegando ao topo das paradas de country mesmo sem seguir os padrões do gênero. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o vocalista Charlie Starr falou sobre a expectativa para o retorno ao Brasil, a nova fase da banda após a perda do baterista Brit Turner e também comentou o cenário atual da música, incluindo a relação entre country e rock e o uso crescente de tecnologia nos shows ao vivo. O que vocês mais esperam dessa volta e existe alguma memória específica da última vez de vocês no Brasil? As pessoas. As pessoas lindas. Eu lembro de como as pessoas cantavam alto as músicas, e eu amo muito isso. O público brasileiro tem fama de ser intenso. Você sentiu isso de forma diferente no palco em comparação com outros países? Cada país é diferente, até cada cidade dentro dos Estados Unidos pode ser diferente, e de uma noite para outra a intensidade muda. Mas é muito especial tocar em lugares que não visitamos com frequência, isso torna tudo ainda mais especial. O setlist será o mesmo da turnê ou podemos esperar surpresas? Com certeza teremos surpresas. A gente muda o setlist toda noite, tentamos não repetir sempre a mesma coisa. Na última passagem, teve alguma música que teve uma reação diferente do público brasileiro? Não sei se diferente, mas eu adoro como o público brasileiro canta até os riffs de guitarra. Tem uma música chamada “Ain’t Got The Blues” e as pessoas estavam cantando a guitarra, isso não acontece com frequência. O que mudou na banda da última visita até agora e o que essa turnê representa para o futuro da banda? Bom, temos outro baterista. Nosso baterista original, Brit, faleceu há três anos, então vamos dedicar essa turnê a ele. Estamos celebrando 25 anos de banda este ano, então já é um bom motivo para comemorar. Vamos seguir em frente. Vocês estão trabalhando em material novo durante a estrada? Sim, estamos escrevendo agora. Está sendo bom, estou animado. Já que vocês compõe na estrada, há algum lugar que já inspirou diretamente vocês a compor músicas? Sim, o tempo todo. Onde quer que a gente vá, eu tento manter a antena ligada, prestar atenção e buscar inspiração em tudo. Depois de 25 anos, vocês ainda estabelecem objetivos ou é mais sobre manter consistência? Acho que é mais sobre consistência. Não sei se alguma vez realmente estabelecemos metas. A gente só quer tocar para o maior número de pessoas possível e fazer a melhor música que puder. Ainda existe algo que vocês querem conquistar na carreira? Eu foco no que estamos fazendo, mas adoraria fazer um show com os Rolling Stones, seria incrível. O Brit era visto como o “norte” da banda. Como vocês reorganizaram esse papel? Não sei se reorganizamos exatamente. A gente absorveu a ética de trabalho dele. Ele era incansável e uma inspiração para continuar seguindo em frente. Ele trabalhava muito na parte de negócios e merchandising, então tentamos manter isso em homenagem a ele. Como foram os primeiros ensaios e shows sem ele? Foi muito surreal. O último show dele foi em Atlanta, na cidade natal. A gente não sabia que seria o último. Ele já estava perdendo algumas habilidades motoras e precisou se afastar em alguns momentos. Foi muito triste, sinto falta do meu amigo. E como o público reagiu a esses primeiros shows sem ele? Acho que todo mundo ficou em choque. Mas todas as noites a gente menciona que o show é para o Brit, e isso cria uma sensação de união com os fãs, porque eles acompanharam tudo, a doença, a piora e a perda. Vocês já lideraram as paradas de country sendo uma banda de southern rock. Como veem essa diferença hoje? É difícil dizer. Muito do country atual nem soa como country para mim. Mas a música evolui, sempre evoluiu. Tem espaço para todo mundo. Como vocês veem artistas pop, como Beyoncé e Post Malone entrando no country? Acho legal. Gosto do disco do Post Malone, ele é muito talentoso. A música da Beyoncé também achei boa. No começo estranhei, mas depois pensei, é um hit. Hoje, com streaming, as pessoas buscam novos caminhos para se manter relevantes. Como vocês veem o rock hoje em dia e o que você acha do uso de backing tracks e elementos eletrônicos nos shows? É algo que sempre evolui. Mas tocar ao vivo, tocar alto e não ser seguro demais, isso é o que define o rock desde o começo. Mas eu gosto de música ao vivo. Se vou ver alguém tocar, quero ouvir tocando de verdade. Não gosto de tracks, acho isso péssimo. Prefiro imperfeição do que algo perfeito demais. Perfeição é chata. Vocês construíram a carreira fora da mídia tradicional. Hoje é mais fácil ou mais difícil seguir fora do mainstream? Acho que é mais acessível hoje, existem mais caminhos. Não sei se mais fácil, mas certamente mais possível. Aprendemos do jeito antigo, controlando tudo, pagando tudo e levando nossa música diretamente para as pessoas. Foi um crescimento orgânico. Que conselho vocês

