Vitor Isensee, conhecido por sua trajetória no Forfun e no Braza, lançou “Pra Cima Todo Santo Ajuda”, segundo álbum de sua carreira solo. O trabalho reúne composições desenvolvidas ao longo dos últimos dez anos e marca um retorno à canção, privilegiando melodias, letras intimistas e arranjos mais leves. A proposta é transformar experiências cotidianas, reflexões sobre o tempo e pequenos acontecimentos da vida em músicas que transitam entre a cidade e a natureza.
Produzido por Júlio Raposo, que já trabalhou com Os Garotin e Tiago Iorc, o disco também conta com coprodução do próprio Vitor e participações de Vovô Bebê na produção de algumas faixas. A sonoridade procura recuperar a espontaneidade das primeiras composições do músico, deixando em segundo plano estruturas mais complexas e priorizando a simplicidade melódica.
“Fui buscar uma forma mais ingênua de compor, como fazia lá no começo do Forfun ou nas músicas mais reflexivas do Braza. É menos falado e mais cantado. Menos pensado e mais sentido”, explica Vitor. A declaração ajuda a compreender a proposta do álbum, que procura estabelecer uma conexão direta com o ouvinte sem depender de grandes experimentações ou de uma produção excessivamente elaborada.
Confira aqui a entrevista com Vitor Isensee falando sobre o novo álbum
Essa escolha também representa um contraste interessante com parte de sua trajetória recente. Enquanto o Braza explora uma mistura de ritmos brasileiros, reggae, rap e música eletrônica, “Pra Cima Todo Santo Ajuda” coloca a composição no centro das atenções. A intenção não é necessariamente abandonar essas influências, mas encontrar um espaço no qual a voz, a melodia e a mensagem conduzam as músicas.
O título funciona como uma síntese do conceito. Ao recuperar uma expressão popular, Vitor aborda a necessidade de continuar seguindo em frente mesmo diante das dificuldades. Existe uma tentativa de encontrar beleza nas pequenas experiências e de transformar a passagem do tempo em algo menos angustiante. A leveza, nesse contexto, aparece não como ausência de problemas, mas como uma maneira de enfrentá-los.
Fundador do Forfun, banda que esteve em atividade entre 2001 e 2015 e se tornou uma referência do rock alternativo brasileiro, Vitor construiu uma carreira marcada pela combinação de diferentes estilos e por letras que acompanharam o amadurecimento de seu público. Atualmente, segue como integrante do Braza, contribuindo com teclados e composições.
Sua estreia solo aconteceu em 2020, com “Vida e Nada Mais”, lançado sob o nome artístico Izenzee e com participações de Duda Beat, Luê, Morcego e Castello Branco. Fora da música, o artista também publicou os livros de poesia “Vivas Veredas” e “A Todo Pano”, ampliando uma relação com a palavra que atravessa diferentes momentos de sua produção artística.
Com “Pra Cima Todo Santo Ajuda”, Vitor Isensee apresenta um trabalho que valoriza a canção em sua forma mais direta. Em vez de buscar uma ruptura com o passado, o músico recupera características presentes desde os primeiros anos do Forfun e as observa sob a perspectiva de quem acumula mais de duas décadas de carreira. É um disco sobre continuar caminhando, mesmo quando a subida parece difícil, sem perder a capacidade de encontrar algum encanto pelo caminho.