Entrevista | Ivan Busic – “O blues é a base de tudo”

Ivan Busic lançou nesta quinta-feira (31) Into the Blues, seu segundo álbum solo e o trabalho mais pessoal da carreira. Antecedido pelo single She’s Got the Devil in her Step, o disco marca uma nova fase do músico ao mergulhar no blues sem abrir mão da pegada roqueira que o consagrou. Segundo Ivan Busic, a faixa reúne riffs inspirados em Cream e Jimi Hendrix, ritmo intenso e uma abordagem mais descontraída nas letras, funcionando como uma prévia da energia presente em todo o álbum. Além de explorar um estilo que sempre esteve presente em sua formação musical, Into the Blues também tem um significado afetivo. O álbum presta homenagem ao pai de Ivan Busic, figura fundamental em sua trajetória como músico, e representa um momento de renovação artística. Para celebrar o lançamento, o artista sobe ao palco do Blue Note São Paulo neste sábado (1º), onde apresentará as novas composições ao lado de releituras de clássicos de nomes como Freddie King, Howlin’ Wolf e Muddy Waters. Conhecido como fundador, baterista e um dos vocalistas do Dr. Sin, Ivan Busic construiu uma das carreiras mais sólidas do hard rock brasileiro. Ao lado do irmão Andria Busic, ajudou a transformar o trio em uma das principais referências do gênero no país, dividindo palco com grandes nomes internacionais e lançando discos que se tornaram clássicos do rock nacional. Além da bateria, Ivan Busic se destaca como multi-instrumentista, compositor e cantor, características que agora ganham ainda mais espaço em sua carreira solo, reafirmando sua versatilidade e disposição para explorar novos caminhos musicais. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Ivan Busic falou sobre o processo de gravação totalmente analógico de Into the Blues, relembrou a influência do pai em sua formação musical, comentou a força do blues como base do rock, analisou o espaço do gênero na mídia brasileira, recordou os shows mais marcantes da carreira e antecipou detalhes da apresentação de lançamento do álbum no Blue Note São Paulo. O álbum ficou com uma sonoridade muito característica, remetendo a bandas como Cream e The Doors. Como foi a pré-produção e a busca por esse som? Esse disco foi inspirado por toda a minha vivência com meu pai e com meu irmão, tocando jazz e blues. Mas houve um momento decisivo: minha esposa colocou um disco da fase Peter Green, do Fleetwood Mac, enquanto eu ia tomar banho. O volume estava bem alto e, durante aquele banho, aconteceu um estalo. Pensei: “Preciso sair daqui gravando um disco nessa onda”. Enquanto tomava banho, já estava compondo. Saí do banheiro, montei a bateria, a guitarra, o amplificador e comecei a gravar. Como já passei por todo tipo de superprodução em estúdio, resolvi fazer exatamente o contrário. Minha ideia inicial era gravar tudo com apenas um microfone. Coloquei um microfone na frente da bateria, o amplificador de guitarra ao lado e gravei a primeira música, “Lemon Pie”, dessa forma. Como bom baterista, começou pela bateria? Passei um bom tempo montando o kit de bateria ideal para esse estilo. Usei uma Gretsch antiga, experimentei peles diferentes, abafei tambores com flanelas e panos, troquei pratos até encontrar a sonoridade perfeita. Sempre digo que um grande disco começa pela bateria. Se ela não soar bem, a chance de o restante também não funcionar é muito maior. Quando encontrei aquele timbre, percebi que era exatamente o som das bandas de jazz e blues que sempre admirei. Fiz então um compromisso comigo mesmo: usaria o mínimo possível de efeitos, compressores e processamento. Da segunda música em diante utilizei apenas dois microfones. Um captava a bateria inteira e outro ficou dentro do banheiro ao lado para registrar apenas o reverb natural. Esse foi o grande segredo do disco. Você teve essa ideia ou se baseou em algum trabalho parecido? Lembrei de histórias dos Rolling Stones gravando em escadarias justamente por causa da acústica. Quando bati palma naquele ambiente e ouvi o retorno, pensei: “Esse é o som que sempre sonhei”. Depois gravei guitarra, bateria, baixo, violão e voz