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Crédito: Xan Doane

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Entrevista | Awolnation – “Me sentiria confortável em ir embora porque acho que isso é o melhor que tenho a oferecer”

Marcado pelo mega hit Sail, que soma quase 1 bilhão de plays no Spotify e fez parte de diversas séries, o Awolnation vem preparando o caminho para o seu novo álbum de estúdio, The Phantom Five, que será lançado em 30 de agosto. Até o momento, o projeto de dance-rock liderado por Aaron Bruno já divulgou duas faixas do disco, Panoramic View e Jump Sit Stand March.

O disco, aliás, pode marcar o fim do Awolnation. Não é algo que está decidido, mas serviu como estímulo para Aaron Bruno entregar o melhor trabalho possível.

Aos 45 anos, Aaron Bruno possui uma vasta experiência no cenário musical, com as mais diversas facetas. Integrou a banda de indie rock Under the Influence of Giants, esteve à frente do grupo de post grunge Home Town Hero, além de ter marcado época com o Insurgence, de post hardcore.

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O ecletismo musical acompanha Aaron Bruno até hoje, o que pode ser observado tanto no som quanto no nome. Awol, por exemplo, era o nome que ele utilizava em batalhas de rimas na Califórnia.

Em entrevista ao Blog n’ Roll, via Zoom, Aaron Bruno falou um pouco mais sobre a carreira, o novo álbum, a relação com o hit Sail, além da possibilidade de vir ao Brasil. Confira abaixo.

Temos grandes expectativas para o lançamento de The Phantom Five. Como foi a produção desse álbum e como ele se diferencia dos demais?

A cada álbum espero melhorar um pouco. Diria que esse álbum provavelmente tem um certo calor, possivelmente. Olha, todos esses discos vão soar semelhantes em alguns aspectos, mas não fiz nada drasticamente diferente com a produção, exceto que sinto que este parece uma mistura de todos os outros álbuns anteriores, mas talvez com uma pequena fatia de maturidade e calor adicionada a ele, espero.

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Você até declarou que este seria o último álbum como Awolnation. Esta informação procede? O que você tem em mente para esse futuro sem discos com o Awolnation?

Realmente adoro o desafio de considerá-lo o último álbum. Se eu entrar pensando que será a última vez que você ouvirá um álbum gravado por mim, é melhor que seja bom. Acho que é, pelo menos para os meus ouvidos. Espero que outras pessoas concordem e possam sentir isso. Havia um senso de urgência na mentalidade de tentar tratá-lo como um álbum de despedida, agora resta saber se continuo. Provavelmente irei, mas me sentiria confortável em ir embora porque acho que isso é o melhor que tenho a oferecer. 

Me preocupo muito com minha família, então veremos. Vamos tentar novamente aqui e ver o que acontece. Gosto de misturar tudo e me desafiar, essa foi a minha maneira de me esforçar o máximo que pude.

Com guerras, pandemias e muita intolerância pelo mundo, você acredita que o som do Awolnation pode ser um antídoto para esses tempos complicados?

Espero que sim, acho que cada geração considerou que este era o fim dos tempos em determinado momento. Acho um pouco narcisista pensarmos que somos tão especiais a ponte de vivermos o fim do mundo. Você sabe o que quero dizer? É possível que você e eu conversemos se eu fizer um álbum daqui 20 anos, vamos rir disso e pensaremos: “bem, o mundo não acabou, acabou”. 

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Só acho que, historicamente, houve tantos picos e vales diferentes para a sociedade, tanto bons quanto ruins, belos e horríveis, que só depende se você quer olhar para o copo meio cheio ou meio vazio. 

Acredite em mim, eu luto para encontrar o lado meio cheio o tempo todo, mas a música é o único fio condutor. Quer o mundo acabe ontem ou teria terminado ontem ou se vai acabar amanhã, a única coisa que temos em comum é que todos amamos música. Estou grato por fazer parte disso.

Como é a sua relação com Sail, o seu maior hit. Você o rejeita ou tem orgulho do que produziu?

Amo a música, simplesmente acho que é uma ótima música, me sinto muito sortudo por isso… De todas as músicas do meu catálogo que poderiam ter sido escolhidas para serem as maiores, acho que teria sido essa mesma. 

Foi fácil escrever e parecia uma experiência extracorpórea, liricamente e sonoramente, ainda parece totalmente apropriada e necessária de tocar. Aaron Bruno, líder do Awolnation

Não ouço isso com frequência, por quê? Se eu ouço, é no supermercado, em um comercial ou algo assim, mas é muito raro nunca ter pressionado o play no Spotify e ouvido. É uma experiência engraçada, mas vai acontecer aqui e ali. Cada vez que ouço isso, penso comigo mesmo: “uau, é muito legal que uma música distorcida e com som tão lo-fi tenha se tornado tão popular”.

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Você não tem parte da audição de um dos seus ouvidos. De alguma forma, isso muda a maneira como você produz, escuta e trabalha com música?

Bem, eu nasci assim, então não sei de nada diferente. Acho que possivelmente teria sido mais difícil e traumático se isso tivesse acontecido com minha orelha esquerda na minha adolescência ou antes, ou até mais recentemente, isso teria sido muito difícil porque teria sentido uma mudança no meu equilíbrio e outras coisas seriam diferentes, mas não conheço outra maneira. 

É assim que eu sou. Gostaria de pensar que isso me dá uma perspectiva única ao ouvir e mixar músicas, tento pensar nisso como algo positivo, na verdade. Aaron Bruno, líder do Awolnation

O Brasil está nos planos do Awolnation? Quando você pretende vir para cá?

Sim, eu quero ir. O Brasil está em meu coração, o meu coração está no Brasil. Então, acredite em mim, adoraríamos ir. Estamos apenas colocando esta máquina em funcionamento novamente depois que o mundo foi desligado. Talvez no próximo ano, este ano temos que fazer os Estados Unidos, o nosso país de origem e tudo mais, mas possivelmente no próximo ano. Basta dizer ao maior festival para nos convidar e nós iremos.

Você conhece algo sobre música brasileira?

Sim, certamente. Conheci muita música brasileira que adoro. Muitas vezes me pego pesquisando, descobrindo músicas e, muitas vezes, podem ser músicas antigas. Por exemplo, busco música dançante brasileira dos anos 70, encontro um monte de músicas que nunca teria ouvido aqui na América, isso é algo que sempre fiz. O Sepultura é brasileiro, certo?

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Sim.

Se tivesse que escolher minha banda brasileira favorita, provavelmente seria o Sepultura. Adoro Chaos AD, mas Roots foi uma grande influência na minha carreira musical.

Incrível. Você se refere ao Chaos AD, mas as pessoas sempre dizem Roots como álbum principal, mas Chaos AD é incrível.

É realmente incrível.

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