A espera está perto do fim. O Swallow the Sun sobe ao palco do Hangar 110, em São Paulo, nesta terça-feira (11), para mais um encontro com os fãs brasileiros dentro da turnê Shining Over Latin America. Restam os últimos ingressos para a apresentação, que marca o retorno dos finlandeses ao país promovendo Shining, álbum lançado em 2024 e vencedor do prêmio de Metal do Ano no Emma Gaala, a principal premiação da música finlandesa.
Além das novas faixas, o quinteto promete um repertório que percorre diferentes fases da carreira, reunindo clássicos de discos como New Moon, Hope, Ghosts of Loss e The Morning Never Came. Formado em 2000, o Swallow the Sun tornou-se uma das maiores referências do doom/death melódico ao combinar peso, atmosferas sombrias e melodias marcantes, consolidando uma relação especial com o público brasileiro desde sua estreia no país, no Overload Music Festival de 2014.
Juha Raivio conversou com o jornalista Erick Tedesco para o Blog N’ Roll e falou sobre o retorno à América do Sul, a cultura filandesa e também conquistar, finalmente, o prêmio Emma.
Para começar, quais são as suas expectativas para esta turnê?
Estou realmente ansioso e muito feliz por voltar, antes de tudo, à América do Sul. As pessoas são muito apaixonadas pela música, pelo coração da música e por tudo o que a envolve. Não estamos muito acostumados com isso, especialmente com um estilo de música como o nosso.
As pessoas realmente se envolvem. Na última vez em que fizemos nossa primeira turnê de verdade pela América do Sul, foi incrível, tenho que dizer. Estou muito feliz e, na verdade, também fico contente que seja inverno por aí, porque assim não vamos torrar completamente.
A música do Swallow the Sun frequentemente se move entre um peso esmagador, melodia e momentos de silêncio. Como a banda preserva essas dinâmicas no palco sem perder o peso emocional das canções?
Bem, infelizmente, quando tocamos qualquer coisa, ela vem de um lugar em que não precisamos fingir nem tentar fazer algo. É uma coisa muito natural para nós quando fazemos os shows e tocamos essa música.
Não precisamos pensar nisso. Desde a primeira nota, quando começamos a tocar, vamos para esse tipo de lugar, e o público também parece ir para esse lugar, que nos conecta, quase como uma realidade diferente. Não sei explicar melhor do que isso.
Com uma discografia tão extensa e variada, qual critério a banda usou para construir o setlist desta turnê latino-americana?
Somos uma banda antiga, então temos muitos álbuns. Voltamos até o primeiro, de 2003, e também tocamos bastante coisa nova. É muito difícil fazer um setlist que leve todo mundo a sair do show dizendo: “Sim, eles tocaram exatamente as músicas que eu queria ouvir”, porque há muitas músicas.
Quando montamos o setlist, queremos criar uma espécie de fluxo ao longo do show. Queremos que as músicas se conectem de alguma forma com a seguinte, e depois com a próxima, mantendo esse movimento. Por isso, é preciso planejar quais músicas serão tocadas e como elas vão se encaixar umas nas outras.
Falando sobre Shining, este parece ser quase o fim do ciclo do álbum, certo? Você já está no estúdio, fazendo algo ou trabalhando em gravações para o próximo disco?
Sim. Acho que esta turnê pela América do Sul é a última para encerrar Shining. Ainda temos alguns festivais, talvez um ou dois shows aqui e ali, mas acho que esta é a última turnê que vai fechar esse ciclo.
Não posso dizer muito sobre o novo álbum ou sobre músicas novas. Tenho que esperar para ver. Vamos ver o que acontece. É sempre um mistério para mim também.
Vocês receberam o Emma por Shining. O Emma é como o Grammy da Finlândia, certo?
Sim, é o Grammy da Finlândia.
Como foi estar lá e receber esse prêmio?
Foi incrível, porque deve haver alguma coisa errada com os finlandeses para uma música como a nossa conseguir um prêmio desse tipo. O Emma significa a mesma coisa que o Grammy significa na Finlândia.
Acho que recebemos o Grammy por duas razões: porque o novo álbum é incrível, mas também porque a banda faz isso há muito tempo. Tivemos, acho, três indicações antes de Shining para esse Grammy, o Grammy da Finlândia. Então, de certa forma, parecia que havia chegado a hora.
Mas, toda vez que recebíamos uma indicação, havia o Amorphis, o Nightwish ou alguma outra banda, e eles sempre ganhavam, claro. Também tivemos sorte naquele ano porque não havia Nightwish ou Amorphis, eu acho. Nem me lembro quem estava concorrendo naquele ano. De qualquer forma, se há Amorphis ou Nightwish, você não vai ganhar, com certeza.
Na Finlândia, como você sabe, o metal é muito grande. É possível ouvir metal em shopping centers e no rádio. Dessa forma, também é um pouco mais fácil para nós ganhar esse tipo de Grammy, mas ainda assim foi algo enorme. Nunca acreditei que fôssemos ganhar aquilo.
