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Entrevista | Hiatus Kaiyote – “Colocamos muito sentimento nisso”

Love Heart Cheat Code, novo álbum da banda australiana Hiatus Kaiyote, chegou ao streaming nesta sexta-feira (28). Esse é o quarto disco do grupo e sucede Mood Valiant, de 2021.

Conhecida por uma sonoridade única, muitas vezes associada ao funk, jazz ou neo soul, o Hiatus Kaiyote já foi sampleada por nomes gigantes, como Beyoncé e Kendrick Lamar. Além disso, recebeu elogios do finado Prince e Stevie Wonder.

Com todas essas credenciais fica fácil entender a expectativa pela chegada de Love Heart Cheat Code, que tem a produção de Mario Caldato Jr, que possui trabalhos de peso no currículo (Beastie Boys, Jack Johnson, Beck, Björk, Blur, John Lee Hooker, Manu Chao, Marcelo D2, Seu Jorge, entre outros).

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O baterista do Hiatus Kaiyote, Perrin Moss, conversou com o Blog n’ Roll sobre o novo álbum, a parceria com o produtor Mário Caldato Jr, entre outros assuntos. Além dele, o grupo também conta com a vocalista e guitarrista Nai Palm, o baixista Paul Bender e o tecladista Simon Mavin.

Como está a expectativa para o lançamento? 

Sinto que é perigoso ter expectativas. Temos uma base de fãs sólida e eles apoiam o que fazemos. Eles estão ansiosos para ouvir, o que é divertido.

Como foi o processo de gravação do álbum? 

Esse disco, em particular, foi um pouco mais rápido que nossos álbuns anteriores, menos o Talk to Mohawk (o primeiro). O segundo e o terceiro demoraram um pouco mais para sair, mas este atual nem tanto. Foi um processo bastante fácil de terminar.

Geralmente, quanto tempo leva para gravar um álbum do Hiatus Kaiyote?

Depende. Todos eles têm durações diferentes, sabe? Sim, todos eles foram diferentes. Este, provavelmente, levou cerca de um ano ou mais. Não é como um ano seguido trabalhando exclusivamente nisso. É como se todo o resto estivesse acontecendo ao mesmo tempo. Você tem alguns shows, algumas turnês e isso requer ensaios. 

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Além disso, também temos muitas faixas de discos anteriores que são transferidas para o próximo. Então podemos já começar o próximo disco antes de terminar o último.

As primeiras prévias do álbum são empolgantes, mostram uma banda bem entrosada e com uma sonoridade consolidada. O que permeia esse ambiente musical de vocês?

As pessoas estavam felizes, é isso que sabemos fazer. Sempre há altos e baixos, com certeza, mas isso é o que fazemos, o que gostamos de fazer. É o nosso trabalho, mas também é a nossa paixão. Portanto, isso vem com um pouco de estresse, apesar da alegria.

Nunca há apenas um fluxo suave, mas isso acontece porque nós nos importamos muito com o que gravamos. Colocamos muito sentimento nisso, é um espectro completo de emoções enquanto estamos finalizando qualquer disco. 

O último álbum foi lançado durante a pandemia da covid. O mundo inteiro estava naquela zona, muito estranho. Na verdade, tínhamos o disco finalizado antes do covid chegar. Estávamos bem perto de lançá-lo e, então, o covid chegou. O mundo inteiro parou por uns dois anos.

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Como foi esse período da covid para vocês?

Nós meio que voltamos para a música e pensamos apenas em seguir. Durante todo o processo de gravação, todos estavam em casa, no mundo todo, mas em Melbourne não. Tiramos muita influência disso. 

Acho que esse álbum é tipo o outro lado. Nós temos um pouco mais, é um pouco mais alegre, liricamente também. Musicalmente, temos algumas músicas mais felizes para nós. Mas é sempre subjetivo, cada um tem uma interpretação diferente, o que é importante. E isso é ótimo.