The Amity Affliction anuncia show em São Paulo com nova fase e álbum inédito

A banda australiana The Amity Affliction retorna a São Paulo no dia 24 de maio para apresentação única no Brasil, marcada para o Carioca Club. O show integra a Latin America Tour 2026 e acontece poucas semanas após o lançamento de House of Cards, nono álbum de estúdio do grupo, previsto para 24 de abril. A turnê marca também a estreia de Jonny Reeves nos vocais limpos, reforçando uma nova fase na trajetória da banda. Formado por Joel Birch, principal compositor do grupo, o The Amity Affliction construiu sua carreira abordando temas como depressão, ansiedade, dependência química e exaustão emocional de forma direta. Essa abordagem ajudou a projetar a banda além da Austrália, com quatro álbuns alcançando o topo da parada da ARIA e presença constante em rankings internacionais. Nos últimos anos, o grupo também manteve relevância com Not Without My Ghosts, que entrou no Top 10 em 2023, e com a releitura Let the Ocean Take Me (Redux), novamente no Top 10 em 2024. O novo álbum, House of Cards, chega cercado de expectativa por representar um momento delicado para Birch e sua família. O disco foi concebido a partir do luto pela morte da mãe do vocalista, em 2024, e carrega uma carga emocional ainda mais intensa. A faixa-título, apresentada pela gravadora Pure Noise Records, foi descrita como uma composição pessoal dedicada a ele e aos irmãos, refletindo o impacto direto dessa perda. Musicalmente, o trabalho também indica mudanças, como um período de renovação para a banda: formação atualizada, processo de autoprodução e uma retomada consciente da sonoridade melódica que marcou seus maiores sucessos. O disco reforça a identidade do grupo ao combinar refrões acessíveis com letras intensas e sem filtro emocional. Com esse novo repertório, o The Amity Affliction chega ao Brasil em um momento decisivo da carreira, revisitando sua essência enquanto expande sua abordagem criativa. A expectativa é de um show que equilibre clássicos da banda com as faixas inéditas, mantendo a conexão direta com o público que os acompanha ao longo dos anos. ServiçoThe Amity Affliction em São PauloData: 24 de maio de 2026Horário: a partir das 17hLocal: Carioca ClubEndereço: Rua Cardeal Arcoverde, 2899 – São Paulo/SPIngressos: fastix.com.br/events/the-amity-affliction-em-sao-paulo

Entrevista | Lucifer – “Às vezes é difícil cantar uma música ao vivo porque me leva a momentos em que estava machucada”