praticamente em sequência, como se fossem vários Ivans tocando juntos. Também quis preservar pequenas imperfeições. Queria que o disco tivesse a sensação de uma banda tocando ao vivo, encarando um ao outro. Na mixagem, fiz uma pré-mix e chamei o Thiago Melo, do Dr. Sin, para ouvir. Ele deu sugestões importantes, principalmente em pequenos ajustes de guitarra. Depois tomei outra decisão: não masterizar o álbum. Queria que ele soasse exatamente como os discos dos anos 50, 60 e 70 que eu amo. Pedi apenas ao Adriano Daga para nivelar o volume entre as músicas, sem alterar frequências, graves ou agudos. Queria que quem colocasse o disco para tocar escutasse exatamente o que eu ouvia na minha sala. Você também destaca muito a relação com seu pai. Como foi esse primeiro contato com a música e quais influências dele aparecem neste álbum? Eu e meu irmão tivemos a bênção de nascer em um ambiente completamente musical. Meu irmão nasceu justamente no ano em que meu pai fundou a Traditional Jazz Band, grupo que representou o Brasil em festivais importantes pelo mundo, inclusive em New Orleans. Tenho lembranças de criança acompanhando meu pai em programas como Os Trapalhões e Fantástico, além de levá-lo ao aeroporto quando saía para turnês internacionais. Nós crescemos observando tudo aquilo e nos apaixonando naturalmente pela música. Ainda adolescentes, começamos a tocar com ele. Era uma enorme responsabilidade, porque dividíamos o palco com músicos veteranos de jazz e blues. Foi também através do meu pai e dos músicos da banda dele que conhecemos Beatles, Deep Purple e Led Zeppelin. Meu pai tinha uma cabeça muito aberta. Ele mostrava Queen, Deep Purple e dizia: “Esses caras são bandas de blues, só que tocam pesado”. E teve alguma música, em específico, que mais te marcou? Lembro perfeitamente do dia em que ouvimos Machine Head, do Deep Purple. Aquilo mudou nossa vida. Mesmo depois de entrar para o rock, nunca deixamos de tocar jazz e blues com meu pai. As duas coisas sempre caminharam juntas. Por
Rhapsody Of Fire e Masterplan anunciam turnê conjunta pela América Latina com duas datas no Brasil

Os fãs de power metal terão a oportunidade de assistir a um dos encontros mais aguardados do gênero em 2027. Rhapsody Of Fire e Masterplan anunciaram uma turnê conjunta pela América do Sul e América Central entre abril e maio, reunindo duas referências do metal europeu em oito apresentações por sete países. No Brasil, os shows acontecem em 30 de abril, no Stage Garden, em Curitiba, e em 1º de maio, na Vip Station, em São Paulo. Os ingressos já estão à venda. A excursão marca o retorno do Rhapsody Of Fire à América Latina com a turnê de Challenge The Wind, álbum lançado em 2024 que reafirmou a força da banda italiana mais de duas décadas após sua ascensão como um dos principais nomes do power metal sinfônico. Liderado pelo tecladista Alex Staropoli, único integrante remanescente da formação original, o grupo promete um repertório que mistura músicas do novo disco com clássicos como Emerald Sword, Dawn of Victory, Holy Thunderforce, Wisdom of the Kings e Rain of a Thousand Flames. O Masterplan também chega embalado por um novo momento da carreira. A banda alemã, criada em 2002 pelos ex-integrantes do Helloween Roland Grapow e Uli Kusch, voltou a lançar material inédito em 2026 com Metalmorphosis, primeiro álbum de estúdio em 13 anos. O trabalho mantém a identidade melódica característica do grupo, mas adiciona uma sonoridade mais pesada, consolidando uma nova fase ao lado do vocalista Rick Altzi e dos músicos Axel Mackenrott, Jari Kainulainen e Kevin Kott. Mais do que uma turnê, a união entre Rhapsody Of Fire e Masterplan representa o encontro de duas vertentes que ajudaram a definir o power metal moderno. Enquanto os italianos ficaram conhecidos pelas orquestrações cinematográficas e pelas narrativas épicas, os alemães construíram sua reputação com riffs marcantes, técnica refinada e refrães memoráveis. A expectativa é de uma noite dedicada aos grandes clássicos do gênero, reunindo duas bandas que seguem em atividade com novos álbuns e formações consolidadas.
