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Entrevista | Viagra Boys – “Todos temos que nos esforçar para criar o mundo que queremos”

Com uma crítica ferrenha aos tempos atuais, a banda sueca Viagra Boys lançou, recentemente, o álbum de estúdio, Cave World. Em novembro, o grupo vem ao Brasil pela primeira vez, quando se apresenta na edição de estreia do Primavera Sound, em São Paulo.

Em entrevista para o Blog N’Roll, o saxofonista Oskar Carls ressaltou como o mundo parece ter voltado ao “mundo das cavernas” com pessoas negando a ciência, o jornalismo e usando armas de fogo quando querem fazer justiça.

Aliás, a faixa Troglodyte resume bem este pensamento, enquanto Creepy Crawlers é uma sátira às fakes news em relação às vacinas. E as críticas não param por aí. No videoclipe de Punk Rock Loser, o vocalista Sebastian Murphy vive um cowboy de meia idade, no velho oeste, que ainda se acha o tal.

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“Às vezes é triste como ficou claro como nós humanos trabalhamos uns com os outros, adicionamos camadas extras das piores coisas que você pode pensar e então chama isso de inteligência extra. É estranho ver como, de todas as coisas que criamos, nos nomeamos a espécie suprema, quando o que fazemos é prejudicar uns aos outros em benefício de poucos”, comenta Carls.

Sobre Troglodyte, em especial, Carls disse que essas pessoas são solitárias. “São pessoas que não se mostram muito porque, se tomarmos como exemplo os que odeiam a internet, geralmente são pessoas anônimas. Não sei, acho que temos que fazer a nossa parte para espalhar positividade para quem está ao nosso redor e torcer para que ela se espalhe para todos. É difícil fazer as coisas sozinhos, todos temos que nos esforçar para criar o mundo em que queremos viver”.

O saxofonista também criticou a Suprema Corte dos Estados Unidos por derrubar a decisão que garantia o direito ao aborto às mulheres em todo o País. Com isso, os Estados podem definir se permitem ou não o procedimento. A projeção é que metade dos estados americanos proíbam o aborto.

“Ninguém deveria definir isso. Não é uma escolha a ser feita pela Suprema Corte dos Estados Unidos. Isso foi algo muito nojento”.

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Processo de criação de Cave World

O saxofonista conta que Cave World foi uma mistura de sessões diferentes. De acordo com o músico, foram três ao longo de um período de dois anos.

“Algumas músicas fizemos em nossa sala de ensaio, outras vieram de algumas ideias e fizemos separadamente em casa. É sempre uma mistura, além do Sebastian (vocal) esperar até o último minuto para escrever as letras”, comentou, aos risos.

Carls garante, no entanto, que isso não é uma novidade na carreira da banda. “Essa tem sido a história de todos os nossos álbuns de estúdio. Com Street Worms (2018) foi a mesma coisa. Welfare Jazz (2021) tem muito disso também”.

O processo de criação de Cave World foi doloroso para os integrantes. Em outubro do ano passado, o guitarrista Benjamin Vallé foi encontrado morto, aos 47 anos. Tal acontecimento deixou marcas, mas também lembranças.

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“Apesar de não vir do mesmo tipo de música que ele gostava, como hardcore punk e outras bandas afins, eu soube imediatamente que ele tinha um gosto musical incrível, e isso transparecia em seu jeito de tocar. Ele também era super engraçado, sempre tinha histórias para contar… Ele era um personagem único, sentimos sua falta todos os dias. Ele foi uma parte muito importante dessa banda, então tentar manter a essência disso sem ele tem sido muito difícil”.

O Viagra Boys conquistou um público novo após entrar na trilha sonora do jogo Tony Hawk Pro Skater 1+2, com a música Slow Learner. Ao saber desse alcance no Brasil, Carls lembrou de uma experiência própria.

“A plataforma é uma excelente forma de conseguir uma nova audiência. Eu também jogava videogame e muitas músicas de jogos marcaram minha adolescência”.

Viagra Boys no Brasil

O Viagra Boya segue excursionando pelo mundo. No momento aproveita os festivais da Europa. Logo depois, em setembro, banda irá para os Estados Unidos para uma série de datas adicionais, tornando esta sua maior turnê até agora. Antes de retornar à Europa, a banda será uma das atrações do Primavera Sound, em São Paulo, no início de novembro.

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“Estamos muito empolgados em viajar para a América do Sul. É a nossa primeira vez aí e sempre recebemos mensagens carinhosas do público brasileiro”.

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