Poppy consolida fase pesada no novo álbum Empty Hands

Poppy chega ao seu novo álbum, Empty Hands, no momento mais sólido de sua trajetória. Depois de transitar por pop, experimentalismo e diferentes abordagens do rock pesado, a artista finalmente parece ter encontrado seu verdadeiro som. A cantora, que se apresentou recentemente no Brasil tanto solo quanto como abertura para o Linkin Park, apresenta uma fusão consistente de metalcore com metal moderno, sustentada por riffs pesados, produção densa e vocais que alternam com naturalidade entre melodias acessíveis e screams agressivos. É um disco que soa seguro, confiante e alinhado com a identidade que Poppy vinha construindo nos últimos lançamentos. Empty Hands reforça essa evolução ao apostar em uma sonoridade direta, menos fragmentada e mais coesa. As músicas caminham entre explosões agressivas e momentos de respiro melódico sem perder intensidade, mostrando uma artista confortável dentro do peso. A produção ajuda a dar unidade ao álbum, valorizando tanto a força das guitarras quanto a performance vocal, que segue sendo um dos grandes diferenciais do trabalho. Poppy não apenas canta, ela conduz o disco com personalidade e controle emocional. Ainda assim, o álbum não escapa de algumas limitações. Em determinados momentos, a estrutura das músicas se apoia em fórmulas já bastante conhecidas do metalcore atual, o que pode gerar uma sensação de previsibilidade. O peso é eficiente, os refrães funcionam, mas nem sempre há espaço para riscos maiores ou surpresas que levem o disco além do que já se espera do gênero. A produção polida demais em alguns trechos também tira parte da aspereza que poderia tornar certas faixas mais marcantes. Mesmo com essas ressalvas, Empty Hands cumpre um papel decisivo na discografia de Poppy. O álbum não busca reinventar o metal moderno, mas confirma que a artista encontrou um território onde sua voz, sua estética e sua intensidade emocional fazem sentido. Mais do que chocar ou dividir por contraste de estilos, Poppy entrega um trabalho que consolida sua fase mais pesada e estabelece, de vez, sua identidade dentro do metal contemporâneo.

The Adicts anuncia último show no Brasil para março

O The Adicts confirmou um show de despedida em São Paulo no dia 18 de março de 2026, no Carioca Club. A apresentação integra a Adios Amigos Tour, que marca o encerramento da trajetória de quase 50 anos de uma das bandas mais emblemáticas do punk rock britânico. A turnê passa pela América Latina como um adeus oficial aos palcos, reunindo fãs de diferentes gerações. Formada no fim dos anos 1970, a banda ganhou destaque não apenas pela sonoridade direta e energética, mas também pela identidade visual inspirada no filme Laranja Mecânica. Ao longo das décadas, o The Adicts se consolidou como um nome cult dentro do punk, mantendo relevância mesmo após mudanças no cenário musical e no próprio gênero. O show em São Paulo deve reunir um repertório focado nos principais clássicos da carreira, como Viva la Revolution, Bad Boy, Chinese Takeaway e Johnny Was A Soldier, músicas que ajudaram a construir a reputação da banda ao redor do mundo. A performance do vocalista Keith Monkey Warren segue como um dos pontos altos das apresentações, marcada pelo carisma, interação com o público e clima festivo no palco. A última passagem do The Adicts pelo Brasil aconteceu em 2019, com shows bem recebidos pelo público. Agora, a despedida em 2026 ganha contornos históricos, não apenas pelo peso do nome da banda, mas também pelo simbolismo de encerrar uma carreira longeva em um país que sempre demonstrou forte conexão com o punk rock internacional. Foto da capa: Flávio Santiago SERVIÇO | The Adicts em São Paulo Data: 18 de março de 2026 (quarta-feira) Horário: 19h (abertura da casa) Local: Carioca Club (Rua Cardeal Arcoverde, 2899, Pinheiros – São Paulo/SP) Ingresso: https://fastix.com.br/events/the-adicts-em-sao-paulo