A banda sueca Lucifer retorna ao Brasil em abril para uma série de oito apresentações que marcam mais um capítulo de sua relação com o público sul-americano. A nova turnê, que também passa por Argentina e Chile, chega em um momento especial da carreira do grupo, impulsionada pelo lançamento de Lucifer V, disco que consolidou a maturidade artística do projeto liderado pela vocalista Johanna Platow. No país, o ponto alto será a participação no Bangers Open Air, em São Paulo, além de um show solo no Hangar 110, oferecendo uma experiência mais completa fora do formato de festival. Formado em 2014, o Lucifer se firmou como um dos principais nomes do occult rock contemporâneo ao resgatar a essência do heavy metal dos anos 1970, com influência direta de bandas como Black Sabbath, Pentagram e Coven. Ao longo de cinco álbuns, a banda desenvolveu uma identidade própria, equilibrando peso e melodia com uma forte estética conceitual. Em Lucifer V, esse caminho atinge um ponto de síntese, com composições mais diretas, mas ainda carregadas de emoção, explorando temas como perda, espiritualidade e experiências pessoais. Em conversa ao Blog N’ Roll, Johanna falou sobre a fase atual da banda ao chegar a um grande festival no Brasil, refletiu sobre o processo emocional por trás de Lucifer V e comentou sua visão crítica sobre os rumos do metal contemporâneo. Vocês tocaram em locais menores nas passagens anteriores pelo Brasil. Como você enxerga a fase atual do Lucifer chegando ao Brasil em um grande festival como o Bangers? Estou muito animada, porque é o primeiro festival no Brasil que vamos tocar. Já fizemos turnês pela América Latina com o Lucifer, mas, pelo que me lembro, foram apenas shows em clubes. O último álbum Lucifer V é um disco emocional, pessoal e mais maduro. O que mudou em você durante esse processo? Não acho que tenha me mudado tanto assim. Acho que as mudanças vêm da vida. Você passa por coisas e vai mudando, e o álbum captura esse momento no tempo. Eu não costumo ouvir os discos do Lucifer, mas quando preciso, por exemplo para me preparar para um show, e escuto alguma música, ela me leva de volta para aquele período da minha vida. As letras são pessoais, então funcionam quase como uma fotografia daquele momento. Não vejo o processo de gravação como algo que me mudou, mas como um registro de quem eu era naquele momento. Você considera esse o disco mais pessoal da sua carreira? Todos são pessoais, porque eu sempre uso as letras quase como uma terapia quando estou passando por coisas na minha vida. Mas eu diria que nesse álbum eu me permiti ser mais emocional e mais aberta. Tem uma música, por exemplo, “Slow Dance in a Crypt”, que talvez eu não tivesse feito em discos anteriores. Então sim, Lucifer V é meu álbum favorito. E o que você vê de diferente do Lucifer V para os outros trabalhos? Acho que a produção é a melhor, tem mais variedade emocional e explora mais estilos. Também está mais sombrio novamente do que os dois ou três discos anteriores. O som do Lucifer conversa muito com o metal dos anos 70. Como você enxerga o rumo do metal mais moderno, com uso de elementos eletrônicos e mais experimentações? Eu não me interesso tanto pelo que é moderno. Eu amo música em geral, claro, mas quando o rock e o metal ficam genéricos demais, com todo mundo usando os mesmos efeitos, tudo muito polido, muito plástico, isso me incomoda. Falta algo orgânico, mais humano. Muitas bandas soam iguais hoje em dia, e isso é entediante. Quando eu cresci, nos anos 90, havia muito mais diversidade. Eu entrevistei recentemente o Crazy Lixx, que também estará no Bangers, e eles disseram que decidiram voltar a uma época em que o rock era bom e seguir dali. Você sente que o Lucifer cria como se estivesse na era do Black Sabbath? Sim, o Black Sabbath é minha banda favorita. Se você me obrigasse a escolher uma única banda para ouvir em uma ilha, seria Black Sabbath. É a principal influência do Lucifer, com certeza. Como foi o processo de transição da sonoridade doom para a atual, deixando o som mais acessível sem perder o peso? Uma coisa não exclui a outra. Você pode ser pesado e acessível ao mesmo tempo. O Black Sabbath é o melhor exemplo disso. Eles são extremamente pesados, mas têm uma sensibilidade pop muito forte, o que muita gente esquece. Algo melódico e acessível também pode ser pesado. Significa apenas que é uma boa melodia. Vocês parecem não se preocupar com o mainstream. Existe um limite que você não quer ultrapassar? Não tenho uma ideologia de precisar defender o underground. Não preciso provar nada para ninguém. Estou no rock e no metal desde os 13 anos. Para mim, o importante é que a música seja sincera e que você realmente ame o que está fazendo. Você cresceu em um ambiente religioso, certo? Como foi a transição para trabalhar com elementos do ocultismo? Foi muito fácil, porque cresci em um ambiente protestante na Alemanha, que é bem mais liberal do que o católico. Tenho vários pastores na família, mas nunca foi algo rígido. Quando eu tinha 14 anos, fui para minha confirmação com cabelo preto e usando uma cruz invertida, e minha mãe só pediu para eu esconder a cruz por baixo do vestido. Depois saí da igreja, mas nunca foi uma ruptura dramática. Crescer em Berlim nos anos 90 também ajudou, porque havia muitas livrarias com literatura ocultista, uma cena gótica forte, muitos cemitérios bonitos. Foi natural me conectar com isso. Vocês já têm um setlist definido para os shows no Brasil? O que os fãs podem esperar? Já temos um setlist, porque todos os integrantes moram em países diferentes e vamos nos encontrar em Barcelona para ensaiar antes da turnê. O público pode esperar clássicos do Lucifer, músicas do Lucifer V, algo bem antigo e até algo que não