Debrix critica o capitalismo, aparência e status no single “Suflê”

A Debrix inicia um novo capítulo da carreira com o lançamento de “Suflê”, single que transforma uma crítica social em uma combinação de riffs marcantes e refrão direto. A faixa, já disponível nas plataformas digitais, questiona uma realidade em que dinheiro, aparência e status têm mais peso do que inteligência, caráter e experiência. O lançamento chega em um momento de ascensão para a banda de São José dos Campos, que recentemente dividiu palco com Sepultura, L7 e The Calling, além de acompanhar o Helmet em apresentações no Brasil, Argentina e Chile. A ironia começa pelo próprio título. A palavra “suflê”, tradicionalmente associada à culinária francesa e à sofisticação, é usada como metáfora para os códigos de aceitação social. Logo nos primeiros versos, o vocalista Felippo canta: “Só queria ser francês, falar ‘suflê’ corretamente / Me faria uma pessoa muito mais decente”, apontando como determinados comportamentos e referências culturais acabam sendo tratados como símbolos de superioridade. Ao longo da música, a crítica se aprofunda ao confrontar conhecimento e valores pessoais com o poder econômico. Versos como “O QI tá na minha conta corrente” escancaram a percepção de uma sociedade em que prestígio financeiro supera competência, enquanto “os culpados” aparecem julgando “os inocentes”. No refrão, a banda abandona qualquer tentativa de aprovação e assume uma postura de enfrentamento: “Não ligo para o seu certo, vou ser bem direto, cansei de sofrer, vou ignorar você”. O conceito também se estende à identidade visual do lançamento. A capa de “Suflê” apresenta o prato francês com uma boca escancarada no lugar do recheio, reforçando a ideia de uma sociedade que fala, julga e impõe padrões constantemente, mas deixa de lado aquilo que realmente importa. A arte dialoga diretamente com a proposta da música e amplia o discurso apresentado na letra. “Suflê” também evidencia a evolução musical da Debrix. A banda passou a investir em repertório autoral em 2024 com o lançamento de “Push It”, faixa que chamou atenção pela mistura de hard rock, grunge e classic rock. No mesmo ano vieram o single “Thunderstorm” e o EP Tales from the Rabbit Hole, trabalho conceitual que acompanha a jornada de um personagem em busca de superar medo, insegurança e frustrações. Em 2025, a Debrix iniciou uma nova fase ao lançar composições em português, começando por “Nada Pra Falar”, seguida pelo videoclipe de “Bullseye”, produzido com imagens de shows pelo país, e por “Brisa de Espelho”. Paralelamente, a banda ampliou sua presença nos palcos, abrindo apresentações do The Calling, participando de um festival ao lado do Sepultura e realizando sua primeira sequência internacional ao acompanhar o Helmet em shows por São Paulo, Buenos Aires e Santiago. Agora, “Suflê” reforça esse momento de crescimento, mostrando uma banda que alia identidade musical consistente a letras que dialogam com questões contemporâneas.
The Bombers e Gritando HC são destaques do Festival de Inverno de Paranapiacaba neste domingo

O The Bombers e o Gritando HC estão entre os principais nomes da programação do 25º Festival de Inverno de Paranapiacaba, que acontece neste domingo (26), na histórica vila ferroviária de Santo André. A banda santista sobe ao palco da Magia Beer às 16h, enquanto o Gritando HC também integra a programação, que ainda reúne atrações como Lokomotive Rocks, Dammit, Molinas, Black Mantra, Banda Magazine e Divazz. A apresentação do The Bombers antecede o lançamento de Noite Alucinante: 30 Anos Ao Vivo, previsto para 30 de julho. Gravado durante o show comemorativo das três décadas da banda, o álbum será lançado nas plataformas digitais, em CD e em uma edição limitada em VHS. Além dos shows, o Festival de Inverno de Paranapiacaba oferece entrada gratuita e uma programação cultural com feira de vinil, cinema, teatro, circo, exposições, contação de histórias, duas praças de alimentação e dezenas de cafés, pubs e restaurantes espalhados pela vila.