Nine Lives resgata a energia do Goldfinger, mas capa vira alvo de protestos

Com mais de três décadas de carreira, o Goldfinger retorna ao centro do debate com Nine Lives, seu nono álbum de estúdio. Lançado hoje (23), o disco funciona como uma tentativa clara de reconectar a banda com a energia que a transformou em um dos nomes mais populares do ska punk nos anos 1990, sem ignorar o cenário atual e suas contradições. Nine Lives aposta em músicas diretas, refrões fáceis e um clima que alterna entre a leveza pop punk e momentos mais reflexivos. Faixas como Chasing Amy recuperam o espírito radiofônico que sempre foi uma das marcas do grupo, enquanto outras músicas trazem letras mais pessoais e maduras, refletindo o tempo e a experiência acumulada pelos integrantes. A presença de convidados conhecidos ajuda a dar variedade ao álbum. Destaque para nomes como El Hefe (NOFX), Mark Hopus (Blink-182) e Jim Lindberg (Pennywise). Porém as collabs não tiram o foco da identidade central do Goldfinger. Musicalmente, o disco não busca reinventar o gênero. Pelo contrário, Nine Lives soa confortável em sua própria fórmula, apostando na nostalgia como principal motor criativo. Para parte do público, isso funciona como um retorno bem-vindo às origens e, de certo modo, irá agradar por isso. Porém, para os mais críticos, o álbum carece de ousadia e soa excessivamente seguro, reforçando a sensação de que a banda prefere olhar para trás em vez de avançar. Polêmica na capa de Nine Lives, do Goldfinger Um ponto negativo está na capa. Logo após o lançamento, fãs passaram a acusar o Goldfinger de ter utilizado inteligência artificial na criação da arte. A suspeita ganhou força nas redes sociais e em fóruns, com protestos online de ouvintes que consideraram o possível uso de IA incompatível com a ética e a estética do punk, tradicionalmente associadas ao faça você mesmo e à autoria humana. A polêmica acabou se tornando parte da narrativa de Nine Lives, ampliando o debate para além das canções. Mesmo sem ofuscar completamente o conteúdo musical, o episódio evidenciou como questões tecnológicas e artísticas hoje caminham lado a lado, especialmente em bandas com um público fiel e atento a cada detalhe. No fim, Nine Lives não é um disco revolucionário, mas cumpre seu papel ao reafirmar que o Goldfinger ainda sabe escrever boas músicas e manter relevância em um cenário que mudou drasticamente desde seus primeiros passos. Entre acertos, controvérsias e nostalgia, o álbum confirma que, em 2026, o Goldfinger continua vivo no debate cultural, para o bem ou para o mal.

Harvey lança Ecos do Silêncio e amplia presença na cena independente

A banda Harvey, de Botucatu, interior de São Paulo, lançou hoje (23) o álbum Ecos do Silêncio, trabalho que marca uma nova fase criativa do grupo dentro do rock alternativo nacional. O disco reúne composições escritas ao longo de anos e transforma experiências pessoais, sentimentos atravessados e silêncios cotidianos em canções de forte carga emocional. Disponível nas plataformas digitais, Ecos do Silêncio parte de temas como amadurecimento, deslocamento emocional, escolhas e a necessidade de seguir em frente quando permanecer deixa de fazer sentido. As letras adotam uma abordagem aberta à interpretação, convidando o ouvinte a encontrar seus próprios significados a partir das vivências apresentadas pela banda. Musicalmente, a Harvey dialoga com o rock alternativo contemporâneo, combinando peso, melodia e introspecção. As influências passam por nomes do rock brasileiro como Charlie Brown Jr., CPM 22 e Scalene, além de referências internacionais como Foo Fighters, Red Hot Chili Peppers e Silverchair. O álbum foi lançado pela gravadora independente Yellowtone Music e gravado nos estúdios da Midas Music, selo fundado por Rick Bonadio e responsável por projetos marcantes do rock nacional. Entre os destaques do trabalho estão os singles Janela do Quarto, que aborda isolamento e observação interna, e Outro Caminho, faixa que trata do desgaste de insistir em situações que já não fazem sentido. Formada por Renan Piovan no vocal e guitarra, Pablo Oliveira na guitarra e backing vocal, Gustavo Tija no baixo e Eduardo Rossi na bateria e backing vocal, a Harvey segue ampliando sua presença no circuito independente, apostando em shows que priorizam conexão e entrega ao público. Ouça Ecos do Silêncio, do Harvey