Ana Cacimba mergulha na nova MPB com o single “Sereia”

A cantora, compositora e instrumentista Ana Cacimba apresenta o single “Sereia”, uma balada romântica que mistura elementos da nova MPB com referências da espiritualidade afro-brasileira, marcas recorrentes em sua trajetória artística. A faixa chega em parceria com PH Moraes, do duo Luau, e ganha um visualizer assinado por Ysis Policarpo. Em “Sereia”, Ana Cacimba constrói uma narrativa sobre um amor que não se projeta para o futuro, mas se intensifica no presente. A ideia do “eterno enquanto dure” conduz a letra, que encontra na figura da sereia uma metáfora para esse encontro passageiro. A personagem surge como uma espécie de bênção de Iemanjá, inserindo a canção em um cenário simbólico de liberdade, desejo e encantamento à beira-mar. A sonoridade acompanha essa proposta. Violões e tambores dialogam com beats eletrônicos, enquanto o asalato, instrumento africano de percussão presente no universo da artista, reforça a identidade rítmica da faixa. O resultado é uma atmosfera leve e envolvente, que remete ao clima de um luau ao entardecer. Com o lançamento, Ana Cacimba se posiciona dentro de uma cena contemporânea da música brasileira que aposta em sonoridades solares e híbridas. Nesse contexto, dialoga com nomes como Gilsons, Rachel Reis, Letícia Fialho, Benziê, Avuá e Amanda Magalhães. “Sereia” reforça essa conexão ao mesmo tempo em que amplia o repertório da artista, consolidando uma identidade que transita entre o íntimo, o espiritual e o contemporâneo.

Do contrabaixo à canção: Michael Pipoquinha inicia nova fase na carreira

Depois de consolidar seu nome como um dos principais contrabaixistas do país, Michael Pipoquinha inicia um novo momento na carreira. Conhecido pela atuação no universo instrumental, o músico cearense agora se aproxima da canção e passa a incorporar a própria voz como elemento central de sua criação. Nascido em Limoeiro do Norte, no Ceará, e radicado em São Paulo desde a adolescência, Pipoquinha construiu uma trajetória marcada pela excelência técnica e pela circulação em diferentes cenas musicais. Ao longo dos anos, dividiu palco com nomes como Djavan, Gilberto Gil, Hamilton de Holanda, Yamandu Costa, Ivan Lins, Elba Ramalho, Chico César, João Bosco e Toninho Horta, além de colaborações com Arismar do Espírito Santo e Pedro Martins. Sua atuação também ganhou projeção internacional, com apresentações em países da América do Sul e turnês pela Europa e Oriente Médio. No circuito global, dialoga com referências como Jacob Collier, Thundercat, John Patitucci e Victor Wooten, além de colaborar recentemente com Richard Bona. Seu trabalho também já recebeu reconhecimento de nomes como Stanley Clarke. A discografia acompanha essa trajetória, com álbuns como Cearencinho (2014), Lua (2017) e Um Novo Tom (2023), além de parcerias em projetos como Nosso Mundo e Cumplicidade. Em todos eles, o contrabaixo ocupa papel central, conduzindo a narrativa musical entre o jazz, a música brasileira e influências globais. “O baixo sempre foi o meu lugar de fala. Foi através dele que construí minha identidade”, explica o músico. Nos últimos anos, no entanto, esse eixo começou a se transformar. Sem abandonar o instrumento, Pipoquinha passou a investigar a canção como forma de comunicação mais direta, incorporando letra e voz ao processo criativo. A mudança ganhou força a partir da composição de “A Minha Pele”, momento que, segundo ele, marcou a virada. “Percebi que havia coisas que só poderiam existir com palavras. Foi ali que entendi que podia e precisava cantar”, afirma. A transição não representa uma ruptura com o passado, mas uma expansão de linguagem. A improvisação e a técnica seguem presentes, agora atravessadas por uma abordagem mais íntima e comunicativa. O foco se desloca do virtuosismo instrumental para a construção de um diálogo mais direto com o público. “Quero que minha música faça parte do cotidiano das pessoas. A canção me abriu essa possibilidade de identificação e troca”, resume. Reconhecido por diferentes gerações de músicos e com trajetória consolidada no instrumental, Michael Pipoquinha entra em uma fase em que escuta e expressão caminham lado a lado. Ao assumir a própria voz, o artista amplia seu campo criativo e aponta para novos desdobramentos de uma obra que segue em movimento.