Lesoir lança single inspirado na hipótese de Gaia e anuncia novo álbum para outubro

A banda holandesa de prog art rock Lesoir lançou nesta sexta-feira (24) o single Is It Nothing?, primeira amostra de Tomorrow Is Now Today, novo álbum que chega às plataformas de streaming e em formatos físicos no dia 23 de outubro, pela gravadora belga V2 Records. A novidade antecede um período movimentado para o quinteto, que também foi confirmado como banda de abertura da turnê europeia de Anneke van Giersbergen (The Gathering) em novembro. Inspirada na hipótese de Gaia, desenvolvida pelo cientista James Lovelock, Is It Nothing? propõe uma reflexão sobre a Terra como um organismo vivo e autorregulador. A letra aborda a responsabilidade coletiva da humanidade diante das mudanças climáticas e questiona se ainda há tempo para alterar o rumo dos acontecimentos. Em vez de oferecer respostas definitivas, a faixa convida o ouvinte a refletir sobre a urgência de novas ideias e ações para preservar o planeta. Musicalmente, o single reúne elementos que definem a identidade do Lesoir: vocais atmosféricos, passagens de rock progressivo, texturas cinematográficas e uma dinâmica que alterna momentos delicados e explosões de intensidade. Segundo a vocalista Maartje Meessen, a música representa a essência da banda. “Is It Nothing? é a faixa de art rock por excelência deste álbum. É Lesoir do início ao fim”, afirma. Para ela, a composição reforça a importância de a humanidade estar aberta a “ideias novas e, acima de tudo, boas”. O lançamento também ganhou um lyric video com estética psicodélica, que explora um universo onde raízes, neurônios, veias, cidades e florestas de cogumelos se fundem em uma sequência de imagens em constante transformação. A produção acompanha as mudanças de intensidade da música e reforça o contraste entre natureza, tecnologia e intervenção humana. Tomorrow Is Now Today marca mais um capítulo na evolução do Lesoir, consolidando a proposta da banda de unir rock progressivo, rock alternativo e narrativas de forte carga emocional. O disco será lançado pela V2 Records, selo independente europeu que reúne artistas como Moby, Mumford & Sons, Skunk Anansie, Kaiser Chiefs, Temples e Blood Red Shoes. A pré-venda já está disponível no site oficial da banda e inclui, como bônus, o álbum digital Lesoir Live at Hedon 2025. Formado em 2009, na cidade de Maastricht, o Lesoir construiu uma trajetória sólida dentro da cena progressiva europeia. O grupo ganhou projeção internacional ao excursionar com o Riverside e ampliou seu alcance com os álbuns Mosaic (2019) e Push Back The Horizon (2024), este último produzido por John Cornfield, com produção vocal de Paul Reeve e masterização de Steve Kitch, do The Pineapple Thief. Agora, a banda chega a uma nova fase criativa, apostando em um trabalho que combina maturidade musical e reflexões sobre os desafios contemporâneos.