Falchi lança EP de estreia Solace e apresenta nova fase instrumental de Jéssica Falchi

Lançado hoje nas plataformas digitais, Solace marca a estreia oficial da Falchi, banda instrumental idealizada pela guitarrista brasileira Jéssica Falchi. Com quatro faixas, o EP apresenta um trabalho que prioriza construção narrativa, identidade sonora e interação coletiva, afastando-se da lógica da exibição técnica isolada comum ao metal instrumental. Concebido como um registro coeso, Solace articula peso, experimentação e variação de atmosferas ao longo de suas faixas, transitando entre o rock e o metal contemporâneo com forte presença de elementos progressivos. O Blog N’ Roll conversou com a Jéssica Falchi antes do lançamento: “Nunca pensei nessas músicas como faixas soltas. A ideia sempre foi criar um conjunto que tivesse começo, meio e fim, com uma narrativa clara”, explica a guitarrista. A Falchi é formada por Jéssica Falchi na guitarra, João Pedro Castro no baixo e Luigi Paraventi na bateria. O EP tem produção de Jean Patton, ex-Project46, nome conhecido da música pesada nacional. O resultado é um trabalho que valoriza dinâmica, textura e arranjos, com espaço para experimentação de timbres e mudanças rítmicas que reforçam a identidade da banda. Entre as quatro faixas, a inédita Sweetchasm, Pt. 1 se destaca como o momento mais técnico e progressivo do EP. A música conta com a participação especial do guitarrista canadense Aaron Marshall, do Intervals, considerado uma das principais referências do metal instrumental contemporâneo. “A participação do Aaron aconteceu de forma muito natural. Ele trouxe a identidade dele sem descaracterizar a música, somando à ideia que eu já tinha para a faixa”, comenta Jéssica. Sweetchasm, Pt. 1 dialoga diretamente com Sweetchasm, Pt. 2, lançada anteriormente. As duas composições funcionam como movimentos complementares, compartilhando riffs e ideias melódicas reinterpretadas sob diferentes abordagens. Essa conexão reforça o pensamento estrutural que atravessa todo o EP, evidenciando a preocupação com continuidade e desenvolvimento musical. As demais faixas exploram diferentes facetas da proposta da Falchi. Moonlace aposta em uma abordagem mais direta e moderna, com apelo melódico e momentos de peso bem definidos. “É a música mais acessível do EP, flerta com um público que gosta de bandas mais atuais, mas sem perder identidade”, define Jéssica. Já Sunflare segue por um caminho mais introspectivo e contemplativo, com uma linha melódica contínua que conduz a narrativa instrumental. “Eu penso essa música quase como uma história sendo contada do começo ao fim, sem interrupções”, afirma a guitarrista. Sweetchasm, Pt. 2, por sua vez, resgata uma linguagem mais próxima do thrash metal, com estrutura que remete a canções com vocal, riffs marcantes e um solo pontual, dialogando com trabalhos anteriores de Jéssica. Além da música, Solace também apresenta um conceito visual bem definido. A identidade do EP é assinada por Lauren Zatsvar, com artes que dialogam diretamente com a sonoridade e o clima de cada faixa. O lançamento do EP coincide com a presença de Jéssica Falchi na NAMM 2026, nos Estados Unidos, principal feira global da indústria musical, onde a guitarrista participa de sessões de autógrafos e ações oficiais do evento. No Brasil, 2026 também marca a estreia da Falchi nos palcos. No dia 21 de março, a banda abre o show dos suecos do Katatonia, em São Paulo, no Cine Joia. Com Solace, a Falchi se apresenta como um novo projeto que amplia o vocabulário do metal instrumental brasileiro, apostando menos na demonstração técnica isolada e mais em identidade, narrativa e construção coletiva.