Festival da Lua Cheia expande line-up com nomes emergentes da cena brasileira

O Festival da Lua Cheia anunciou uma nova leva de atrações para a sua 34ª edição, marcada entre os dias 4 e 7 de junho de 2026, no Hotel Fazenda Vale das Grutas, em Altinópolis, interior de São Paulo. Entre os nomes confirmados estão Rom Santana, Roça Nova e Furmiga Dub, reforçando a proposta do evento de apostar na diversidade e na renovação da música brasileira. Um dos destaques do anúncio é Rom Santana, artista baiano radicado no bairro do Bixiga, em São Paulo, que vem se consolidando como um dos nomes mais quentes da noite paulistana. Misturando arrocha, pagode baiano e piseiro, o cantor ganhou espaço com apresentações de forte apelo popular, marcadas pela energia e pela proximidade com o público, reunindo multidões em shows cada vez mais concorridos. Outra novidade no line-up é a banda Roça Nova, formada na Zona da Mata mineira. O grupo é responsável por desenvolver o chamado caipigroove, uma sonoridade que combina música caipira, ritmos afro-latinos e rock psicodélico com referências contemporâneas. A projeção nacional veio após a vitória no concurso de bandas do João Rock, consolidando o nome no circuito independente. Fechando o anúncio, o projeto Furmiga Dub leva ao festival a influência do reggae e da cultura sound system, ampliando o espectro musical da programação. A inclusão do trio de artistas reforça o olhar do festival para novas tendências e linguagens dentro da música brasileira. Segundo o curador Pedro Barreira, a proposta do Festival da Lua Cheia segue alinhada à descoberta de novos talentos. Rom Santana passa a integrar um conjunto de apostas ao lado de nomes como Melly, Mari Jasca, Núbia e O Cheiro do Queijo, apontados como possíveis surpresas desta edição. Com seis palcos espalhados pela fazenda e mais de 100 atrações confirmadas, o Festival da Lua Cheia 2026 mantém sua tradição de reunir diferentes gerações e estilos. A programação vai além dos shows, com mais de 300 atividades que incluem oficinas, vivências, intervenções artísticas e experiências coletivas ao ar livre, em um ambiente que privilegia o contato com a natureza e a convivência. Entre os artistas já anunciados estão Mano Brown, Céu, Russo Passapusso & Ministereo Público SoundSystem, Mari Jasca, Braza, Melly, ChicoChico, Funk Como Le Gusta, Zeca Baleiro, Edson Gomes, Maneva e Lamparina. O Festival da Lua Cheia reafirma, assim, sua identidade como um dos eventos mais plurais do calendário brasileiro, equilibrando nomes consagrados e novas apostas em uma programação que aposta na experiência completa do público. ServiçoFestival da Lua Cheia 2026Data: 4 a 7 de junho de 2026Local: Hotel Fazenda Vale das Grutas – Altinópolis (SP)Programação: mais de 100 atrações musicais, seis palcos, mais de 300 atividades, oficinas, vivências, intervenções artísticas e área de campingwww.festivaldaluacheia.com.br

Monica Casagrande transforma vozes femininas em ritual audiovisual no álbum Corpo Coral

