O Dexter and the Moonrocks se consolidou como um dos principais fenômenos do rock alternativo norte-americano nos últimos anos. Formada no Texas, a banda encontrou uma identidade própria ao misturar influências do grunge dos anos 1990 com elementos da música regional texana, criando o estilo que ficou conhecido como “Western Space Grunge”. O grupo começou de forma despretensiosa entre amigos, mas rapidamente conquistou espaço além do circuito local e se tornou um dos nomes mais comentados da nova geração do rock dos Estados Unidos.
O crescimento ganhou uma dimensão ainda maior com o recente sucesso de “Freakin’ Out”. A faixa ultrapassou a marca de 100 milhões de reproduções no Spotify, impulsionou a banda ao Billboard Hot 100 e colocou o quarteto ao lado de alguns dos maiores nomes da música mundial. Atualmente, o Dexter and the Moonrocks soma cerca de 9 milhões de ouvintes mensais na plataforma de streaming, números que reforçam a ascensão meteórica de uma banda que há poucos anos acreditava que tocaria apenas em bares do Texas e estados vizinhos.
Em entrevista ao Blog n’ Roll, o guitarrista Ryan Anderson falou sobre a trajetória da banda ao lado do primo Ty Anderson e do vocalista James Tuffs, explicou a origem do termo “Western Space Grunge” e comentou o impacto que a entrada de “Freakin’ Out” no Billboard Hot 100 teve na forma como o grupo enxerga a própria carreira.
Como é construir uma carreira ao lado do seu primo Ty e como vocês conheceram o James?
É surreal. O Ty estava lá desde o começo, quando comecei a aprender guitarra, há uns 14 ou 15 anos. A gente sempre falava que seria legal ter uma banda um dia, mas sem levar muito a sério. O fato de fazermos isso profissionalmente hoje é incrível. Eu conheço o James desde o ensino médio. Somos melhores amigos desde os 13 anos.
O mais engraçado é que o Ty nem tocava baixo quando a banda começou. Depois do colégio, o James começou a escrever músicas do nada e me chamou para montar uma banda e eu aceitei imediatamente. Preferi isso a continuar na faculdade (risos). Foi aquele clássico pedido de desculpas para os meus pais: “vou largar a faculdade para tocar com meu amigo”. Depois dissemos para o Ty comprar um baixo e pronto. É uma daquelas histórias em que tudo se encaixa de maneira improvável.
Mas quando vocês começaram a tocar juntos, acreditavam que a música poderia virar uma carreira ou era apenas algo divertido para fazer entre amigos?
Nós acreditávamos desde o primeiro momento. Talvez nem devêssemos acreditar tanto, porque não estávamos prontos. Mas nunca imaginamos nada parecido com o que está acontecendo hoje. Achávamos que ganharíamos algum dinheiro para pagar cerveja nos fins de semana e tocaríamos pelo Texas, Oklahoma e região.
Tínhamos uma confiança enorme, muito maior do que nossa experiência justificava. Hoje podemos dizer que estamos mais preparados para sustentar essa confiança.
E como é a cena de rock no Texas? Sinto que ela é bem ligada ao country. Vocês tocavam mais em bares country ou em casas de rock?
Nós tocávamos onde fosse possível. Normalmente eram bares com música ao vivo. O importante era conseguir colocar os equipamentos no palco, tocar por três horas, pegar os 300 dólares da noite e voltar para casa.
Hoje a cena de rock no Texas está mais forte do que nunca. Quando começamos, ela não era tão grande. Muitos artistas ajudaram a abrir esse caminho. Um deles foi Koe Wetzel, que mostrou para muita gente que era possível fazer rock naquele ambiente. Antes dele, o Cross Canadian Ragweed já fazia isso no início dos anos 2000. Eles tocavam ao lado de artistas country, mas eram uma banda de rock and roll. Bem, eles ajudaram a construir o cenário que existe hoje.
Seu xará Ryan entrou para a banda através de um anúncio online. Como foi receber alguém que não fazia parte do grupo de amigos?
Foi um salto no escuro. Já estávamos juntos havia quase quatro anos e sentíamos que havíamos chegado a um limite. Melhoramos como compositores, mas precisávamos mudar alguma coisa.
Chegamos a um ponto em que pensamos: se isso for tudo o que a banda vai ser, talvez seja hora de conseguir empregos convencionais e seguir outro caminho. Então decidimos dar uma última grande cartada. O Ryan chegou cheio de ideias desde o primeiro dia. Ele falava sobre estratégias, redes sociais e planos que nunca tínhamos considerado.
Três semanas depois parecia que o conhecíamos havia a vida inteira. Hoje é impossível imaginar a banda sem ele.
Existe o Grunge, o Post-Grunge e qual é a viagem que vocês inventaram de Western Space Grunge?