Megadeth fecha o ciclo de sua discografia e inclui música do Metallica

O último álbum do Megadeth deixa uma sensação ambígua. Há momentos em que Dave Mustaine e companhia soam afiados, conscientes do próprio legado e tecnicamente seguros. Em outros, a banda parece confortável demais em repetir fórmulas que ajudou a criar, mas que já não surpreendem como antes. O disco funciona mais como um fechamento de ciclo do que como uma obra disposta a ampliar fronteiras. A turnê de despedida passará pelo Brasil dia 2 de maio com ingressos esgotados. As faixas mais rápidas reforçam a identidade clássica do grupo, com riffs cortantes e andamento agressivo que remetem ao thrash metal tradicional. A atual formação mostra entrosamento, especialmente nas guitarras. Os fãs estavam curiosos após a saída de Kiko Loureiro, porém Teemu Mäntysaari, indicado pelo próprio brasileiro, ajuda a sustentar boa parte da energia do álbum. Ainda assim, a inspiração não se mantém constante. Em alguns momentos, as músicas soam previsíveis, com estruturas e soluções que dão a impressão de piloto automático ou de quem não preferiu arriscar. Polêmico “cover” do Metallica Curiosamente, o momento mais comentado do disco não está nas faixas autorais. O “cover” de Ride the Lightning, do Metallica, acabou se tornando o centro das atenções por motivos que vão além da música. Por conta da rivalidade histórica entre as duas bandas, fãs do Metallica passaram a ocupar fóruns e redes sociais para atacar a versão, classificando a gravação como vergonhosa, desnecessária e até desrespeitosa. A reação escancara como a relação entre Megadeth e Metallica segue viva no imaginário do metal, mesmo décadas depois da separação de Mustaine. O que poderia ser visto como um aceno ao passado virou combustível para debates inflamados, com críticas direcionadas à interpretação vocal, à produção e à própria escolha da faixa. Em entrevistas recentes, Mustaine afirmou que a música não é um cover, já que ele é co-autor, e rasgou elogios a James Hetfield como um guitarrista fantástico. Ele reforça ainda que gostaria de uma turnê unindo as duas bandas e selando a paz. No fim, o álbum entrega exatamente o que se espera de um Megadeth em fim de estrada: competência, identidade e peso, mas também limitações criativas evidentes. Não é um encerramento grandioso, tampouco um tropeço. É um disco que resume a banda como ela sempre foi, com seus méritos e suas repetições. Tem força suficiente para agradar fãs antigos, mas dificilmente será lembrado como um capítulo essencial da discografia.

Dead Fish faz show de 25 anos do Afasia neste sábado em São Paulo

O Dead Fish sobe ao palco da Audio, em São Paulo, neste sábado, 24 de janeiro, para um show especial que celebra os 25 anos de Afasia, um dos álbuns mais importantes da história do hardcore brasileiro. Anunciada em novembro, a apresentação terá repertório dedicado ao disco lançado em 2001, responsável por consolidar a banda capixaba no cenário nacional com músicas como Tango e Noite. A noite também contará com shows da Budang e da Bullet Bane, representantes da nova geração do punk e do hardcore nacional, que se apresentam antes do Dead Fish. O encontro entre diferentes momentos da cena reforça a influência duradoura de Afasia, disco que segue como referência para bandas que surgiram décadas depois de seu lançamento. Lançado há 25 anos, Afasia marcou uma virada na trajetória do Dead Fish ao ampliar o alcance da banda para além do circuito underground, sem perder o caráter político e direto que sempre definiu sua obra. O álbum se tornou um dos registros mais celebrados do hardcore brasileiro e permanece atual tanto pelas letras quanto pela intensidade das composições. O show na Audio celebra esse legado e reafirma o papel do Dead Fish como um dos nomes centrais do hardcore nacional, reunindo fãs de diferentes gerações em uma data simbólica para a história da banda e do gênero.