A cantora Monica Casagrande apresenta Corpo Coral, um álbum audiovisual que transforma repertório feminino em um percurso sensorial e simbólico guiado pela voz. O projeto reúne releituras de compositoras brasileiras e internacionais em uma construção que atravessa diferentes estados emocionais, tratando a interpretação como gesto criativo e o corpo como elemento central da narrativa. Concebido como uma obra-chave em sua trajetória, o disco parte da ideia de que o corpo é atravessado por múltiplas vozes femininas. Cada faixa funciona como um ciclo dentro de um ritual de transformação não linear, em que desejo, resistência, entrega e renascimento se conectam como estados de passagem. A noção de “coral” aparece justamente como essa sobreposição de vozes que ganham unidade na interpretação da artista. Gravado em parte no Estúdio Kumbuka e com sessões audiovisuais realizadas na Bolha Films, Corpo Coral prioriza a presença da voz, da respiração e dos silêncios. Os arranjos atuam como suporte para a interpretação, evitando protagonismo instrumental. O resultado é um trabalho que transita entre jazz, MPB, soul, pop e blues, tendo o smooth jazz como eixo de unidade sonora, sem se prender a um gênero específico. O álbum conta com participações de Lan Lahn e Navalha Carrera, ampliando a presença feminina no projeto. A escolha das colaborações reforça o caráter coletivo do disco, que se constrói a partir de diferentes trajetórias e linguagens. O repertório percorre momentos distintos desse ritual simbólico. A emancipação aparece em “Don’t Let Me Be Misunderstood”, eternizada por Nina Simone; o desejo ganha movimento em “Fullgás”, de Marina Lima; a liberdade se afirma em “Agora Só Falta Você”, de Rita Lee; enquanto o autorreconhecimento se revela em “Suddenly I See”, de KT Tunstall. Já a ruptura e autonomia atravessam “You Don’t Own Me”, de Lesley Gore, enquanto a entrega emocional se aprofunda em “Amor, Meu Grande Amor”, de Angela Ro Ro. Na reta final, o disco caminha para a cura em “Put Your Records On”, de Corinne Bailey Rae, a maturidade em “At Last”, de Etta James, e o renascimento em “Baby”, associada à interpretação de Gal Costa. Longe de um tributo nostálgico, as versões funcionam como reinscrições dessas canções em um novo contexto corporal e vocal. Pensado desde o início como um projeto audiovisual, Corpo Coral chega acompanhado por uma série de videoclipes e conteúdos de bastidores. Os vídeos, com direção criativa de Di Tateishi e Nora Jasmin, expandem o conceito do álbum ao explorar arquétipos, atmosferas e estados corporais, evitando a reprodução literal das artistas homenageadas. A estética visual também reforça essa proposta. A capa apresenta a artista em camadas e fragmentações, sugerindo múltiplos estados internos e dialogando com símbolos de ciclicidade e transformação. Assim como o disco, a imagem não se fecha em uma única leitura, propondo movimento e desdobramento. Após quatro trabalhos centrados em composições próprias, Monica Casagrande desloca o foco para a interpretação como prática criativa. Corpo Coral marca uma nova fase em sua carreira ao transformar canções que atravessam gerações em um espaço de escuta, reconhecimento e reinvenção contínua.

Black Label Society mantém seu DNA e entrega disco intenso com Engines of Demolition

