Toda segunda-feira, ao meio-dia, Renan Barbosa publica uma nova interpretação acústica em suas redes sociais. Batizado de “Segunda Sonora”, o projeto começou em novembro de 2025 como uma resposta do cantor e compositor paraibano a uma questão comum aos artistas independentes: como manter presença constante nas redes sociais sem transformar a própria rotina em conteúdo?
A solução encontrada foi voltar ao próprio ofício. Em vez de vídeos sobre o cotidiano ou conteúdos guiados pelas tendências do momento, Renan decidiu cantar. Ao lado do diretor musical e violonista Kaneo Ramos, parceiro de trabalho há mais de uma década, grava semanalmente uma música ao vivo, sem revelar antecipadamente qual será a escolha. Os registros são realizados pela equipe da Rosa de Todos os Ventos.
Apesar de produzidos em estúdio, os vídeos procuram preservar características de uma apresentação ao vivo. Renan e Kaneo optaram por não perseguir uma execução excessivamente corrigida, privilegiando a interpretação e as emoções do momento. “O resultado são registros mais próximos do ouvinte, em que voz, sentimento e canção ocupam o centro da experiência”, explica Kaneo.
O repertório ajuda a mostrar a amplitude da proposta. O “Segunda Sonora” já passou por “Anos Dourados”, de Tom Jobim e Chico Buarque, e “Alvejante”, de Céu Maia, além de composições autorais e músicas escritas especialmente para a voz de Renan. Em junho, o violão deu lugar à sanfona de Cleber Silveira em uma sequência dedicada ao forró. Para outubro, estão previstas gravações em formato de voz e baixo acústico.
A variedade acompanha a própria trajetória do cantor. Nascido em Campina Grande, Renan tem no forró e na música nordestina algumas de suas principais referências, mas sua formação passa também pelo samba, pela MPB, pelas baladas e pelo pop rock. Entre suas influências estão nomes como Maria Bethânia, Elba Ramalho, Elis Regina, Ney Matogrosso, Cássia Eller, Alcione, Simone e Nana Caymmi.
O projeto também recupera uma característica presente desde o início de sua carreira: a interpretação como ponto central. Renan estreou nos palcos em 1988 e, desde então, passou por SESCs, centros culturais e teatros. Em sua discografia estão o álbum “A Voz do Agora” (2014), os EPs “Não sou melhor do que tu” (2019), “Humano, demasiado insano” (2021) e “Canto do Homem de Um Lugar” (2025), além de trabalhos dedicados a diferentes vertentes da música brasileira.
A resposta do público fez o “Segunda Sonora” ultrapassar as redes sociais. Os vídeos passaram a receber relatos de ouvintes que associam as interpretações a sensações de acolhimento e tranquilidade, enquanto o formato também ganhou uma versão para os palcos, apresentada pela primeira vez em Campina Grande.
Em novembro, o projeto completa um ano de publicações semanais. Para Renan, mais do que números ou a necessidade de alimentar algoritmos, a continuidade está ligada à possibilidade de usar as redes para aquilo que motivou sua trajetória desde o início. “Cantar é o que me move. […] Se a minha voz está trazendo algo de bom às pessoas, isso é a minha definição de sucesso”, resume.