Grave retorna ao Brasil com formação original para show em São Paulo

O Grave, um dos principais nomes da primeira geração do death metal sueco, voltará ao Brasil no dia 7 de outubro para uma apresentação no Burning House, em São Paulo. O show reunirá Ola Lindgren, Jörgen Sandström, Jens “Jensa” Paulsson e Jonas Torndal, resgatando a formação responsável por consolidar a identidade da banda no início dos anos 1990. A abertura ficará por conta da brasileira Infamous Glory. A apresentação faz parte da turnê latino-americana de 2026, que também passa por Santiago, no Chile, e Cidade do México. Em São Paulo, o repertório será dedicado aos álbuns Into the Grave (1991) e You’ll Never See… (1992), dois discos considerados fundamentais para o desenvolvimento do death metal sueco e que ajudaram a transformar o Grave em uma das maiores referências do gênero. Formado em 1988, após atuar inicialmente sob o nome Corpse, o Grave integrou a geração que colocou a Suécia no mapa do metal extremo ao lado de bandas como Entombed, Dismember e Unleashed. Ao longo da carreira, o grupo lançou 11 álbuns de estúdio e excursionou pelo mundo ao lado de nomes como Death, Cannibal Corpse, Morbid Angel e Bolt Thrower, consolidando sua influência na cena internacional. O reencontro da formação clássica aconteceu em 2025, em Estocolmo, e a resposta positiva do público motivou a ampliação da agenda para 2026, incluindo a aguardada passagem pela América Latina. O show também marca o retorno do Grave ao Brasil após 14 anos, oferecendo aos fãs a oportunidade de assistir à formação responsável por alguns dos capítulos mais importantes da história da banda. Serviço Grave em São PauloData: 7 de outubro de 2026 (quarta-feira)Local: Burning HouseEndereço: Avenida Santa Marina, 247, Água Branca, São Paulo (SP)Banda convidada: Infamous GloryRealização: Caveira Velha Produções e Xaninho Discos
My Dying Bride anuncia seu primeiro show da história em São Paulo em novembro

Treze anos depois de sua única passagem pelo Brasil, o My Dying Bride finalmente fará sua estreia em São Paulo. Um dos principais nomes da história do doom metal britânico se apresenta em 29 de novembro, no Fabrique Club, com Mikko Kotamäki, vocalista do Swallow The Sun, assumindo os vocais. A realização é da Firebird Industries, Matrix Entertainment e Kool Metal Fest. Formado em Bradford, na Inglaterra, em 1990, o My Dying Bride foi fundamental para estabelecer as bases do death-doom britânico. Ao lado de Paradise Lost e Anathema, o grupo integrou a chamada Trindade do Doom Metal, responsável por combinar elementos do death metal com andamentos arrastados, atmosfera gótica, violinos e uma forte carga melancólica. Discos como Turn Loose the Swans (1993) e The Angel and the Dark River (1995) se tornaram referências do gênero e ajudaram a influenciar diferentes gerações dentro do metal. A apresentação no Fabrique Club acontece 13 anos após o show realizado no Teatro Rival, no Rio de Janeiro, até então a única passagem da banda pelo país. O repertório deve percorrer mais de três décadas de carreira, além de apresentar músicas de A Mortal Binding, lançado em 2024 pela Nuclear Blast e atual trabalho de estúdio do My Dying Bride. Produzido por Mark Mynett, A Mortal Binding marcou uma aproximação com o lado mais áspero das origens do grupo. Guitarras densas, ritmos fúnebres e a alternância entre vocais limpos e guturais aparecem em faixas como Her Dominion, Thornwyck Hymn, The 2nd of Three Bells, The Apocalyptist e Crushed Embers, com o violino novamente ocupando posição de destaque nos arranjos. O disco também ganhou um significado especial na trajetória do My Dying Bride por ser o último gravado com Aaron Stainthorpe. Vocalista e um dos fundadores da banda, o músico deixou oficialmente o grupo em outubro de 2025. Para a apresentação em São Paulo, a responsabilidade pelos vocais ficará com Mikko Kotamäki, conhecido pelo trabalho à frente do Swallow The Sun. SERVIÇO My Dying Bride em São Paulo Data: 29 de novembro de 2026 Horário: 17h (abertura da casa) Local: Fabrique Club Endereço: Rua Barra Funda, 1071, bairro Barra Funda, São Paulo/SP Ingresso: ticket.com.vc/evento/my-dying-bride-em-sao-paulo