O Black Label Society lançou, hoje (27), o álbum Engines of Demolition, um trabalho que reforça a identidade construída por Zakk Wylde ao longo de décadas sem a preocupação de reinventar a própria fórmula. O disco chega como um retrato direto do momento vivido pelo guitarrista, equilibrando peso, melodia e um forte componente emocional, especialmente após a morte de Ozzy Osbourne, anos intensos de turnês e projetos paralelos. Desde as primeiras faixas, o álbum deixa claro seu caminho. Riffs densos, andamento cadenciado e uma forte influência do hard rock clássico moldam a espinha dorsal das composições. Há uma sensação de familiaridade que não soa acomodada, mas sim consciente. Wylde segue apostando naquilo que sempre funcionou, construindo músicas que partem do riff como elemento central e evoluem para melodias marcantes. Como ele próprio disse em entrevista ao Blog N’ Roll, “tudo começa com o riff” e, se a base estiver próxima daquele espírito de bandas como Black Sabbath ou Led Zeppelin, o caminho já está traçado. Entre os destaques, Name in Blood sintetiza bem a proposta do disco. A faixa traz peso e groove, mas também carrega um conceito direto, como explicou o guitarrista na mesma entrevista. “Isso significa compromisso total com o projeto. É como quando você decide dar o próximo passo em um relacionamento.” A música funciona como uma espécie de manifesto dentro do álbum, reforçando a entrega total que marca esta fase da banda. Mas é em Ozzy’s Song que Engines of Demolition encontra seu ponto mais forte e emocional. A faixa se destaca não apenas pela construção mais sensível, mas pelo peso simbólico que carrega. Trata-se de uma homenagem direta a Ozzy Osbourne, figura central na trajetória de Wylde. A música começa de forma contida e cresce gradualmente até chegar a um solo carregado de sentimento, funcionando como uma espécie de despedida traduzida em som. O próprio Zakk detalhou esse momento ao Blog N’ Roll, revelando o caráter íntimo da composição. “Eu estava na biblioteca de casa, com fones de ouvido, olhando um livro sobre o Ozzy. A melodia surgiu e eu escrevi a letra ali.” A escolha da guitarra também reforça esse simbolismo: o músico utilizou a lendária Grail, a mesma com a qual gravou suas primeiras músicas com Ozzy, fechando um ciclo dentro da própria carreira. O processo de criação do disco também ajuda a explicar sua sonoridade. Diferente de trabalhos anteriores, o álbum foi desenvolvido ao longo de anos, entre pausas e compromissos como a turnê de celebração do Pantera. Esse intervalo mais longo permitiu que Wylde acumulasse ideias e trabalhasse as composições com mais calma. “Dessa vez tivemos muito tempo entre um disco e outro… eu só continuei escrevendo”, afirmou. A consequência é um trabalho que soa mais orgânico, sem a urgência de prazos apertados. Outro ponto que se destaca é a ausência de pressão em relação à recepção do público. Wylde adota uma postura direta e despreocupada, focando apenas na própria satisfação artística. “Você tem que fazer o disco que ama fazer. Se você está feliz com isso, é o que importa”. Essa filosofia se reflete em um álbum que não busca tendências ou atualizações sonoras, mas sim reforça uma identidade consolidada. Com Engines of Demolition, o Black Label Society entrega um disco que não pretende surpreender, mas sim reafirmar. É um trabalho que aposta na consistência, no peso e na emoção como pilares principais. Em um cenário onde a novidade muitas vezes é supervalorizada, Zakk Wylde segue na contramão, mostrando que ainda há força em permanecer fiel à própria essência.

Entrevista exclusiva | Dr. Chud – “Estávamos todos no auge naquela fase do Misfits. Poderíamos ter feito pelo menos mais cinco discos”

