Jão consolida maturidade artística e lança o quinto álbum da carreira, Memórias Póstumas

Jão consolida maturidade artística e lança o quinto álbum da carreira, Memórias Póstumas

Próximo de completar dez anos de carreira desde o lançamento do single Dança Pra Mim, o cantor e compositor Jão lançou seu quinto álbum de estúdio, intitulado Memórias Póstumas. O trabalho chega às plataformas digitais consolidando o artista em um patamar de destaque no pop adulto nacional, unindo estética literária, confissões profundas e arranjos detalhistas.

Inspirado por um período de recolhimento da vida pública e de interrupção de shows, o disco carrega o luto pela perda do pai do artista, figura central que ecoa em faixas como Catedral — responsável por abrir o repertório com reflexões sobre a morte. “É algo que ainda não processei e acho difícil que aconteça, porque meu pai ainda é muito presente”, reflete Jão, que também incorporou áudios reais de familiares e amigos capturados ao final de sua última turnê.

Superando o ciclo conceitual baseado nos quatro elementos (terra, ar, água e fogo) que marcou seus projetos anteriores, o novo material aposta em uma narrativa não linear descrita pelo próprio autor como “uma história com começo, mas sem fim”. O título evoca diretamente o clássico Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, ecoando na faixa gótico-romântica que encerra o disco (“tente não ser o primeiro a roer as frias carnes do meu corpo passageiro”). O processo criativo fértil resultou em 68 composições iniciais, rigorosamente filtradas até chegarem às 14 faixas finais.

Processo de produção e parcerias em Memórias Póstumas

Assinando a produção de todas as faixas, Jão divide a maior parte dos arranjos com Zebu (Guilherme Santos Pereira), parceiro de longa data desde o disco Pirata, além de colaborações com Janluska e Gabriel Duarte em Catedral e Eu Sempre Volto. O projeto também abre espaço para importantes nomes da música brasileira: na faixa épica O Amor, o trio trabalhou ao lado do veterano produtor Marco Mazzola (conhecido por trabalhos com Raul Seixas e Rita Lee), incorporando o violão de cordas de aço de Rick Ferreira e o baixo de Paulo César Barros (Renato & Seus Blue Caps).

Entre as composições, 13 levam a assinatura de Jão, a maioria em parceria com Pedro Tófani, seu namorado e diretor criativo. A exceção é a faixa João, escrita inteiramente por Tófani, que aborda idas e vindas de um relacionamento e contempla reflexões sobre paternidade e futuro.

Sonoramente, o álbum aposta em toques barrocos e orgânicos, destacando-se pelo uso de flautas tocadas por Audryn Souza e pelos arranjos de cordas e baixo executados por Érica Silva. Referências musicais como Memórias Crônicas e Declarações de Amor, de Marisa Monte, o MTV Acústico do Kid Abelha e o emblemático Ray of Light, de Madonna, guiaram a atmosfera de um disco que equilibra confissão, espiritualidade e rigor estético.