Entrevista | SOJA – “Paulo Coelho, precisamos fazer uma música juntos, amigo”

O SOJA lança em 31 de julho o aguardado álbum Without Surrender, primeiro trabalho de estúdio do grupo norte-americano desde Beauty in the Silence, vencedor do Grammy de Melhor Álbum de Reggae em 2022. Com 14 faixas, o disco inclui “Time Won’t Wait”, parceria com Di Ferrero, vocalista do NX Zero. Lançada como single em 10 de julho, a música aproxima o reggae melódico da banda do universo do rock e do emo brasileiro, enquanto reflete sobre a velocidade do tempo e a necessidade de aproveitar o presente. Formado em 1997, na região de Washington, D.C., o SOJA construiu uma trajetória marcada pela combinação entre reggae, rock e letras sobre questões sociais, ambientais e espirituais. Liderada pelo vocalista e guitarrista Jacob Hemphill, a banda alcançou projeção internacional com discos como Peace in a Time of War, Born in Babylon, Strength to Survive e Amid the Noise and Haste. O grupo também desenvolveu uma relação especial com o público brasileiro, onde já realizou quase 40 apresentações. No entanto, eles não tocam no país desde outubro de 2022, hiato que chegará a quatro anos em 2026. Em sua terceira entrevista com o Blog N’ Roll, Jacob Hemphill falou com carinho sobre a relação do SOJA com o Brasil e confirmou que a banda pretende retornar ao país para a nova turnê. O vocalista também surpreendeu ao revelar sua paixão por bandas de emo e explicou como o gênero influenciou sua tentativa de tornar o reggae mais acessível a diferentes públicos. Hemphill ainda destacou a importância do poema Desiderata, apresentado a ele por seu pai e responsável por mudar sua maneira de enxergar o mundo, além de inspirar os títulos de diferentes álbuns do SOJA. O que mudou na vida de vocês depois da conquista do Grammy? Esse reconhecimento influenciou a maneira como vocês trabalharam no novo álbum? Não. Acho que a questão de ganhar um Grammy é que, na sua mente, você não ganhou um Grammy. Na música, a cada novo nível que você alcança, pensa: “Caramba, preciso mudar tudo. Agora estou nesse nível”. O segredo é perceber que você não pode mudar absolutamente nada. Já se passaram cinco anos desde Beauty in the Silence. Em que momento você percebeu que era hora de começar a construir um novo álbum? O que mudou no SOJA durante esse período, que também foi marcado pela pandemia? Sinceramente, estou escrevendo o tempo todo. Estava escrevendo hoje de manhã. Para mim, música não é: “Agora vou fazer um novo álbum”. A música simplesmente faz parte do meu dia. Quando gosto muito de uma composição, eu a levo para o SOJA e digo: “Aqui está uma música”. Nunca escrevo com o objetivo de fazer um álbum, um videoclipe, ganhar um Grammy, alcançar determinada quantidade de streams ou visualizações. Eu simplesmente gosto de fazer música. Vocês costumam fazer muitas colaborações nos álbuns. Isso também faz parte de uma estratégia para alcançar novos públicos ou é algo que vocês realmente consideram importante para o processo de composição e para a música? Não fazemos isso por estratégia. A resposta é semelhante à anterior: fazemos o que consideramos melhor para a música. Tenho uma música no novo álbum chamada “Did I Wait Too Long?”. É uma composição triste sobre um homem ou uma mulher que tratava a outra pessoa como algo garantido, porque já estava cansado da relação. Enquanto isso, outra pessoa conseguiu enxergar as qualidades que existiam nela. Quando essa pessoa vai embora, você finalmente percebe todas as qualidades que ela tinha. Começamos a colocar algumas influências de country na faixa porque era uma história triste, sobre perder algo e nunca mais conseguir recuperar. Maoli é um artista que mistura reggae e country. Mandamos a música para ele e perguntamos o que achava. Ele respondeu: “Adorei, já tenho uma ideia”. É assim que o processo normalmente funciona. Quando conseguimos imaginar a voz ou as palavras de