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Faro de Rock - Bruna Faro

Roger Waters e os espetáculos políticos

BRUNA FARO
Foto: Camila Cara / Divulgação

Semana passada o país recebeu a visita de Roger Waters. O músico veio ao Brasil para uma sequência de shows que vai até o final de outubro. Muito conhecido por suas apresentações espetaculares e sua carreira com Pink Floyd, uma das maiores bandas de rock da história. Trajetória essa que Waters faz questão de participar com sua arte e resistência.

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O artista foi um dos assuntos mais comentados na última semana devido ao show do último dia 9, no Allianz Parque, em São Paulo. Ele ousou e sem perceber provocou o público ao colocar o nome do candidato à presidência, Jair Bolsonaro, como um neo fascista e usar a hashtag #elenão no telão.

Várias pessoas foram embora depois do que viram, muitos gritavam “mito”, outros “ele não” e durante cinco minutos só se ouvia vaias para a banda. Depois da noite o assunto continuou em reportagens, grupos de Whats e conversas de bar. Sem dúvida o tema pegou de surpresa muitos dos que estavam presentes no dia. Aparentemente a maioria não lembrava ou não sabia do histórico de Roger Waters que sempre usou seu trabalho como meio de protesto.

Em sua atual turnê, Us + Them, o setlist tem a maior parte composta por seu antigo trabalho. De 21 músicas, 18 são do Pink Floyd. Porém, o grande foco do show é a luta pelos direitos humanos e a crítica ao poder.

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A apresentação da música Another Brick In The Wall contou com várias crianças de São Paulo usando um macacão laranja de prisão e máscaras pretas. No auge, tiraram a máscara, abriram o macacão e mostraram a palavra “resist” (resista) estampada em suas camisetas.

Outro momento de crítica foi durante a música Pigs (Three Different Ones), onde havia montagens do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no telão. Em um momento Roger vestiu uma máscara de porco e levantou a placa “pigs rule the world” (porcos dominam o mundo).

Mesmo com todo esse espetáculo impressionante, um telão enorme, luzes que formavam triângulos e arco íris e músicas que davam a sensação de estar em outra atmosfera, parte do público não reagiu da maneira esperada.

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Muitos não concordaram com Waters dando sua opinião, mas o músico pareceu não se importar. Em entrevista ao Fantástico, do dia 14 de outubro, ele disse, “eu acredito que todos os artistas, não interessa qual tipo de arte você faça, todos têm a responsabilidade de usar a arte para expressar ideias políticas e criar demandas em favor dos direitos humanos para todos”.

*Os espetáculos políticos*

Roger Waters não é o único a opinar em política nos seus shows. Uma banda com uma proposta similar é o U2. Com espetáculos, palco aberto, telão imenso, pirotecnia e estádios lotados, o vocalista Bono sempre se pronunciou sobre a diplomacia do mundo e os direitos humanos.

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Durante a história, diversos artistas usaram seu meio de comunicação para se posicionarem. Desde pinturas retratando momentos políticos, como Guernica de Pablo Picasso que entre seus vários significados representa a guerra e simboliza a paz, até as letras de canções como Get Up, Stand Up de Bob Marley que falam sobre pobreza e desigualdade.

Eventos artísticos também marcaram décadas. No final dos anos 1960, o famoso festival Woodstock foi um ato de liberdade em um momento de guerra e paz. Nos anos seguintes foram criadas algumas apresentações que tinham como objetivo principal conscientizar as pessoas. Em 1985 surgiu o Live Aid, concerto que ocorreu em vários lugares do mundo, simultaneamente, com o intuito de arrecadar fundos para os famintos da Etiópia.

Em 2005, o festival Live 8 reuniu artistas de diferentes gêneros, para juntos do público, pressionarem o governo e lutarem contra a escassez na África.

No ano de 1990, Berlim recebeu um dos maiores espetáculos da música: The Wall Live. Organizado por Roger Waters e pelo governo do país, foi um evento realizado para comemorar a queda do muro de Berlim, marcando o fim e o começo de uma era.

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Muitos estilos musicais também apresentaram discursos. Nirvana no grunge, falando sobre assuntos sérios e pouco retratados na mídia com suas letras poéticas e polêmicas. Uma revolta contra violência, sociedade alienada e a favor da liberdade.

O punk também foi um movimento cheio de rebeldia. Sex Pistols com seus gritos de ataque a monarquia em God Save The Queen, rejeitavam o governo. Green Day com seu pop punk e sua ópera punk rock American Idiot, mostrando a infeliz realidade de uma geração que cresceu em tempos de guerra.

O Brasil também não fica de fora. Durante a ditadura, músicos, escritores, diretores, entre outros, usaram seus meios para se pronunciarem, muitas vezes sutilmente. Em todas as épocas e lugares existem artistas que se expressam através da arte e mostram suas opiniões sem medo da rejeição.

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Não importa de que lado está, esquerda, direita, ele sim, ele não, a arte sempre serviu como uma manifestação política. Representa a sociedade vítima de toda forma de abuso. Inspira, acalma, protesta… É sonho, esperança, realidade. A arte é o retrato da vida.

Já dizia John Lennon, “you may say I’m a dreamer, but I’m not the only one. I hope someday you’ll join us and the world will be as one” (você pode dizer que sou um sonhador, mas não sou o único. Espero que um dia junte-se a nós e o mundo será um só).

 

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