Isso não acontece da mesma forma na Suécia ou na Noruega, com o metal tão presente na vida cotidiana?
Sim, Suécia e Noruega também são grandes países do metal, e as bandas também ganham categorias de metal nas premiações de seus países. Acho que o Opeth ganhou muitas vezes na Suécia. Acho que eles ganharam o Grammy sueco, o Grammis. Então, penso que isso só pode acontecer nesses países.
Quais elementos da música do Swallow the Sun ainda parecem profundamente ligados à Finlândia? E em que eles adquiriram novos significados à medida que a banda viajou pelo mundo?
Tudo. Eu cresci na Finlândia, meu sangue está na Finlândia, tudo. Você pode ouvir isso em cada nota, basicamente. Isso aparece de maneira muito natural na música. Não escuto muito a nossa própria música, mas, quando escuto, há algo finlandês que você pode ouvir. Você pode ouvir os lagos, pode ouvir as florestas.
Não importa onde estejamos tocando no mundo, a Finlândia vem conosco. Posso senti-la, posso vê-la. Também sou uma pessoa que vê a música como imagens, quase como pequenos filmes na minha mente. Infelizmente, muitas vezes, porque é uma música triste. Mas também é uma música poderosa. Quero que ela também seja capaz de elevar as pessoas. Não quero matar ninguém.
Então, há algo bom e ruim em ver e trazer a Finlândia, trazer a escuridão, as grandes florestas e o inverno conosco. Tenho certeza de que vamos tocar “Descending Winters” na América do Sul, essa música antiga, de 2005.
Há poucas semanas, tocamos em um festival. Estava fazendo mais de 40 graus, o sol brilhava e nós tocávamos “Descending Winters”. Então pensei: “Certo, aqui vem a Finlândia para o verão de vocês.”
Você poderia citar duas músicas que mais gosta de tocar ao vivo?
Não sei. Desde o começo da banda, fazíamos nossos primeiros shows em 2002 ou 2003, algo assim. De qualquer forma, depois que nosso primeiro álbum saiu, começamos a tocar essas músicas em 2003. Acho que, desde 2003, sempre terminamos o set com uma música chamada “Swallow (Horror Pt. I)”, do nosso primeiro álbum. Basicamente, é como o Iron Maiden sempre tocar “Iron Maiden” como última música.
Então, “Swallow (Horror Pt. I)” é a nossa música final. Mesmo depois de 20, 23 anos, ou o que quer que seja, adoro tocá-la como última música. Mas a outra, eu não sei. É uma pergunta difícil, com certeza.
Há muitas músicas que eu gostaria de tocar ao vivo, inclusive nesta turnê, mas que não vamos tocar. É impossível, porque temos horas e horas de música. Precisaríamos fazer um show de dez horas. Por isso, montar um set de uma hora ou de uma hora e meia é muito difícil.
Para terminar, gostaria que você enviasse uma mensagem aos fãs da América do Sul — não apenas aos brasileiros, mas a todos os que estão pensando em ver vocês ao vivo na próxima semana.
Adoro tocar na América do Sul por causa da paixão, do coração. Somos de culturas completamente diferentes: a Finlândia é um país frio e escuro; a América do Sul é outra realidade. Mas somos exatamente iguais. Quando nos encontramos, somos um só no show, e adoro esse sentimento.
Não importa aonde você vá, em qualquer lugar do mundo, quando estamos tocando e há pessoas que realmente se importam com a música como nós, existe uma espécie de alma que nos conecta. Não importa a cultura, o clima, nada. Nós nos tornamos um só nos shows, e adoro esse sentimento, porque somos um. Somos seres humanos.
Estou realmente ansioso. Como disse, adoro tocar para vocês, porque recebemos muita força dessa paixão, e isso nos torna ainda mais… É isso que espero, principalmente. Quando tocamos aqui no Norte, as pessoas são muito frias e apenas escutam, o que também é legal. Elas também choram e riem, mas há algo diferente em tocar na América do Sul que eu adoro de verdade. É isso.
Vocês vão tocar no Chile, na Colômbia e no México. É uma turnê longa?
Sim, vamos tocar bastante. Acho que são dez shows.
Dez shows? Uau!
Algo assim. É uma turnê curta. Às vezes, fazemos dois meses de turnê de uma vez.
Uns cinquenta shows?
Sim, no passado fizemos 50 shows. Fizemos 52, e foi um pouco difícil, tenho que dizer. Foi durante o inverno.
No fim, isso é ótimo, porque significa que muitas pessoas querem ver vocês ao vivo. Muitas pessoas gostam e querem ver o Swallow the Sun, querem ver o show.
Sim, e estamos unidos por esse tipo de música. As pessoas não vêm apenas para ouvir e se divertir; elas vêm pela música. Eu adoro isso.