alguém em uma música, entramos em contato com essa pessoa. O SOJA possui uma forte conexão com o Brasil e já colaborou com Marcelo Falcão e Natiruts. Agora vocês trabalham com Di Ferrero, artista muito ligado ao emo e ao rock. Como surgiu esse convite e como vocês o conheceram? Não fui eu quem fez o convite. Pat O’Shea, nosso tecladista, escreveu a música. Então foram Pat e nosso empresário, Elliott, que conversaram diretamente com o Di. Mas fiquei muito animado porque cresci ouvindo muito emo. Posso até mostrar alguns discos para você. Faça a próxima pergunta que estou te ouvindo, vou separar alguns discos. Nesse momento, Jacob mostra cerca de dez discos em vinil, incluindo Bleed America do Jimmy Eat World, From Under the Cork Tree do Fall Out Boy e o álbum homônimo do Portishead. “Time Won’t Wait” fala sobre como o tempo passa rapidamente. Por coincidência, o último álbum de Di Ferrero também aborda o tempo, mais especificamente os ciclos que as pessoas atravessam a cada sete anos. Vocês sabiam dessa conexão? Acho que foi uma coincidência muito feliz, mas não existia uma conexão planejada. Eu ouço muita música. O emo teve um papel muito importante na maneira como passei a enxergar o reggae, porque aquelas bandas pegaram o punk e o transformaram em algo que poderia chegar às massas. Era isso que eu tentava fazer com o reggae desde o começo: torná-lo mais acessível, para que a mensagem pudesse alcançar mais pessoas. A mensagem do reggae realmente mudou minha vida. Acho que estou apenas tentando levá-la para mais pessoas. O título Without Surrender é uma nova referência ao poema Desiderata, especialmente ao trecho “as far as possible, without surrender”? Sim, com certeza. É o que uso para nomear todos os discos. Era algo que eu compartilhava com meu pai. Foi ele quem me ensinou a tocar e a escrever músicas. Quando fiquei bom o suficiente, ele começou a procurar professores para mim, tanto de guitarra quanto de escrita. Desiderata era um poema que eu e meu pai compartilhávamos o tempo todo. Por isso, passei a usar versos do poema
Entrevista | Moyses dos Santos – “A estrada ensina coisas que nenhuma escola consegue ensinar”

Depois de duas décadas construindo uma sólida carreira em Londres ao lado de artistas como Nile Rodgers, Janelle Monáe, Gregory Porter, Omar e Emeli Sandé, o baixista brasileiro Moyses dos Santos inicia um novo capítulo com Maria, seu primeiro álbum solo. Inspirado pelas lembranças da infância e pela influência da mãe, que dá nome ao disco, o músico reúne maracatu, baião, samba, frevo, jazz, soul, funk e disco em um trabalho que conecta suas raízes nordestinas à cena contemporânea do jazz britânico. O álbum ainda conta com participações de nomes de peso, como Arthur Verocai, Theo Croker e Lynda Dawn, e nasceu após uma reconexão do músico com a cultura brasileira durante uma turnê ao lado do Azymuth e do baterista Ivan “Mamão” Conti. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Moyses dos Santos fala sobre esse reencontro com a música brasileira, os bastidores da criação de Maria e a experiência de construir uma carreira internacional sem perder a identidade brasileira. Você comentou que a turnê com o Azymuth fez você se reconectar com a música brasileira. O que aconteceu durante essa experiência para despertar esse sentimento? Foi uma experiência muito grande. Depois de quase 20 anos morando em Londres, tocando com muita gente daqui e também nos Estados Unidos, entre Londres, Los Angeles e Nova York, a música americana acabou tendo uma influência muito forte na minha vida. Em alguns momentos, a gente acaba deixando um pouco de lado de onde veio. Sempre faço questão de dizer que o Brasil é um país impressionante musicalmente. A cultura, as pessoas, os ritmos… tudo isso faz parte de quem eu sou. Estava faltando alguma coisa e conhecer o Mamão foi muito importante nesse processo. Durante cerca de dois meses e meio de turnê, ele sempre dizia: “Você é brasileiro, não pode esquecer disso”. Não que eu tivesse esquecido, mas ele foi uma influência enorme. As histórias