Antes da entrada do Ryan Fox, tínhamos um amigo e mentor chamado Shea Abshire. Ele veio da mesma cidade que eu e o James e já tinha conseguido algum sucesso na música. Sempre recorríamos a ele em busca de conselhos.
Um dia ele nos disse que precisávamos ser mais visíveis nas redes sociais e preencher aquelas descrições de gênero musical. Eu respondi que não sabia qual gênero colocar. Ele respondeu imediatamente: “Western Space Grunge”.
A definição fez sentido porque crescemos ouvindo Alice in Chains, Stone Temple Pilots, Soundgarden, Pearl Jam e outras bandas grunge dos anos 1990. Ao mesmo tempo, também éramos muito ligados ao country texano. Quando começamos a compor, essas influências apareceram naturalmente.
Misturar country e rock e se auto denominar como West Space Grunge deve abrir muita margem para comentários né? Qual foi a descrição mais estranha que você ouviu sobre a música da banda?
A que mais ouvimos é que somos como o Nirvana se tivesse crescido no Texas. Essa já ficou até comum, porque o nosso vocalista é loiro e nosso som é ligado ao grunge.
Mas a minha favorita foi alguém dizer que parecemos os Smashing Pumpkins se fossem caipiras. Eu adoro Smashing Pumpkins, então escolho essa.
Fico feliz, porque Smashing Pumpkins é a minha banda favorita (risos), então fico com essa também. Vocês abordam temas reais nas letras, como ansiedade e saúde mental. O que normalmente vem primeiro: uma história real ou uma melodia?
Em 95% das vezes, a música vem primeiro. Quando começamos, havia uma influência maior de compositores country, mas hoje fazemos as músicas que gostaríamos de ouvir.
As letras acabam sendo abertas para interpretação. Queremos que cada pessoa encontre o próprio significado. Com exceção de algumas canções mais específicas, como “Ritalin”, normalmente não começamos uma composição pensando em um tema definido.
Espaço, Moonrocks, vocês devem gostar de coisas assim. Acompanharam a repercussão de um OVNI supostamente aparecer em um sítio brasileiro? Esse viral chegou ai no Texas?
Essa história é boa. Eu assisto mais o canal de esportes, então não chegou até mim, mas com certeza vou pesquisar depois sobre isso.
O Spotify coloca logo de cara do Top10 das bandas. Existe alguma música do catálogo da banda que você acha que merecia mais atenção?
Para mim, sem dúvida, é “Cry”. É a minha parte de guitarra favorita entre tudo o que já escrevi.
Agora ela está recebendo mais atenção graças ao sucesso de “Freakin’ Out”, mas antes parecia quase uma música desconhecida quando tocávamos ao vivo. Apenas os fãs da primeira fila realmente a conheciam.
Falando em “Freakin’ Out”, ela entrar no Billboard Hot 100 mudou a forma como vocês enxergam a carreira?
Por mais que eu queira dizer que não, mudou. Sempre tivemos orgulho de não deixar números ou rankings influenciarem nossas decisões. Chegamos até aqui fazendo as coisas do nosso jeito. Mas ver a música no Hot 100 foi diferente.
Quando você olha para as músicas acima e abaixo da sua na parada e percebe a companhia em que está, é impossível não sentir algo. Não mudou nossa maneira de trabalhar, mas nos fez levar a banda um pouco mais a sério. Foi um momento muito especial.
E para falar de levar a sério, existem planos para um álbum completo?
Sempre existem planos para um álbum. Neste momento estamos tentando lidar com tudo o que aconteceu recentemente. Quando uma música explode dessa forma, todos os planos mudam de uma hora para outra.
Vamos lançar mais músicas e continuar trabalhando. O álbum vai acontecer. Não posso dizer quando, mas ele está nos planos.
Sei que vocês não vão contar o significado de Dexter no nome da banda. Mas se você tivesse que escolher um Dexter favorito, qual seria? Dexter, da série, Dexter do Cartoon Network ou Dexter Holland do The Offspring?
Eu adoro o Dexter Holland, do Offspring, mas vou escolher o Dexter do Laboratório de Dexter.
O lugar onde nos reunimos para compor se chama justamente Laboratório de Dexter. Então preciso ficar com essa resposta.
Se a banda pudesse colaborar com qualquer artista, quem estaria no topo da lista?
Não quero responder por todos, porque cada integrante provavelmente escolheria alguém diferente.
Como banda, talvez o Foo Fighters, porque eles continuam no topo depois de quase 30 anos. Mas, pessoalmente, eu escolheria o Slow Pulp. Minha esposa me apresentou a banda há alguns anos e desde então eles se tornaram meu grupo favorito.
Você está acompanhando a Copa do Mundo? Até onde os Estados Unidos podem chegar?
Não muito. Sou muito mais fã de basquete.
Espero não virar inimigo público nos Estados Unidos por dizer isso, mas não tenho uma grande expectativa para a seleção. Tomara que eu esteja errado.