Vocês também se consolidaram como referência para muitos artistas. Como é para vocês ver nomes como Kendrick Lamar e Beyoncé sampleando as músicas do Hiatus Kaiyote?

Isso é uma verdadeira viagem. Na música moderna, você pode ser sampleado por artistas de hip hop e ter outras bandas fazendo covers da sua música. Acho que significa que estamos fazendo algo certo.

É uma realização incrível, especialmente para alguns dos artistas que nos experimentaram como se fossemos enormes. É uma sensação louca, mas realmente não sobe à nossa cabeça, nem nada. Nós realmente não gostamos de sentar e pensar sobre isso. 

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Acho que no início, muitas coisas aconteceram para nós. No início da nossa carreira, cada dia alguma coisa acontecia, foi profundo. Mas, definitivamente, você não pode parar e se conformar com isso. Você não pode simplesmente continuar assim, focando nessas conquistas, tem que continuar trabalhando em si mesmo como artista e como indivíduo fora da música. 

Como foi a participação do Mario Caldato nesse disco? Vocês já trabalharam juntos antes? 

Nunca trabalhamos com ele antes, mas foi ótimo. Lembra que comentei que foi um processo rápido? Ele foi uma grande parte disso, nos ajudou muito. Foi revigorante. Era novo para nós, queríamos experimentar e ver se ajudava. Algumas coisas eram mais fáceis, outras foram mais difíceis, sabe? 

Como você o conheceu? 

Nós o conhecemos em Los Angeles, através do nosso empresário que estava em contato com ele. Ele era fã da nossa música. Fomos até a casa dele e demos uma olhada no estúdio, ele nos convidou para almoçar. Nós fizemos isso e pensamos: gostaríamos de gravar uma música com você. Acho que gravamos apenas duas músicas, sendo que apenas uma delas entrou nesse disco.

Posteriormente, voltamos para casa. Tínhamos outros compromissos e fomos gravando o álbum aos poucos, mas consideramos voltar para Los Angeles e terminar o álbum inteiro com Mário. Tínhamos acabado de ter uma conexão muito boa com ele. 

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O Mário é um cara tão adorável, nos fez sentir muito confortáveis. Sinto que ele tem o temperamento certo para trabalhar conosco. Foi incrível trabalhar com ele, meio que aliviou um pouco a pressão sobre nós. Faremos isso de novo com certeza.

Cinnamon Temple é uma das minhas favoritas dessas prévias do novo álbum. E ela tem uma sonoridade bem diferente. Qual é a história por trás dela? 

Essa foi uma música que Bender, o baixista, criou com um riff. E estávamos apenas tentando algumas coisas diferentes, como sempre fazemos. Sempre nos esforçando e definitivamente nos inclinamos para coisas mais pesadas nesse ponto.

Estava tentando encontrar um ritmo para uma música. Então, procurei no YouTube, estávamos ensaiando, e pensei: “ok, como isso se parece com o ritmo da música de novo? Já faz muito tempo. Logo depois, encontrei alguns outros vídeos nossos tocando ao vivo e eu era um de nós tocando Cinnamon Temple há oito anos.

Nós já temos isso há muito tempo, o que é que é muito legal. É apenas uma música antiga que tocamos ao vivo há anos.

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Então, voltando ao processo de criação, Bender criou o riff e nós meio que trabalhamos em cima de algumas partes do riff. Originalmente era uma música instrumental, mas eles colocaram uma letra nela. É uma música muito boa para tocar ao vivo porque quebra o set e dá uma energia diferente para o show. É muito divertido como músico tocar músicas assim.

Pude, finalmente, me relacionar com outros bateristas que tocam rock, heavy metal e similares. Meio que entendi depois de tocar, mesmo que não seja assim, mas apenas a energia disso é como bater em algo realmente forte.

É por isso que tocamos ao vivo por tanto tempo, mas vinha sendo difícil gravar, nunca coube em nenhum de nossos discos. 

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