Deviloof traz o metal extremo do Japão ao Porão do Rock

O DEVILOOF está de volta ao Brasil. Após uma passagem pelo Jai Club (São Paulo) em 2024, a banda será uma das atrações do Porão do Rock em Brasília no dia 22 de maio, com um sideshow no La Iglesia, também em São Paulo, dois dias depois. Formado em Osaka em 2015, o DEVILOOF se consolidou rapidamente como um dos nomes mais extremos e comentados da cena pesada japonesa contemporânea. A banda ganhou notoriedade por levar o visual kei (movimento japonês que une rock/metal a uma estética visual teatral e marcante) a um território pouco explorado, combinando deathcore, brutal death metal, metalcore e elementos do black metal em uma proposta sonora marcada pela agressividade e pelo impacto visual. Desde o lançamento do primeiro single, Ruin, em 2015, o grupo passou a chamar atenção no circuito independente japonês. O material de estreia alcançou a 12ª posição nas paradas independentes do país, um feito significativo para uma banda com sonoridade tão radical. A repercussão abriu caminho para convites em festivais maiores e levou o DEVILOOF a representar o Japão no Metal Battle Global, competição que resultou em uma apresentação no Wacken Open Air, um dos festivais mais importantes do metal mundial. A discografia da banda inclui os álbuns Devil’s Proof, de 2017, Oni, lançado em 2019, e Dystopia, de 2021. Este último marcou um salto na projeção internacional do grupo, figurando em rankings de metal em diversos países e ampliando o alcance do DEVILOOF para além do público japonês. O reconhecimento fora da Ásia foi impulsionado tanto pela produção sonora extrema quanto pela construção visual da banda, que se tornou um de seus principais diferenciais. Segundo dados do Spotify, das cinco cidades que mais ouvem a banda, três ficam na América Latina (Cidade do México, Santiago e São Paulo) e uma na Europa (Londres). No palco, o DEVILOOF é conhecido por apresentações de alta intensidade, com vocais guturais extremos, riffs técnicos e uma performance física agressiva. Essa combinação transformou faixas como Devil’s Proof, Damnation e Newspeak em referências do metal japonês moderno. Vídeos oficiais e registros ao vivo viralizaram em plataformas como YouTube e TikTok, ajudando a consolidar uma base de fãs global. Nos últimos anos, a banda intensificou sua atuação fora do Japão, participando de turnês e festivais internacionais. Em 2024, realizou sua primeira passagem pela América do Sul, com shows bem recebidos pelo público brasileiro. O retorno ao país acontece em meio à Inherited Blasphemy Tour, fase que reafirma o DEVILOOF como um dos principais representantes do metal extremo japonês na atualidade. A sua primeira apresentação em festival no Brasil simboliza mais um passo na expansão internacional do grupo e reforça o interesse crescente do público ocidental por propostas extremas vindas do Japão, colocando o DEVILOOF no centro desse intercâmbio entre cenas distintas, mas conectadas pela busca por experiências sonoras cada vez mais intensas.

Entrevista | Jéssica Falchi – “Subir ao palco com o Tool me deu a certeza de que tocar guitarra é o que eu quero fazer da vida”

