“Sonora Fantasma te ama”, segundo álbum da Sonora Fantasma, chega com oito faixas que atravessam luto, despedidas, relações humanas e a busca por pertencimento. Idealizado pelo cineasta e músico Diego da Costa, diretor de “Selvagem”, o projeto parte de uma ideia que funciona como eixo para todo o disco: em tempos de relações mediadas por telas e isolamento, o amor também depende da presença.
Produzido por Diego ao lado de Rafael Sartori, o álbum aproxima o rock alternativo da música brasileira sem estabelecer fronteiras muito rígidas. Viola caipira, guitarras, sintetizadores, violoncelo, metais, coros e programações dividem espaço em arranjos que passam pelo samba, bossa nova, psicodelia e referências do rock alternativo.
Essa proposta aparece desde “Vida no Campo”, responsável por abrir o disco. A viola caipira inicia a faixa antes de encontrar sintetizadores, ruídos, violoncelo e um coro feminino. A música estabelece também uma conexão com as origens de Diego, que cresceu em Socorro, no interior de São Paulo, e utiliza o campo não apenas como referência estética, mas como memória e possível lugar de pertencimento.
A relação com a música brasileira ganha outro capítulo em “O Brilho das Pedras”, composição de Sá, Rodrix e Guarabyra lançada originalmente em 1973. Na releitura da Sonora Fantasma, a faixa recebe novos caminhos rítmicos, passando por uma batida de funk antes de chegar a um encerramento mais pesado. A escolha reflete a intenção de dialogar com a tradição sem simplesmente reproduzi-la.
“Depois do Fim” estabelece uma ponte com outra área da trajetória de Diego. Composta originalmente para “Dona Elza”, telefilme dirigido por ele ao lado de Hiro Ishikawa, a música foi reconstruída para integrar o universo da Sonora Fantasma. Já “Bebidas e Defumações” exemplifica a liberdade do álbum ao partir de uma balada ao piano, atravessar referências de Fugazi, Radiohead e Blur, chegar ao blues e terminar em um samba de gafieira.
O repertório inclui ainda “Chegada”, “Corações Atravessados”, “Cachorros Dançantes” e “Até Amanhã”. Esta última nasceu de uma experiência especialmente pessoal: a despedida do pai de Diego e a percepção de que um encontro aparentemente cotidiano poderia acabar sendo o último. Ao longo do disco, histórias particulares como essa são ampliadas para reflexões sobre ausência, memória e os vínculos que permanecem.
Rafael Sartori também assina os arranjos, gravação e mixagem, enquanto Luisa Toller desenvolveu arranjos vocais para quatro faixas e regeu integrantes do Vozeiral nos coros. O álbum conta ainda com participações de Dann Carvalho, Giovanna Lelis Airoldi, Raphael Sampaio e Feldeman Oliveira.
“Sonora Fantasma te ama” sucede “Adeus Mundo Véio”, de 2021, e amplia uma trajetória na qual Diego procura aproximar suas experiências no audiovisual da composição musical. Mais do que buscar unidade por meio de um gênero específico, o segundo álbum encontra seu fio condutor nas relações humanas. Para a Sonora Fantasma, a música funciona justamente como aquilo que o título propõe: uma tentativa de diminuir distâncias por meio da presença.