que contava e as conversas sobre os ritmos brasileiros me fizeram lembrar de tudo o que minha mãe me ensinava sobre partido alto, maracatu e tantos outros estilos. A turnê com o Azymuth abriu essa porta para eu voltar às minhas origens e entender novamente quem eu sou musicalmente. E em que momento você decidiu que esse álbum precisava existir? Foi logo depois da turnê. Conversei com a gravadora e falei que queria fazer um disco que unisse o lado brasileiro com a cena do jazz britânico. Eu sentia que finalmente estava preparado para apresentar esse trabalho ao mundo. Em uma jam session em São Paulo toquei uma música minha e pensei: “Esse álbum vai se chamar Maria“, que é o nome da minha mãe. A partir dali decidi que faria um disco totalmente conectado às minhas raízes brasileiras, porque esse é o lugar de onde eu vim. Acho muito bonito quando uma pessoa consegue voltar às próprias origens. Às vezes a gente esquece o quanto a música brasileira é respeitada no mundo. Quando toquei nessa jam e senti a reação das pessoas, tive certeza de que esse álbum precisava existir. Durante o processo de composição, teve algum ritmo brasileiro que você redescobriu? O baião foi um deles, mas principalmente o partido alto. Como comecei tocando na igreja desde criança, o partido alto ainda era algo relativamente novo para mim. Toda vez que eu tentava tocar, errava alguma coisa. O Mamão sempre me explicava como funcionava. Além da parte musical, tinham as histórias que ele contava sobre encontros com Fela Kuti, Jaco Pastorius e tantos outros músicos. O próprio Félix Pastorius, filho do Jaco e amigo meu, sempre fala que o brasileiro tem melodia. Acho que precisamos olhar mais para a nossa própria música. Ela é realmente incrível. Você foi para a Inglaterra para estudar, mas acabou largando tudo pela estrada. O que a estrada ensinou que nenhuma escola poderia ensinar? Boa pergunta! Acho que a música é uma língua universal. Estudar, aprender teoria e ler partitura é importante, mas a estrada ensina coisas que nenhuma escola consegue ensinar. Tocar todos os dias, conhecer repertórios diferentes, passar por estilos como jazz, soul, música brasileira. Isso forma qualquer músico. Foi por isso que saí da faculdade. Quatro anos depois eu estava tocando com alguns dos meus próprios professores. Eles falavam: “Você aprendeu o groove na rua. Continua assim”. E a lenda Arthur Verocai participa do álbum. Como surgiu esse convite? E eu inda não conheci o Arthur pessoalmente, acredita? Mas espero que isso aconteça em breve. Quem fez essa ponte foi a afilhada dele, com quem trabalhei. Eu falei que existia uma música em que seria um sonho ter a participação dele. Nem sabia se ele aceitaria, porque o álbum ainda nem tinha sido lançado. Quando mandei a música, ele gostou e gravou os arranjos de cordas no Rio de Janeiro com uma orquestra. Quando recebi aquilo, pensei: “Agora essa música está pronta”. Foi um momento inesquecível. Sou muito grato por ele ter aceitado participar. O disco reúne músicos de diferentes partes do mundo. Como funciona esse processo de colaboração? Muitas vezes começa com uma ideia muito clara na minha cabeça. Na música Brazilian Spirit, por exemplo, eu já imaginava o Theo Croker tocando. Gravamos primeiro um trombonista fazendo uma referência ao solo que eu imaginava para o trompete. Depois mandei para o Theo.Ele ouviu, entrou no estúdio e gravou praticamente tudo em um take. Depois voltou apenas para trocar uma única nota. Às vezes você precisa confiar na sua intuição. Nem sempre dá certo, mas, quando dá, é mágico. Você sempre foi do time dos amplificadores. Continua assim? Até duas semanas atrás, sim. Um amigo que trabalha comigo falou que eu precisava experimentar alguns pedais e montou um setup para mim. Ainda estou aprendendo, vamos ver. O baixo aparece bastante no álbum, mas nunca tenta roubar a cena. Isso foi pensado desde o início? Porque é um álbum de baixista sem que você assuma o protagonismo em prol da música. Sim. Eu sempre começo compondo a partir de uma linha de baixo. Foi assim com