A guitarrista Jéssica Falchi vive um momento de afirmação artística com o lançamento de seu primeiro EP instrumental, que marca uma nova fase da carreira após anos de estrada em bandas e projetos de destaque no metal. Conhecida pela técnica apurada e pela versatilidade, ela apresenta um trabalho autoral que transita entre o metal moderno, o progressivo e influências clássicas do rock instrumental, apostando em atmosferas diversas e identidade própria. Mas, apesar de usar seu sobrenome no projeto, ela deixa bem claro: “Nós somos uma banda”. O EP reúne quatro faixas que refletem diferentes facetas da guitarrista, incluindo uma participação especial de Aaron Marshall, da banda canadense Intervals, uma das maiores referências do metal instrumental. O lançamento também impulsiona uma nova etapa nos palcos, com shows já realizados e outros confirmados, além de ações internacionais, como a presença no NAMM Show, nos Estados Unidos. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Jéssica Falchi fala sobre o nascimento do projeto solo, os desafios da música instrumental e momentos marcantes da carreira, como o convite para tocar com o Tool e os perrengues da estrada. Seu projeto solo, com o lançamento do EP, marca uma nova fase. O que motivou a decisão de seguir esse caminho? Nunca foi minha intenção ter algo solo. Tanto que o projeto leva só o meu sobrenome, não é “Jéssica Falchi”, porque pensei que as pessoas que não me conhecem poderiam entender como o nome de uma banda, e não associar diretamente a uma pessoa. No começo do ano passado, eu fui convidada para participar de um podcast da MG, que é um dos meus patrocinadores, e achei que seria interessante levar uma música instrumental. Só que eu não tinha nada pronto, apenas uma demo com algumas ideias. Comentei isso com o Jean Patton, e ele sugeriu que produzisse a música comigo. Quando a gente se reuniu para finalizar a composição, a nossa vibe bateu muito. Foi algo muito natural. Quando a música ficou pronta, a gente simplesmente continuou compondo. No fim, nem cheguei a ir ao podcast, porque voltei para tocar no Lollapalooza, mas acabei lançando um EP inteiro. Foi um processo muito orgânico. Não era algo que eu almejava desde sempre. A experiência de compor, pensar no conceito e chamar amigos para participar foi tão legal que pensei em lançar tudo da melhor forma possível. E por que sustentar o trabalho instrumental, em vez de uma banda “tradicional”? Quando comecei a tocar guitarra, cresci tocando música instrumental. Meu professor tinha uma banda cover de Joe Satriani e sempre me passava esse tipo de repertório. Depois descobri esse universo mais a fundo e virei consumidora do gênero. Steve Vai, Liquid Tension (projeto com membros do Dream Theater) Experiment, Intervals, Plini, Night Verses são coisas que eu escuto muito. Então faz total sentido ser instrumental, porque é algo que eu realmente consumo e gosto de ouvir. Agora com o EP lançado, quais são as principais expectativas? Quero continuar compondo, agora com a banda completa. No começo era só eu e o Jean, mas hoje tenho músicos incríveis comigo. O Luigi, o João Pedro, com quem já toquei anos atrás, e o Guilherme, guitarrista do Mystifier. A ideia é trazer eles cada vez mais para perto, porque isso traz novas influências e ideias. Também queremos tocar bastante. Já temos um show anunciado com o Katatonia e outras coisas fechadas que ainda não foram divulgadas. No ano passado tocamos no Amplifica Fest, do Rafael Bittencourt, e ali tive a certeza de que a vibe bateu muito. Tocar ao vivo é completamente diferente de só lançar música. A gente gosta dessa energia de palco e até dos perrengues, porque tocar também é isso. Falando em perrengue, como foi passar por um furacão nos Estados Unidos? Foi péssimo. Uma experiência muito estranha. Você nunca imagina que algo assim vai acontecer. O trailer da banda foi destruído, mas ninguém se machucou. Mesmo assim, a turnê não parou, porque o prejuízo financeiro seria enorme. Como todo mundo estava bem, seguimos em frente. Foi terrível, mas também mostrou o quanto a estrada exige resiliência. Com um EP de quatro faixas, como funciona o repertório ao vivo? Geralmente o tempo de set é curto, cerca de meia hora. Minha vontade é não tocar covers, quero tocar o EP inteiro, o que dá mais ou menos 20 minutos. Existe uma música nova em forma de demo que talvez entre no repertório, olha, em primeira mão, viu? Mas isso ainda está sendo decidido. E qual sua expectativa do público brasileiro a um show instrumental? Era um receio real, porque não temos tantas bandas instrumentais de metal no Brasil. Mas fui surpreendida positivamente. As pessoas abraçaram a ideia e estão apoiando bastante. Muita gente brinca dizendo “solta um vocal”, mas, no geral, a recepção foi muito boa. Acho que é mais uma questão de costume. Lá fora, bandas instrumentais fazem turnês e festivais o tempo todo. Aqui o metal já é um gênero mais de nicho, e o instrumental é ainda mais específico. Como está sendo o planejamento e estratégia de divulgação do EP, especialmente no exterior com a participação no NAMM? Lanço o EP no dia 23 e no dia 24 tenho uma sessão de autógrafos na Richter, que é a marca de correias que me patrocina. Vou fazer um meet and greet no estande deles no NAMM Show mesmo. Vou levar CDs físicos, algo que me deixa muito feliz, porque sempre quis ver esse trabalho materializado. Queria muito fazer um vinil de 10 polegadas, mas ainda estou procurando uma empresa que viabilize isso. Por enquanto, fica no CD mesmo. Quatro músicas, quatro filhos, né? Existe um filho favorito nesse EP? É muito difícil escolher, porque todas são muito diferentes entre si. “Moonlace” tem uma pegada mais moderna, flertando com bandas como Vola. A segunda faixa é mais progressiva, com influência de Pink Floyd. A terceira é mais thrash. E a próxima, com a participação do Aaron Marshall, é completamente diferente de todas. Cada música representa uma