O ex-baterista dos Misfits, Dr. Chud, confirmou sua volta ao Brasil com a turnê “South America/Italia Tour”, marcada para agosto. O músico se apresenta em São Paulo dia 16, no tradicional Hangar 110, espaço histórico da cena punk e hardcore nacional. A passagem marca o retorno do artista ao continente após anos afastado de turnês próprias. Conhecido por sua atuação em uma das fases mais populares dos Misfits, Dr. Chud promete um show voltado ao horror punk, com repertório que mistura clássicos da banda com composições autorais e material de seus projetos mais recentes. A proposta, segundo o próprio músico, é entregar uma apresentação energética e acessível, dialogando diretamente com o público que acompanhou sua trajetória desde os anos 1990 até sua fase atual. Dr. Chud participou de álbuns como “American Psycho” e “Famous Monsters”, além de registros como “Cuts from the Crypt”. Multi-instrumentista, produtor e compositor, ele também integrou bandas como Blitzkid e desenvolveu projetos autorais ao longo das últimas décadas. Sua formação inclui passagens por diferentes estilos e estudos aprofundados de percussão, o que ajudou a moldar sua identidade musical tanto na bateria quanto na composição. Em entrevista exclusiva para o Brasil, Dr. Chud fala com o Blog N’ Roll sobre os shows no país, o repertório da turnê e sua relação com o legado dos Misfits. O que vem a sua mente ao se preparar para voltar ao Brasil em agosto e reencontrar seus fãs? O Hangar 110 é uma espécie de CBGB brasileiro. Eu quero oferecer um show de horror punk acessível e incrível com a minha banda de horror punk. É algo que eu sempre quis fazer, levar minha banda internacionalmente e minha música para o mundo. Vai ser divertido e intenso. Eu tenho muitos amigos no Brasil, então vou me divertir bastante. Qual será a formação da sua banda nos shows no Brasil? Você vai cantar, tocar bateria ou ambos? Eu vou cantar o set inteiro. Talvez eu toque bateria em algumas músicas no final. Ainda faltam quatro meses, então estou trabalhando com muitas ideias diferentes. Mas sim, gostaria de ir para a bateria em algumas músicas. Eu nunca fiz isso antes. Sobre o repertório, você pretende focar apenas nos álbuns dos Misfits ou haverá surpresas? Eu tenho mais de 50 álbuns. Do Misfits eu participei de quatro álbuns: Cuts from the Crypt, Evil Eye II, Famous Monsters e American Psycho. Eu vou tocar as músicas que escrevi para esses álbuns. Vou tocar também coisas do X-Ward e outros álbuns que fiz, como Sacred Trash. Eu estive em muitas bandas, então vou escolher coisas aqui e ali. Mas principalmente quero tocar todo o meu álbum do X-Ward e talvez algumas músicas novas do X-Ward também. Mas sim, vai ter, talvez dez músicas dos Misfits. Mas eu escrevi todas elas, então vai ser divertido mostrar minha interpretação dessas músicas para pessoas que nunca ouviram, da forma como eu escrevi ou como eu mudei elas 30 anos depois. Isso é divertido. Você já tocou no Brasil com outros projetos? Eu toquei quando eu estava em turnê com o Blitzkid. Acho que essas foram as duas bandas com as quais estive aí, Misfits e Blitzkid. Você adapta sua performance para diferentes públicos dependendo da cidade que você vai se apresentar? Eu ainda não sei. Eu ainda não toquei pelo mundo todo com a minha banda atual. Eu gosto de mudar as coisas. Posso fazer sets acústicos em encontros com fãs. Gosto de mudar isso, talvez tocar quatro músicas. Mas o setlist provavelmente vai se manter o mesmo nesta turnê. Depois eu vou mudando conforme as turnês avançam e novas músicas são lançadas. Como foi entrar nos Misfits em um momento tão importante da banda? Pareceu natural. Foi uma boa combinação para mim. Eu me diverti muito. Eu pude escrever músicas para eles e tocar com eles. Eu honro esse período. E eu acabei de receber um disco de ouro por American Psycho. Como era o processo criativo e de gravação naquela época com essa nova formação? Foi incrível. Nós ensaiávamos muito e trabalhávamos nas músicas o tempo todo. Era uma máquina de composição. Todos escrevíamos músicas naquele período. Todos tinham uma parte igual nisso. Foi divertido e tudo aconteceu de forma bem tranquila. Foi mágico, na verdade. Um momento mágico. E esses álbuns vendem melhor hoje do que jamais venderam. Como você define seu legado nos Misfits? É o bom e velho rock and roll. Nós fizemos com intensidade. As melodias eram ótimas. Estávamos todos no auge. Tínhamos mais cinco discos dentro de nós. Poderíamos ter feito pelo menos mais cinco discos. Qual sua visão sobre as polêmicas políticas envolvendo Glenn Danzig e Michale Graves com o nazismo e fascismo? Isso pode afetar o legado dos Misfits? Eu não sei. Eu faço a minha própria coisa. Sempre fiz. Não sei. É a vibração deles. Eu estou em uma vibração diferente. Não falo com o Michale desde 2002. Então não sei o que ele está fazendo. E eu realmente não conheço o Glenn. Então não sei o que eles estão fazendo. Espero que estejam fazendo discos. Você mantém contato com algum integrante dos Misfits? Não, só para falar de negócios. Por que American Psycho e Famous Monsters têm uma qualidade de gravação muito superior aos demais trabalhos? Houve uma preocupação nesse sentido? Você está absolutamente certo, foi simplesmente melhor gravado. Tinha um orçamento maior também, a Geffen Records financiou o primeiro, acho que a Roadrunner fez o segundo. Eu gravei a minha vida inteira e também estou lá dando minhas ideias, pois tenho estúdio desde os 19 anos. Sempre gravei em casa, trabalhei com gênios da gravação e eu amo gravar. Amo todo o processo. Então sim, foi divertido gravar. Os álbuns têm muita energia. Eles eram gravados ao vivo ou por partes? Eu acho que gravávamos a banda inteira ao vivo. Depois o Doyle adicionava camadas de guitarra e fazíamos vocais de apoio. Era basicamente ao vivo. Quais foram suas principais influências na bateria? Eu sempre